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Totonho oitentou

Por Nill Júnior

Salvo raras exceções,  me furto de frequentar ambientes políticos. Numa região onde a atribuição do jornalista é sempre colocada a prova a partir de uma mera imagem, melhor evitar.

Mas não poderia deixar de dar um abraço no ex-prefeito Totonho Valadares,  que ontem reuniu amigos e familiares em sua casa fazenda,  onde celebrou seus 80 anos. A festa teve um simbolismo ainda maior depois do susto que ele sofreu, dia 10 de abril passado,  quando enfrentou complicações de uma arritmia grave. Escapou, levado às pressas para o Hospital Regional Emília Câmara e depois, para o Eduardo Campos em Serra Talhada.

De lá pra cá,  ainda enfrentou uma cirurgia para implantar um marca-passo (CDI) no PROCAPE, em Recife, e as complicações de uma infecção respiratória,  provavelmente de origem hospitalar. Teve alta definitiva e está em casa. Os filhos decidiram por alguns cuidados,  dentre eles,  o de que Totonho não conceda entrevistas,  temendo emoções fortes que possam causar uma intercorrência. Mas Valadares está em linhas gerais ótimo,  principalmente em relação à consciência e cognição.  Me recebeu com surpresa, principalmente depois de muitos convites sem presença à sua tradicional recepção de 1º de janeiro, uma marca de décadas, onde costuma receber os amigos.

Quando Totonho foi eleito vice-prefeito de Orisvaldo Inácio,  em 1988, eu ainda não estava no rádio. Jovem, vi meu pai envolvido naquela eleição muito mais pela figura de Orisvaldo,  envolvido que era no PSB local, que ajudou a fundar. Era também compadre de Antônio Mariano, que apoiou João Ézio,  mas foi um dos 5.927 votos que ajudaram o socialista,  contra os 5.622 eleitores que votaram em Ézio,  para muitos uma invenção de Mariano,  ao trazer um médico sertanejo, mas com vida no Marabá,  o que determinou o início do fim de sua vitoriosa trajetória na política.

Como não havia reeleição,  Totonho buscou pavimentar sua candidatura.  Enfrentou resistência dos setores populares por ser tido como “homem das elites”, empresário,  engenheiro,  imagem construída desde a juventude,  como alguém que teve condições de deixar Afogados e estudar fora, dentre outros rótulos que tentavam lhe impor. Venceu duas eleições na verdade. A primeira,  contra os preconceitos em torno de sua candidatura.  A segunda, ao bater Heleno Mariano nas eleições de 1992 com 6.508 votos contra 6.093 do candidato do PFL. Detalhe, Totonho foi eleito aos 46 anos, pelo PSDB. 

Teve dois anos prefeito com um opositor,  o governador Joaquim Francisco no Palácio,  mas soube aproveitar os dois últimos,  com Miguel Arraes no governo. Começou a implementar sua marca desenvolvimentista e ganhou as comunidades apoiando associações e organizações do campo. Aos poucos, foi deixando a imagem que o perseguiu até conquistar o governo,  e passou a ser visto como quem se alinhou ao alicerce dos projetos mais populares, somando a visão que a engenharia lhe agregou para a vida política.

O ponto de fissura veio após a primeira eleição de Giza, que ele e a Frente Popular apoiaram em 1996, com a imagem que a ex-prefeita construiu de “mãe da pobreza”, após passar pela Secretaria de Assistência Social na gestão Orisvaldo. Giza invocou o direito à reeleição,  aprovada em 1997 pelo Congresso, numa articulação por mais um mandato para FHC. Totonho invocara um documento assinado por Giza, ele, Patriota e partidos da Frente Popular em que a ex-gestora se comprometia em não disputar a reeleição caso a emenda passasse. Giza argumentou que havia um sentimento popular por sua reeleição e que estava disposta a seguir com o projeto. Nascia ali uma das maiores rivalidades da política afogadense, nada sequer próximo do que vemos hoje entre Sandrinho Palmeira e Danilo Simões,  por exemplo.  Era visceral,  pessoal,  além da divisão política.

Com a Frente rachada, Giza, então no PPS, buscou se alinhar a Antônio Mariano,  garantindo os votos que lhe faltavam para bater o próprio Totonho em 2000, com 7.767 votos, contra 7.394 votos de Valadares,  candidato pelo PTB.

Totonho venceria Giza em 2004, quando ela indicou Zé Ulisses, e em 2008, quando ela voltou a enfrentá-lo, chegando a três mandatos como prefeito do seu município. Giza, registre-se,  também teve contribuição determinante para Afogados.  A divergência também alimentou a vontade dos dois líderes de querer fazer mais que o outro.

Aquele período foi desafiador justamente porque, para quem fazia imprensa,  na principal emissora,  a Rádio Pajeú AM, era um inferno administrar a relação turbulenta entre eles. Mais ainda porque uma característica de Totonho, para muitos a virtude que o manteve tanto tempo vivo, era a de não guardar palavras, sentimentos, não ser politicamente correto, ao se furtar ou escolher o que dizer para não desagradar ou escandalizar. “Traidora” era o adjetivo mais comum. Administrar os direitos de resposta, que eram na verdade “direito de ataque”, era dificílimo.  Um atacava,  a outra respondia, o “um” queria rebater o rebate. E eu no meio desse fogo cruzado.

Naquela confusão,  acho que nasceu um traço importante de minha relação com Totonho. Aprendi que tinha que estar preparado para responder ou ser franco no tom dele, ou pelo menos próximo a isso. Não lembro quantas vezes isso ocorreu ao vivo ou fora do microfone,  mas a vida me ensinou a respeitá-lo exatamente por isso.  Num mundo tão falso da política,  onde você recebe tapas nas costas e é atacado a menos de 50 metros depois, a franqueza de Totonho sempre me admirou. Nunca sugeriu ou permitiu qualquer perseguição,  boicote, cara feia de seus aliados e assessores em relação a mim. Se discordava de uma crítica,  me ligava ou, antes de sentar na cadeira para uma entrevista,  me dizia na lata o que pensava,  questionava,  discordava,  mas me respeitava na divergência. E foi assim, em mais de 30 anos de convivência.

Totonho deixa um legado que, para quem acompanha e entende de história,  representa um divisor de águas entre uma cidade interiorana e seu encontro com o futuro,  abrindo horizontes para seu desenvolvimento e crescimento. O talentoso engenheiro, que trocou o sucesso na profissão pela política,  desafiou a desconfiança inicial para se consolidar,  com suas virtudes e defeitos, como um fundamental personagem de nossa história de 116 anos. Se Afogados é o que é hoje, tem muito de sua visão de mundo e determinação para contribuir com essa história. Isso vale um abraço!

Outras Notícias

Em nota, Prefeitura de Afogados celebra conquista do Afogados FC

“É dos sonhos dos homens que uma cidade se inventa.” O poeta Carlos Pena Filho escreveu essa frase se referindo ao Recife. Mas a frase poderia ser sobre qualquer ação do homem que parecesse impossível de se realizar, mas que um sonho coletivo pudesse torná-la possível. O Afogados da Ingazeira Futebol Clube é fruto de […]

Jogadores ajoelhados no centro do gramado comemoram no imenso Arruda vazio e chuvoso: foto de Cláudio Gomes

“É dos sonhos dos homens que uma cidade se inventa.” O poeta Carlos Pena Filho escreveu essa frase se referindo ao Recife. Mas a frase poderia ser sobre qualquer ação do homem que parecesse impossível de se realizar, mas que um sonho coletivo pudesse torná-la possível.

O Afogados da Ingazeira Futebol Clube é fruto de um sonho. Um sonho que começou a ser sonhado por um grupo de homens e mulheres, e que se transformou num sonho coletivo, o sonho de toda uma cidade.

A Prefeitura de Afogados acreditou nesse sonho desde o início, se tornando a patrocinadora master do clube. E hoje, ver esse sonho transformado em uma realidade cada dia mais forte, é de fazer doer o coração de alegria.

O apoio dos comerciantes, o talento dos jogadores, o profissionalismo da comissão técnica, a competência dos diretores, o engajamento dos meios de comunicação locais, e a paixão dos torcedores, são ingredientes dessa receita de sucesso. Sonhávamos jogar a primeira divisão do Campeonato Pernambucano de Futebol, hoje estamos nas semifinais da competição. Mais, disputaremos uma competição de nível nacional: a série D do Brasileirão. Mais, se ficarmos entre os três primeiros do Pernambucano, disputaremos a Copa do Brasil. Cidades maiores, cidades mais ricas, jamais tiveram esse privilégio.

Apoiar o Afogados jamais foi despesa, sempre tratamos como investimento. Apesar das dificuldades de um município sem tantos recursos, compreendíamos que a participação do clube na primeira divisão do Pernambucano atrairia divisas para o município. A mídia espontânea gerada para a cidade, divulgando nossos potenciais através dos grandes veículos de comunicação de massa do Estado, do qual a TV Globo é o principal exemplo, levando o nome de Afogados para os quatro cantos do Estado.

Não foi à toa que a Prefeitura investiu mais de um milhão de Reais para dotar o nosso “Vianão” das melhores condições para a prática do futebol profissional. Duplicamos as arquibancadas, construímos novos acessos e novas bilheterias. Temos hoje, sem falsa modéstia, um dos melhores gramados de Pernambuco, senão o melhor. Temos também a melhor iluminação em LED do interior do Estado. Tudo isso fruto de muito trabalho e dedicação.

Todo esse apoio, toda essa estrutura, tudo isso começou com um sonho lá atrás. Estrutura que agora nos serve de suporte para que possamos sonhar mais alto, sonhar mais longe. “Porque é do sonho dos homens que uma cidade se inventa.” Porque é do sonho dos homens que Afogados se reinventa, apaixonada pela magia do futebol.

Com apoio de governistas, Câmara de Solidão rejeita Código Tributário proposto pelo prefeito

Por Anchieta Santos Por cinco votos a um, a Câmara de Vereadores de Solidão rejeitou o Projeto de Lei que alterava o Código Tributário do Município de autoria do prefeito Djalma Alves. Informações que chegaram a Produção dos programas Rádio Vivo e Cidade Alerta, mostram um fato que chamou a atenção, o projeto de lei […]

Por Anchieta Santos

Por cinco votos a um, a Câmara de Vereadores de Solidão rejeitou o Projeto de Lei que alterava o Código Tributário do Município de autoria do prefeito Djalma Alves.

Informações que chegaram a Produção dos programas Rádio Vivo e Cidade Alerta, mostram um fato que chamou a atenção, o projeto de lei não recebeu apoio nem mesmo dos vereadores ligados ao prefeito como Antônio Bujão, Viturino Melo, Zé Verland e Josias de Neta.

Já pela oposição apenas a vereadora Edileuza Godê votou pela rejeição do Novo Código Tributário. O vereador Genivaldo Barros da bancada de oposição votou pela aprovação.

Outra curiosidade ficou por conta das vereadoras “adversárias” do Prefeito Djalma Alves, Adriana Lima e Neta Riqueta. Depois de atuarem nos bastidores buscando votos para aprovar o Novo Código Tributário, no momento da votação, observando que o Projeto de Lei seria rejeitado, as duas parlamentares se abstiveram de votar.

Azul inicia operação regular para Mossoró. Próxima rota deverá ser a de Serra Talhada

Nesta quarta (13), foram iniciadas as operações da Azul entre Mossoró e Recife, mais conexões. A cidade do Rio Grande do Norte passou a ser atendida com frequências regulares e diretas, quatro vezes por semana, para o Recife, principal centro de conexão da companhia no Nordeste. O voo inaugural do novo mercado decolou da capital […]

Nesta quarta (13), foram iniciadas as operações da Azul entre Mossoró e Recife, mais conexões. A cidade do Rio Grande do Norte passou a ser atendida com frequências regulares e diretas, quatro vezes por semana, para o Recife, principal centro de conexão da companhia no Nordeste.

O voo inaugural do novo mercado decolou da capital pernambucana às 13h30 e deve chegar em Mossoró por volta das 15h. A operação no sentido inverso tem previsão de chegada às 17h, no Recife.

A cidade do Rio Grande do Norte se torna a 107ª base de operação da Azul e o 99º aeroporto do país a ser atendido pela empresa. A partir de 04 de novembro, o mercado Mossoró-Recife contará com frequências diárias, exceto aos sábados. A rota será atendida com as aeronaves modelo ATR 72-600, que podem transportar até 70 Clientes. As passagens para os voos estão disponíveis para compra em todos os canais de venda da Azul.

 “O início dos voos da Azul são um marco para a cidade. Há algum tempo, vínhamos trabalhando em parceria com o governo do estado para viabilizar a chegada da Azul aqui. Inaugurar esse mercado representa a expansão do nosso negócio, incluindo mais uma cidade do Brasil em nossa malha, que é a maior e mais abrangente do país”, disse o diretor de distribuição e alianças da companhia, Marcelo Bento Ribeiro.

Mossoró é a terceira base de operações a ser incluída na malha da Azul neste ano. Antes, as cidades argentinas de Córdoba e Rosário já haviam começado a receber voos regulares da companhia no mês de março. Em cerca de uma hora e meia, Clientes que embarcarem em Mossoró poderão chegar à capital pernambucana, um dos principais centros de conexão da Azul.

No Recife, quem parte da cidade potiguar terá a opção de realizar conexões imediatas para vários destinos do país, como Guarulhos, Campinas, Fortaleza, Rio de Janeiro, Aracaju, Maceió e Juazeiro do Norte.

Após Mossoró, a próxima cidade a integrar a rotas regulares da companhia deverá ser Serra Talhada, com voos regulares a Recife quatro vezes por semana. A previsão é de que as operações comecem até setembro. A aeronave será a mesma usada nas rotas a partir de Mossoró.

Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, tem prisão descretada após ordem do STF

Filipe Martins teve prisão decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro mora em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. Ele estava em prisão domiciliar desde o dia 27 de dezembro, proibido de usar as redes sociais, e foi detido por descumprir a medida, segundo o […]

Filipe Martins teve prisão decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro mora em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná.

Ele estava em prisão domiciliar desde o dia 27 de dezembro, proibido de usar as redes sociais, e foi detido por descumprir a medida, segundo o STF.

No início desta semana, Moraes pediu que a defesa de Martins se manifestasse sobre o assunto, afirmando que “em 29/12/2025, foi juntado aos autos notícia de que o réu condenado teria utilizado a rede social Linkedin para a busca de perfis de terceiros”.

Filipe foi condenado a 21 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele estava em prisão domiciliar desde dezembro, proibido de usar redes sociais – e, segundo o STF, descumpriu a medida.

Gersto nazista no currículo

Assessor internacional do presidente Jair Bolsonaro, Filipe Martins fez um gesto considerado símbolo da supremacia branca, com referência ao nazismo, durante uma aparição na TV Senado na quarta-feira (24). Formando a letra W e a letra P com os dedos, gesto considerado por muitos como “OK”, o asssesor na verdade transmitiu a mensagem “white power”, ou poder branco, em tradução livre.

Após repercussão negativa, o assessor da presidência usou o Twitter para se defender e afirmou que não faz sentido ser relacionado ao movimento supremacista branco ou nazista por ser judeu. Em resposta ao ocorrido, o Museu do Holocausto, em Curitiba (PR), repudiou o ato. “É estarrecedor que não haja uma semana que o Museu do Holocausto de Curitiba não tenha que denunciar, reprovar ou repudiar um discurso antissemita, um símbolo nazista ou ato supremacista”, declarou a gestão do museu, também na rede social.

Serra: André Maio pede processo disciplinar contra Pessival Gomes

O vereador serra-talhadense André Maio protocolou pedido de abertura de processo disciplinar contra o colega de bancada Pessival Gomes. O pedido foi protocolado à Comissão de Ética e Disciplina na última quarta-feira (10) após um desentendimento entre eles durante a sessão da Câmara de Vereadores. De acordo com o ofício nº 08/2022-Gv, André Maio afirma […]

O vereador serra-talhadense André Maio protocolou pedido de abertura de processo disciplinar contra o colega de bancada Pessival Gomes. O pedido foi protocolado à Comissão de Ética e Disciplina na última quarta-feira (10) após um desentendimento entre eles durante a sessão da Câmara de Vereadores.

De acordo com o ofício nº 08/2022-Gv, André Maio afirma que Pessival Gomes o chamou de ‘cabra safado’. “Ocorre que na referida sessão, o vereador Pessival Gomes me fez ofensas que não ‘condiz’ com a minha pessoa, me chamando de ‘Cabra Safado’ presencialmente no Plenário da Câmara Municipal de Vereadores de Serra Talhada, conforme consta em ATA”, diz o ofício. O pedido de abertura de procedimento disciplinar é fundamentado no art. 11, VI, da Resolução nº 002/2005, que criou o Código de Ética Parlamentar.

A rusga entre eles aconteceu no momento em que André Maio fazia uso da palavra e foi interrompido pelo colega. André alegou ‘falta de educação’ de Pessival, que retrucou: “Mal educado é você, seu cabra safado”, disse Pessival.

André Maio e Pessival Gomes integram a bancada de situação e fazem parte do mesmo grupo político liderado pela prefeita Márcia Conrado. No entanto, ambos estão em lados opostos na eleição para o governo do estado. Pessival Gomes segue a prefeita Márcia e apoia Danilo Cabral, enquanto André Maio aderiu à campanha de Marília Arraes, apoiada por Luciano Duque.