Governo Lula rejeitou exigência dos EUA sobre participação de “dissidentes políticos” nas eleições

Condição fazia parte de uma lista de 21 pontos apresentada pelo governo Trump durante negociações sobre o tarifaço imposto ao Brasil em 2025.
O governo brasileiro rejeitou uma proposta dos Estados Unidos que incluía entre as condições para a negociação do tarifaço uma garantia relacionada à participação de pessoas classificadas por Washington como “dissidentes políticos” nas eleições presidenciais de 2026. A exigência foi apresentada pelo governo de Donald Trump em outubro do ano passado.
O texto entregue à delegação brasileira previa que o país se comprometesse com eleições consideradas livres e justas e não detivesse, prendesse ou limitasse de forma arbitrária a participação desses chamados “dissidentes políticos” no processo eleitoral.
A proposta não mencionava nominalmente Jair Bolsonaro. Integrantes do governo brasileiro, porém, interpretaram a formulação como uma referência à situação do ex-presidente, condenado pelo STF por tentativa de golpe e fora da disputa eleitoral. Essa relação foi uma interpretação dos interlocutores brasileiros, e não estava expressa no documento norte-americano.
A exigência fazia parte de uma lista com 21 pontos encaminhada durante uma missão brasileira a Washington, em 16 de outubro de 2025. Na ocasião, a delegação, liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, buscava negociar as tarifas adicionais de 50% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
Segundo a apuração, Vieira considerou os termos inaceitáveis e determinou que a minuta não fosse utilizada como base para as reuniões oficiais. O chanceler posteriormente se reuniu com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e participou de outro encontro que contou com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
Além do ponto relacionado às eleições, a proposta dos Estados Unidos incluía exigências sobre liberdade de expressão, plataformas digitais, cumprimento de sanções financeiras americanas, minerais críticos, investimentos, aviação, meio ambiente, soja e aço.
Entre as condições político-institucionais, Washington também buscava garantias para empresas americanas de tecnologia diante de decisões envolvendo conteúdo publicado nas redes sociais e pretendia evitar que instituições financeiras brasileiras fossem penalizadas no país pelo cumprimento de sanções determinadas pelos Estados Unidos.
A lista apresentada em 2025 era uma proposta de negociação e não chegou a se tornar um acordo firmado entre os dois países.
Fonte: O Globo
Foto: Reprodução
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