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“Jesus questionou os poderosos”, diz bispo pernambucano atacado por defesa da democracia e do fim da escala 6×1

Por Nill Júnior

Bispo titular da diocese de Afogados da Ingazeira, no Sertão de Pernambuco, Dom Limacêdo tem sido alvo de ataques e ameaças após posicionamento a favor de pautas associadas à classe trabalhadora

Do Diário de Pernambuco

Negro, admirador de Dom Hélder Câmara e filho de um cortador de cana e de uma costureira. Há oito anos bispo titular da diocese de Afogados da Ingazeira, no Sertão de Pernambuco, Dom Limacêdo Antônio da Silva foge aos estereótipos relacionados ao episcopado também em sua insistência em defender publicamente a democracia brasileira e causas ligadas à classe trabalhadora, como o fim da escala 6×1 e as cotas para estudantes negros.

Embora já fosse conhecido na cena católica de Pernambuco pelo engajamento histórico no combate às desigualdades sociais, ele se tornou alvo de ataques e ameaças nas redes sociais após a repercussão de uma homília que celebrou durante o Natal do ano passado. Na ocasião, Dom Limacêdo pediu punição para quem pratica atos antidemocráticos e criticou a Lei da Dosimetria, promulgada em 8 de maio de 2026 pelo Congresso Nacional para viabilizar a redução de penas e a aceleração da progressão de regime para condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito, notadamente favorecendo os envolvidos no 8 de Janeiro de 2023.

“O propósito da Igreja é formar consciências”, disse Dom Limacêdo ao ser questionado sobre o papel da Igreja na atualidade, em entrevista concedida ao Diario de Pernambuco.

Nascido em Nazaré da Mata no dia 29 de setembro de 1960, ele comentou sobre sua intimidade de longa data com a pauta política, que teve início com a atuação pastoral junto a catadores de recicláveis, trabalhadores rurais e movimentos sociais. A vivência prática ganhou esteio intelectual durante sua formação em teologia no Mosteiro de São Bento em Olinda, onde Limacêdo se aproximou de Dom Fernando Saburido, agora Arcebispo emérito de Olinda e Recife, e dos estudos filosóficos. Confira a entrevista na íntegra:

DP: Desde quando o senhor tem sofrido ataques por seus posicionamentos?

Mais intensamente, desde a pregação que fiz na noite de Natal. Todo mundo aprendeu que na homília a gente faz primeiro a interpretação da bíblia. De quais são os feitos de Jesus, seus gestos. O texto bíblico não é todo passado, é todo presente.

Natal quer dizer o quê? Que Deus se encarnou, se fez homem e desceu até nós para que subíssemos. Vou negar a encarnação? A encarnação pressupõe o assumir da história, das lutas, dos sonhos e esperanças humanas.

O documento do Concílio Vaticano II- Gaudium et Spes fala do relacionamento da Igreja com o mundo. Segundo ele, as dores, medos e esperanças das pessoas de hoje são as dores, esperanças e medos dos discípulos de Cristo.

DP: Na sua visão, qual é o papel da Igreja diante de temas sociais e políticos que agora dividem a sociedade brasileira?

O nosso papel é anunciar o evangelho que salva e liberta. O evangelho que faz servir as pessoas que estão caídas. Pessoas, muitas vezes, que vivem na solidão, por parte dos familiares e de alguns governantes.

O propósito da Igreja é formar consciências. Se Deus é nosso pai, qual a consequência imediata? Somos todos irmãos. Todo mundo tem inteligência, tem valor e quer colocar isso à disposição da sociedade. Para isso, a gente precisa de muitas coisas.

O anjo de Jesus diz: ‘Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância’. Quando Jesus fala de vida, é uma vida digna, em que a gente possa gozar de fato dos direitos que todo ser humano tem. E o que estamos vendo? Tentativas de golpe contra a democracia, deputados que são eleitos e votam contra os trabalhadores e as trabalhadoras. Essa falta de coerência me leva, de fato, a não ficar quieto.

Eles podem ter vários dias de folga e descanso, expedientes muito limitados, e o trabalhador não pode. Essas são questões que interessam a Igreja católica, porque ela está preocupada com a pessoa humana integral.

DP: De onde vem essa sua formação mais engajada, ligada às causas sociais?

Eu venho de uma família simples de Pernambuco e fui crescendo vendo muitos exemplos de pessoas comprometidas com os outros. Minha formação foi acontecendo ouvindo as lideranças populares, acompanhando as campanhas da Igreja, lendo as histórias dos mártires e, sobretudo, olhando para a prática de Jesus. Não apenas aquele Jesus distante, divino, mas o Jesus humano, que se encarnou e assumiu as dores e os sonhos do povo.

Na Diocese de Nazaré, vivi experiências muito importantes. Havia semanas populares, encontros com sindicalistas, reuniões para discutir os problemas dos trabalhadores. Meu caminho foi sendo construído nesse contato com a vida do povo e com a compreensão de que o Evangelho precisa dialogar com a realidade concreta das pessoas.

Depois, no seminário, aprofundei meus estudos em Filosofia e Teologia, inclusive no Mosteiro de São Bento, onde tive contato com grandes referências da Igreja. Tudo isso foi me formando. Mas a essência sempre foi essa: compreender que seguir Jesus é também se preocupar com a dignidade humana, com justiça social e com a defesa da vida.

DP: Parte dos seus críticos afirma que religiosos não deveriam “fazer política”. É possível separar completamente fé, defesa de direitos sociais e debate público?

Essa separação não deveria existir, porque o próprio Jesus, no seu tempo, questionou os poderosos de sua época. Jesus não ficou em cima do muro. Um cristão não pode ficar alheio ao debate político e a Igreja não pode ser omissa, pois minha omissão, no fundo, é apoio para alguns.

Segundo o Vaticano Segundo, um grande momento de concílio no Brasil, a Igreja é sinal sacramento de salvação para a humanidade e ponto de diálogo para unir as pessoas, levá-las a refletir e viver enquanto pessoas humanas dignas.

DP: O senhor acredita que o ambiente político mais polarizado dos últimos anos também impactou as relações dentro das comunidades religiosas?

O impacto é dentro das famílias. Desde a última eleição, famílias não se reconciliaram ainda. Isso é um desmonte da própria pessoa, das relações humanas saudáveis.

Sempre existiram direita e esquerda. Isso é importante para que haja cobrança, educada, dialógica e que concorra para o bem. No Brasil, não há espaço para regimes autoritários, nossa educação e nossa história não podem ceder a isso.

Está faltando formação política, que é o que impede que as trevas tomem o lugar da luz. Se os sindicatos, a Igreja e os partidos não formam as pessoas, dá nessas loucuras que estamos vendo por aí. É importante estudar o que foi o regime militar e que, agora, aconteceu uma nova tentativa de golpe, no dia 8 de janeiro de 2025. Precisamos qualificar o jovem, fazê-lo sonhar, pois sua capacidade criativa precisa ser alimentada.

DP: Como lida com as reações negativas, dentro e fora da Igreja, a seus posicionamentos?

A princípio, a gente fica chocado, porque quando defendo a democracia, estou defendendo o óbvio. Os últimos papas têm dito que a política é uma das formas especiais para viver o bem do mundo das pessoas, da sociedade, das famílias, porque os políticos têm capacidade de contribuir para o bem comum. É uma tarefa muito bela, mas o que tem acontecido é que a gente sente vergonha do modo como ela tem sido conduzida.

Eu fico triste muitas vezes, mas isso não me tira a alegria do evangelho. Como dizia o Papa Francisco, não deixe que ninguém tire a sua esperança. E eu tenho esperança em um Brasil participativo, cheio de vitalidade, porque Deus nos deu tudo.

Temos direito ao sol, à lua, ao mar, temos direito de contemplar a natureza e defendê-la. Aqui, eu trabalho com uma equipe muito boa de sacerdotes e leigos engajados na defesa do Rio Pajeú e da caatinga, esse bioma tão profundo, tão belo, que nos permite viver.

A Terra é a nossa casa, a casa comum. Temos que nos lembrar disso. E os meios que ela tem, pode deixar de ter, se não tivermos cuidado.

Outras Notícias

MPT aciona Justiça contra Meta por publicações que incentivam demissões por voto

O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com uma ação judicial contra a Meta, dona do Instagram, Facebook e Threads, para exigir a retirada de publicações que incentivam a perseguição de trabalhadores por suas escolhas eleitorais. O órgão também pede indenização de R$ 50 milhões por danos morais coletivos. A ação foi apresentada nesta quinta-feira […]

O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com uma ação judicial contra a Meta, dona do Instagram, Facebook e Threads, para exigir a retirada de publicações que incentivam a perseguição de trabalhadores por suas escolhas eleitorais. O órgão também pede indenização de R$ 50 milhões por danos morais coletivos.

A ação foi apresentada nesta quinta-feira (29) à Justiça do Trabalho de São Paulo. Os procuradores solicitam que a empresa remova, no prazo de 24 horas, conteúdos que estimulem empregadores a vigiar, expor, deixar de contratar ou demitir funcionários por suas preferências políticas.

Segundo o MPT, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), perfis nas redes sociais passaram a orientar empresários a investigar o posicionamento político de seus funcionários, inclusive por meio de publicações pessoais na internet.

Os procuradores também identificaram postagens que expõem trabalhadores ao constrangimento público, divulgam nomes e imagens de pessoas e comemoram demissões motivadas por divergências políticas.

O órgão aponta que apenas quatro publicações analisadas em um perfil com 3,8 milhões de seguidores acumularam mais de 2 milhões de curtidas.

Além de questionar a permanência desses conteúdos nas plataformas, o MPT responsabiliza os mecanismos de recomendação da Meta por ampliar o alcance das publicações. Segundo os procuradores, ferramentas como a aba Explorar e os vídeos sugeridos nos Reels contribuem para disseminar conteúdos que geram maior engajamento.

A iniciativa ocorre em meio ao crescimento das denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho. Entre segunda-feira (26) e esta quinta-feira (29), o MPT recebeu 1.459 novas denúncias, um aumento superior a 75% em relação ao volume registrado até o início da semana.

Ao todo, o órgão contabiliza 3.396 denúncias de assédio eleitoral em 2026. São Paulo lidera os registros, com 620 casos, seguido por Minas Gerais, com 351, e Paraná, com 338.

A ação é assinada por sete procuradores, que apontam a necessidade de interromper a circulação de conteúdos considerados discriminatórios. Apesar do pedido de urgência, a primeira audiência foi marcada para 29 de março de 2027, na 77ª Vara do Trabalho de São Paulo.

O pedido de retirada das publicações ainda depende de decisão judicial. Procurada pela Agência Brasil, a Meta informou que não comentaria o assunto.

Fonte: Agência Brasil
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

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Influenciadora que humilhou criança que perdeu a mãe e vende balas para ajudar a vó é cancelada

A influenciadora digital Valéria Diniz gerou grande repercussão e revolta ao filmar e humilhar o menino Matheus no Mercado dos Peixes, na Beira-Mar de Fortaleza (CE). Valéria perguntou a Matheus — um menino autista que vende bombons na orla para ajudar a avó após perder a mãe — em quem ele havia votado. A humilhação: […]

A influenciadora digital Valéria Diniz gerou grande repercussão e revolta ao filmar e humilhar o menino Matheus no Mercado dos Peixes, na Beira-Mar de Fortaleza (CE).

Valéria perguntou a Matheus — um menino autista que vende bombons na orla para ajudar a avó após perder a mãe — em quem ele havia votado.

A humilhação: Quando Matheus citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a influenciadora pediu que ele fizesse o gesto do “L”. Após o garoto atender, ela se recusou a comprar os doces e riu junto com pessoas que a acompanhavam.

O vídeo viralizou rapidamente, levando à queda do perfil da criadora de conteúdo, que posteriormente criou uma nova conta para publicar um pedido de desculpas.

O caso gerou uma forte onda de apoio com motoboys, internautas e outros influenciadores indo até a orla de Fortaleza para apoiar Matheus e sua avó, dona Inês.

Uma campanha de doações foi organizada para ajudar a família. Doações via Pix podem ser feitas para a avó do garoto, Inês de Maria do Nascimento (Banco Itaú, chave Pix: 85992763326).

Deputado estadual eleito Emerson Freitas tem prisão preventiva decretada por suspeita de extorsão

O deputado estadual eleito Emerson Freitas (MDB) teve a prisão preventiva decretada nesta quinta-feira (29) pela Justiça de Pernambuco, em um processo que apura suspeita de extorsão. O influenciador digital foi eleito com 49.254 votos e deverá assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) em fevereiro de 2027. A decisão foi assinada pelo […]

O deputado estadual eleito Emerson Freitas (MDB) teve a prisão preventiva decretada nesta quinta-feira (29) pela Justiça de Pernambuco, em um processo que apura suspeita de extorsão. O influenciador digital foi eleito com 49.254 votos e deverá assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) em fevereiro de 2027.

A decisão foi assinada pelo juiz Abérides Nicéas de Albuquerque Filho, da 15ª Vara Criminal da Capital, que determinou a expedição do mandado de prisão. Até a última atualização das informações, não havia confirmação de que a ordem tivesse sido cumprida.

O caso envolve uma denúncia de que Emerson teria se passado por policial militar para tentar obter vantagens financeiras de uma mulher vítima de violência doméstica. A investigação foi revelada em março deste ano pela Marco Zero Conteúdo.

Segundo a apuração, o influenciador teria se apresentado à mulher como “sargento Emerson”, afirmando ser ligado à Casa Civil e homem de confiança da governadora Raquel Lyra e da vice-governadora Priscila Krause.

A vítima, que possuía medida protetiva, gravou conversas com o suspeito e apresentou o material à Polícia Civil. Conforme a investigação, Emerson teria informado sobre um suposto plano do ex-companheiro para assassiná-la e tentado obter vantagem financeira em troca de impedir a execução do crime.

Durante as diligências, policiais realizaram buscas no endereço do influenciador, onde foram apreendidos materiais como munições de uso restrito, distintivo policial, gorro da Polícia Militar e outros objetos.

Além da investigação por extorsão, Emerson responde a uma ação penal envolvendo acusações de estelionato, falsidade ideológica, uso de documento falso e infração ao Estatuto do Desarmamento.

A Justiça também decretou a prisão preventiva de Rizelly da Silva Santos, que anteriormente exerceu funções parlamentares na Alepe, incluindo atuação no gabinete do deputado Alberto Feitosa (PL).

Emerson Freitas disputou sua primeira eleição neste ano e conquistou uma vaga na Alepe pelo MDB, recebendo 49.254 votos, o equivalente a 0,94% dos votos válidos para deputado estadual em Pernambuco.

Em nota, o MDB estadual informou que tomou conhecimento do mandado de prisão pela imprensa e que acompanhará o caso, aguardando esclarecimentos das autoridades competentes.

O partido também reafirmou respeito ao devido processo legal, ao direito de defesa e à presunção de inocência.

A reportagem tentou contato com Emerson Freitas, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem. A decretação da prisão preventiva não representa condenação pelo crime investigado.

Fonte: Diario de Pernambuco
Foto: Reprodução/Instagram

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Lula anuncia pronunciamento à nação para a próxima semana e promete live com André Janones

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta quinta-feira (29), que fará um pronunciamento à nação na próxima semana. A declaração foi feita em mensagem de áudio enviada a um grupo de apoiadores no WhatsApp, mas o presidente não revelou qual será o assunto abordado. A mensagem foi compartilhada no grupo “Exército do […]

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta quinta-feira (29), que fará um pronunciamento à nação na próxima semana. A declaração foi feita em mensagem de áudio enviada a um grupo de apoiadores no WhatsApp, mas o presidente não revelou qual será o assunto abordado.

A mensagem foi compartilhada no grupo “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). O presidente também informou que precisou cancelar uma transmissão ao vivo prevista para a noite desta quinta-feira devido à rouquidão provocada pelo desgaste vocal na reta final da campanha eleitoral.

“Na próxima semana eu pretendo fazer um pronunciamento à nação, mas também na próxima semana eu quero que o meu exército volte à atividade plena”, afirmou.

No áudio, Lula agradeceu aos eleitores pela vitória no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). O petista destacou especialmente a participação de jovens, mulheres e idosos, grupos aos quais atribuiu parte importante de sua reeleição.

“Vocês sabem que eu devo essa eleição ao povo brasileiro. Essa eleição foi o povo que ganhou, foi a juventude que ganhou, foram as mulheres que ganharam”, declarou.

O presidente também sinalizou que pretende manter a mobilização digital organizada durante a campanha. Segundo Lula, o trabalho com Janones terá continuidade, inclusive com ações voltadas ao enfrentamento da desinformação.

“Nós vamos fazer com que a verdade prevaleça neste país e a mentira desapareça de uma vez por todas”, afirmou.

Além do pronunciamento à nação, Lula confirmou que pretende realizar uma transmissão ao vivo com André Janones na próxima semana, assim que recuperar a voz.

O presidente ainda não informou a data nem o horário do pronunciamento.

Fonte: JC; Reuters
Foto: Divulgação/André Janones

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Fachin arquiva mais cinco investigações do inquérito das fake news, incluindo caso de Gilson Machado

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou o arquivamento de mais cinco investigações vinculadas ao chamado inquérito das fake news. As decisões atendem a manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR) que apontaram falta de provas ou prescrição dos crimes investigados. As decisões, divulgadas nesta quinta-feira (29), envolvem o ex-ministro do Turismo […]

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou o arquivamento de mais cinco investigações vinculadas ao chamado inquérito das fake news. As decisões atendem a manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR) que apontaram falta de provas ou prescrição dos crimes investigados.

As decisões, divulgadas nesta quinta-feira (29), envolvem o ex-ministro do Turismo Gilson Machado, o presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, o deputado estadual catarinense Alex Brasil (PL), além de outros dois procedimentos.

No caso de Gilson Machado, a investigação apurava uma suposta tentativa de ajudar o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, a deixar o Brasil por meio da obtenção de um passaporte português no consulado de Portugal, no Recife.

Após a realização de diligências, incluindo a apreensão do celular do ex-ministro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) concluiu que não havia elementos mínimos de autoria e materialidade para justificar uma ação penal. Fachin acolheu o entendimento e determinou o arquivamento.

A investigação contra Rui Costa Pimenta estava relacionada a publicações ofensivas ao STF divulgadas nas redes sociais do PCO em 2022. Nesse caso, a PGR apontou a prescrição do crime de incitação, diante do prazo transcorrido desde os fatos investigados.

Outra decisão beneficiou Flávia Cordeiro Magalhães, brasileira residente nos Estados Unidos, investigada por publicações na internet. A PGR considerou frágeis as provas apresentadas e não identificou vínculos da investigada com organizações ou esquemas de financiamento de desinformação. Fachin também revogou a ordem de prisão preventiva e as restrições migratórias impostas a ela.

O deputado estadual Alex Brasil era investigado pelo compartilhamento de conteúdos relacionados ao sigilo do voto nas eleições de 2022. A investigação foi encerrada porque os mesmos fatos já haviam sido analisados e arquivados em outro processo. O ministro também determinou o desbloqueio dos perfis do parlamentar nas redes sociais.

O quinto procedimento envolvia publicações em um grupo do Telegram com mensagens de conteúdo antissemita e ameaças contra ministros do STF. O arquivamento ocorreu após a impossibilidade de identificação dos responsáveis pelas mensagens, o que impediu o avanço das investigações.

As decisões fazem parte de uma revisão conduzida por Fachin desde setembro, quando o ministro Alexandre de Moraes deixou a relatoria do inquérito das fake news. Na terça-feira (27), outras três investigações já haviam sido arquivadas.

Instaurado em 2019, o inquérito foi criado para investigar ataques virtuais, ameaças e campanhas contra integrantes do Supremo. Ao longo dos anos, passou a reunir diferentes procedimentos e recebeu críticas de setores da comunidade jurídica pela duração e pela amplitude das investigações.

Fachin já manifestou a intenção de encerrar o inquérito, mas a análise dos procedimentos ainda está em andamento. Os arquivamentos não representam o encerramento de toda a investigação, e os casos sem prescrição poderão ser reabertos caso surjam novas provas.

Fonte: Diário de Pernambuco
Foto: G. Dettmar/CNJ

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