Notícias

Morre aos 94 anos o “Doutor Aloísio Arruda”

Por Nill Júnior

Faleceu agora pela manhã no Hospital da Unimed, aos 94 anos, o odontólogo Aloísio Arruda. Ele lutava contra um quadro de insuficiência respiratória na UTI da unidade, que evoluiu para insuficiência renal. Ele sentiu-se mal há 15 dias e foi levado para a unidade. Ainda não há detalhes de velório e sepultamento Em outubro, o blog homenageou o profissional pela bela festa que brindou suas mais de nove décadas.

Em 29 de setembro, filhos, netos, bisnetos, demais familiares e amigos se reuniram no espaço Olga Cajueiro para uma justa homenagem ao odontólogo. “Doutor Aloísio, que no auge dos seus 94 anos, é parte da memória viva de Afogados da Ingazeira, cidade que abraçou como sua. A convite da família, fui acompanhar e brindar a justa homenagem”, dizia o blog em 1 de novembro.

Alvirrubro apaixonado, daqueles que chamavam os amigos em casa só para brindar fracassos de rubro-negros e tricolores com muito bom humor, compensava o que o tempo lhe tirou da visão com os ouvidos, como radio ouvinte de prefixos como Jornal, CBN e Pajeú de Afogados da Ingazeira. Com isso, era mais atualizado que a geração WhatsApp, capaz de discutir os temas mais contemporâneos com plena lucidez.

Quantos bons frutos a partir de seu Aloísio e Dona Ivone! Mais que a formação acadêmica e caminho de cada um, fica o sentimento de que o casal soube edificar personalidades,  construir um legado, replicar na prole os valores que não são definidos por fatores econômicos, mas sim por patrimônio humano.

Gentilmente, o historiador Fernando Pires nos cedeu texto a partir de entrevista com o Doutor Aloísio:

Aloisio Arruda nasceu em Cabaceiras (PB) no dia 29 de setembro de 1924, na fazenda Riacho Grande, em virtude de seus genitores, naturais de Surubim (PE), estarem residindo naquela localidade, onde permaneceram 10 anos.

Quando tinha três anos de idade, a família retornou para Surubim, onde fez o curso primário. O ginasial cursou em Limoeiro. E para dar continuidade aos estudos, teve que se deslocar para o Recife, em 1943, quando contava 19 anos, e onde, no Ginásio Pernambucano fez o curso científico.

Em 1945 foi submetido ao vestibular de Odontologia e, logrando êxito, estudou na Faculdade de Odontologia do Recife, formando-se em 1948. Em seguida foi para Lajedo (PE) para exercer a profissão de Odontólogo, ficando naquela cidade uns 5 meses. Mas, a sua aspiração era o sertão pernambucano.

Através de um amigo do Recife, Heraldo Reis da Silva Rêgo, que conhecia o então comerciante afogadense José Torreão, foi conhecer a cidade de Afogados da Ingazeira em companhia do Heraldo, aonde chegaram em meados de 1949. Na cidade iria conhecer o médico Hermes de Sousa Canto, contemporâneo do seu irmão, também médico.

Recorda-se que a viagem foi de trem, pela Rede Ferroviária Federal que acabara de chegar a Afogados da Ingazeira. O trecho entre Sertânia e o seu destino final estava em fase de testes, senão teria vindo em cima de caminhão ou em marinete que faziam essa rota.

Tem vaga lembrança sobre sua estada na cidade, mas que passou um dia fazendo o reconhecimento, e ficou na hospedaria de dona Milinha, localizada nas imediações dos Correios e Telégrafos, onde funcionou a X Dires. Aqui tomou conhecimento da existência do Doutor Wilfredo, também odontólogo, e do protético Otávio Ferreira.

Sua decisão foi imediata: gostou da cidade e disse que viria residir no sertão. Voltou no dia seguinte à capital pernambucana para se organizar e retornar àquela que seria o seu porto seguro para o resto da vida.

Não havendo qualquer objeção da família, em 9 de agosto de 1949 se mudou para o sertão do Pajeú. Vizinho à hospedaria alugou uma sala onde instalou seu consultório odontológico. Na sua bagagem, trouxe uma carta de apresentação do irmão que foi colega de turma (em 1938 ) do médico Hermes Canto, lhe apresentando.

Aqui também encontrou os médicos Herbert Miranda Henriques e Vicente Jesus Lima.

Estabelecido na pequena cidade sertaneja, exerceu com dedicação, por muitos anos, sua profissão de dentista em Afogados e cidades circunvizinhas, além de atender através do sindicato, aos funcionários da Rede Ferroviária Federal.

Seu primeiro contato com a jovem Ivone Góes, aquele que viria a ser sua esposa, se deu no dia 8 de dezembro de 1949, em meio às festas de final de ano, quando se colocavam mesas defronte à Igreja e as famílias envolvidas pelos momentos festivos natalinos e de final de ano, se confraternizavam.

Algum tempo depois eles iniciaram o namoro pra valer. Dona Ivone dizia: “Aloísio era muito assediado pelas garotas afogadenses, por ser jovem, bonito e com graduação superior”.

No dia 4 de setembro de 1955, na Catedral do Senhor Bom Jesus dos Remédios, o jovem casal subiu ao altar para selar o compromisso de amor. O celebrante, Padre Antônio de Pádua Santos abençoou a união. Aloísio contava 31 anos de idade incompletos e dona Ivone 28.

Os frutos desse matrimônio foram 6 filhos: Alexandre, Valéria, Verônica, Aloísio, Isabel e Ana Tereza.

O imóvel onde reside até hoje foi construído por Herbert de Miranda Henriques, quando médico em Afogados da Ingazeira, na déc de 50.

Exímio professor de matemática, Dr. Aloísio Arruda ensinou nas principais escolas da cidade. Recorda-se de alguns alunos: Josezito Padilha, Virgílio Amaral, Newton César, José Virgínio Nogueira, Alberto Virgínio Nogueira, Cláudio Virgínio Nogueira, Silvano Queiróz (Bombinha), Silvério Queiróz, Claudete Oliveira, Adailton Vidal, Fernando Pires entre muitos outros.

Dentre os inúmeros postos de responsabilidade assumidos por ele, citamos a Secretaria da Prefeitura Municipal de Afogados da Ingazeira nos governos de Miguel de Campos Góes, José Rodrigues de Brito e João Alves Filho (no primeiro mandato). Também secretário da Escola Normal Rural e do Ginásio Mons. Pinto de Campos; diretor do ACAI e Fiel da Companhia de Armazéns Gerais do Estado de Pernambuco – CAGEP. Manteve convênio com o Sindicato dos Ferroviários.

Recordava-se do bar do senhor Aurélio Pires,  avô de Fernando Pires, localizado na praça Domingos Teotônio, hoje Mons. Alfredo de Arruda Câmara, onde ele, Doutor Hermes, Doutor Serpa e outros amigos passavam momentos de descontração.

Dr. Aloísio se aposentou nos anos 1970. Em janeiro desde ano sofreu uma grande perda com o falecimento de dona Ivone Arruda, sua esposa.

Fotos de Júnior Finfa

Outras Notícias

Salgueiro: Dois jacarés são capturados em via pública em menos de 24h

Do G1 Somente nesta quinta-feira (14) o Corpo de Bombeiros de Salgueiro, no Sertão pernambucano, recebeu dois chamados em horários distintos para capturar jacarés que circulavam na via pública. Um deles estava na BR-232, próximo a uma estação de tratamento de água. O outro foi encontrado no Bairro do Divino por volta das 21h. De […]

Jacaré capturado por volta das 2h da quinta-feira em Salgueiro (Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros)
Jacaré capturado por volta das 2h da quinta-feira em Salgueiro (Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros)

Do G1

Somente nesta quinta-feira (14) o Corpo de Bombeiros de Salgueiro, no Sertão pernambucano, recebeu dois chamados em horários distintos para capturar jacarés que circulavam na via pública. Um deles estava na BR-232, próximo a uma estação de tratamento de água. O outro foi encontrado no Bairro do Divino por volta das 21h.

De acordo com o sargento do Corpo de Bombeiros, José Rodrigues Leite, os répteis tinham cerca de 1,5 metro. “Quando chove a gente sempre encontra, pois eles saem dos açudes. O povo fica desesperado. Uns querem matar e outros querem que a gente capture”, disse o sargento.

Os animais foram entregues no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Sertânia participa do 3º Ciclo de Capacitação do selo UNICEF

O município de Sertânia participou na quarta-feira (7) do 3º Ciclo de Capacitação do selo UNICEF, que aconteceu no auditório do Hotel Cruzeiro em Arcoverde e reuniu 32 municípios das regiões do Pajeú, Moxotó e Ipanema, que fazem parte do polo. Representaram Sertânia no encontro o articulador do Selo UNICEF no município Ricardo Pinheiro; o […]

O município de Sertânia participou na quarta-feira (7) do 3º Ciclo de Capacitação do selo UNICEF, que aconteceu no auditório do Hotel Cruzeiro em Arcoverde e reuniu 32 municípios das regiões do Pajeú, Moxotó e Ipanema, que fazem parte do polo.

Representaram Sertânia no encontro o articulador do Selo UNICEF no município Ricardo Pinheiro; o mobilizador do Selo Geovane Santos; a orientadora pedagógica representante da secretaria de Educação Dionice Pereira; a coordenadora do NASF Allana Vaz e a secretária de Saúde Mariana Araújo.

O evento tem como objetivo a capacitação de representantes da gestão municipal sobre a metodologia e as ferramentas de monitoramento do Selo UNICEF.

Raquel Lyra acompanhou o Pernambuco Meu País em Arcoverde

A governadora Raquel Lyra acompanhou, juntamente com a vice-governadora Priscila Krause, a primeira noite de shows do Festival Pernambuco Meu País no palco instalado no Pátio da Estação da Cultura em Arcoverde, nesta sexta-feira (29). A gestora cumprimentou o público presente e prestigiou artistas, celebrando a interiorização da política pública. O festival no município segue […]

A governadora Raquel Lyra acompanhou, juntamente com a vice-governadora Priscila Krause, a primeira noite de shows do Festival Pernambuco Meu País no palco instalado no Pátio da Estação da Cultura em Arcoverde, nesta sexta-feira (29).

A gestora cumprimentou o público presente e prestigiou artistas, celebrando a interiorização da política pública. O festival no município segue até este hoje (31), com apresentações musicais de muitos estilos como coco, reggae e forró, além de dança, teatro e diversas outras linguagens artísticas, distribuídas em 17 polos.

Durante o evento, a governadora reforçou seu compromisso com a cultura pernambucana. “Desde quinta-feira nós estamos tendo aqui em Arcoverde diversas manifestações culturais, oficinas, apresentações, unindo a gastronomia, o teatro, a música, a dança. A rede hoteleira está lotada, como tem acontecido em cada uma das regiões que observamos em Pernambuco. É 90% da nossa contratação vinda dos editais, fortalecendo a nossa cultura popular, pago com cachê em dia, respeitando os nossos trabalhadores e fazedores da cultura.”

Neste final de semana, a cidade sertaneja vai receber mais de 140 ações das mais diversas expressões culturais. “Arcoverde, que recebeu o festival na edição 2024 e foi um sucesso, recebe mais uma vez de braços abertos. E este ano temos uma das homenageadas do município, a Mestra Severina Lopes, representando o coco de roda, a cultura popular e as tradições que passam de geração pra geração”, afirmou a secretária de Cultura, Cacau de Paula. Para a presidente da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), Renata Borba, Arcoverde é uma cidade rica em cultura. “É a terra de uma das homenageadas, é a terra do Coco Raízes de Arcoverde, é uma verdadeira celebração da cultura pernambucana”, completou.

Os artistas que carregam a identidade pernambucana têm seu espaço garantido também no País das Culturas Populares, montado na Praça Virginia Guerra. Ainda acontece muita música nos Países das Matrizes do Forró, da Música e da Música Experimental. Arcoverde também conta com os polos descentralizados, localizados nos distritos de Ipojuca e Caraíbas, com muita música e espetáculos infantis.

O prefeito de Arcoverde, Zeca Cavalcanti, conta que a chegada do evento na cidade é mais uma oportunidade que o Governo do Estado tem para auxiliar os municípios. “Essa parceria só vai render bons frutos para os arcoverdenses, como já está acontecendo em Pernambuco. O Governo está transformando Pernambuco, e é muito importante quando você vê uma gestão ouvindo o povo”, declarou.

Na noite de abertura, passaram pelo palco Pernambuco Meu País Lirinha, Nação Zumbi, Wiu e Maneva, entre outras apresentações. De acordo com o diretor-presidente da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur), Eduardo Loyo, esta edição mostra a capacidade do Governo em fortalecer o turismo. “Quando falamos em turismo são 52 atividades econômicas diretamente relacionadas ao segmento. Não tenho dúvida de que crescendo, cada vez mais, mais hotéis vão surgir, os hotéis de cidades limítrofes também vão ser ocupados, então estamos muito satisfeitos com esses números”, disse.

Ontem a noite teve Samba de Coco Irmãs Lopes, Mestre Ambrósio, Taiguara Borges, Martnália e Seu Jorge.

Capacitação beneficia pescadores em Serra Talhada

A Prefeitura Municipal de Serra Talhada, através da Secretaria de Agricultura e Recursos Hídricos e em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco – Unidade Acadêmica de Serra Talhada, realizou o cadastramento de 30 (trinta) pescadores, a maioria mulheres, que serão beneficiadas com o curso de capacitação em “Aproveitamento de Resíduos de Pescado: Artesanato […]

A Prefeitura Municipal de Serra Talhada, através da Secretaria de Agricultura e Recursos Hídricos e em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco – Unidade Acadêmica de Serra Talhada, realizou o cadastramento de 30 (trinta) pescadores, a maioria mulheres, que serão beneficiadas com o curso de capacitação em “Aproveitamento de Resíduos de Pescado: Artesanato com Escama e Pele de Peixe”, junto à Colônia de Pescadores Nossa Senhora Aparecida.

No geral, duas comunidades rurais foram beneficiadas, sendo Cachoeira II e Serrinha. Ao todo foram formadas 3 (três) turmas que receberão cada uma quatro aulas, teóricas e práticas, de cinco horas cada, totalizando uma carga horária de 20 horas por turma. A previsão de realização das aulas é para os meses de maio, junho e julho de 2018.

“Este Projeto vem em um momento crucial para os pescadores e pescadoras, depois de sofrerem com a diminuição da disponibilidade dos recursos pesqueiros naturais devido à forte seca que castiga toda a região Nordeste. Agora, os artesanatos produzidos com a escama e pele de peixes poderão resgatar e até superar o déficit financeiro da renda familiar destes trabalhadores rurais”, destaca o secretário José Pereira.

A expectativa por parte de todos os membros envolvidos no Projeto é muito grande e a projeção é que já no mês de agosto a comercialização das biojóias seja iniciada em Serra Talhada.

Fotógrafo que percorreu caminhos de Lampião lança “Na Trilha do Cangaço” em SP

Terra Foi com o objetivo de revisitar lugares e personagens que construíram o imaginário popular do mito Lampião que o fotógrafo Márcio Vasconcelos viajou 4 mil quilômetros sozinho durante dois meses. Com histórias surpreendentes e um ensaio fotográfico de peso na bagagem, o projeto foi contemplado em 2010 com o XI Prêmio Funarte Marc Ferrez […]

Casa de dona Jacosa, avó materna de Lampião, em Serra Talhada, PE (Foto: Márcio Vasconcelos)

Terra

Foi com o objetivo de revisitar lugares e personagens que construíram o imaginário popular do mito Lampião que o fotógrafo Márcio Vasconcelos viajou 4 mil quilômetros sozinho durante dois meses.

Com histórias surpreendentes e um ensaio fotográfico de peso na bagagem, o projeto foi contemplado em 2010 com o XI Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, ganhou exposição no Festival de Fotografia Foto em Pauta, em Tiradentes (MG), em 2013, e uma exposição virtual em São Luis (MA), no mesmo ano.

Agora, com mais uma incursão a alguns dos pontos visitados e captação de imagens inéditas, Na Trilha do Cangaço – O Sertão que Lampião Pisou ganha edição em livro, com concepção e curadoria de Maureen Bisiliat, pela editora Vento Leste.

O registro de Márcio Vasconcelos passou por cinco estados do nordeste brasileiro – Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia e Ceará – tendo visitado grandes cidades, povoados e pequenos vilarejos, retomando uma trilha imaginária por onde Lampião poderia ter passado, de 1920 a 1940. “Fui inspirado pelas imagens que tenho na memória dos fotógrafos da época, que se aproximaram do Lampião, o filme e o material deixado pelo Benjamin Abrahão, e pude ver que de lá pra cá muita coisa ainda permanece como se o tempo tivesse parado nas mesmas agruras e dificuldades de anos atrás”, conta Márcio.

A intenção do projeto é resgatar e refazer os caminhos percorridos por Lampião – segundo personagem mais biografado da América Latina, depois do Che Guevara -, Maria Bonita, Corisco, Dadá e seus bandos, através da elaboração de uma trilha que ligará locais simbólicos na história do cangaço pelos sertões nordestinos. O projeto pretende também identificar, localizar e fotografar personagens que fazem parte dessa história, além de descendentes destes, e que ainda se encontram vivos para contar causos e atestar a veracidade do mito Lampião e Maria Bonita.

O livro será lançado em São Paulo dia 27 de abril, quarta-feira, às 19h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. O historiador Frederico Pernambucano de Melo assina o texto de apresentação, que contextualiza e registra a saga do movimento no Brasil.

Serviço
Livraria Cultura – Na Trilha do Cangaço, o Sertão que Lampião Pisou
Avenida Paulista, 2073, Bela Vista, São Paulo
Dia 27 de abril
Quarta-feira, às 19h
Tel.: (11) 3170 4033