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Senadores avaliam depoimento da médica Nise Yamaguchi à CPI

Por André Luis

Senadores do governo e da oposição se manifestaram sobre os trabalhos da CPI da Pandemia desta terça-feira (1º), quando foi ouvida a médica Nise Yamaguchi.

Para o senador Otto Alencar (PSD-BA), a posição da médica de confirmar que a prescrição da cloroquina só pode ser feita com as devidas precauções podem tornar Bolsonaro “provavelmente” responsabilizado por incentivo indevido ao medicamento. Porém, o senador não quer adiantar o resultado da CPI.

— O presidente da República não podia pegar uma caixa de cloroquina e receitar para o povo brasileiro. Alguém que tivesse doença do coração e tomasse poderia ter parada cardíaca, parada respiratória e óbito — declarou, avaliando que Nise confirmou a influência de um “gabinete paralelo” favorável à tese da imunidade de rebanho.

O vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), destacou no depoimento de Nise a revelação da existência da minuta de um decreto — não publicado afinal — sobre a distribuição de medicamentos para tratamento precoce da covid-19, além do diálogo entre Nise e o anestesiologista Luciano Dias Azevedo sobre a redação do decreto. Segundo Randolfe, “jogos de palavras” não disfarçam a intenção de mudar a preceituação da cloroquina.

— O presidente da República não pode, através de decreto, receituar, preceituar medicação sem que haja comprovação científica, sem que tenha ocorrido anteriormente verificação da Anvisa — observou.

Segundo o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), apesar de Nise ter tentado “negar fatos sobre si mesma”, considera desnecessária uma reconvocação da médica.

— A vinda dela [Nise] esgota muita coisa com relação a gabinete paralelo, pelo menos quanto às pessoas cuja participação já é conhecida.

Sobre o depoimento da médica, Rogério Carvalho (PT-SE) atacou a defesa da eficácia da cloroquina contra “todos os estudos sérios” e em sentido contrário às orientações de agências reguladoras internacionais. Segundo ele, o governo usou a cloroquina como “placebo da pandemia”, levando o povo a acreditar que a doença não terá efeitos graves, e citou estudo que registra maior incidência de covid-19 nas regiões que deram mais votos a Jair Bolsonaro em 2018.

— As pessoas acreditam no presidente, seguem as orientações do presidente porque votaram no presidente e, portanto, se infectam mais, adoecem mais e morrem mais — destacou.

Abordagem

Senadores governistas classificaram como constrangedora, desagradável e intimidatória a abordagem da oposição a Nise Yamaguchi durante a tomada de depoimento. Para Marcos Rogério (DEM-RO), o episódio revelou os “dois pesos e duas medidas” da comissão, e Nise “não merecia passar por um ambiente de destilação do ódio”.

— Quando vem alguém que tem a opinião da divergência, que pensa diferente e, mesmo que tenha um currículo como tem a doutora Nise Yamaguchi, eles maltratam, eles ofendem, eles ameaçam, eles desrespeitam. É algo que assusta — lamentou.

Marcos Rogério criticou a condução dos trabalhos da CPI e as demonstrações de arrogância e abuso de autoridade quando as evidências apresentadas pelos depoentes não se encaixam nas teses levantadas no início dos trabalhos da comissão.

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) elogiou o comportamento de Nise, que respondeu às perguntas de “forma serena quando a deixaram responder”, e declarou-se extremamente constrangido com o que chamou de tentativa de humilhação. Ele afirmou que mesmo senadores da oposição criticaram a forma de abordagem à depoente.

— Qualquer pessoa de bem, que tenha o mínimo de sensibilidade e humanidade, ficou com repugnância com relação ao que aconteceu. Isso não se faz com ninguém, por mais que a gente divirja das ideias — disse, afirmando que o evento mostra a tendência de “parcialidade” e “intimidação” da CPI.

Por sua vez, Randolfe minimizou a situação, entendendo que cada senador tem sua forma peculiar de expressão.

Governadores e prefeitos

A convocação de governadores e prefeitos à comissão também dividiu a opinião dos senadores. Rogério Carvalho acredita que o Supremo Tribunal Federal deverá se manifestar sobre a negativa dos chefes de governos estaduais ao comparecimento por convocação, mas opinou que seria importante para a comissão ouvir “de forma espontânea” governadores sobre as dificuldades para o enfrentamento da pandemia.

Marcos Rogério criticou a proposta de transformar em convites as convocações de governadores e prefeitos, argumentando que as ações e omissões de governos estaduais e municipais estão dentro da abrangência da CPI e o instituto da convocação se baseia em apurações da Polícia Federal que apontam para suspeitas de crimes desses agentes políticos.

— Ninguém está prejulgando. Da minha parte, não prejulgo. É preciso apurar os fatos, as condutas, para, ao final, recomendar ou não o indiciamento em razão de eventuais práticas ilícitas — afirmou.

Eduardo Girão declarou esperar que governadores compareçam à CPI para justificar o destino das verbas federais que receberam, mas rejeitou qualquer tentativa de “blindagem” e disse esperar que os membros da comissão decidam essa questão no voto. Ele atacou as tentativas dos governadores de judicializar a questão de seu comparecimento.

— É um tapa na cara da população brasileira, que quer ouvir o que foi feito do dinheiro — definiu.

No mesmo sentido, o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) disse esperar na CPI a presença de governadores, prefeitos e outros agentes políticos para acareações sobre as apurações da Polícia Federal e do Ministério Público.

Mudança de pauta

Girão também criticou a mudança da pauta da CPI desta quarta-feira (2), que terá a presença de Luana Araújo, ex-secretária de enfrentamento à covid-19 do Ministério da Saúde, e a retirada da convocação de especialistas contra e a favor do “tratamento precoce”. A alteração, segundo ele, foi decidida de forma equivocada, reflete desorganização e prejudica o trabalho dos membros do colegiado.

— Isso é para concluir um relatório que já está pronto. Pelas entrevistas dadas por membros da CPI, já tem o culpado e já tem o inocente. Isso não é uma coisa séria — disse, alertando que o debate científico sobre a cloroquina “não está concluído”.

Também Luis Carlos Heinze lamentou a desconvocação de especialistas, decidida na noite de segunda-feira (31), por motivos que associou a “questões ideológicas e financeiras”. Mencionando estudos, ele defendeu os “aspectos positivos” da cloroquina na fase inicial da doença e alertou que a pesquisa contra o medicamento é feita em pacientes graves.

— Mas não se abandona a ideia de que a vacina também é importante. Levaremos ainda alguns meses para ter a população brasileira integralmente vacinada; enquanto isso, temos que adotar, sim, o tratamento precoce.

Segundo Randolfe, o depoimento poderá esclarecer os motivos que levaram Araújo a pedir demissão do Ministério da Saúde, além de reforçar a convicção de que o “gabinete paralelo” continua atuando.

Fonte: Agência Senado

Outras Notícias

Em primeira missa na América do Sul, Papa Leão XIV pede que fiéis construam pontes de fraternidade

O Papa Leão XIV pediu que os fiéis construam pontes de fraternidade e fortaleçam os laços de união durante sua primeira missa na América do Sul, celebrada neste sábado (7), em Paysandú, no Uruguai. A celebração reuniu cerca de 40 mil pessoas no Parque París Londres e integra a viagem apostólica do pontífice por três […]

O Papa Leão XIV pediu que os fiéis construam pontes de fraternidade e fortaleçam os laços de união durante sua primeira missa na América do Sul, celebrada neste sábado (7), em Paysandú, no Uruguai.

A celebração reuniu cerca de 40 mil pessoas no Parque París Londres e integra a viagem apostólica do pontífice por três países latino-americanos.

A cidade de Paysandú, localizada na fronteira com a Argentina, recebeu fiéis que acompanharam a chegada do papa com aplausos, cânticos e bandeiras. Leão XIV percorreu o local da celebração no papamóvel antes de presidir a missa.

Durante a homilia, o líder da Igreja Católica utilizou elementos da cultura e da geografia uruguaia para falar sobre a fé e a importância da convivência entre as pessoas. Entre os símbolos escolhidos estavam as pontes, os palmeirais e o mate, bebida tradicional da região.

Ao mencionar a Ponte Internacional General Artigas, que atravessa o Rio Uruguai e liga o país à Argentina, o pontífice destacou a necessidade de aproximar as pessoas e superar as divisões.

“Por isso, como é importante ser construtor de pontes!”, afirmou.

Leão XIV também relacionou a imagem da ponte à formação religiosa, argumentando que os vínculos precisam de fundamentos sólidos para resistir às dificuldades. Segundo ele, a missão dos cristãos envolve fortalecer relações, promover encontros e transmitir a fé às novas gerações.

Outro momento da homilia foi dedicado ao mate, bebida tradicionalmente compartilhada entre familiares e amigos. O papa utilizou o costume como exemplo de convivência, acolhimento e pertencimento, relacionando esses valores à vida comunitária.

“Precisamos de refletir sobre estes símbolos que nos são comuns, que nos dão identidade e sentido de pertença”, declarou.

O pontífice também recordou a trajetória do beato Jacinto Vera, primeiro bispo de Montevidéu, destacando sua atuação no atendimento a enfermos e pessoas afetadas por conflitos no século XIX.

Ao abordar os desafios atuais da Igreja, Leão XIV incentivou a formação religiosa de crianças e jovens, o acompanhamento das famílias, a atenção aos idosos e a realização de ações de solidariedade.

A passagem pelo Uruguai faz parte de uma viagem de 12 dias pela América do Sul, iniciada nessa sexta-feira (6). A programação também inclui a Argentina e o Peru, com encerramento previsto para 17 de novembro.

Ainda neste sábado, a agenda do papa prevê uma visita a uma comunidade de Montevidéu afetada pelo tráfico de drogas e pela violência, onde a Igreja desenvolve projetos sociais em parceria com autoridades locais.

O pontífice também tem uma vigília de oração programada para o Estádio Centenário, na capital uruguaia.

Fonte: Diário de Pernambuco
Foto: Alberto Pizzoli/AFP

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Lula promete live na Turquia com Janones e pede que militância fique de “prontidão”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou um vídeo nas redes sociais, neste sábado (7), pedindo que seus apoiadores permaneçam mobilizados durante a viagem que fará à Turquia e às Filipinas na próxima semana. Na gravação, Lula também anunciou que pretende realizar uma transmissão ao vivo com o deputado federal André Janones (Rede-MG), […]

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou um vídeo nas redes sociais, neste sábado (7), pedindo que seus apoiadores permaneçam mobilizados durante a viagem que fará à Turquia e às Filipinas na próxima semana. Na gravação, Lula também anunciou que pretende realizar uma transmissão ao vivo com o deputado federal André Janones (Rede-MG), diretamente do território turco.

A mensagem foi direcionada aos integrantes do chamado “Exército do Lula”, grupo de mobilização política criado por Janones no WhatsApp durante a campanha presidencial de 2026. O presidente utilizou expressões militares para se referir aos apoiadores e ao parlamentar, a quem chamou de “general”.

Lula pediu que a militância permaneça atenta à circulação de informações que considera falsas sobre seu governo e seus adversários políticos.

“Eu quero dizer aos meus soldados, ao meu general, que a tropa tem que estar de prontidão para não deixar os nossos inimigos continuarem mentindo nesse país”, afirmou.

Na sequência, o presidente defendeu a divulgação de informações que considera verdadeiras como forma de combater conteúdos divulgados por seus adversários.

“É importante a gente ter certeza que somente a verdade repetida muitas vezes vai destruir uma mentira contada milhões de vezes”, declarou.

Lula também criticou o financiamento e o impulsionamento de conteúdos nas redes sociais, argumentando que essas estratégias não seriam suficientes para sustentar informações falsas.

Durante o vídeo, o presidente confirmou que Janones viajará com ele na segunda-feira (9) e que os dois farão uma transmissão ao vivo da Turquia para conversar com os integrantes do grupo. A previsão é que a live aconteça na quinta-feira (12).

O presidente também comentou que está tentando se recuperar de uma rouquidão antes de embarcar para os compromissos internacionais.

A primeira parada será em Antália, na Turquia, onde Lula participará da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31). Depois, seguirá para as Filipinas, onde cumprirá uma visita de Estado e participará da Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).

Clique no link abaixo e confira, em nosso Instagram, o vídeo em que Lula convoca a militância, fala sobre o combate à desinformação e anuncia a transmissão ao vivo com André Janones.

Fonte: Correio Braziliense
Foto: Reprodução

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Trump ordena investigação contra democratas e os acusa de extorsão após derrota nas eleições

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (7) que ordenou ao Departamento de Justiça uma investigação contra parlamentares democratas. O republicano acusa integrantes da oposição de ameaçar autoridades de seu governo e doadores políticos com processos de impeachment, prisão e outras punições. A declaração ocorre quatro dias após a vitória do Partido […]

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (7) que ordenou ao Departamento de Justiça uma investigação contra parlamentares democratas. O republicano acusa integrantes da oposição de ameaçar autoridades de seu governo e doadores políticos com processos de impeachment, prisão e outras punições.

A declaração ocorre quatro dias após a vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas, realizadas na terça-feira (3). Com o resultado, a oposição conquistou o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, que passará a exercer a partir de janeiro de 2027.

Em publicação na rede social Truth Social, Trump classificou as iniciativas dos democratas como tentativas de intimidação e afirmou que as autoridades responsáveis deveriam investigar o caso.

“Por meio desta declaração, ordeno ao Departamento de Justiça que investigue este ato criminoso imediatamente”, escreveu.

O presidente também acusou os adversários de pressionar doadores republicanos e integrantes de sua administração, incluindo o procurador-geral dos Estados Unidos, Todd Blanche. Trump afirmou que essas pessoas estariam sendo ameaçadas com processos e outras sanções, embora não tenha apresentado provas de que os democratas tenham cometido crimes.

As declarações surgem em meio à preparação da oposição para assumir o comando das comissões do Congresso. Com a nova maioria, os democratas poderão convocar autoridades, solicitar documentos e abrir investigações sobre decisões do governo republicano.

Na quinta-feira (5), o senador democrata Richard Blumenthal encaminhou cartas a empresas e integrantes da administração Trump solicitando colaboração com futuras investigações. Entre os destinatários estão autoridades federais e companhias que contribuíram financeiramente para projetos ligados à Casa Branca.

O presidente também criticou a senadora Elissa Slotkin, de Michigan, que defendeu a investigação de possíveis irregularidades cometidas por integrantes do governo. Trump interpretou as declarações como uma tentativa de perseguir pessoas vinculadas ao Partido Republicano.

A tensão aumentou depois que os deputados democratas Hank Johnson e Deborah Ross defenderam a abertura de um processo de impeachment contra Todd Blanche.

Na segunda-feira (2), antes mesmo da votação legislativa, Trump já havia afirmado que considerava conceder perdões presidenciais preventivos a integrantes de sua administração, caso julgasse necessário protegê-los de eventuais processos.

Apesar da declaração do presidente, não havia confirmação pública de que o Departamento de Justiça tivesse iniciado formalmente uma investigação contra os parlamentares democratas.

Fonte: Diário de Pernambuco/Estadão Conteúdo
Foto: Andre Harnik/Getty Images/AFP

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Levantamento mostra que apenas 8 de 76 países têm maioridade penal abaixo dos 18 anos

Apenas oito dos 76 países analisados em um levantamento internacional estabelecem a maioridade penal abaixo dos 18 anos. Os dados, reunidos pelo g1 a partir de estudos do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da organização Child Rights International Network (CRIN), mostram que a idade mínima para julgamento pelo sistema penal adulto […]

Apenas oito dos 76 países analisados em um levantamento internacional estabelecem a maioridade penal abaixo dos 18 anos. Os dados, reunidos pelo g1 a partir de estudos do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da organização Child Rights International Network (CRIN), mostram que a idade mínima para julgamento pelo sistema penal adulto é de 18 anos na grande maioria dos países pesquisados.

Entre as nações que adotam limites inferiores estão Albânia, Andorra, Armênia, Azerbaijão, Haiti, Lituânia, Polônia e Portugal. O estudo considera legislações de países da América Latina, da Europa e integrantes do G20.

O levantamento foi divulgado em meio à retomada das discussões sobre a redução da maioridade penal no Congresso Nacional. Atualmente, a legislação brasileira estabelece que pessoas com menos de 18 anos são penalmente inimputáveis, mas adolescentes a partir dos 12 anos podem ser responsabilizados por atos infracionais, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A diferença entre maioridade penal e idade de responsabilização é um dos pontos centrais da pesquisa. Enquanto a primeira determina quando uma pessoa pode ser julgada como adulta, a segunda estabelece a idade a partir da qual adolescentes podem responder judicialmente por suas condutas em um sistema específico.

No grupo das 19 maiores economias nacionais que integram o G20, nenhum país estabelece, como regra geral, maioridade penal inferior a 18 anos. Algumas legislações, entretanto, admitem exceções que permitem o julgamento de adolescentes pelo sistema penal adulto em determinadas circunstâncias.

Na América Latina, dos 20 países pesquisados, apenas o Haiti estabelece a maioridade penal aos 16 anos. Os demais mantêm a referência de 18 anos, embora existam diferenças nas regras de responsabilização juvenil.

O Brasil está entre os países que começam a responsabilizar adolescentes mais cedo. A idade de 12 anos também é adotada por África do Sul, Canadá, Indonésia, México e Turquia. Em países como Alemanha, Argentina, Itália e Japão, a responsabilização começa aos 14 anos.

Na Argentina, uma mudança legislativa aprovada em fevereiro de 2026 reduziu de 16 para 14 anos a idade mínima de responsabilização penal. A maioridade penal, entretanto, permaneceu fixada em 18 anos.

No Brasil, propostas em discussão no Congresso pretendem modificar as regras atuais. Parlamentares da oposição defendem a redução da maioridade penal para 16 anos, com possibilidade de responsabilização a partir dos 14 anos em determinados crimes graves.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também manifestou apoio à redução para 16 anos nos casos de crimes hediondos. Uma proposta nesse sentido foi apresentada no Senado pelo senador Camilo Santana (PT-CE).

Na avaliação do representante do Unicef no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman, encaminhar adolescentes ao sistema prisional adulto pode ampliar a exposição desses jovens a organizações criminosas e comprometer as possibilidades de reintegração social.

O representante também citou dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) segundo os quais a reentrada de adultos no sistema prisional é quase o dobro da observada entre adolescentes no sistema socioeducativo.

O debate legislativo permanece em andamento. Na última semana, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu aguardar a votação da matéria pela Câmara dos Deputados antes de avançar com uma proposta semelhante na Casa.

Fonte: g1 / Unicef
Foto: Reprodução

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Lula cumprimenta novo presidente do Paraguai após impeachment de Santiago Peña e propõe encontro em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumprimentou Pedro Alliana pela posse na Presidência do Paraguai e manifestou interesse em recebê-lo em Brasília para discutir as relações entre os dois países. A declaração foi publicada nas redes sociais na noite dessa sexta-feira (6), após a destituição do então presidente paraguaio, Santiago Peña, pelo Senado […]

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumprimentou Pedro Alliana pela posse na Presidência do Paraguai e manifestou interesse em recebê-lo em Brasília para discutir as relações entre os dois países. A declaração foi publicada nas redes sociais na noite dessa sexta-feira (6), após a destituição do então presidente paraguaio, Santiago Peña, pelo Senado do país.

Na mensagem, Lula desejou sucesso ao novo chefe de Estado e afirmou esperar uma relação baseada no diálogo e na cooperação. O presidente brasileiro também defendeu o fortalecimento dos vínculos diplomáticos e o avanço da integração entre os países sul-americanos.

“Transmito ao novo Presidente do Paraguai, Pedro Alliana, empossado na noite de hoje, meus desejos de pleno êxito nas novas funções e de poder trabalhar com ele de maneira aberta, franca e cooperativa, em prol do fortalecimento da relação bilateral e do avanço da integração na América do Sul”, escreveu Lula.

O presidente brasileiro acrescentou que pretende receber Alliana em Brasília para examinar assuntos de interesse dos dois governos e dar continuidade às relações diplomáticas entre Brasil e Paraguai. Uma data para o encontro ainda não foi anunciada.

Pedro Alliana, de 52 anos, era vice-presidente do Paraguai desde agosto de 2023 e assumiu o comando do Executivo após o Senado aprovar o impeachment de Santiago Peña, na sexta-feira (6).

A destituição ocorreu em meio a uma crise política e financeira relacionada ao banco Ueno, que sofreu intervenção das autoridades paraguaias após problemas que comprometeram o acesso de clientes aos recursos depositados na instituição.

Peña é investigado por suspeitas de irregularidades envolvendo sua relação com o banco e a destinação de recursos públicos e previdenciários. O ex-presidente nega as acusações. Após a destituição, ele foi colocado em prisão domiciliar por determinação das autoridades paraguaias.

A mudança no governo do país vizinho ocorre em um momento de atenção às relações diplomáticas e econômicas na região. Brasil e Paraguai integram o Mercosul e mantêm interesses conjuntos em áreas como comércio, energia e integração regional.

Fonte: Folha de Pernambuco / Reuters
Foto: Reprodução

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