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De novo, Dicinha do Calçamento pode alterar rumo da escolha da Mesa Diretora

Por Nill Júnior

Depois de ser o principal protagonista da reeleição de Nelly Sampaio em 2018, o vereador Dicinha do Calçamento (MDB), reeleito, volta a protagonizar rumores sobre a virada de vota para escolha da Mesa Diretora da Câmara de Tabira.

Como  já foi divulgado, Edmundo Barros  (MDB) era a princípio favorito para eleição da presidência da Casa. Mas nas últimas horas surgiram rumores de que Dicinha estaria sendo procurado para votar em Djalma das Almofadas.

Os rumores cresceram tanto que Gleidson Rodrigues gravou um vídeo com ele e Dinca Brandino para confirmar que votaria em Edmundo.

No vídeo, curioso é ver a atitude do ex-prefeito Dinca Brandino pegando o telefone de Dicinha na hora que ele tica antes de sua fala (sequência de prints ao lado). “Se eu fosse Dinca, não devolveria. Dicinha não deveria atender telefone até a votação”, brincou um aliado em reservas.

Registre-se, Dicinha já falou em outras oportunidades e ainda assim voltou atrás. “No dia que eu fui eleito Edmundo Barros ligou pra mim pedindo o voto e eu falei que se ele quisesse ser o presidente o meu voto tava garantido”, garantiu dessa vez.

Mas horas depois, Dicinha teria sido visto com o empresário José de Arimatéia, o Téa da Damol, um dos maiores desafetos de Dinca. Os dois, Dicinha e Téa, tinham animosidade, ao ponto do segundo processar o primeiro. Mas a conversa pra quem viu pareceu amistosa…

Outras Notícias

Contando com a força do rádio para melhorar popularidade, Lula vai visitar dois estados essa semana

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai viajar para Macapá (AP) e Belém (PA) nesta semana e deve conceder entrevistas a rádios como parte do esforço do governo para reverter a queda de popularidade apontada por pesquisas de opinião recentes. Na quinta-feira (13), Lula estará na capital do Amapá para participar da cerimônia de […]

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai viajar para Macapá (AP) e Belém (PA) nesta semana e deve conceder entrevistas a rádios como parte do esforço do governo para reverter a queda de popularidade apontada por pesquisas de opinião recentes.

Na quinta-feira (13), Lula estará na capital do Amapá para participar da cerimônia de entrega de um conjunto residencial. Na sexta (14), visitará em Belém obras do programa Minha Casa, Minha Vida e da COP30, a conferência do clima que será realizada em novembro.

Nessas viagens, o presidente deve se encontrar com líderes políticos, fazer discursos e dar entrevistas. A expectativa de aliados é que Lula conceda mais entrevistas a rádios pelo Brasil nos próximos dias.

Na semana passada, ele já esteve no Rio de Janeiro e na Bahia, e conversou com jornalistas de rádios da Bahia e de Minas Gerais.

No último dia 30, Lula já havia anunciado que intensificaria a agenda de viagens domésticas.

“Eu estou 100% pronto para começar a viajar o Brasil, para começar a percorrer os estados brasileiros, pra começar a visitar a sociedade brasileira e estabelecer uma conversa muito verdadeira para que, na hora da verdade, possa dizer para o país como é que nós estamos”, afirmou.

Declarações e popularidade – Na avaliação de interlocutores do presidente, quando o próprio Lula se apresenta publicamente, em entrevistas ou discursos, a tendência é que a avaliação de seu governo melhore.

Nos últimos dias, contudo, o presidente recebeu críticas justamente por causa de declarações dadas durante uma entrevista, na qual ele foi questionado sobre a inflação dos alimentos.

“Uma das coisas mais importantes para que a gente possa controlar o preço é o próprio povo. Se você vai no supermercado e você desconfia que tal produto está caro, você não compra. Se todo mundo tiver a consciência e não comprar aquilo que acha que está caro, quem está vendendo vai ter que baixar para vender, porque, senão, vai estragar”, disse Lula.

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi um dos opositores que ironizaram a fala.

“Se o arroz está caro, é só não comer. Se o gás está caro, é só não cozinhar. Se a gasolina está cara, é só ficar em casa. Nada de cortar gastos nos ministérios, colocar gente competente nas estatais ou gerir melhor a economia. Para o governo, basta que os brasileiros parem de comer, beber e se deslocar que os preços caem”, publicou Nogueira em uma rede social.

Com informações do portal G1.
Foto: Ricardo Stuckert.

Prefeituras de Carnaíba, Solidão e e Itapetim pagam agosto até esta sexta

O prefeito Adelmo Moura anunciou que nesta sexta-feira (31) será realizado o pagamento do salário do mês de agosto dos funcionários públicos municipais. Adelmo esteve reunido com a secretária de Finanças do município, Aline Karine, com o diretor de Recursos Humanos, Bruno Jeymison, e equipe da Tesouraria com Roseane Costa, para anunciar que as secretarias […]

O prefeito Adelmo Moura anunciou que nesta sexta-feira (31) será realizado o pagamento do salário do mês de agosto dos funcionários públicos municipais.

Adelmo esteve reunido com a secretária de Finanças do município, Aline Karine, com o diretor de Recursos Humanos, Bruno Jeymison, e equipe da Tesouraria com Roseane Costa, para anunciar que as secretarias de Educação, Cultura, Infraestrutura, Administração e Finanças, Ação Social e Gabinete, além de inativos e pensionistas vão receber os seus salários em dia mais uma vez.

Em Carnaíba, no Sertão do Pajeú, a prefeitura também efetua nessa semana o pagamento referente ao mês de agosto do funcionalismo público municipal. De acordo com o prefeito, Anchieta Patriota (PSB), nesta quinta (30) receberão os servidores da secretaria de educação, e na sexta-feira (31) os funcionários das demais pastas do governo municipal.

O Prefeito Djalma Alves, de Solidão, confirmou ao blog que também realiza  o pagamento de todos os servidores do município até o último dia útil do mês. Hoje a tarde recebem os aposentados e pensionistas. Nesta sexta, estará nas contas de todos os funcionários.

Presidente do TSE cobra regulamentação de redes sociais e do uso da IA

Ministro Alexandre de Moraes abriu, nesta quinta (1º), o Ano Judiciário de 2024 na Corte Na abertura do Ano Judiciário de 2024, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, defendeu a regulamentação, em lei, do uso e do funcionamento da inteligência artificial, das redes sociais e dos aplicativos de mensagem eletrônica. […]

Ministro Alexandre de Moraes abriu, nesta quinta (1º), o Ano Judiciário de 2024 na Corte

Na abertura do Ano Judiciário de 2024, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, defendeu a regulamentação, em lei, do uso e do funcionamento da inteligência artificial, das redes sociais e dos aplicativos de mensagem eletrônica. O objetivo é evitar que o voto do eleitorado brasileiro, no pleito deste ano, seja manipulado ou induzido pela produção e circulação massivas de conteúdos fraudados ou falsos disseminados no ambiente da internet.

“Faz-se necessária uma regulamentação. Não só por parte da Justiça Eleitoral, porque esta será feita, como foi feita em 2022. Há uma necessidade de regulamentação geral, por parte do Congresso Nacional, em defesa da democracia. Não é possível mais permitir o direcionamento de discursos falsos, o induzimento de discursos de ódio, a desinformação maciça sem qualquer responsabilidade por parte das chamadas big techs. As big techs devem ser responsabilizadas, assim como os veículos de comunicação de massa”, afirmou o presidente.

Para Alexandre de Moraes, a liberdade de comunicação é uma garantia constitucional que deve ser exercida com responsabilidade, em consonância com outros direitos e com o princípio da dignidade da pessoa humana. Ao defender a necessidade de evolução legislativa no Brasil em relação ao que denominou de “grande problema das democracias contemporâneas”, o presidente do TSE citou as leis dos serviços digitais e dos mercados digitais da União Europeia, lembrando que as empresas que centralizam a comunicação digital – as big techs – dominam o mercado multinacional e que não há, na Constituição Federal, garantia de impunidade que as beneficie.

Intensificação do combate à desinformação

O ministro também anunciou a criação de um grupo, junto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e à Polícia Federal, para aprimorar o rastreamento daqueles que desrespeitam a democracia e a livre vontade do eleitorado por meio de desinformação, discursos de ódio e narrativas antidemocráticas. Em março, segundo adiantou Alexandre de Moraes, haverá encontro com os Tribunais Regionais Eleitorais para que colaborem “na prevenção e repressão de criminosos que atentam contra a democracia”.

Segundo o presidente do TSE, a introdução das redes sociais, dos serviços de mensageria privada, com algoritmos, bem como da inteligência artificial, cria a necessidade de uma eficaz e pronta regulamentação que defenda a liberdade de escolha dos eleitores e das eleitoras. “À necessidade de eleições livres, transparentes e honestas correspondem a vontade livre do eleitor e o resultado da escolha consciente e sem pressões. E a essa Justiça Eleitoral compete exatamente garantir a efetividade da livre escolha do eleitorado”, frisou.

Inteligência artificial

A utilização “perigosa” da inteligência artificial durante as eleições se tornou fator de grande risco para as campanhas eleitorais, conforme salientou Moraes, em razão da alta probabilidade de induzir o voto mediante mensagens fraudulentas e discursos de ódio. “Algoritmos são programados para atingir determinados grupos de eleitores, trabalhando seus traumas, medos, anseios. Esse processo de fragmentação social é otimizado por intermédio de redes sociais e de serviços de mensageria privada”, alertou, ao nominar esses fenômenos como “graves instrumentos de corrosão da democracia”.

Entre as autoridades presentes, estiveram o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin; o procurador-geral da República, Paulo Gonet; os ministros da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e do Trabalho, Luiz Marinho; o presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti; e ministros do Judiciário.

Ministro da Previdência anuncia início do reembolso a aposentados e pensionistas por descontos indevidos

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, anunciou nesta sexta-feira (11) o início do prazo para que aposentados e pensionistas que sofreram descontos indevidos em seus benefícios possam aderir ao acordo firmado pelo governo federal para reembolso dos valores. Segundo o ministro, os descontos foram resultado de uma fraude iniciada em gestões anteriores, que foi […]

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, anunciou nesta sexta-feira (11) o início do prazo para que aposentados e pensionistas que sofreram descontos indevidos em seus benefícios possam aderir ao acordo firmado pelo governo federal para reembolso dos valores.

Segundo o ministro, os descontos foram resultado de uma fraude iniciada em gestões anteriores, que foi encerrada durante o atual governo. “Hoje, 11 de julho, começa a valer o prazo para que os aposentados e pensionistas que tiveram descontos indevidos nos seus benefícios possam aceitar o acordo do governo e receber o seu dinheiro de volta”, declarou.

Wolney destacou que a devolução dos valores só foi possível por decisão direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Graças a uma decisão política do presidente Lula, cada aposentado e cada pensionista vai receber o reembolso, vai receber o seu dinheiro de volta, porque a aposentadoria é uma coisa sagrada”, afirmou.

Os detalhes sobre o procedimento de adesão ao acordo, prazos e canais de atendimento devem ser divulgados oficialmente pelo Ministério da Previdência Social e pelo INSS. A expectativa do governo é que a medida beneficie milhares de segurados lesados por cobranças indevidas.

Gustavo Ferraz: “Dinheiro foi entregue a Geddel”

Por: Regina Bochicchio/A Tarde Preso ano passado durante a operação Tesouro Perdido em razão de uma digital sua ter sido encontrada em saco de dinheiro no “bunker” que escondia R$ 51 milhões, e citado pela imprensa e Polícia Federal como amigo próximo do ex-ministro Geddel Vieira Lima, Gustavo Ferraz  hoje responde à Justiça em liberdade, após ser […]

Gustavo Ferraz, advogado e ex-diretor da Codesal. Foto: Joá Souza l Ag. A TARDE

Por: Regina Bochicchio/A Tarde

Preso ano passado durante a operação Tesouro Perdido em razão de uma digital sua ter sido encontrada em saco de dinheiro no “bunker” que escondia R$ 51 milhões, e citado pela imprensa e Polícia Federal como amigo próximo do ex-ministro Geddel Vieira Lima, Gustavo Ferraz  hoje responde à Justiça em liberdade, após ser solto de recolhimento domiciliar pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 2 de fevereiro.

Após ser flagrado pela reportagem de A TARDE curtindo a sexta-feira de Carnaval, na Barra, Ferraz aceitou conceder entrevista exclusiva para dar sua versão dos fatos, a exemplo do episódio de 2012, quando foi à São Paulo, a pedido de Geddel, buscar dinheiro que, conta ele, imaginava que seria usado para campanha.

Gustavo afirma que, ao contrário do que dizem, nunca foi braço direito do ex-ministro. Fala em deslealdade e vai além: aposta em provar sua inocência para ser candidato à Prefeitura de Lauro de Freitas em 2020.

Quando abordado no Carnaval, você disse que não era operador e que a figura que estão pintando na imprensa não corresponde à realidade. Mas o que todos dizem é que você era o braço direito de Geddel…

Todos quem?

A imprensa, políticos e até a Polícia Federal… 

Não tem laudo da Polícia. Estamos aqui diante de vários documentos [mostra peças jurídicas e laudo da papiloscopia] que remetem a acreditar que muito do que foi dito pela imprensa nacional, infelizmente, é desproporcional à minha pessoa. Quando eu te falei lá [no Carnaval],  que achava… que eu entendia que foi criado um personagem nesta história, de fato foi.  A história precisava de alguém que tivesse ajudado. E o tempo passou e não sou essa pessoa. Até porque, você há de convir que é incompatível com os meus bens, é incompatível com minha história política, é incompatível com a origem da minha família por exemplo… a minha fiança foi paga pela minha mãe, estou desempregado – fiança de 100 salários mínimos, depois conseguimos reduzir pela metade. Acredito eu que a Justiça não faria essa redução se tivesse encontrado um patrimônio nababesco. Só tenho uma casa financiada pela Caixa Econômica Federal e um carro de um consórcio. Evidente que aquelas imagens chocam [das malas de dinheiro no apartamento da Graça, apelidado ‘bunker’], mas eu não tive nenhum benefício, nem obtenho nenhum benefício político ou financeiro da política. Eu não faço negócio, faço política de forma correta. Quando foi feita a busca e apreensão [na casa dele, em Vilas do Atlântico] só encontraram dois celulares, um computador e um jingle de campanha. As pessoas que me conhecem, tá certo, que convivem comigo, me defendem. Sou pessoa de classe média. Eu nunca me envolvi com coisas que são erradas. Talvez o único erro que eu cometi nessa história toda foi não perguntar a origem do dinheiro [que foi buscar em São Paulo em 2012]. Mas já passou, e eu estou pagando por isso.

O senhor era funcionário do PMDB? (hoje MDB)

Eu era um funcionário do partido… era contratado como assessor de bancada da liderança do PMDB na Assembleia Legislativa da Bahia com uma remuneração de R$ 3 mil…

E também devolvia dinheiro, como o Job Ribeiro?

Não! Claro que não. Era envolvido com as campanhas, dezenas de milhares de pessoas pelo estado inteiro. É um partido, o MDB na Bahia, sabe que tem campanha em quase todos os municípios da Bahia. E a sede do partido, a sede estadual, você deve imaginar como não fica em tempo de campanha. Campanha naquela época demorava três meses, eram filas de pessoas, de candidatos a vereadores, de prefeitos, etc… todos eles pedindo ao partido ajuda para suas campanhas.

Vamos, então, do início: quem pediu para o senhor ir buscar o dinheiro, como foi?

As pessoas do partido…Geddel era o presidente…’você pode pegar uma contribuição de campanha pra mim?’. Porque não? Posso. Talvez meu erro tenha sido não perguntar: ‘vem cá, da onde é esse dinheiro?’. Talvez poucas pessoas pudessem fazer essa pergunta. Talvez o meu erro, talvez, tenha sido não questionar. Mas como funcionário que era, está certo, talvez poucos na minha função perguntassem. Eu com a filha recém-nascida, tendo que pagar minhas contas, você vai se insubordinar à pessoa que está ali… que de uma certa forma te mantém, com a sua vida regular? Com suas contas pagas e etc? Meu emprego dependia disso, não é verdade?

Então foi o ex-ministro Geddel quem pediu?

Sim, o presidente do partido…

E aconteceu como foi noticiado? O senhor chegou lá [em São Paulo], se hospedou em um hotel?

Não me hospedei em hotel nenhum, não tenho nenhuma hospedagem em hotel. Eu fui encontrar uma pessoa [identificada pela PF como Altair Alves] que estava hospedada nesse hotel [Clarion], que eu também não conheço. Eu conheci aquela pessoa daquela vez. É a mesma coisa de você perguntar: qual é a cor da calça que você usava na época? É a mesma coisa você perguntar como era a pessoa que você só viu uma vez na vida, há cinco anos. Eu fui ao hotel e fiquei esperando a pessoa chegar. A pessoa chegou, me levou ao local onde eu ia pegar o recurso. Deveria ser o que: uns R$ 300 mil mais ou menos… um pouco menos, um pouco mais do que isso, não sei. Está certo? Mas nada absurdo. Daí a você saber a origem [do dinheiro]… não tem nenhuma caracterização. Foi tudo muito rápido. Eu estava aqui [no hotel], sentei um pouco, daqui a pouco vem o cara e diz ‘está lá, depois o carro vai te levar no aeroporto’. Claro que você não vai circular isso pelas vias normais né, em um embarque de passageiros com dinheiro de campanha. Embarquei em Congonhas, não foi em avião de carreira, foi em avião particular. Agora, quem é o dono, eu não sei. Cheguei [em Salvador], entreguei o recurso e tal e… fiz a minha parte, está certo?. E está lá a minha digital porque eu talvez eu tenha aberto a mala para mostrar que de fato o dinheiro estava lá, não tinha tirado nada. Não tem digital nenhuma em cédulas. Estava em saco plástico. Era um recurso envolvido no saco com a etiqueta do Banco do Brasil. Nesse pegar para mostrar foi que a digital ficou. A digital do dedo anelar direito, metade do dedo.

E depois?

Voltei para Salvador e continuei a minha vida. Normal, fazendo campanha, fazendo política. Fui candidato a prefeito [de Lauro de Freitas] na eleição de 2016, não recebi nenhuma contribuição, é só olhar a minha conta de campanha. Nenhuma, zero. Minha conta foi 00. Não tive nem a presença deles [dos irmãos Vieira Lima] na minha campanha. Nem do deputado [Lúcio Vieira Lima], nem do ex-ministro [Geddel]. E como é que eu sou o braço direito? Você acha que eu não ia ter nenhum dinheiro para campanha?

Então qual é a sua relação com Geddel e Lúcio?

Eu nunca neguei a vocês [da imprensa] a relação política. Apareço em fotos, em várias fotos no meio da rua. Agora, fotos do aniversário… eles foram em minha casa, sabem onde eu moro? Foram no aniversário da minha filha, da minha mulher, meu? Ou eu fui nas festas de aniversários que não foram em lugares públicos, foram em lugares restritos, na casa…- porque político faz festa em lugar público, mas faz também em lugares restritos…essa relação, vamos dizer assim… além da política, fica difícil de você falar. O que as pessoas estão tentando atribuir, na verdade, é uma mentira. Isso [de ser braço direito] não é verdade, isso é falso.

Mas então de onde o senhor acha que partiu essa ‘mentira’?

Não sei. Dos adversários políticos que eu tenho ao longo desse caminho, evidentemente, e também por pleitear a prefeitura de Lauro de Freitas. Acredito que a prefeita [Moema Gramacho, do PT], quer dizer, deputada né…porque ainda não virou prefeita, até porque não sentou na cadeira ainda, não mostrou para que veio, né, talvez ela tenha o interesse  nisso, o grupo político dela. E fica ali os grupos no whatsapp, não sei o que, tal, fazendo essas matérias difamatórias, matérias fake sobre mim…porque tem uma série de documentos aqui que atestam que o que está sendo dito não é. E é tudo via Estadão [as fake news]. Acho que a Polícia Federal deveria estar atenta aos fakes que são lançados muitas vezes e que parte da imprensa … Além dos veículos tradicionais, teve muita fake news. As pessoas fisicamente tem que ser responsáveis pelas informações que elas passam. E os veículos tradicionais replicaram. Teve um caso hoje [em 14/02, quinta-feira] dizendo lá que eu troquei e-mail com Job. Eu não troquei e-mail nenhum! Dizendo que a fonte é o Estadão. Você vai lá buscar a informação no Estadão e não tem nada. Não é verdade. Não troquei e-mail, zero e-mail.

Mas você está querendo dizer que este grupo político tem algum tipo de influência sobre tudo o que aconteceu?

Não tem influência, mas colabora. Com relações de compadrio para confundir a opinião pública.  O que eu acho que está acontecendo nesse momento é uma grande confusão do que de fato aconteceu, com o que eles querem passar para a opinião pública.

Você conhece o Job Ribeiro?

Conheço Job de vista , era um funcionário lá da família, assessor, via de vista lá, entrar e sair.  Eu afirmo que é mentira essa notícia, não tem e-mail, não é verdade. Isso tem que acabar. Eu não posso fazer uma fofoca sobre você e usar o veículo para te difamar. Eu recebo fake news mas eu não passo pra ninguém, porque tenho respeito pelas pessoas. Prefiro ligar, conversar, tentar entender porque  a pessoa fez aquilo e, de uma forma, até perdoar, não guardo raiva de ninguém, nem mágoa. A vida que segue, a roda gira pra todo mundo. Dia você está na alta, outro está na baixa, um dia você precisa de mim, outro eu preciso de você.  Se a gente se respeita, vamos ter sempre o elo. Se a gente desequilibra a relação, um dia eu em alta, você em baixa… te dou um chute na canela? Não. Vamos fazer Política com ‘p’ maiúsculo, não é verdade? Enquanto a prefeita teve um problema sério de saúde eu estava orando pela saúde dela. Eu acredito que ela deveria estar fazendo o mesmo por mim.

E o senhor é religioso?

Sou religioso sim. Sou católico apostólico romano. Acredito. Tenho fé no Senhor do Bonfim. Tive as medidas cautelares suspensas na Festa de Iemanjá, dia 2 de fevereiro. Fui lá agradecer, joguei a minha florzinha na praia, eu, minha esposa e minha filha, não é? Fui na Igreja do Bonfim também agradecer ao Senhor do Bonfim com uns amigos que estavam comigo. Então assim…tenho uma vida tranquila. O que eu acho é que a política nesses tempos, ela se reduz a ataques, muitas vezes covardes. E talvez a prefeita tenha que entender um pouco isso e o grupo político do qual ela faz parte. Uma cidade como a nossa [Lauro de Freitas], de 200 mil habitantes, não pode ter uma prefeita que em um ano não faz absolutamente nada pela cidade, que pinta os postos de saúde de vermelho, cor do partido dela. Se utiliza da máquina par ficar promovendo ações do partido, enquanto ela deveria estar se preocupando com a cidade. Viajando pelo país inteiro atrás da defesa do ex-presidente Lula – que eu até entendo, mas a cidade é pobre e precisa da presença física do prefeito. Até porque o salário dela é o mais generoso do Brasil. Inclusive o prefeito João Doria [de São Paulo] recebe menos do que ela.

Voltando para a mala de dinheiro. O senhor voltou a Salvador e este dinheiro foi entregue a quem?

Foi entregue a quem de direito, a quem eu devia repassar. Foi entregue a Geddel. E ele ficou de resolver, de repassar para as campanhas, enfim… do que eu imaginei que fosse ser feito. E que deve ter sido feito, não sei…

Você afirmou, no Carnaval, que não disse que se sentiu traído por Geddel, conforme está no depoimento da Polícia Federal e foi noticiado à larga…

[corta] À larga em matérias, tá. Eu fiz um depoimento, ainda na Polícia Federal em Salvador antes de ir à Brasília. Talvez pela pressa que eles tinham, de repente, de pegar uma confissão além do que eu fiz. E eu fiz isso sem advogado. Chegando à Brasília também fui atendido por um delegado federal. E também fiz um depoimento sem advogado. Eu caminho nessa história com a verdade: em nenhum momento eu fui ouvido, além desses dois depoimentos. Não tive audiência de custódia, por exemplo, para contar o que eu fiz, não tive absolutamente nada. E fiquei 40 dias em Brasília, no 19 Batalhão da Polícia Militar, onde tinha advogados, bombeiros, Polícia Militar, etc..

Mas você disse ou não disse que se sentiu traído?

Vou esclarecer. Vou te dar um exemplo. Você está tomando um depoimento meu, você é a delegada: ‘você se sentiu traído pelo Geddel?’.

E o senhor respondeu o que?

Ele colocou lá: ‘se sentiu traído pelo Geddel’. Porque… eu acho que isso é menor, você está entendendo? Poderia ter dito ‘você está decepcionado?’, ‘vc está…’

Então eu vou perguntar: o senhor se sentiu traído pelo Geddel?

Bicho, não sou eu que tenho que responder isso, quem tem que responder isso é ele próprio [Geddel], se ele usou… Para mim isso é coisa passada e menor.

O senhor não disse então?

Ele [o delegado] me perguntou! Eu não respondi. Ele colocou: ‘ele se sentiu traído por Geddel’.

Então o delegado errou?

Não sei se ele errou, também não quero entrar nessa polêmica. O delegado, eu só estive com ele uma vez na vida, está certo? Isso pra mim, do ponto de vista do que eu tenho que me defender, tecnicamente falando, é irrelevante, né.

Mas a partir do momento em que se viu que tinha um dinheiro lá no bunker, em um saco que tinha sua digital…

[corta] Eu estou sendo absolutamente sincero com você. No começo eu fiquei muito assustado, está certo? Porque é incomum as pessoas passarem pelo que eu passei. Evidente que quando você tem alguma culpa, você carrega isso dentro da sua alma, em algum momento  você espera que isso pode acontecer com você. Eu não esperava que isso fosse acontecer comigo.

Como foi a abordagem?

Fui muito bem tratado, na minha casa. É que, humanamente, quando você tem alguma culpa.. se eu tivesse lá uma série de obras de arte, uma série de recurso, tivesse um cofre com somas, evidente que em algum momento você pode até esperar que isso pudesse acontecer na sua vida. Não tenho…sou um trabalhador como outro qualquer, você está entendendo? Sou um advogado, militante, tudo o que conquistei ao longo da minha vida foi também com produção artística, viajei muito com artistas, vendendo shows, cuidando deste universo que hoje é o Carnaval. Veio daí o meu apartamento que eu comprei. Esse apartamento eu vendi e dei entrada em uma casa. Sempre tive carro financiado, pago meus financiamentos… como qualquer trabalhador de classe média no Brasil.

Então porque o senhor acha que te prenderam? Houve exagero da Polícia Federal?

Eu não sei… Estou me defendendo, evidente, de tudo isso. Se hoje estou aqui é porque a Justiça entendeu de que são desnecessárias nesse momento as medidas impostas a mim, vou poder retomar a minha vida né. Inclusive posso até exercer função pública, o que não quero neste momento. Quero cuidar um pouco da minha família e buscar uma alternativa, talvez, na advocacia. Não tenho emprego, estou vivendo de ajuda do meu pai, da minha família, que está me ajudando a pagar as minhas contas. Eu tenho uma filha de cinco anos para criar e que ela precisa do leite todo dia em casa. Mas vou voltar a trabalhar, evidente, não tenho medo do trabalho. Tenho um sonho de ser prefeito em Lauro de Freitas, não vou abandonar esse sonho, mesmo com tudo o que está acontecendo. Eu acho que o tempo é o senhor da razão e tudo vai ficar muito bem esclarecido. Não acho que houve exagero… eu só acho que você, para chegar numa prisão, é um momento mais extremo, é uma medida extrema. A prisão é você retirar as prerrogativas de cidadão, de alguém e se você não tem tanta certeza – porque se você for ver, diante de tudo o que foi dito, o que é fato – você  há de convir, se você analisar, que existe uma desproporção. E infelizmente isso poderia ter sido feito de uma outra forma. E que chegaríamos ao mesmo lugar. Porque me prenderam e não teve, por exemplo, condução coercitiva para prestar depoimento?

Mas tem uma digital…

Tem uma digital, um fragmento de digital que poderia ter sido explicado também. Esse mesmo fragmento está lá…

…Em um dos sacos de dinheiro. Então, um daqueles sacos que o senhor pegou em São Paulo, já que está lá o fragmento [da digital], não foi para campanha, estava lá, no bunker? Para você, fica claro isso?

Sim, fica. E assim, eu lamento que isso tenha acontecido porque a intenção era a que esse recurso fosse usado na campanha. Caixa 2 de campanha  faz parte da cultura política brasileira, infelizmente.

Mas então o senhor sabia que era caixa 2?

Não, não sabia. Quando você está num processo desse é como se fosse uma gincana de escola, você tem que ganhar né. Então, você vai e dá o seu sangue ali, a sua alma para aquilo. E eu era funcionário do partido, eu recebia pra aquilo, então eu fui cumprir essa missão.  Talvez tivesse errado porque devesse perguntar, tivesse o cuidado de fazer alguns questionamentos. Não fiz, estou respondendo por eles, acredito na minha inocência e tenho certeza que tudo vai passar e ficar esclarecido.

Você chegou a ter contato com o ex-ministro e Lúcio depois da prisão?

Não, nem posso. Nunca recebi nenhum contato de ninguém.. não devo fazer isso, acho, porque a minha linha de defesa é uma linha totalmente diferente, não tem nada a ver com o bunker.

O senhor foi exonerado no mesmo dia da sua prisão pelo prefeito ACM Neto… teve contato com ele depois de tudo?

Se eu fosse um gestor público eu faria a mesma coisa. Qual a saída para um momento desse? Ficar sangrando ou tomar atitude que precisa ser tomada para que as coisas parem de repercutir de forma negativa? Não, não tive contato, não tenho que ter contato com ele, minha relação com o prefeito é uma relação  de subordinado, não tenho relação pessoal. Eu estava li para cumprir uma tarefa. Infelizmente não consegui chegar até o final dela.

Algum político lhe prestou solidariedade?

Não, normalmente os amigos, mas políticos não. Eu até entendo também que em um momento como esse as pessoas preferem esperar a poeira baixar para se manifestar. E eu entendo. Eu não entendo é deslealdade. Mas o recolhimento, o silêncio, a gente entende.

E houve deslealdade de alguém?

Aí fica para quem foi desleal. Não vou citar, eu não quero causar  uma polêmica aqui. Mas que houve  deslealdade, houve. E aí fica para os desleais.

Geddel chegou a dizer que amigos de longa data  o lançaram no vale dos leprosos…

Não sei nem quem são esses amigos de longas datas, pra lhe ser sincero. Aí é uma coisa  que quem tem que responder é ele né… Não posso responder por ele.  Mas, enfim.. se lançaram…

O que se investiga é um esquema do Geddel com [Eduardo] Cunha, com suposto dinheiro da Caixa. O senhor sabia em algum momento de algum esquema?

Não, nunca exerci nenhuma função pública em Brasília. Não convivia com esse ambiente.  Vamos lá, numa escala de zero a 10, eu estava como se fosse o sexto escalão do PMDB [da Bahia], você está entendendo? Tem pessoas que tem muito mais destaque do que eu, pessoas que já estão há muito mais tempo do que eu … não é questão de ser presa ou estar envolvido em alguma coisa, não é isso não…é importância. Eu estou falando de importância, da proximidade,  de tudo, você está entendendo?  Eu não tenho como te afirmar uma coisa que eu não vivi, você está entendendo? Eu não vivi, não participo.

A revista Veja publicou certa vez que havia filmagens mostrando o senhor saindo do apartamento [da Graça] pelo menos 12 vezes. O senhor já esteve naquele apartamento, ajudou a levar o dinheiro?

Nunca estive e está comprovado que a Polícia Federal não tem fita nenhuma. Acabei de mostrar um documento para você [inquérito, soltura e laudo papiloscópico]. Então, assim, a revista Veja mentiu, infelizmente, uma revista  que tem uma inserção especialmente na classe média alta e que não pode fazer um jornalismo deste naipe, né, se utilizar de informações inverídicas, atribuir responsabilidades a alguém que não teve essas responsabilidades. Ninguém pode pagar pelo que não fez. Se eu tiver que pagar por alguma coisa, que pague pelo que eu fiz. Não pelo que eu não fiz. Estou me defendendo pelo que eu não fiz. E infelizmente no Brasil você primeiro é acusado, depois você mostra sua inocência. O jornalismo, uma parte dele…pode ser até mínima parte, mas assim, primeiro eles acusam para depois você vir aqui e se defender, então, estou me defendendo. Sei que houve confusão muito grande na cabeça das pessoas pelo que aconteceu, um turbilhão de informações e que, por mais que eu me dedique a atender todos os jornalistas que me ligarem daqui pra frente pra que eu diga a verdade, não será um terço do que colocaram sobre mim de forma equivocada, errada.

Como foi lá em Brasília, como era o local da prisão?

Fiquei no 19 Batalhão da Polícia Militar. Era um alojamento, beliches. Fui super bem tratado lá. Os advogados têm prerrogativas né…você tem direito de ficar numa sala de estado maior. Então eu, como advogado, exerci minha prerrogativa de ficar em um ambiente onde tivesse uma sala de estado maior, lá em Brasília.  Eram beliches com várias bicamas, super rotativo porque tem as pessoas que estão ali de passagem, na verdade. Devia ter umas 15 pessoas. Tinha advogados, pessoas que são militares, que eventualmente… exemplo: tem um coronel da polícia que teve uma briga no trânsito…e aí desacatou uma autoridade, foi pra lá e ficou 30 dias e saiu. Você fica ali no ambiente. Tem um campinho de futebol que você pode praticar o futebol, você tomava sol. Joguei futebol, com eles lá, com o pessoal que estava comigo lá.  E que hoje boa parte dessas pessoas já saíram, não estão mais lá. No dia a dia você acorda, toma café, acorda às 8h. O café da manhã a gente fazia, cada um tinha o seu café da manhã. No alojamento tinha tipo uma cozinha improvisada, uma pia, um fogão elétrico, uma geladeira. Comia comida normal, arroz, feijão, bife…

Você cozinhava?

Cada dia tinha uma pessoa. Então todo mundo tem que aprender a cozinhar. E tem que lavar a cozinha também. Então, o cara que está durante o dia na cozinha lava a cozinha toda depois.  Na sexta-feira as famílias iam almoçar lá também, então a gente tinha que lavar tudo, limpava tudo tal, pra receber as famílias. Eu cozinhei o tradicional: feijão, arroz, macarrão à bolonhesa… um feijão mais incrementado com umas coisas  mais nordestinas né… Eu cozinhava pouco né, porque  não tenho tanta variedade assim, não (risos). O pessoal gostou. Alguns deles eu ainda falo por telefone até hoje, tenho relação , enfim, são amigos que eu fiz, pessoas que eu tenho muito carinho, até porque  quando você passa por uma situação tão difícil quanto essa, é difícil você esquecer as pessoas… A família levava um quilo de arroz, um quilo de feijão, para a semana. E a gente cozinhava. Minha família esteve lá, minha mãe, minha esposa. Minha filha eu preferi não participar disso, uma criança né… e que evidentemente, no tempo certo ela vai ter a condição de entender…

Você chegou a chorar, como Geddel chorou?

Quando você carrega culpa, geralmente você sofre mais. Eu não tinha culpa pra carregar, não derramei nenhuma lágrima sobre isso. A lágrima que eu derramei foi no dia que tudo se resolveu.

Você disse que seu sonho é ser prefeito de Lauro de Freitas. Mas ficaria no MDB? E você acha que a população vai digerir a sua versão da história?

Veja só, essa coisa de partido político hoje em dia no Brasil é uma sigla né, você precisa de uma sigla não é verdade? Então, bola pra frente né… Não preciso sair correndo com isso porque não vou participar de nenhuma eleição gora. Minha eleição é em 2020, ainda tem muito tempo até lá pra que eu defina qual é o caminho que eu vou seguir. Veja bem, muitas pessoas me conhecem, sou uma pessoa pública lá, sabem da forma como eu ajo, tenho muitos amigos em Lauro de Freitas, tenho um grupo político que me defendeu desde o primeiro momento. Evidente que tem outro que fica mais balançado, mas também porque talvez se eu tivesse na mesma  situação também ficasse. Vou provar minha inocência.