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O vazio existencial dos obstinados

Por André Luis

Era tão rico que só tinha dinheiro.

Por Inácio Feitosa*

No Cariri paraibano, em Monteiro, o tempo ensina mais do que corre. Foi ali, numa noite de lua alta sobre a caatinga, sentado à porta da casa grande da Fazenda Jatobá, dos Santa Cruz — terra de meus antepassados — que ouvi esse caso pela primeira vez. Quem contava era Zé Preto, caseiro antigo, homem de poucas palavras e muita memória. Contava para mim e para meu pai, João Feitosa Santa Cruz, ainda na década de 1980, nós três deitados em redes armadas na varanda, cada qual na sua, enquanto ele enrolava o fumo com calma, cuspia de lado e deixava a história correr como quem puxa conversa para espantar o silêncio da noite. Contava como quem não prega, apenas lembra.

Dizia ele que, certa manhã, o açude estava parado. Água quieta, espessa de silêncio. Três homens pescavam. Pouca fala, nenhum aperreio. O peixe não vinha em fartura, mas vinha. O suficiente para o dia e para a dignidade.

Chegou um homem de fora. Sudestino. Roupa limpa demais para aquele chão rachado. Olhar inquieto, desses que medem tudo como se a vida fosse planilha.

— Por que vocês estão pescando aí? — perguntou.

O matuto respondeu simples, sem tirar os olhos da água:

— Pra comer. Pra levar pra casa.

O homem achou pouco. Pensou alto:

— Você podia botar esses homens pra trabalharem pra você. Comprar mais barcos. Pescar mais.

O matuto esperou um tempo, como quem escuta o vento antes da chuva:

— Pra quê?

— Pra vender mais.

— Pra quê?

— Pra ganhar dinheiro.

— Pra quê?

O sudestino respirou fundo:

— Pra um dia você não precisar mais trabalhar. Ficar tranquilo. Fazer só o que gosta. Pescar com seus amigos.

O matuto sorriu curto, quase piedoso:

— Oxente… é isso que eu já faço.

E voltou ao anzol.

Zé Preto dizia que o homem foi embora calado. A conta estava certa. O sentido, não. E talvez por isso a história tenha ficado.

Pensei nisso muitas vezes depois. Porque o obstinado moderno raramente se reconhece nesse espelho. Ninguém o chama de fracassado. Pelo contrário. Seu nome costuma ser sinônimo de sucesso, disciplina e vitória. Constrói biografias impecáveis, dessas que impressionam em discursos e causam silêncio em reuniões. Trabalha como quem cumpre um chamado — mas esquece de perguntar quem o chamou.

A obstinação começa como virtude. Acordar cedo, insistir, não desistir. Com o tempo, deixa de ser método e vira altar. Tudo passa a girar em torno do desempenho. Deus fica para depois, como se a eternidade pudesse aguardar o fechamento do próximo negócio.

Era tão obstinado que passou a criar mentiras — e acreditar fielmente nelas. Mentiras para justificar ausências, para suavizar durezas, para explicar por que não voltava cedo, por que não ouvia mais, por que não sentia culpa. Repetidas tantas vezes que já não distinguia estratégia de verdade. O autoengano virou abrigo.

A riqueza veio. Veio farta, visível, incontestável. Mas o coração continuava inquieto. Descobriu, tarde demais, que dinheiro compra quase tudo, exceto o silêncio interior. Quando cessava o barulho das metas, surgia um incômodo profundo — um vazio que não aparecia no balanço.

As pessoas foram virando meios. Relações, compromissos adiáveis. Afetos, custos operacionais. Ganhou influência, perdeu intimidade. Estava sempre cercado, raramente acompanhado. A solidão dos obstinados não é falta de gente; é falta de encontro.

Nunca aprendeu a parar. Ignorou o descanso como princípio, acreditando que pausar era sinal de fraqueza. Esqueceu que até Deus descansou — não por cansaço, mas para ensinar limite. O sábado simbólico da vida lhe parecia desperdício, quando era lembrança de humanidade.

Mediu o sucesso por números, não por frutos. Avaliou a vida por resultados, não por virtudes. Confundiu prosperidade com bênção, como se toda abundância fosse sinal de aprovação divina. Esqueceu que a Bíblia nunca prometeu cofres cheios, mas corações inteiros.

Evitava o silêncio. Sabia, no fundo, que é nele que Deus costuma falar. Preferia o ruído constante das ocupações, pois o recolhimento poderia revelar a distância entre tudo o que conquistou e tudo o que negligenciou.

Ajuntou tesouros onde o tempo alcança. Patrimônio, propriedades, poder. Mas esqueceu de construir o que não se perde: memórias, vínculos, fé, sentido. Quando percebeu, havia garantias para o futuro, mas nenhuma paz para o presente.

O matuto do açude da Fazenda Jatobá, em Monteiro, nunca fez conta grande. Não explorava ninguém. Dividia o pouco. Pescava com os amigos. Voltava para casa inteiro. Já vivia aquilo que o outro planejava viver um dia — quando tudo estivesse pronto.

No fim, o paradoxo se impõe sem barulho: há quem ganhe o mundo inteiro e perca a si mesmo. Era rico, sim. Tão rico… que só tinha dinheiro.

*Inácio Feitosa é advogado, escritor e pescador.

Outras Notícias

Divisão a vista no palanque do Prefeito Sebastião Dias em 2018

Por Anchieta Santos Petebista como o Senador Armando Monteiro, o Prefeito de Tabira Sebastião Dias votará no aliado para a sucessão do Governador Paulo Câmara. Os petistas do Governo do Poeta, certamente marcharão com a candidatura própria do Partido dos Trabalhadores e alguns já se encantam com a vereadora recifense Marília Arraes. Outro ponto que […]

Por Anchieta Santos

Petebista como o Senador Armando Monteiro, o Prefeito de Tabira Sebastião Dias votará no aliado para a sucessão do Governador Paulo Câmara.

Os petistas do Governo do Poeta, certamente marcharão com a candidatura própria do Partido dos Trabalhadores e alguns já se encantam com a vereadora recifense Marília Arraes.

Outro ponto que marcará a divisão estará na disputa pelo voto de deputado Federal. Sebastião votará outra vez em Ricardo Teobaldo e por seu lado o PT da Cidade das Tradições será defensor do voto em Carlos Veras, Presidente da CUT.

Teobaldo e Veras já trocaram críticas em entrevistas ao blogueiro Junior Alves. Detalhe: o Prefeito Sebastião Dias garante que não terá vergonha nenhuma de sair com Ricardo Teobaldo e apresentá-lo ao povo, mesmo tendo votado pela permanência de Michel Temer na Presidência da República.

Projeto que disciplina fogos de artifício é aprovado em primeira votação em Serra Talhada

Na sessão da última segunda-feira (23), a Câmara de vereadores de Serra Talhada voltou a discutir o Projeto de Lei Nº 022/2019, de autoria do vereador Sinézio Rodrigues (PT), que dispõe sobre a proibição da soltura de fogos de estampido e de artifício com efeito sonoro ruidoso no município. O projeto foi aprovado em primeira […]

Na sessão da última segunda-feira (23), a Câmara de vereadores de Serra Talhada voltou a discutir o Projeto de Lei Nº 022/2019, de autoria do vereador Sinézio Rodrigues (PT), que dispõe sobre a proibição da soltura de fogos de estampido e de artifício com efeito sonoro ruidoso no município. O projeto foi aprovado em primeira votação por 8 votos a 7 e agora seguirá para a segunda votação, que acontecerá na sessão da próxima segunda-feira (30/09), a partir das 20h, na Casa Joaquim de Souza Melo.

Na tribuna, Sinézio Rodrigues destacou os objetivos e esclareceu pontos fundamentais do projeto de lei.“O projeto não proíbe todos os fogos, apenas disciplina alguns tipos de fogos porque estes causam mal estar à população e aos animais. Nosso projeto foi baseado na modernização e se infelizmente alguns não compreendem a necessidade dessa modernização, vamos fazer o que? Esperar que essa modernização chegue através de uma lei federal já que a nível municipal nós não temos, ainda, uma maturidade para isso”, afirmou.

O parlamentar demonstrou confiança na aprovação do texto, porém, foi realista quanto às dificuldades na tramitação da matéria na casa legislativa. “Quem será derrotado se o projeto não for aprovado não será eu ou quem votou a favor, será a maioria da sociedade, que fez o debate através das mídias digitais, de rádios e aprovou o projeto. Não se trata apenas de proibir a soltura de fogos, mas sim, de proteger aqueles que se sentem prejudicados com esta ação. Podemos perder no voto aqui, mas, já ganhamos na opinião da sociedade, que diz que é possível sim disciplinar a soltura de fogos, que é possível ter festas juninas, réveillon, comemorações em geral com fogos sem ruídos, sem perturbar a ordem pública, sem causar mal estar. Agradeço a todos que se posicionaram e repudiaram quem usou de versões distorcidas para tentar, inclusive, conquistar voto de quem vota a favor do projeto”, disparou.

O blog e a história: quando ex-presidentes podiam sair juntos na foto

O senador Fernando Collor (PTB-AL) postou, nesta terça-feira (17), foto com a presidente Dilma Rousseff e os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Lula e José Sarney durante o voo que os transportou para os funerais de Nelson Mandela na África do Sul no dia 9. O chefe do cerimonial da Presidência, Renato Mosca, também aparece na […]

O senador Fernando Collor (PTB-AL) postou, nesta terça-feira (17), foto com a presidente Dilma Rousseff e os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Lula e José Sarney durante o voo que os transportou para os funerais de Nelson Mandela na África do Sul no dia 9. O chefe do cerimonial da Presidência, Renato Mosca, também aparece na imagem.

“Na aeronave presidencial, junto com Dilma e dos ex-presidentes Lula, FHC e Sarney, além do ministro Renato Mosca”, escreveu Collor em seu perfil pessoal no Twitter. “Esse registro aconteceu na histórica representação oficial do Brasil nas últimas homenagens prestadas ao líder Nelson Mandela.”

Eles viajaram no último dia 9 para acompanhar cerimônias de homenagem ao presidente sul-africano Nelson Mandela, numa viagem inédita de todos os presidentes brasileiros vivos desde a redemocratização.

“É uma demonstração de que as eventuais divergências no dia a dia não contaminam as posições do Estado Brasileiro”, afirmou a presidente à época.

Em 18 de dezembro de 2013.

Governo Raquel lança campanha institucional com novo slogan e identidade visual

No seu 100º dia de gestão, o Governo de Pernambuco lançou uma campanha institucional com nova identidade visual, que traz a mudança de gestão em Pernambuco para o centro do debate público. Com o slogan “Estado de Mudança”, o vídeo mostra as primeiras ações do Governo Raquel Lyra a partir de personagens femininas. As peças […]

No seu 100º dia de gestão, o Governo de Pernambuco lançou uma campanha institucional com nova identidade visual, que traz a mudança de gestão em Pernambuco para o centro do debate público. Com o slogan “Estado de Mudança”, o vídeo mostra as primeiras ações do Governo Raquel Lyra a partir de personagens femininas.

As peças também trazem resultados que já começaram a ser entregues para a população. Entre as principais ações deste primeiros 100 dias, destacam-se o investimento em segurança pública, com o funcionamento de seis Delegacias da Mulher durante 24 horas; e o anúncio de recursos na ordem de R$ 23 milhões para o Corpo de Bombeiros.

Na educação, as principais ações lembradas neste início de governo foram a criação de 61 novas escolas em tempo integral e o anúncio do calendário de chamamento do concurso de professores. Na saúde, houve o lançamento do programa Cuida Mulher e a criação de 52 novos leitos no Hospital Barão de Lucena.

Para a habitação, foram apontados o lançamento do programa Morar Bem e a inauguração do Habitacional Canal do Jordão, com 272 unidades habitacionais, em Jaboatão dos Guararapes. Por fim, há o programa anticorrupção e o pagamento de dívidas herdadas do governo anterior no valor de R$ 1,1 bilhão. Assista:

 

 

PSDB pode ser o destino de Armando Monteiro

Após a perda do comando do PTB em Pernambuco, o grupo do ex-senador Armando Monteiro está caminhando para uma nova sigla no estado. Apesar de o Podemos do deputado federal Ricardo Teobaldo, há um sentimento crescente de que o destino de Armando e aliados deverá ser o PSDB, que hoje é presidido pela deputada estadual […]

Após a perda do comando do PTB em Pernambuco, o grupo do ex-senador Armando Monteiro está caminhando para uma nova sigla no estado. Apesar de o Podemos do deputado federal Ricardo Teobaldo, há um sentimento crescente de que o destino de Armando e aliados deverá ser o PSDB, que hoje é presidido pela deputada estadual Alessandra Vieira. A informação é do blog do Edmar Lyra.

Caso se concretize, Armando Monteiro estará voltando às origens, pois foi no PSDB a primeira filiação de Armando ainda em 1990, ficando na sigla até 1997 quando filiou-se ao PMDB para disputar seu primeiro mandato eletivo, que foi o de deputado federal em 1998, sagrando-se vitorioso. 

Uma vez nas hostes tucanas, Armando Monteiro será o principal líder do partido no estado ao lado de Bruno Araújo, presidente nacional da sigla, e da prefeita de Caruaru, Raquel Lyra, e terá a missão de contribuir com a reestruturação partidária para 2022 onde os tucanos tentarão voltar a ter representatividade na Câmara Federal e ampliar sua presença na Assembleia Legislativa de Pernambuco.