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Bolsonaro sanciona a revogação da Lei de Segurança Nacional

Por André Luis

Artigo contra disseminação de fake news é vetado

O presidente da República, Jair Bolsonaro, sancionou com vetos a Lei 14.197, de 2021, que revoga a Lei de Segurança Nacional (Lei 7.170, de 1983), criada durante a ditadura militar. 

Além de revogar a LSN, o texto aprovado pelo Congresso estabelece uma série de tipos penais em defesa do Estado Democrático de Direito. 

Bolsonaro, porém, vetou vários artigos, entre eles o que previa até cinco anos de reclusão para quem cometesse o crime de “comunicação enganosa em massa”. A sanção foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (2).

Segundo Bolsonaro, a tipificação das fake news contraria o interesse público “por não deixar claro qual conduta seria objeto da criminalização”. De acordo com o presidente, “a redação genérica” do artigo não especificava se a punição seria para quem gera ou para quem compartilha a notícia falsa. 

“Enseja dúvida se o crime seria continuado ou permanente, ou mesmo se haveria um ‘tribunal da verdade’ para definir o que viria a ser entendido por inverídico a ponto de constituir um crime punível”, argumenta. 

Para Bolsonaro, que é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito das fake news,  o dispositivo poderia “afastar o eleitor do debate político”, “inibir o debate de ideias” e “limitar a concorrência de opiniões”.

O presidente da República também vetou um dispositivo que permitia aos partidos políticos com representação no Congresso Nacional promover ação privada subsidiária caso o Ministério Público não atuasse no prazo estabelecido em lei. 

A previsão valeria apenas para os chamados crimes contra as instituições democráticas no processo eleitoral (interrupção do processo eleitoral, comunicação enganosa em massa e violência política).

Para Bolsonaro, a medida “não se mostra razoável para o equilíbrio e a pacificação das forças políticas” e poderia “levar o debate da esfera política para a esfera jurídico-penal”. “Não é atribuição de partido político intervir na persecução penal ou na atuação criminal do Estado”, justificou.

O presidente barrou ainda o capítulo que tipificava como crime o atentado a direito de manifestação, com pena que poderia chegar a 12 anos de reclusão. Para Bolsonaro, haveria “dificuldade” para caracterizar “o que viria a ser manifestação pacífica”.

“Isso colocaria em risco a sociedade, uma vez que inviabilizaria uma atuação eficiente na contenção dos excessos em momentos de grave instabilidade, tendo em vista que manifestações inicialmente pacíficas poderiam resultar em ações violentas, que precisariam ser reprimidas pelo Estado”, disse.

Militares

Bolsonaro também vetou o inciso que aumentava a pena para militares envolvidos em crimes contra o Estado Democrático de Direito. Pelo projeto, eles estariam sujeitos a perda do posto, da patente ou da graduação. Para o presidente, o dispositivo “viola o princípio da proporcionalidade”. 

“Coloca o militar em situação mais gravosa que a de outros agentes estatais, além de representar uma tentativa de impedir as manifestações de pensamento emanadas de grupos mais conservadores”, escreveu.

O Palácio do Planalto vetou outras duas hipóteses de aumento de pena nos crimes contra o Estado Democrático de Direito: se cometido com emprego de arma de fogo ou por servidor público. “Não se pode admitir o agravamento pela simples condição de agente público em sentido amplo”, justificou.

O que diz a lei

Algumas regras da extinta Lei de Segurança Nacional foram incorporadas ao Código Penal (Decreto Lei nº 2.848, de 1940) em um título que trata dos crimes contra o Estado Democrático de Direito. Os capítulos punem violações à soberania nacional, às instituições democráticas, ao processo eleitoral, aos serviços essenciais e à cidadania.

A nova lei tipifica o crime de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, “impedindo ou restringindo o exercício dos Poderes constitucionais”. Nesse caso, a pena é de prisão de 4 a 8 anos, além da pena correspondente à violência empregada. 

Já o crime de golpe de estado propriamente dito — “tentar depor, por meio de violência ou grave ameaça, o governo legitimamente constituído” — gera prisão de 4 a 12 anos, além da pena correspondente à violência.

Negociar com governo ou grupo estrangeiro, ou seus agentes, com o fim de provocar atos típicos de guerra ou invasão pode gerar prisão de 3 a 8 anos — e pena aumentada da metade até o dobro se for declarada guerra em consequência dessa ação. 

Praticar violência ou grave ameaça com a finalidade de desmembrar parte do território nacional para constituir país independente tem pena prevista de 2 a 6 anos, além da pena correspondente à violência.

O texto prevê ainda crimes contra o processo eleitoral (interrupção do processo, violência política e ação penal privada subsidiária) e de sabotagem contra o funcionamento de “serviços essenciais” — os meios de comunicação ao público, estabelecimentos, instalações ou serviços destinados à defesa nacional.

A nova lei também revoga um artigo da Lei das Contravenções Penais (Decreto-Lei 3.688, de 1941) que trata dos crimes referentes à paz pública. O dispositivo revogado previa prisão por seis meses para quem participasse em segredo de associação periódica de mais de cinco pessoas.

A nova lei é resultado do projeto de lei (PL) 2.108/2021, que tramitou por 30 anos no Congresso Nacional. O texto foi aprovado por deputados em maio e pelos senadores em agosto deste ano. 

O relator foi o senador Rogério Carvalho (PT-SE). Durante a discussão da matéria, Carvalho sublinhou que a Lei de Segurança Nacional foi usada pelo governo para punir opositores do presidente Jair Bolsonaro. O número de inquéritos instaurados com base na lei aumentou a partir de 2019 e chegou a 51 em 2020. As informações são da Agência Senado.

Outras Notícias

Em Brasília, Sandrinho busca agilizar repasses federais para obras em Afogados da Ingazeira

O prefeito de Afogados da Ingazeira, Sandrinho Palmeira, cumpriu agenda administrativa em Brasília nesta semana para solicitar agilidade na liberação de recursos federais destinados a obras em andamento no município. Segundo a Prefeitura, os investimentos realizados em parceria com o Governo Federal ultrapassam R$ 30 milhões. Durante a viagem, o gestor esteve nos ministérios da […]

O prefeito de Afogados da Ingazeira, Sandrinho Palmeira, cumpriu agenda administrativa em Brasília nesta semana para solicitar agilidade na liberação de recursos federais destinados a obras em andamento no município. Segundo a Prefeitura, os investimentos realizados em parceria com o Governo Federal ultrapassam R$ 30 milhões.

Durante a viagem, o gestor esteve nos ministérios da Educação e da Saúde para tratar dos repasses financeiros e buscar a manutenção dos cronogramas de execução dos projetos.

Entre as obras contempladas estão a construção da nova Escola Municipal José Patriota, no terreno localizado ao lado da antiga Cagepe, e duas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), destinadas a ampliar o atendimento à população do Centro e do bairro Padre Pedro Pereira.

A relação também inclui a oficina ortopédica e um Centro de Educação Infantil em construção na Vila Pajeú. Os equipamentos integram os investimentos previstos para as áreas de saúde e educação do município.

Sandrinho afirmou que a continuidade das transferências federais é necessária para evitar atrasos na execução das obras. O prefeito também comentou o resultado das eleições presidenciais e disse acreditar na manutenção dos investimentos com a reeleição do presidente Lula.

“Estávamos com muito medo nessas eleições de termos uma ruptura e uma descontinuidade nesses repasses. Mas com a reeleição do Presidente Lula temos a certeza de que as obras não serão paralisadas”, declarou.

O prefeito afirmou ainda que pretende entregar os equipamentos durante o período restante de sua gestão.

“Temos muitas obras para inaugurar. Até o final do meu mandato, esses equipamentos estarão funcionando e servindo ao nosso povo”, disse.

Foto: Divulgação

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Bolsonaristas atacam The New York Times após entrevista com Flávio Bolsonaro: “Jornal esquerdista”

A entrevista concedida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao jornal norte-americano The New York Times provocou críticas de apoiadores do parlamentar nas redes sociais. Após a publicação da reportagem, nessa quinta-feira (5), bolsonaristas acusaram o veículo de apresentar uma abordagem favorável à esquerda e direcionaram ataques à jornalista Ana Ionova, responsável pela entrevista. As reações […]

A entrevista concedida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao jornal norte-americano The New York Times provocou críticas de apoiadores do parlamentar nas redes sociais. Após a publicação da reportagem, nessa quinta-feira (5), bolsonaristas acusaram o veículo de apresentar uma abordagem favorável à esquerda e direcionaram ataques à jornalista Ana Ionova, responsável pela entrevista.

As reações se concentraram principalmente no Instagram e no X, antigo Twitter. Na publicação feita pela jornalista para divulgar o conteúdo, usuários questionaram sua atuação profissional e a acusaram de misturar jornalismo com militância política.

“Que falta de profissionalismo da @anaionova… Não consegue separar militância da profissão? Rasga o diploma!”, escreveu um dos perfis. A mensagem foi publicada repetidas vezes. Após os comentários, a jornalista retirou do feed do Instagram a postagem sobre a entrevista.

No X, parte dos apoiadores também questionou a decisão de Flávio de conversar com o jornal americano. Uma usuária comparou o veículo à TV Globo e criticou o senador por conceder a entrevista depois de divergências com a emissora brasileira.

Outra apoiadora afirmou ter rejeitado completamente a reportagem, classificando seu conteúdo como uma narrativa de esquerda.

A entrevista foi realizada na quarta-feira (4), em Miami, onde Flávio está desde que deixou o Brasil após perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Um dos principais pontos abordados foi a maneira como o senador conseguiu chegar aos Estados Unidos, depois de receber uma determinação judicial para entregar seus passaportes.

“Como eu cheguei aqui, vou levar isso para o túmulo”, afirmou Flávio, que negou ter recebido ajuda de governos ou de terceiros para organizar a viagem.

A versão apresentada pelo parlamentar foi confrontada com informações atribuídas a autoridades norte-americanas. Segundo a apuração publicada, um integrante da Casa Branca teria providenciado o avião utilizado na viagem, enquanto a entrada do senador nos Estados Unidos teria sido autorizada diretamente pelo presidente Donald Trump.

Outro tema da entrevista foi o resultado das eleições presidenciais brasileiras. Flávio voltou a questionar sua derrota para Lula, mas não apresentou provas de fraude eleitoral.

O senador afirmou que pretende contestar judicialmente o resultado, embora tenha reconhecido que dificilmente conseguirá revertê-lo. A vitória de Lula foi reconhecida pela Justiça Eleitoral, e o próprio PL aceitou o resultado da disputa.

Flávio também falou sobre sua permanência nos Estados Unidos e os planos de continuar participando das articulações políticas brasileiras a partir do exterior.

As críticas dos apoiadores se intensificaram justamente após a divulgação dessas declarações e das informações levantadas pela reportagem sobre as circunstâncias da saída do senador do Brasil.

Fonte: Correio Braziliense
Foto: Reprodução/The New York Times

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Venezuelano é preso perto da Casa Branca após afirmar que queria matar Donald Trump

Um imigrante venezuelano foi preso pelo Serviço Secreto dos Estados Unidos nas proximidades da Casa Branca, em Washington, após supostamente afirmar que pretendia matar o presidente Donald Trump. A detenção ocorreu na quinta-feira (5), mas as informações foram divulgadas nessa sexta-feira (6) pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS). O suspeito foi identificado […]

Um imigrante venezuelano foi preso pelo Serviço Secreto dos Estados Unidos nas proximidades da Casa Branca, em Washington, após supostamente afirmar que pretendia matar o presidente Donald Trump. A detenção ocorreu na quinta-feira (5), mas as informações foram divulgadas nessa sexta-feira (6) pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS).

O suspeito foi identificado como Ronny Yordrix Guanipa Chrinos. Segundo as autoridades americanas, agentes do Serviço Secreto perceberam uma movimentação suspeita em um veículo estacionado na Avenida Constitution, nas proximidades da residência presidencial, e decidiram realizar uma abordagem.

Durante a conversa com os policiais, o venezuelano teria afirmado que ouvia vozes que o orientavam a viajar até Washington para assassinar Donald Trump. A declaração foi relatada pelo DHS, mas não consta no documento judicial inicial que detalha as circunstâncias da prisão.

Na fiscalização do automóvel, os agentes encontraram três armas de fogo, incluindo um fuzil, além de dezenas de munições. As autoridades também constataram que o veículo havia sido registrado como roubado.

De acordo com o Departamento de Segurança Interna, o homem entrou irregularmente nos Estados Unidos em março de 2024, pela fronteira com o México, no estado do Texas. Na ocasião, teria sido detido pela Patrulha de Fronteira e posteriormente liberado.

Após a abordagem nas proximidades da Casa Branca, Chrinos foi preso e passou a responder a acusações relacionadas ao porte e transporte irregular de armas de fogo, além de crimes envolvendo o veículo roubado.

O suspeito compareceu à Justiça na sexta-feira (6) e permanece detido, sem direito à liberdade mediante pagamento de fiança, segundo os registros judiciais divulgados até o momento.

Embora as autoridades tenham relatado a suposta intenção de matar Trump, as acusações formalizadas inicialmente estão relacionadas às armas e ao automóvel. Não foi anunciada condenação ou comprovação judicial de um plano de assassinato.

O episódio ocorre em um período de reforço da segurança presidencial nos Estados Unidos. Trump já foi alvo de ameaças e tentativas de atentado, incluindo o ataque a tiros ocorrido durante um comício eleitoral na Pensilvânia, em julho de 2024.

Fonte: Diário de Pernambuco
Foto: Reprodução

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Nando Reis faz show impecável e prova que dinheiro público deve bancar o que é bom

Carnaíba recebeu na noite de ontem a turnê “Pra Você Guardei o Amor”, de Nando Reis @nandoreis A noite foi impecável. Reis desfilou seus grandes sucessos e a influência de sua música na construção e identidade musical do pop rock e MPB contemporâneos. Da primeira à última música, o paulistano de 63 anos não esteve […]

Carnaíba recebeu na noite de ontem a turnê “Pra Você Guardei o Amor”, de Nando Reis @nandoreis

A noite foi impecável. Reis desfilou seus grandes sucessos e a influência de sua música na construção e identidade musical do pop rock e MPB contemporâneos.

Da primeira à última música, o paulistano de 63 anos não esteve só, com um coral de vozes que fez a diferença.

Alguns detalhes merecem atenção: a divulgação poderia ser mais ampla. Muita gente da região ficou sabendo do show pelos posts recentes do blog. A prefeitura entrou no modo contenção e interrompeu a publicidade institucional em novembro, justamente no momento mais determinante da publicação.

Também faltou atenção a alguns veículos de imprensa, que sequer tiveram espaço ou foram organizados para registros do evento, mesmo tendo buscado evidenciar a importância da noite. Isso se faz com planejamento prévio e organização.

Mas nada que apague o mais importante: Nando Reis reinou em Carnaíba, provando que os municípios têm obrigação de fomentar a cultura, a história da verdadeira música brasileira, sem recorrer a modismos nem à indústria dos mega shows que sangram os cofres e a identidade cultural no povo. Nisso, na noite de ontem, Carnaíba mais uma vez tirou 10, respeitando o legado de Zé Dantas. E isso vale um abraço!

Clique no link abaixo e confira um trecho do show de Nando Reis, que acompanhei durante a Festa de Zé Dantas.

 

Também conversei com o jornalista Marcello Patriota, durante a cobertura da festa. Na entrevista, destaquei a importância de Carnaíba como referência de resistência cultural no Sertão do Pajeú, especialmente pela preservação do legado de Zé Dantas, compositor que, como dizia Luiz Gonzaga, carregava em suas letras o cheiro e a identidade do Sertão.

Defendi que Carnaíba dá um exemplo a outras cidades da região ao valorizar a música brasileira em sua programação. Ao longo dos anos, o município recebeu artistas como Dominguinhos, Alceu Valença, Zeca Baleiro e Zé Ramalho. Nesta edição, pude acompanhar Nando Reis e também o trabalho de Pablo Moreno, que fez uma apresentação na noite anterior.

Outro ponto que fiz questão de destacar foi a escola de música do município, que contribui para a formação de crianças e jovens. Ver novas gerações aprendendo a tocar sanfona e tendo contato com a tradição musical da região é parte de um legado que merece ser preservado.

Na minha avaliação, Carnaíba mostra que é possível realizar grandes encontros culturais sem abrir mão da identidade sertaneja ou depender exclusivamente dos modismos do mercado musical. É uma experiência que merece ser observada por outros municípios do Pajeú.

Clique no link abaixo e confira minha conversa com Marcello Patriota, sobre a Festa de Zé Dantas, a valorização da música brasileira e o papel de Carnaíba na preservação da cultura regional.

 

Lula sanciona lei que torna exame obrigatório para exercer medicina e avaliar qualidade dos cursos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou, nessa sexta-feira (6), a lei que estabelece novas regras para o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). A avaliação será realizada ao longo da graduação em medicina e passará a ser requisito para o exercício da profissão no Brasil, além de servir como instrumento […]

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou, nessa sexta-feira (6), a lei que estabelece novas regras para o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). A avaliação será realizada ao longo da graduação em medicina e passará a ser requisito para o exercício da profissão no Brasil, além de servir como instrumento de fiscalização da qualidade dos cursos.

Pela nova legislação, os estudantes serão avaliados em três momentos da formação: ao final do segundo, do quarto e do sexto ano. A nota final será calculada a partir do desempenho nas três etapas, com maior peso para a última avaliação, realizada na conclusão do curso.

A exigência de aprovação para obter o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) será aplicada aos estudantes que ingressaram na graduação a partir de 19 de junho de 2026. Quem já estava matriculado antes dessa data continuará submetido às regras anteriores, assim como os médicos que já possuem diploma reconhecido no Brasil.

Os estudantes que não alcançarem o desempenho mínimo exigido poderão refazer a avaliação em edições futuras. Entretanto, não poderão exercer a medicina enquanto não obtiverem a aprovação necessária para o registro profissional.

O exame será aplicado pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com participação do Ministério da Saúde e do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Durante a cerimônia de sanção, em Brasília, Lula afirmou que a medida pretende contribuir para a qualidade dos serviços de saúde oferecidos à população.

“Quanto mais qualificado for o nosso médico, mais garantia a gente tem de que nós vamos viver mais”, declarou o presidente.

Além de avaliar os estudantes, o Enamed permitirá acompanhar o desempenho das instituições de ensino. Faculdades que apresentarem resultados insatisfatórios poderão ser submetidas a processos de supervisão do MEC, com medidas que incluem redução de vagas e suspensão temporária da entrada de novos alunos.

Na primeira edição do exame, realizada em 2025, foram avaliados 351 cursos de medicina. Desse total, 107 receberam conceitos considerados insatisfatórios, enquanto aproximadamente 13 mil concluintes não alcançaram o nível mínimo de proficiência.

A nova legislação também permite utilizar os resultados do Enamed nos processos seletivos de residência médica de acesso direto, por meio do Exame Nacional de Residência (Enare). A prova ainda substituirá a etapa teórica do Revalida, exame destinado à revalidação de diplomas médicos obtidos no exterior.

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou que a avaliação permitirá identificar dificuldades de aprendizagem durante a graduação e acompanhar o desempenho das instituições.

Já o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o modelo foi construído em diálogo com as entidades médicas e permitirá acompanhar a evolução dos estudantes durante a formação.

A lei também cria o Sistema Nacional de Avaliação da Residência Médica (Sinares), destinado ao acompanhamento da formação de médicos especialistas.

O texto foi sancionado com um veto presidencial ao dispositivo que estabelecia contrapartidas financeiras de instituições de ensino que utilizam estruturas do Sistema Único de Saúde (SUS) para atividades práticas e estágios.

Fonte: Agência Brasil
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

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