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Pandemia reafirma invisibilidade de 2 milhões de trabalhadores da área da Saúde

Por André Luis
A pandemia do novo coronavírus aprofundou as desigualdades, a exploração e o preconceito que recaem sobre o contingente de mais de 2 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, de nível técnico e auxiliar, os quais exercem atividades de apoio na assistência, no cuidado e no enfrentamento à Covid-19. A reportagem é de Filipe Leonel (Ensp/Fiocruz).

Um estudo inédito realizado pela Fiocruz com esses trabalhadores considerados “invisíveis e periféricos” analisou as condições de vida, o cotidiano do trabalho e a saúde mental desse contingente, revelando que 80% deles vivem situação de desgaste profissional relacionado ao estresse psicológico, à sensação de ansiedade e esgotamento mental. 

A falta de apoio institucional foi citada por 70% dos participantes do estudo e 35,5% admitiram sofrer violência ou discriminação durante a pandemia. A maioria de tais agressões (36,2%) ocorreu no ambiente de trabalho, na vizinhança (32,4%) e no trajeto casa-trabalho-casa (31,5%).

A pesquisa ‘Os trabalhadores invisíveis da Saúde: condições de trabalho e saúde mental no contexto da Covid-19 no Brasil’ contou com a participação de 21.480 trabalhadores de 2.395 municípios de todas as regiões do país e descortinou a dura realidade de pessoas cujas vidas são marcadas pela ausência de direitos sociais e trabalhistas. 

Apesar de já atuarem há dois anos na linha de frente de combate à pandemia de Covid-19, muitos deles, tais como maqueiros, condutores de ambulância, pessoal da manutenção, de apoio operacional, equipe da limpeza, da cozinha, da administração e gestão dos estabelecimentos, sequer possuem “cidadania de profissional de saúde”. 

Também integram a lista de participantes do levantamento os técnicos e auxiliares de enfermagem, de saúde bucal, de radiologia, de laboratório e análises clínicas, agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. 

“As consequências da pandemia para esse grupo de trabalhadores são muito mais desastrosas. São pessoas que trabalham quase sempre cumprindo ordens de forma silenciosa e completamente invisibilizadas pela gestão, por suas chefias imediatas, pela equipe de saúde em geral e até pela população usuária que busca atendimento e assistência. Portanto, são desprovidos de cidadania social, técnica e trabalhista. Falta o valioso pertencimento de sua atividade e ramo profissional. A pesquisa evidencia uma invisibilidade assustadora e cruel nas instituições, cujo resultado é o adoecimento, o desestímulo em relação ao trabalho e a desesperança”, lamenta a coordenadora da pesquisa, Maria Helena Machado. 

Os resultados do estudo da Fiocruz apontam que 53% dos “invisíveis” da saúde não se sentem protegidos contra a Covid-19 no trabalho. 

O medo generalizado de se contaminar (23,1%), a falta, escassez e inadequação do uso de EPIs (22,4%) e a ausência de estruturas necessárias para efetuar o trabalho (12,7%) foram mencionados como os principais motivos de desproteção. 

Ainda de acordo com 54,4% dos trabalhadores, houve negligência acerca da capacitação sobre os processos da doença (Covid-19) e os procedimentos e protocolos necessários para o uso de EPIs. 

As exigências físicas e mentais a que esses trabalhadores estão submetidos durante as atividades realizadas, por exemplo, pressão temporal, interrupções constantes, repetição de ações e movimentos, pressão pelo atingimento de metas e tempo para descanso, foram consideradas muito altas por 47,9% deles. Além disso, 50,9% admitiram excesso de trabalho. 

Perfil

As mulheres (72,5%) representam a grande maioria dos trabalhadores e trabalhadoras invisíveis da saúde. São pretos/pardos 59%. A pesquisa mostra que 32,9% deles são jovens com até 35 anos, e a maior parte (50,3%) encontra-se na faixa etária entre 36 e 50 anos. 

Ainda assim, embora sejam relativamente jovens, 23,9% admitiram ter comorbidade anterior à Covid-19, chamando a atenção para: 31,9% hipertensão; 15,1% obesidade; 12,9% doenças pulmonares; 11,7% depressão; e diabetes 10,4%.

Mais da metade (52,6%) trabalha nas capitais e regiões metropolitanas. O estabelecimento de atuação predominante são os hospitais públicos (29,3%), seguidos pela atenção primária em saúde (27,3%) e os hospitais privados (10,7%). Os resultados da pesquisa também revelam que 85,5% possuem jornada de trabalho de até 60 horas semanais, e 25,6% necessitam de outro emprego para sobreviver. 

“Contudo, temos depoimentos recorrentes da realização de ‘plantões extras’ para cobrir o colega faltoso – por afastamento provocado por contaminação ou morte por Covid-19 –, mas eles não consideram essa atividade outro emprego, e sim um bico. Muitos deles declaram fazer atividade extra como pedreiro, ajudante de pedreiro, segurança ou porteiro de prédio residencial ou comercial, mototáxi, motorista de aplicativo, babá, diarista, manicure, vendedores ambulantes etc. É um mundo muito desigual e socialmente inaceitável”, explica a coordenadora do estudo. 

Os trabalhadores invisíveis da Saúde: condições de trabalho e saúde mental no contexto da Covid-19 no Brasil é um subproduto da pesquisa Condições de trabalho dos trabalhadores da Saúde no contexto da Covid-19 no Brasil. Os dados levantados expressam as verdadeiras condições de vida e trabalho de médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem e fisioterapeutas que atuam diretamente na assistência e no combate à pandemia do novo coronavírus. 

Outras Notícias

Governo Raquel 2.0 virá com um desafio: ser melhor que o primeiro

No meu comentário desta sexta-feira (06/11) para o Jornal Itapuama, destaco o grande ato público convocado para as 10h em frente ao SASSEPE, em Arcoverde. A mobilização protesta contra o sistema de cotas e a limitação nos atendimentos prestados por hospitais, clínicas e laboratórios credenciados, situação que tem gerado críticas ao Governo do Estado. Relembrei […]

No meu comentário desta sexta-feira (06/11) para o Jornal Itapuama, destaco o grande ato público convocado para as 10h em frente ao SASSEPE, em Arcoverde. A mobilização protesta contra o sistema de cotas e a limitação nos atendimentos prestados por hospitais, clínicas e laboratórios credenciados, situação que tem gerado críticas ao Governo do Estado.

Relembrei que o plano de saúde do servidor estadual, histórico marco de qualidade que já enfrentou crises em gestões anteriores, volta a ser debate no início desta nova fase do governo Raquel Lyra. Embora a governadora tenha enfatizado durante o período eleitoral as ações de reajuste de alíquotas, o aporte estadual e melhorias no sistema, o limite diário imposto pelas clínicas conveniadas renovou as queixas dos usuários.

Por outro lado, a oposição reage ao reajuste de 8,85% na conta de água da Compesa e aos aumentos na tabela de serviços que podem chegar a 600%, no momento em que se aproxima o leilão de concessão dos serviços de saneamento, marcado para 23 de novembro.

Enfatizei que, neste novo ciclo, o comparativo da gestão será da própria governadora com ela mesma, sem o argumento de herança de governos passados. Com o nome figurando no radar da política nacional, o desempenho deste mandato será determinante para suas projeções futuras.

É hoje! Tem Nando Reis na Festa de Zé Dantas, em Carnaíba

O cantor e compositor Nando Reis divulgou um convite ao público para sua apresentação na 31ª Festa de Zé Dantas, em Carnaíba, no Sertão do Pajeú. O show acontece nesta sexta-feira (6), no Pátio de Eventos Milton Pierre, e integra a programação musical que homenageia o poeta e compositor carnaibano Zé Dantas. No vídeo, o […]

O cantor e compositor Nando Reis divulgou um convite ao público para sua apresentação na 31ª Festa de Zé Dantas, em Carnaíba, no Sertão do Pajeú. O show acontece nesta sexta-feira (6), no Pátio de Eventos Milton Pierre, e integra a programação musical que homenageia o poeta e compositor carnaibano Zé Dantas.

No vídeo, o ex-integrante dos Titãs confirma que levará ao município a turnê “Pra Você Guardei o Amor”, espetáculo que reúne canções de diferentes momentos de sua carreira, com destaque para o repertório romântico.

Durante o convite, Nando também canta um trecho de “All Star”, uma de suas composições mais conhecidas. O repertório da turnê revisita músicas que marcaram sua trajetória como cantor e compositor, incluindo sucessos como “Relicário”, “Por Onde Andei” e “O Segundo Sol”.

A Festa de Zé Dantas chega à 31ª edição em 2026. Realizada pela Prefeitura de Carnaíba, a celebração homenageia José de Souza Dantas Filho, natural do município, que se tornou um dos principais parceiros musicais de Luiz Gonzaga e deixou importantes contribuições para a música nordestina.


A programação começou no dia 3 de novembro e segue até sábado (7), com apresentações musicais no Pátio de Eventos Milton Pierre.

Confira a programação de shows:

QUINTA-FEIRA (5)
20h – Nelito Sanfoneiro de Cristo
22h – Amara Barros

SEXTA-FEIRA (6)
20h – Genailson do Acordeon
22h – Pabllo Moreno
0h – Nando Reis

SÁBADO (7)
20h – Bruna Pegon
22h – Walkyria Santos
0h – Fernandinha

Clique no link abaixo e confira, em nosso Instagram, o convite feito por Nando Reis para sua apresentação na Festa de Zé Dantas.

Vídeo/Imagens: Divulgação

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Brasileiros que foram para o Paraguai são afetados pela crise no país

A crise no Ueno Bank, que sofreu intervenção do Banco Central do Paraguai na terça após ser constatado que seu índice de solvência caiu para menos da metade do mínimo exigido, levou à renúncia do presidente paraguaio, Santiago Peña, nesta quinta (5/11). Ela prejudicou muitos brasileiros que foram pra lá com a promessa de que […]

A crise no Ueno Bank, que sofreu intervenção do Banco Central do Paraguai na terça após ser constatado que seu índice de solvência caiu para menos da metade do mínimo exigido, levou à renúncia do presidente paraguaio, Santiago Peña, nesta quinta (5/11).

Ela prejudicou muitos brasileiros que foram pra lá com a promessa de que seria “a nova Suíça” da América Latina. Políticos de direita e influencers estimularam muitos a ir pra lá sob alegação de que a carga tributária no Brasil era muito alta.

O economista Alexandre Barros da Costa, pesquisador que acompanha a economia paraguaia na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) e Universidade Federal do Paraná (UFPR), estima que a crise no Ueno pode afetar dezenas de milhares de brasileiros que moram no país.

Isso porque, segundo Costa, o banco atrai imigrantes pela facilidade de abertura de contas.

Segundo estimativas do Ministério das Relações Exteriores, em 2025 havia 270 mil brasileiros vivendo no Paraguai, a maior comunidade na América do Sul, e a terceira no mundo, atrás apenas de EUA e Portugal.

Mas tem havido uma onda recente de brasileiros indo ao Paraguai, como revelado pela BBC News Brasil em abril deste ano, motivados por questões econômicas e políticas.

Em vez de apurar condutas de médicos, CREMEPE repudia prefeito que os flagrou dormindo

O flagrante de dois médicos dormindo enquanto pessoas aguardavam atendimento no Hospital Municipal Jailton Messias de Souza Albuquerque, em Barreiros, no litoral sul de Pernambuco, ganhou repercussão nas redes sociais. O prefeito Carlinhos da Pedreira foi pessoalmente à unidade de saúde para verificar denúncias de demora no atendimento à população. Durante a fiscalização, o gestor […]

O flagrante de dois médicos dormindo enquanto pessoas aguardavam atendimento no Hospital Municipal Jailton Messias de Souza Albuquerque, em Barreiros, no litoral sul de Pernambuco, ganhou repercussão nas redes sociais.

O prefeito Carlinhos da Pedreira foi pessoalmente à unidade de saúde para verificar denúncias de demora no atendimento à população.

Durante a fiscalização, o gestor encontrou uma situação os profissionais da unidade em um quarto de repouso durante o expediente, enquanto pacientes aguardavam atendimento.

Segundo o prefeito, três médicos estavam escalados para o plantão, mas apenas um estaria realizando atendimentos no momento da fiscalização.

Após o episódio, a Prefeitura anunciou o rompimento do contrato com a associação responsável pela gestão do hospital e informou que reassumirá a administração da unidade.

A NOTA DO SIMEPE

O Conselho Regional de Medicina, CREMEPE, e o Sindicato dos Médicos de Pernambuco, SIMEPE, repudiaram a atitude do prefeito e defenderam os médicos. Disseram que o prefeito os constrangeu. E que eles não fizeram nada de errado.

Júri de Giselda Andrade, có-autora da morte do pequeno Arthur será em março

Do Causos e Causas Giselda da Silva Andrade, acusada pela morte de Arthur Ramos Nascimento, de 2 anos, será julgada em 22 de março de 2027, às 8h30, na 4ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, no Recife. O menino morreu em 16 de fevereiro de 2025, em Tabira, no Sertão de Pernambuco. A […]

Do Causos e Causas

Giselda da Silva Andrade, acusada pela morte de Arthur Ramos Nascimento, de 2 anos, será julgada em 22 de março de 2027, às 8h30, na 4ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, no Recife.

O menino morreu em 16 de fevereiro de 2025, em Tabira, no Sertão de Pernambuco. A ré responde por homicídio qualificado, tortura e estupro de vulnerável.

Arthur estava sob os cuidados de Giselda e de Antônio Lopes Severo, conhecido como “Frajola”, desde que a mãe, Geovana Ramos, viajou a trabalho para outro estado, no fim de 2024. Era garota de programa. A investigação apontou relatos de tortura e violência sexual, além de asfixia mecânica e traumatismo craniano associados à morte.

O casal foi preso dois dias depois, na zona rural de Carnaíba. Na chegada a Tabira, uma multidão cercou a viatura e retirou Antônio, que foi linchado. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu. A atuação dos policiais durante o episódio também passou por apuração.

Giselda foi encaminhada a uma unidade prisional e denunciada pelo Ministério Público de Pernambuco em maio de 2025. A responsabilidade penal dela será examinada no júri. A acusação não equivale a uma condenação, e a ré tem direito à defesa.

As Advogadas Luciana Bispoadvogada e Isabelal Brito atuarão na assistência à acusação.

#tabira