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A verdade sobre a estabilidade dos ACS e ACE: o que os municípios precisam saber antes de decidir

Por André Luis

Por Inácio Feitosa*

Nas minhas caminhadas pelos municípios da região Nordeste, em visitas técnicas, palestras e encontros de formação, recebo com frequência perguntas que revelam a preocupação crescente com temas jurídicos que afetam diretamente o funcionamento do SUS. E essa preocupação não é exclusiva do Nordeste — em recente agenda no estado de São Paulo, fui procurado por um secretário de saúde que me apresentou um drama que também se repete em muitos outros municípios.

Ele me disse, de forma sincera e quase em tom de pedido de socorro:
“Professor Inácio, nossos Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias afirmam que têm estabilidade. O plano de cargos também fala nisso. Podemos reconhecer essa estabilidade? E como proceder quando precisamos encerrar o vínculo?”

A partir dessa conversa, que reflete a realidade administrativa de inúmeras cidades brasileiras, decidi reunir neste artigo as respostas que apresentei naquele encontro, porque são essenciais para gestores que buscam segurança jurídica e responsabilidade na condução da política de saúde.

O ponto inicial é simples e decisivo: ACS e ACE não possuem estabilidade especial. Nenhuma lei federal criou estabilidade própria para essas categorias. O que existe é a obrigação de processo seletivo público, a definição de atribuições e a determinação de vínculo direto com o município, estado ou Distrito Federal.

A estabilidade, no Brasil, nasce exclusivamente da Constituição Federal quando o servidor ocupa cargo efetivo, cumpre estágio probatório e se enquadra no modelo previsto no artigo 41. Assim, se o município adota regime estatutário e cria cargos efetivos de ACS e ACE, esses servidores poderão adquirir estabilidade — não por serem ACS ou ACE, mas porque ocupam cargo efetivo.

Nas cidades que trabalham com o regime celetista, que ainda é a maioria, ACS e ACE são empregados públicos. E empregados públicos não são estáveis, conforme reiterado pelo Supremo Tribunal Federal. A proteção existe contra dispensas arbitrárias ou discriminatórias, mas isso não se confunde com estabilidade.

A dúvida seguinte é uma das mais delicadas para os gestores: um Plano de Cargos e Carreiras pode criar estabilidade?
A resposta é clara: não pode.
Nem o PCCR, nem uma lei municipal, nem um decreto podem estabelecer uma “estabilidade do setor”, uma “estabilidade funcional” ou qualquer modelo de efetivação indireta. Isso violaria a Constituição e já foi invalidado inúmeras vezes pelos tribunais superiores.

Mesmo quando o PCCR faz referência a uma suposta estabilidade, essa previsão é juridicamente ineficaz. O plano pode e deve organizar progressões, critérios de desempenho, gratificações e estrutura de carreira. Mas não pode criar estabilidade, pois essa competência é exclusiva da Constituição.

Quanto às rescisões, tudo depende do regime jurídico. Para vínculos celetistas, a dispensa deve ser motivada e respeitar a legislação trabalhista, associada aos princípios administrativos. Nos casos de falta grave ou descumprimento de requisitos legais, recomenda-se processo administrativo com garantia de defesa. Já para servidores estatutários de cargo efetivo, somente é possível a perda do cargo mediante processo administrativo disciplinar, decisão judicial, avaliação de desempenho regulamentada ou medidas previstas para adequação de despesas públicas. Quando o vínculo é irregular desde a origem — ingressos sem processo seletivo público, contratações precárias — a regra consolidada é que o contrato é nulo, gerando apenas salários e FGTS.

Aqui é importante reforçar o que muitos gestores só descobrem tarde demais: erros nesse tema têm impacto político, financeiro e jurídico imediato.
Ignorar as regras de ingresso ou tentar “criar estabilidade” por vias alternativas pode gerar:

responsabilização pelo Tribunal de Contas, com imputação de débito e determinações de exoneração;
riscos de ações de improbidade administrativa por violação dos princípios constitucionais;
aumento indevido da folha, comprometendo o limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal;
conflitos trabalhistas que terminam em reintegrações e condenações elevadas;
desgaste político, especialmente quando decisões são judicializadas e ganham repercussão local.

Ou seja, não se trata apenas de interpretação jurídica: trata-se de gestão responsável, de prevenção de passivos financeiros e de proteção da governabilidade municipal.

Em síntese, a conclusão que compartilho com gestores em tantas cidades permanece atual e inafastável: não existe estabilidade especial para ACS e ACE; municípios não podem criá-la; PCCRs não produzem esse efeito; e a rescisão deve seguir estritamente o regime jurídico aplicável. É fundamental compreender que estabilidade é matéria constitucional, não municipal.

A boa gestão pública exige cuidado, coragem e compromisso com a legalidade. E, no tema dos ACS e ACE, seguir a Constituição é o caminho mais seguro para proteger a administração, os profissionais e, sobretudo, a população atendida pelo SUS.

*Inácio Feitosa é advogado, escritor, diretor e fundador do Instituto IGEDUC ([email protected]

Outras Notícias

Relatórios internos da Compesa apontam fraudes na folha de pagamento 

Relatórios internos da Compesa relatando uma série de fraudes sistêmicas na folha de pagamento da estatal nos últimos três anos. Segundo fonte sob reserva no PSB ao blog de Jamildo, o conteúdo das denúncias preocupa o Palácio do Campo das Princesas por possível repercussão dos fatos na campanha de 2022. A presidente da Compesa, Manuela […]

Relatórios internos da Compesa relatando uma série de fraudes sistêmicas na folha de pagamento da estatal nos últimos três anos.

Segundo fonte sob reserva no PSB ao blog de Jamildo, o conteúdo das denúncias preocupa o Palácio do Campo das Princesas por possível repercussão dos fatos na campanha de 2022.

A presidente da Compesa, Manuela Marinho, foi indicada para o cargo pelo ex-prefeito Geraldo Júlio (PSB) em 2019, em substituição a Roberto Tavares, que estava há 12 anos no cargo.

Segundo informações extra-oficiais, a estatal terá que passar por uma auditoria externa.

A agência DRACCO, da Polícia Civil de Pernambuco, tem um inquérito policial aberto. A própria Compesa pediu na Justiça Estadual o bloqueio de bens dos envolvidos no desvio de recursos. Leia a íntegra da reportagem no Blog de Jamildo.

Alunos do ensino médio de Flores participam palestra de educação no trânsito

Representando o Diretor Presidente do Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco – DETRAN-PE, Charles Ribeiro, que se encontra na Capital Federal, onde participa da eleição da diretoria da Associação Nacional de Detrans – AND, o Coordenador de Articulação Municipal do Órgão, Lázaro Medeiros, abriu encontro com estudantes do Ensino Médio, da Escola de Referência Aires […]

Representando o Diretor Presidente do Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco – DETRAN-PE, Charles Ribeiro, que se encontra na Capital Federal, onde participa da eleição da diretoria da Associação Nacional de Detrans – AND, o Coordenador de Articulação Municipal do Órgão, Lázaro Medeiros, abriu encontro com estudantes do Ensino Médio, da Escola de Referência Aires Gama, sob a direção de Artemes Mendes de Andrade, localizado em Flores, Sertão do Estado, que conta com uma frota de 4.921, desses 2.700 são motos.

Em sua fala, Lázaro lembrou que a Caravana Detran nos Municípios conta com a chancela do Governador Paulo Câmara, que prioriza a educação para conscientizar as pessoas em benefício da segurança no trânsito. O evento levou para Flores ações de educação de trânsito voltada alunos da rede estadual e municipal.

O Secretário de Administração Municipal, Saulo Lima, representou o Prefeito Marconi Santana, agradecendo o DETRAN-PE e Governo de Pernambuco por trazer esse evento ao município. “Está sendo um momento cívico e de instrução para os jovens, que sem dúvida estão aprendendo na base os caminhos para harmonizar o trânsito e o cumprimento das leis. Quando um jovem sofre um acidente de trânsito, não só é ele que é afetado, mas sim toda sua família. Com essas ações de educação, podemos mudar esse quadro” destacou.

Euda Costa, analista de trânsito da Escola Pública de Trânsito do DETRAN-PE, falou sobre a segurança no trânsito e acidentes de moto, chamando atenção para os jovens sobre a necessidade do uso correto de equipamentos de segurança. Lembrando que o público alvo são os jovens, por isso a linguagem é diferenciada e a abordagem focada naquilo que eles mais valorizam, seus sonhos, sua independência e sua saúde, pois acidentes com motos, quando não matam, deixam sequelas.

Participaram do evento, além da vereadora Jeane Lucas, Secretários Municipais e representantes da sociedade civil.

Carnaíba: Prefeitura pede apoio da PM para preservar qualidade de água de barragem

Pesca ilegal ameaça espécies e prejudica qualidade da água Com o objetivo de coibir a pesca predatória e a retirada de água de forma abusiva da barragem do Chinelo a Secretaria de Obras da Prefeitura de Carnaíba solicitou o apoio da Polícia Militar para ajudar na fiscalização. A prática da pesca é permitida apenas através […]

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Pesca ilegal ameaça espécies e prejudica qualidade da água

Com o objetivo de coibir a pesca predatória e a retirada de água de forma abusiva da barragem do Chinelo a Secretaria de Obras da Prefeitura de Carnaíba solicitou o apoio da Polícia Militar para ajudar na fiscalização.

A prática da pesca é permitida apenas através de anzol, uma vez que a barragem está apenas com 12% de sua capacidade e o uso de rede e tarrafas pioram a qualidade da água.

A água do manancial está sendo utilizada para abastecer comunidades rurais de Carnaíba e Quixaba que sofrem com a estiagem.

É crise: Pernambuco reduziu investimentos em 72% no primeiro bimestre

Reportagem do jornal Valor Econômico publicada nesta segunda (13) revela que 14 Estados brasileiros reduziram seus investimentos nos primeiros dois meses de 2015, na comparação com o primeiro bimestre do ano passado. De acordo com o levantamento do jornal, Pernambuco teve um recuo de nada menos do que 72% – para ser mais exato, de […]

crise

Reportagem do jornal Valor Econômico publicada nesta segunda (13) revela que 14 Estados brasileiros reduziram seus investimentos nos primeiros dois meses de 2015, na comparação com o primeiro bimestre do ano passado. De acordo com o levantamento do jornal, Pernambuco teve um recuo de nada menos do que 72% – para ser mais exato, de 71,9%. O pior é que, longe de ser a maior queda, o número está na 11ª posição entre os que despencaram. Alagoas, por exemplo, caiu 100%, Minas Gerais, 98,4%, e Rio Grande do Sul e Minas Gerais, empatados, 96%.

Os dados foram coletados com informações enviadas pelas Secretarias da Fazenda dos Estados ao Tesouro Nacional. Informações de 21 Estados já estão disponíveis e, desse total, 14 apresentaram recuo nos investimentos, como você pode ver na tabela acima, elaborada pela reportagem do Valor Econômico

Quem vai sobrar pra apagar a luz? Mais um nome vira para grupo de Márcia

Mais uma pra conta de Sebastião e Waldemar Oliveira, “padrinhos da deserção” O ex-diretor do Hospam, João Antônio Magalhães, é mais um nome da oposição que desembarca no grupo da prefeita Márcia Conrado (PT) em Serra Talhada. A informação é do Sertão Notícias PE, da Cultura FM. A adesão foi acertada na manhã desta sexta-feira […]

Mais uma pra conta de Sebastião e Waldemar Oliveira, “padrinhos da deserção”

O ex-diretor do Hospam, João Antônio Magalhães, é mais um nome da oposição que desembarca no grupo da prefeita Márcia Conrado (PT) em Serra Talhada.

A informação é do Sertão Notícias PE, da Cultura FM. A adesão foi acertada na manhã desta sexta-feira (30) durante encontro entre os dois. Com a adesão, João Antônio é cotado para assumir a XI GERES.

É mais uma derrocada para o grupo de Sebastião e Waldemar Oliveira. Enquanto se preocupam com a macro política, com o AVANTE estadual e nacional e outras demandas, debandam do debate em Serra. Viraram personagens virtuais, só aparecendo em entrevistas por telefone ou vídeo chamada. Sem interlocução adequada em Serra, são padrinhos da deserção.