Grupo que controla o Habib’s pede recuperação judicial com dívida de R$ 265 milhões
Pedido foi aceito pela Justiça nesta terça-feira (25). Empresa afirma que operações seguem normalmente e terá 60 dias para apresentar plano de recuperação.
O Grupo Gennius, responsável pelo controle das redes Habib’s e de outras marcas do setor alimentício, entrou em recuperação judicial com dívidas declaradas de R$ 265,2 milhões.
O pedido foi apresentado à 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais na segunda-feira (24), e aceito no dia seguinte. Segundo o grupo, a medida faz parte de um processo de reestruturação financeira para preservar as atividades e garantir a continuidade dos negócios.
A empresa informou que as operações seguem funcionando normalmente.
No fim de julho, o grupo já havia obtido na Justiça uma tutela cautelar contra credores, medida que buscava criar espaço para renegociação das dívidas. Como não houve acordo suficiente, foi apresentado o pedido de recuperação judicial.
Entre os fatores apontados para a crise estão os impactos da pandemia entre 2020 e 2022, mudanças nos hábitos de consumo e o crescimento das plataformas de delivery e marketplaces.
O grupo também mencionou um endividamento bancário superior a R$ 300 milhões, que passou a comprometer parcela crescente do fluxo de caixa.
A Justiça nomeou a KPMG Corporate Finance como administradora judicial. O Grupo Gennius terá 60 dias para apresentar o plano de recuperação aos credores.
O juiz também suspendeu cláusulas que poderiam antecipar vencimentos de determinadas dívidas e determinou a continuidade do fornecimento de insumos mediante pagamento à vista. Por outro lado, negou o pedido para liberar recebíveis dados como garantia aos bancos.
Expansão e mudança de modelo
Fundado em 1988 por Alberto Saraiva, o Habib’s expandiu-se nacionalmente por meio do sistema de franquias e chegou a operar cerca de 600 unidades, com faturamento anual de aproximadamente R$ 3 bilhões durante seu período de maior expansão.
Nos últimos anos, o grupo passou a reduzir o número de grandes restaurantes de rua e investir em formatos menores, como unidades em praças de alimentação, quiosques, delivery e dark kitchens.
Recuperação judicial não significa falência. O procedimento permite que empresas em dificuldades financeiras negociem suas dívidas sob supervisão da Justiça enquanto mantêm suas atividades.
Fonte: O Globo
Imagem: Divulgação
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