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Senado aprova processo de impeachment e afasta Dilma

Por Nill Júnior
Portais destacam a queda, mesmo que temporária, da Presidente
Portais destacam a queda, mesmo que temporária, da Presidente

O Senado aceitou, no início da manhã desta quinta-feira (12), o pedido de abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Foram 55 votos a favor e 22 contra. Dilma deixa a Presidência um ano e quatro meses depois de assumir seu segundo mandato. O vice-presidente Michel Temer (PMDB) assume interinamente assim que Dilma for comunicada oficialmente sobre o afastamento. Ela terá de assinar um documento e, a partir daí, será obrigada a deixar o Planalto. A sessão durou 20 horas e meia.

Dilma ficará oficialmente afastada do cargo por até 180 dias  após ser notificada da decisão do Senado, o que deve ocorrer ainda na manhã de hoje. O processo no Senado, no entanto, pode acabar antes dos seis meses. Se for considerada culpada, ela sai do cargo definitivamente e perde os direitos políticos por oito anos (não pode se candidatar a nenhum cargo). Temer será o presidente até o fim de 2018. Se for inocentada, volta à Presidência.

Para que o processo que resulta no afastamento da presidente fosse instaurado, eram necessários ao menos 41 votos (maioria simples) favoráveis.

Esta é a segunda vez em 24 anos que um presidente da República é afastado temporariamente para julgamento após uma decisão do Senado. Em outubro de 1992, o Senado abriu o julgamento do então presidente Fernando Collor de Mello, na época filiado ao PRN.

Collor renunciou antes de ser julgado. Mesmo assim, teve seus direitos políticos cassados pelo Senado por oito anos.  Em 2014, o STF (Supremo Tribunal Federal) o absolveu por falta de provas.

Os senadores discursaram por quase 20 horas. A primeira a falar, Ana Amélia (PP-RS), começou às 11h20 da quarta-feira. O último, Raimundo Lira (PMDB-PB), terminou às 5h45 da quinta-feira. Depois de encerrado o debate, o relator da comissão do impeachment no Senado, Antonio Anastasia (PSDB-MG) falou por 15 minutos, seguido pelo ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), José Eduardo Cardozo, que falou pela defesa de Dilma.

O clima no Senado foi de mais tranquilidade em relação ao dia em que a Câmara votou a admissibilidade do impeachment. Durante as longas horas de sessão, o aspecto era de um dia normal do Senado, sem faixas no plenário, ao contrário da Câmara, onde havia cartazes com os dizeres “tchau, querida” e deputados usando cachecóis com inscrições contra ou a favor do impeachment.

Enquanto os oradores subiam à tribuna para falar, o plenário, distraído, mantinha conversas amistosas entre os senadores. O barulho do bate-papo levou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a pedir silêncio mais de uma vez.

Apesar da segurança reforçada e da repetição do muro no gramado do Congresso Nacional para conter protestos, o número de manifestantes foi bem menor que no dia 17 de abril, quando a Câmara aprovou o impeachment. Do lado de fora, a Polícia Militar do Distrito Federal jogou bombas de gás em manifestantes contrários ao impeachment. Foram pelo menos dois confrontos em momentos distintos e dezenas de pessoas passaram mal. Dois manifestantes tiveram de ser atendidos em ambulâncias no local.

A SSP-DF (Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal) estimou em 4.000 o número de manifestantes contrários ao impeachment e em 1.000 o de favoráveis ao afastamento de Dilma. Os grupos começaram a se dispersar por volta das 22h40.

Dentro do Senado, a circulação nos corredores foi restrita e assessores e jornalistas precisaram de credenciamento especial para assistir à sessão.

Mas a tensão entre governo e oposição que marcou os debates na Câmara não se repetiu. Não houve vaias ou gritos de guerra no plenário, que em alguns momentos chegou a ficar esvaziado enquanto senadores discursavam.

Enquanto na Câmara os deputados tiveram 30 segundos para anunciar seu voto, no Senado foram 15 minutos de discurso. Ainda assim, foram ínfimas as citações a Deus, aos familiares e à respectiva terra natal dos senadores, diferentemente do ocorrido entre os deputados.

Enquanto senadores da oposição reforçaram o discurso de que Dilma de fato cometeu crimes de responsabilidade que aprofundaram a crise econômica, parlamentares contrários ao impeachment voltaram à acusação de que a deposição da presidente seria um “golpe de Estado” pois os fatos narrados pela acusação não configuram crimes puníveis com o impeachment.

Primeira a discursar na sessão, Ana Amélia (PP-RS) também foi a primeira a anunciar voto favorável ao impeachment. “São graves, portanto, os fatos imputados contra a Senhora Presidente da República”, disse. “O que isso provoca? A sociedade já poderia responder: 11 milhões de desempregados, a taxa básica de juros está em quase 15%, a inflação está em 9,28%”, afirmou a senadora.

Presidente do PSDB, principal partido de oposição, o senador Aécio Neves (MG), derrotado por Dilma nas eleiições de 2014, disse que o vice-presidente Michel Temer “não tem que se preocupar com a popularidade”, ao tomar medidas que possam não agradar a população.

Em discurso durante a sessão do Senado, Aécio defendeu que Temer faça um ajuste fiscal e “enfrente questões” como a previdenciária, a “modernização da legislação trabalhista” e uma reforma política que limite o número de partidos. Ao encerrar, o tucano afirmou que o Senado inicia nesta quinta-feira um “futuro melhor para o país”.

O primeiro senador a defender o mandato de Dilma, Telmário Mota (PDT-RR) defendeu que os movimentos contrários ao impeachment continuem a realizar manifestações, mesmo após o afastamento da presidente. “Vamos voltar às ruas. Não vamos deixar o povo brasileiro ser enganado”. Mota falou ainda em “golpe branco” contra a presidente, “por não usar armas de fogo, mas a caneta, os conchavos, os oportunismos, as traições”, disse.

O senador Romero Jucá (PMDB-RR), um dos principais aliados e provável ministro no governo Temer, afirmou que Dilma deve ser notificada da decisão do Senado às 10h desta quinta-feira (12), e Temer, às 11h. Após ambos serem notificados, Temer assume interinamente a Presidência da República.

Segundo Jucá, os novos ministros do governo Temer devem assumir os cargos já na tarde desta quinta-feira. “Não há vazio de poder”, afirmou o senador, que é cotado para assumir o ministério do Planejamento.

Com o processo de impeachment aberto, terá início a discussão e análise da denúncia contra Dilma. Haverá apresentações da acusação e da defesa. Nesta fase, a ação tramita sob o comando do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski.

O processo culminará com o julgamento final dos senadores, em votação nominal e aberta no plenário. Dilma será afastada definitivamente da Presidência se dois terços do Senado (54 dos 81 senadores) decidirem que ela cometeu crime. Nesse caso, o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), governará até o fim deste mandato.

Em ato programado para reformar a acusação de que o impeachment é um “golpe”, os ministros do governo Dilma Rousseff anunciaram um pedido de demissão conjunto, logo após a aprovação da decisão do Senado.

À exceção dos ministros Alexandre Tombini (presidente do Banco Central) e Ricardo Leyser (interino dos Esportes), todo o primeiro escalão do governo Dilma deve entregar os cargos. Tombini e Leyser serão mantidos para evitar sobressaltos na economia e na organização da Olimpíada do Rio.

Mesmo afastada, Dilma pretende se defender no Senado para retomar a Presidência. Sua defesa deve ser feita por José Eduardo Cardozo, atual advogado-geral da União, mas que deve perder o cargo com a posse de Temer.

Cardozo, aliás, foi o responsável pelo recurso encaminhado à Câmara que gerou a anulação das sessões que definiram o avanço do impeachment na Casa. Essa anulação foi decidida pelo presidente interino da Câmara, deputado Waldir Maranhão (PP-MA). A decisão, porém, foi considerada intempestiva (fora de hora) pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que deu continuidade à tramitação do impeachment.

Da votação da Câmara à votação no Senado, Temer, por sua vez, intensificou discussões para montagem de seu governo. Seu partido, o PMDB, já havia decidido deixar o governo de Dilma dias antes da votação dos deputados. Integrantes da legenda, então, passaram a negociar postos já antevendo um governo interino.

Outros partidos, como o PP e o PSD, também já desembarcaram do governo Dilma e negociam participação no governo Temer. O PSDB, partido de oposição, deve aderir ao governo interino e assumir ao menos um ministério.

Dilma é acusada de cometer crime de responsabilidade, previsto na Lei do Impeachment (lei 1.079/1950), ao autorizar supostas manobras contábeis chamadas de pedaladas fiscais. Elas se caracterizam pela prática do Tesouro Nacional de atrasar intencionalmente o repasse de dinheiro para bancos (públicos e privados) e autarquias (por exemplo, o INSS) a fim de melhorar artificialmente as contas federais.

Segundo os autores originais do pedido de impeachment da presidente, os juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e a advogada Janaina Paschoal, as “pedaladas fiscais” teriam sido praticadas em 2014 e reeditadas em 2015, já no segundo mandato de Dilma.

Os juristas também apontam crime de responsabilidade da presidente na edição de seis decretos autorizando despesas extras num total de cerca de R$ 2,5 bilhões, em 27 de julho e 20 de agosto de 2015, sem a autorização do Congresso.

A defesa da presidente nega a existência de crime e, por isso, diz que o impeachment é um golpe. Segundo a defesa, o atraso no repasse de dinheiro a bancos, por exemplo, é prática comum em esferas do Poder Executivo e não é grave a ponto de interromper o mandato de um presidente eleito democraticamente.

O governo argumenta também que as contas relativas a 2015 ainda não foram nem sequer avaliadas pelos órgãos de controle e, portanto, não pode haver crime antecipado.

O pedido de impeachment que tramita no Congresso é baseado na denúncia de que “houve uma maquiagem deliberadamente orientada a passar para a nação (e também aos investidores internacionais) a sensação de que o Brasil estaria economicamente saudável”, como escrevem seus autores.

O proceso foi acolhido no dia 2 de dezembro do ano passado pelo então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O ato foi recebido pelo governo como ato de revanche de Cunha, em reação à abertura de processo de cassação de seu mandato no Conselho de Ética da Câmara.

No último dia 5, o mandato de Cunha acabou suspenso por decisão do STFantes de uma decisão do conselho.

O rito do impeachment (norma que a tramitação deve obrigatoriamente seguir no Congresso) foi motivo de embate entre Legislativo e Judiciário, com a decisão sendo regulamentada pelo STF.

A denúncia que chegou nesta quarta ao plenário do Senado já obedece às etapas determinadas pelo STF. Ela foi aprovada em comissão especial da Câmara por 38 votos a favor e 27 contra, pelo plenário da Casa por 367 a 137, e na comissão especial do Senado por 15 a cinco.

Outras Notícias

No meu comentário, os três cenários mais prováveis para eleição desde domingo

Na minha análise para o comentário das rádios Itapuama FM, Pajeú, Cultura FM e Monteiro FM, falo das projeções para as eleições deste ano. Por ordem de possibilidades,  vitória de Flávio com até 2% de frente, vitória de Lula até 2% de frente ou vitória de Flávio por mais de 2% de frente. Para Lula, […]

Na minha análise para o comentário das rádios Itapuama FM, Pajeú, Cultura FM e Monteiro FM, falo das projeções para as eleições deste ano.

Por ordem de possibilidades,  vitória de Flávio com até 2% de frente, vitória de Lula até 2% de frente ou vitória de Flávio por mais de 2% de frente. Para Lula, considero essa última possibilidade remotíssima.

Ministro do TSE impede Nunes Marques de suspender canal ‘Exército do Lula’ sem aval do plenário

Do G1 O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu nesta sexta-feira (23) que o canal de WhatsApp “Exército do Lula” não poderá voltar a ser suspenso por uma decisão administrativa da Presidência da Corte. Com isso, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, não poderá usar as atribuições administrativas da […]

Do G1

O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu nesta sexta-feira (23) que o canal de WhatsApp “Exército do Lula” não poderá voltar a ser suspenso por uma decisão administrativa da Presidência da Corte.

Com isso, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, não poderá usar as atribuições administrativas da Presidência para tirar o canal do ar ou limitar seu funcionamento.

Uma eventual nova restrição, no entanto, ainda poderá ser determinada em um processo judicial.

“Defiro ainda a liminar para os fins de determinar que a Presidência se abstenha de exercer sua competência administrativa […] para determinar a suspensão, retirada ou restrição o funcionamento do Canal designado “Exército de Lula” até que sobrevenha alguma decisão de Plenário em sede jurisdicional que emita decisão neste sentido”, diz um trecho do documento.

Dessa forma, a medida vale até que haja uma decisão do plenário do TSE, em processo judicial, sobre o funcionamento do canal.

 

Ministro do TSE impede Nunes Marques de suspender canal ‘Exército do Lula’ sem aval do plenário

Floriano de Azevedo Marques afirmou haver risco de nova suspensão antes do segundo turno e determinou que eventual medida contra o canal seja tomada em processo judicial.

Por Márcio Falcão, Luiz Felipe Barbiéri, Mariana Laboissière, g1 e TV Globo — Brasília

 

23/10/2026 14h57 Atualizado há 5 minutos

 

O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu nesta sexta-feira (23) que o canal de WhatsApp “Exército do Lula” não poderá voltar a ser suspenso por uma decisão administrativa da Presidência da Corte.

 

 

Com isso, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, não poderá usar as atribuições administrativas da Presidência para tirar o canal do ar ou limitar seu funcionamento.

 

Uma eventual nova restrição, no entanto, ainda poderá ser determinada em um processo judicial (entenda mais abaixo).

 

“Defiro ainda a liminar para os fins de determinar que a Presidência se abstenha de exercer sua competência administrativa […] para determinar a suspensão, retirada ou restrição o funcionamento do Canal designado “Exército de Lula” até que sobrevenha alguma decisão de Plenário em sede jurisdicional que emita decisão neste sentido”, diz um trecho do documento.

Nunes Marques determina pente-fino no canal ‘Exército do Lula’

Nunes Marques determina pente-fino no canal ‘Exército do Lula’

 

Dessa forma, a medida vale até que haja uma decisão do plenário do TSE, em processo judicial, sobre o funcionamento do canal.

Floriano de Azevedo Marques concedeu parcialmente o pedido apresentado em mandado de segurança e suspendeu os efeitos de ordens da Presidência do TSE que possam resultar na suspensão, indisponibilização ou restrição do alcance ou das funcionalidades do “Exército do Lula”.

O ministro também determinou que a Presidência não use sua atribuição administrativa de fiscalização das plataformas digitais para adotar esse tipo de medida contra o canal.

Diretoria e Conselho de Administração do Sicoob Pernambuco visitam obras do maior Centro Sociocultural do Nordeste

“Esse é um sonho para servir à comunidade na formação e inclusão”, destacou seu presidente Evaldo Campos O Conselho de Administração e Diretoria do Sicoob Pernambuco visitaram pela primeira vez as obras do seu Centro Sociocultural. O espaço, em um terreno de 6 hectares, com 4,5 hectares de área construída, é um marco social para […]

“Esse é um sonho para servir à comunidade na formação e inclusão”, destacou seu presidente Evaldo Campos

O Conselho de Administração e Diretoria do Sicoob Pernambuco visitaram pela primeira vez as obras do seu Centro Sociocultural.

O espaço, em um terreno de 6 hectares, com 4,5 hectares de área construída, é um marco social para o cooperativismo do Estado e do Nordeste do Brasil.

Idealizado e executado com recursos próprios do Sicoob Pernambuco, nasceu com o propósito de promover o bem-estar, a inclusão social, o esporte, a cultura e a qualificação profissional, colocando a comunidade no centro dessa transformação.

Localizado próximo ao Monte dos Remédios, em São José do Egito, o Centro reúne uma ampla estrutura planejada para atender à formação e capacitação, com foco em jovens e adolescentes, mas com atividades que atenderão à toda comunidade.

O complexo contará com quadra de areia, quadra poliesportiva, campo de futebol, piscinas, praça de cooper e área para ciclismo. A estrutura também incluirá salas para reuniões abertas à comunidade, espaços destinados a aplicação de cursos profissionalizantes, ambientes de convivência, área para restaurantes e pomar.

“Esse é um sonho para servir à comunidade, principalmente na formação de crianças e jovens mais carentes, pensando num futuro de oportunidades, um dos pilares e princípios do cooperativismo financeiro, que é o da inclusão”, destacou o presidente Evaldo Campos.

Flávio Bolsonaro é orientado a baixar o tom, e Lula, a evitar provocações no debate da Globo

Os candidatos à Presidência da República Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) dedicaram a quinta-feira (22) à preparação para o debate da Globo, nesta sexta-feira (23). Após o primeiro confronto entre os dois, realizado pela Band no último domingo (18), as campanhas ajustam suas estratégias de olho nos eleitores indecisos. Dos dois lados, a avaliação […]

Os candidatos à Presidência da República Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) dedicaram a quinta-feira (22) à preparação para o debate da Globo, nesta sexta-feira (23). Após o primeiro confronto entre os dois, realizado pela Band no último domingo (18), as campanhas ajustam suas estratégias de olho nos eleitores indecisos.

Dos dois lados, a avaliação é que o encontro reforçou principalmente as posições dos eleitores que já haviam escolhido seus candidatos. A pesquisa Quaest de quarta-feira (21) mostrou que o percentual de entrevistados que se declararam indecisos na pesquisa espontânea dobrou entre a semana passada e esta, passando de 7% para 14%.

As duas campanhas identificaram pontos a corrigir no desempenho de seus candidatos. Segundo integrantes da equipe de Flávio Bolsonaro, o candidato do PL foi aconselhado a reduzir os confrontos diretos e dar mais espaço à apresentação de propostas. Lula, por sua vez, recebeu orientações para evitar provocações, diminuir os improvisos e administrar melhor o tempo das respostas.

Flávio aposta em propostas e busca postura ‘menos Marçal’

A campanha considera que Flávio Bolsonaro deve adotar um tom menos confrontador e priorizar a apresentação de propostas, em vez de buscar embates constantes com o presidente, como ocorreu no primeiro debate.

Como parte da mudança de estratégia, a campanha decidiu retirar o influenciador Pablo Marçal da preparação do presidenciável. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), assumiu a função.

Na véspera do debate da Globo, Tarcísio e o marqueteiro Duda Lima passaram o dia com o senador no QG da campanha, em Brasília. A preparação deve continuar nesta sexta-feira.

Marçal foi o responsável por treinar Flávio para o primeiro debate. Aliados do candidato atribuem ao empresário parte da responsabilidade pela redução da vantagem que o presidenciável do PL mantinha sobre Lula.

Na avaliação desses integrantes da campanha, Marçal enfrenta rejeição entre paulistanos e mulheres pela postura polêmica na eleição municipal de 2024, quando chegou a ser expulso de um debate por desrespeitar as regras.

Sua participação também gera atritos internos. Em 2024, Tarcísio apoiou Ricardo Nunes (MDB) contra Marçal, cuja equipe teve um integrante que agrediu Duda Lima, marqueteiro do prefeito, durante um debate.

Um aliado próximo de Flávio, ouvido sob reserva pela reportagem, classificou como “ótima” a decisão de afastar Marçal da preparação e afirmou que, agora, o candidato “pode voltar a ser centrado”.

Integrantes da campanha avaliam que o senador precisa evitar atitudes que possam ser interpretadas como desrespeitosas em relação à idade de Lula, de 80 anos. No primeiro debate, Flávio recebeu críticas de adversários e de alguns aliados por comportamentos considerados etaristas, entre eles a decisão de se posicionar atrás do presidente durante suas falas.

Pelas regras do debate da TV Globo, nos três primeiros blocos, o candidato com a palavra poderá circular livremente pelo cenário, enquanto o adversário deverá permanecer junto ao púlpito. No quarto, de tema livre, cada um terá oito minutos de fala, sem limite de intervenções, e poderá se movimentar pelo seu lado do palco.

“Fato ou Fake” fará checagens das falas dos candidatos à presidência durante o debate

Estudos realizados pela campanha indicam que eleitores indecisos que assistiram ao confronto consideraram a postura de Flávio “arrogante”. Para tentar conquistar esse público, a orientação é que o senador explique melhor a viabilidade de suas propostas e como pretende financiá-las.

Lula é orientado a controlar reações e reduzir improvisos

Candidatos Flávio Bolsonaro e Lula participam de debate da Band antes do 2º turno das eleições. — Foto: REUTERS/Jean Carniel

A campanha de Lula também considera que o debate da TV Globo pode ter peso decisivo no resultado da eleição. A preparação começou na quarta-feira (21), com discussões entre auxiliares sobre as estratégias e os temas que o presidente deve apresentar.

O principal desafio, segundo integrantes da equipe, é equilibrar as críticas a Flávio com a apresentação de propostas para convencer os indecisos a dar mais um mandato ao petista.

A campanha pretende explorar episódios do passado e fatos recentes envolvendo o senador, como sua relação com o advogado Willer Tomaz.

O desafio é equilibrar os ataques a Flávio com a apresentação de propostas para convencer os indecisos a dar mais um mandato ao petista. A campanha pretende explorar episódios do passado e mais recentes envolvendo o senador, como sua relação com o advogado Willer Tomaz.

Entre os integrantes da equipe, a avaliação é que o debate da Band teve provocações em excesso e pouco espaço para a discussão de projetos. Para evitar que esse cenário se repita, Lula tem sido aconselhado a não se irritar nem reagir às provocações do adversário, além de reduzir os improvisos.

Outra orientação é administrar melhor o tempo das respostas. No primeiro confronto, o presidente deixou de utilizar todo o período disponível em algumas intervenções e não conseguiu concluir as considerações finais.

A preparação também inclui ajustes no posicionamento no palco. Na Band, Lula se dirigiu, em alguns momentos, à câmera errada e saiu da área central, ficando em um trecho com menos iluminação. A orientação é que permaneça mais próximo de seu púlpito, até para evitar que Flávio se posicione atrás dele.

Lula cancelou entrevistas e gravações para preservar a voz, afetada pela maratona de atos e compromissos da reta final da campanha. Com rouquidão, o presidente está sendo acompanhado por uma fonoaudióloga. A consultora de imagem Olga Curado também participa da preparação.

A previsão é repetir a equipe que acompanhou o petista no debate da Band. O ministro Sidônio Palmeira, o governador do Piauí, Rafael Fonteles, e o senador pelo Ceará Camilo Santana devem ficar próximos ao presidente para orientá-lo. Fonteles e Camilo ganharam protagonismo na campanha neste segundo turno.

Na plateia, são esperados a primeira-dama Janja, Rui Costa, o deputado federal André Janones e o coordenador-geral da campanha, Edinho Silva. Fernando Haddad também pode comparecer. Janones ganhou importância na reta final pela mobilização de apoiadores nas redes sociais, com o chamado “Exército do Lula”.

Debate da Globo e checagem do Fato ou Fake

O debate presidencial da TV Globo entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) será realizado nesta sexta, dia 23 de outubro, com início programado para as 21h20.

Mediado pelo jornalista César Tralli, o encontro será exibido ao vivo pela TV Globo, direto dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com transmissão simultânea pela GloboNews e pelo g1.

Ao final do debate, o conteúdo ficará disponível na íntegra no Globoplay e no g1.

Além de transmitir o debate, o g1 vai começar, ainda durante o encontro, a checagem das declarações dos candidatos, com a publicação das verificações na página do Fato ou Fake.

Operação Eleições 2026: SDS mobiliza mais de 28 mil postos de trabalho para o esquema de segurança do segundo turno eleitoral

Planejamento prevê atuação integrada das forças policiais desde a quinta-feira (22), passando pelo domingo da votação e as festas da vitória A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) iniciou, nesta quinta-feira (22), a segunda fase da Operação Eleições 2026, voltada ao segundo turno do pleito. A ação segue até a próxima segunda-feira (26) e […]

Planejamento prevê atuação integrada das forças policiais desde a quinta-feira (22), passando pelo domingo da votação e as festas da vitória

A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) iniciou, nesta quinta-feira (22), a segunda fase da Operação Eleições 2026, voltada ao segundo turno do pleito. A ação segue até a próxima segunda-feira (26) e prevê 28.227 lançamentos de efetivo ao longo do período, com investimento de R$ 5.395.680,00. Somente no domingo (25), dia da votação, 12.497 profissionais da segurança pública serão mobilizados.

O monitoramento está sendo realizado a partir do Centro Integrado de Comando e Controle Estadual (CICCE) e dos centros vinculados às Diretorias Integradas do Interior (DINTERs I e II), com funcionamento contínuo previsto das 7h do dia 22 às 7h do dia 26 de outubro. As estruturas permitem acompanhar as ocorrências e apoiar a articulação das equipes mobilizadas durante o período eleitoral.

“A segurança do segundo turno foi planejada de forma integrada para garantir que o pernambucano possa exercer o direito ao voto com tranquilidade. Reunimos Polícia Militar, Polícia Civil, Bombeiros, Polícia Científica, Defesa Civil e os órgãos parceiros, como o TRE, a Polícia Federal, a PRF e a ABIN, em uma operação que começa já nesta quinta-feira (22) e só termina após as festas da vitória, quando também manteremos o policiamento reforçado. Nosso compromisso é com uma eleição pacífica em todo o Estado, não somente na RMR como do Litoral ao Sertão. Pedimos à população que vote com consciência e tranquilidade e que, diante de qualquer ocorrência, acione imediatamente as forças de segurança pelo 190”, declarou a secretária de Defesa Social, em exercício, Mariana Cavalcanti.

O planejamento da Polícia Militar de Pernambuco prevê 26.408 diárias para o emprego de profissionais da segurança pública e contempla o reforço da segurança nos locais de votação. Também será realizada a escolta de materiais importantes para as eleições, policiamento em rodovias, estradas e terminais, ações de prevenção à crimes eleitorais e ao acompanhamento das festas após a divulgação dos resultados.

Para o dia da eleição estarão mobilizados 10.954 militares, com operações de saturação em áreas da Região Metropolitana do Recife, reforço nas principais rodovias, estradas e terminais e atuação de grupos específicos para prevenção e resposta a crimes eleitorais. Também haverá equipes de ligação com os juízes eleitorais, distribuídas pelas zonas eleitorais pernambucanas, para facilitar a comunicação e o encaminhamento de demandas durante o pleito.

A Polícia Civil de Pernambuco conta com 1.289 postos de trabalho no planejamento para o segundo turno. Entre os dias 22 e 25 de outubro, equipes de coordenação atuam nos Centros Integrados do Recife, Caruaru e Serra Talhada. No domingo (25), haverá atendimento nas circunscrições policiais, unidades especializadas e estruturas de apoio, com todas as delegacias das áreas das DINTERs I e II abertas e os plantões ordinários da Capital e da Região Metropolitana ativados.

O Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE) emprega 320 postos de trabalho entre os dias 22 e 26 de outubro. A atuação seguirá as necessidades operacionais do período, com foco nas atividades de resposta a emergências e atendimento à população.

As equipes da Polícia Científica reforçam o atendimento no Instituto de Criminalística (IC), no Instituto de Medicina Legal (IML), nas Unidades Regionais de Polícia Científica (URPOCs) e nos Centros Integrados de Comando e Controle (CICCs), além de equipes de drones em atuação conjunta com o Grupamento Tático Aéreo (GTA), que conta com aeronaves e equipes em terra.

A Corregedoria e a Ouvidoria da SDS estão atuando em ações de fiscalizações, trâmite de diligências e atendimento ao público. As equipes da Defesa Civil de Pernambuco estão a postos nos CICC’s do Recife, Caruaru e Serra Talhada, abrangendo todo o Estado. A Operação contempla também o policiamento das festas da vitória, sobretudo nos momentos após a definição eleitoral e no dia seguinte à votação, com equipes previstas para atuar no Recife, em Caruaru e em Petrolina, além do reforço nas principais vias e nos terminais conforme a necessidade operacional identificada.