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Senadores apontam que Conitec serviu de “escudo” para governo propagar cloroquina

Por André Luis

Último a depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, Elton da Silva Chaves, representante do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), disse, nesta terça-feira (19), que ficou surpreso com o adiamento da votação do relatório técnico que poderia barrar o uso da cloroquina em pacientes com covid-19 e afirmou que os municípios cobraram uma definição sobre a questão na Conitec para orientar os profissionais na ponta.

A demora na análise do uso dessas drogas em meio à pandemia gerou indignação de senadores. Eles afirmaram que o órgão “lavou as mãos” e serviu de “escudo” para médicos e membros do governo seguirem recomendando o uso de cloroquina e outros medicamentos comprovadamente sem eficácia.

O documento seria analisado no dia 7 de outubro, mas foi retirado de pauta a pedido do coordenador do grupo, o médico Carlos Carvalho. Representante dos municípios na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do Sistema Único de Saúde (Conitec), Elton Chaves disse que a justificativa para o adiamento seria a inclusão no relatório técnico de novos estudos sobre o tema. Apesar de não ser inédita, a retirada de pauta no curso da reunião não é “comum” de acordo com Elton.

— Nós nos surpreendemos com a manifestação do doutor Carlos Carvalho e pedimos justificativas plausíveis para o pedido de retirada de pauta. Há uma expectativa dos gestores de ter uma orientação técnica para que a gente possa organizar os serviços e orientar os profissionais na ponta. Por isso, nossa surpresa — disse Elton, que se posicionou contra a retirada de pauta da discussão.

O Ministério da Saúde enviou uma nota à imprensa sobre a retirada de pauta do relatório técnico da cloroquina, antes mesmo de a Conitec decidir pelo adiamento da votação. A informação foi confirmada pelo representante das secretarias municipais de Saúde na Conitec. Segundo ele, outro integrante da Conitec, Nelson Mussolini, teria comunicado o plenário sobre a nota do Ministério da Saúde antes do pedido de retirada pelo coordenador do grupo, o médico Carlos Carvalho.

Demanda

Senadores reforçaram que a pandemia já tem quase dois anos e, até o momento, a Conitec não se posicionou sobre o uso do kit covid e de outras drogas sem eficácia contra a covid-19, de acordo com estudos científicos publicados mundo afora. O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), criticou a passividade dos membros da Conitec e lembrou que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, esquivou-se de responder sobre o assunto, quando esteve na CPI em 8 de junho.

Elton Chaves explicou que a Conitec funciona sob demanda e que precisam ser apresentadas evidências e, até o início deste ano, não havia tecnologia registrada. Segundo Chaves, a demanda do Ministério da Saúde só veio em maio deste ano, na 5ª Reunião Extraordinária da Conitec. Ele acrescentou que o prazo regimental da Conitec é de 180 dias e que existe um “rito” que é iniciado com a deliberação inicial, que passa por consulta pública, e, na sequência, é convocada reunião para deliberação final.

— Em plenário, sempre manifestamos a necessidade de nos debruçar sobre o caso dos medicamentos — respondeu Chaves inicialmente. Na sequência, ele disse que, sem a comprovação de eficácia desses medicamentos para o tratamento da doença, eles nem deveriam ser analisados.

Diante da resposta, Omar Aziz afirmou que a falta de posicionamento da Conitec abriu espaço para a propagação do uso de drogas não recomendadas pela ciência.

— Vocês da Conitec são Pilatos. Lavaram as mãos. Para o esclarecimento da sociedade, para o esclarecimento do protocolo do Ministério da Saúde, era necessário estar escrito isso, e isso não está escrito em lugar nenhum. Diz que não pode, mas também não proíbe  – criticou o presidente da CPI.

Para Humberto Costa (PT-PE), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, tentou agradar o presidente Jair Bolsonaro e postergou o pedido de análise sobre a cloroquina e outros medicamentos.

— Por não ter a coragem técnica e política necessária para dizer aqui, no dia que ele veio, que esses medicamentos não têm essa utilidade, ele jogou, ele terceirizou para a Conitec essa decisão. E poderá ou não cumpri-la. Poderá ou não cumpri-la, porque a Conitec cumpre um papel de assessoramento – apontou Humberto.

Randolfe Rodrigues (Rede-AP), por sua vez, apontou que o ministro Queiroga “se escudou” na Conitec para se omitir.

— Vossa Senhoria deixa claro aqui as atribuições da Conitec: ela atua sob demanda. E o Ministério da Saúde receitou, preceituou, encaminhou, mandou cloroquina, distribuiu, fez até TrateCov. Em nenhum momento  houve uma consulta à instância técnica constituída no Ministério da Saúde — apontou Randolfe.

Randolfe e Humberto Costa sugeriram a inclusão no relatório final de recomendação para que a Conitec passe a deliberar mesmo sem provocação externa, em especial em períodos de emergência

Orientações

Após ser indagado pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), a testemunha informou que a Conitec não deliberou sobre as orientações elaboradas pelo Ministério da Saúde recomendando o uso de cloroquina e hidroxicloroquina na fase inicial da doença. Segundo Elton Chaves, a legislação determina que a Conitec avalie somente diretrizes terapêuticas ou protocolos clínicos, mas não orientações.

Diante da ausência de diretriz terapêutica oficial da Conitec sobre o tratamento medicamentoso ambulatorial de pacientes com covid-19, Rogério Carvalho apontou uma “prevaricação sequenciada” da Conitec em relação ao assunto.

— Nós estamos diante é de uma prevaricação da Conitec diante de uma situação tão grave que o país está vivendo, uma pandemia. E não tem uma diretriz técnica de como tratar paciente ambulatorial e no ambiente hospitalar – disse Rogério, que informou que vai sugerir a inclusão daqueles que prevaricaram no relatório final da CPI.

Sobre o teor do relatório, Elton Chaves alegou “sigilo” e informou que vai se manifestar sobre o tema na próxima reunião da Conitec, marcada para 21 de outubro. Ele apontou que o protocolo para tratamento hospitalar já foi objeto de aprovação da Conitec e dele não constam drogas como cloroquina, ivermectina e hidroxicloroquina.

Já Eduardo Girão (Podemos-CE) afirmou que vedar medicamentos como cloroquina é “engessar” o combate à pandemia e a autonomia médica. Marcos Rogério (DEM-RO) questionou a posição de Elton Chaves sobre a prescrição de medicamentos off label. Em resposta, o depoente afirmou que a possibilidade de prescrição não prevista na bula é uma prerrogativa do médico.

—  O que devemos sempre defender, principalmente em um monemto de crise, é a autonomia médica — disse Marcos Rogério.

Intervenção política

Elton Chaves afirmou que o Conasems tem autonomia e independência, mas não pode responder sobre os membros do Ministério da Saúde, mas a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) avaliou que está muito clara a intervenção política dentro da Conitec. Ao todo, 7 representantes de secretárias do MS tem assento na Comissão.

— Há  claramente intervenção política do Ministério da Saúde na Conitec. Se não houvesse, talvez não teríamos a quantidade de mortos que temos hoje — disse a senadora.

A senadora indignou-se com o fato de, em período de pandemia, quando os estudos técnicos precisariam ser aprofundados, ter ocorrido apenas uma reunião extraordinária da Conitec, em maio deste ano.

Ao final da reunião, Randolfe propôs uma homenagem aos médicos e demais profissionais de Saúde que atuaram na pandemia e às vítimas e familiares da covid-19.

Relatório

Ao longo de 67 reuniões, a Comissão ouviu mais 60 pessoas. O depoimento de Elton Chaves é o último da CPI da Covid, antes da apresentação do relatório final, cuja sessão está agendada para às 10h desta quarta-feira (20). A votação está prevista para ser realizada no dia 26 de outubro. Nesta terça-feira (19), a cúpula da CPI tem reunião marcada às 19h para decidir sobre ajustes no relatório.

— O relatório desta CPI será para pedir a punição dos verdadeiros responsáveis por esse morticínio que aconteceu no Brasil. Não adianta tapar o sol com a peneira, não adianta vir com narrativas, não adianta fazer com que as pessoas pensem que alguém é melhor do que o outro aqui não  – disse o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM).

Eduardo Girão (Podemos-CE) criticou o trabalho do colegiado e informou que vai apresentar relatório paralelo. Segundo o parlamentar, o documento vai apontar equívocos do governo federal e “muitas outras coisas das quais a CPI fugiu de forma covarde”, como “as dezenas de escândalos de corrupção e desvios de dinheiro público nos estados e municípios”. As informações são da Agência Senado.

Outras Notícias

Ministério Público Federal arquiva sem conclusão inquérito sobre acidente de Eduardo Campos

O Ministério Público Federal (MPF) arquivou o inquérito que apurava as causas do acidente aéreo que matou o ex-governador de Pernambuco e então candidato à Presidência Eduardo Campos. O jatinho caiu numa área residencial de Santos (SP), em agosto de 2014. Mais seis pessoas morreram na tragédia: o piloto, o copiloto e quatro integrantes da […]

Avião Cessna envolvido no acidente fatal do ex-governador e então candidato à Presidência Eduardo Campos

O Ministério Público Federal (MPF) arquivou o inquérito que apurava as causas do acidente aéreo que matou o ex-governador de Pernambuco e então candidato à Presidência Eduardo Campos. O jatinho caiu numa área residencial de Santos (SP), em agosto de 2014. Mais seis pessoas morreram na tragédia: o piloto, o copiloto e quatro integrantes da equipe de campanha.

Segundo o MPF, não foi possível definir as razões do acidente devido à falta ou ao não funcionamento de alguns equipamentos na cabine de comando do avião. O gravador de vozes, que poderia ter registrado os diálogos do piloto e copiloto, não estava funcionando. De acordo com os procuradores, o equipamento é obrigatório para aeronaves do tipo, mas o dispositivo tinha feito o último registro em janeiro de 2013, mais de um ano antes da queda. Campos voava em um Cessna 560XL, jato executivo bimotor com capacidade para oito passageiros.

A falta de conclusões do inquérito afasta ainda a possibilidade de qualquer responsabilização criminal. Os afetados podem, no entanto, usar os elementos do inquérito em pedidos de indenização na esfera cível.

Serra Talhada contabiliza sétimo óbito por Covid-19

A Secretaria de Saúde de Serra Talhada comunica que foi contabilizado o sétimo óbito por Covid-19 no município. O paciente tinha 60 anos e era morador do bairro Caxixola. Ele deu entrada no Hospam por volta das 09h do último dia 06 de junho em estado grave, apresentando Síndrome Respiratória Aguda Grave – SARS e […]

A Secretaria de Saúde de Serra Talhada comunica que foi contabilizado o sétimo óbito por Covid-19 no município. O paciente tinha 60 anos e era morador do bairro Caxixola.

Ele deu entrada no Hospam por volta das 09h do último dia 06 de junho em estado grave, apresentando Síndrome Respiratória Aguda Grave – SARS e saturação abaixo de 60%, foi atendido pela equipe médica, mas faleceu antes do final da manhã do mesmo dia.

Como o paciente apresentava sintomas de Covid-19, foi realizado o teste rápido, obtendo resultado positivo, sendo a Covid-19 atestada como causa da morte no Atestado de Óbito. Seguindo os protocolos estabelecidos, o Hospam enviou a coleta de Swab ao Laboratório Central – LACEN/PE, que posteriormente informou resultado inconclusivo da amostra analisada.

A Secretaria Municipal de Saúde esclarece que estava aguardando o resultado do LACEN-PE e um posicionamento da Secretaria Estadual de Saúde para contabilizar o óbito. Não sendo possível utilizar o critério laboratorial para confirmação do caso, uma vez que o Swab deu inconclusivo, foi utilizado o critério imunológico (teste rápido) para confirmação, como determina a Nota Técnica Nº 15/2020 da Secretaria Estadual de Saúde – SES.

A Secretaria Municipal informa, ainda, que o paciente não havia procurado a unidade de saúde do bairro para informar os sintomas e ser monitorado, sendo levado ao Hospam quando já apresentava quadro grave.

“Nós alertamos a população sobre a necessidade de procurar as unidades de saúde logo que surgirem os primeiros sintomas suspeitos, porque desta forma a pessoa passa a ser acompanhada e monitorada devidamente pelas equipes da Atenção Básica e da Vigilância Epidemiológica. Se tiver sintoma, tem que procurar a unidade de saúde e comunicar, não pode ficar em casa esperando melhorar e nem se automedicar. É fundamental que a população entenda isso, a Covid é uma doença séria, que pode evoluir muito rapidamente para um quadro de saúde grave do paciente”, alertou a secretária-executiva, Alexsandra Novaes.

Serra: Prefeitura empossa servidores nesta quinta

A Prefeitura de Serra Talhada, por meio da Secretaria Municipal de Administração, realiza nesta quinta-feira (14) a posse dos novos servidores municipais. A solenidade acontecerá a partir das 09h, na Câmara de Vereadores. O número de empossados não foi informado. O resultado do Concurso , realizado no mês de setembro de 2018, foi homologado em […]

A Prefeitura de Serra Talhada, por meio da Secretaria Municipal de Administração, realiza nesta quinta-feira (14) a posse dos novos servidores municipais. A solenidade acontecerá a partir das 09h, na Câmara de Vereadores. O número de empossados não foi informado.

O resultado do Concurso , realizado no mês de setembro de 2018, foi homologado em janeiro deste ano, quando foi iniciada a convocação dos aprovados. Foram homologadas 360 vagas para o preenchimento de 56 cargos das diversas secretarias da prefeitura e mais 16 vagas para o preenchimento de oito cargos da Câmara Municipal de Vereadores.

O concurso da PMST teve validade informada de dois anos, podendo ser prorrogado por igual período. Os salários variam entre R$ 937 e R$ 4,2 mil. A banca responsável pelo certame foi o Instituto de Administração e Tecnologia ADM&TEC.

Grupos rivais participam juntos de ato da frente em Santa Maria da Boa Vista

Os três grupos políticos de Santa Maria da Boa Vista, no Sertão do São Francisco, declararam apoio a Paulo Câmara (PSB). A prefeita Eliane Costa (PSL) e os ex-prefeitos Jetro (PSB) e Leandro Duarte (PSDB) deixaram suas divergências locais de lado para subir no palanque que abrigou o comício comandado pelo socialista, nesta sexta-feira (12). […]

Paulo-Câmara1Os três grupos políticos de Santa Maria da Boa Vista, no Sertão do São Francisco, declararam apoio a Paulo Câmara (PSB). A prefeita Eliane Costa (PSL) e os ex-prefeitos Jetro (PSB) e Leandro Duarte (PSDB) deixaram suas divergências locais de lado para subir no palanque que abrigou o comício comandado pelo socialista, nesta sexta-feira (12). Esse gesto foi exaltado por Paulo, que estava acompanhado do seu companheiro de chapa, Fernando Bezerra Coelho (PSB/senador), e de postulantes proporcionais.

“Estamos mais unidos do que nunca! E esse momento aqui em Santa Maria da Boa Vista reflete bem isso. O município tem lados diferentes na política, mas todos eles querem e estão trabalhando para que Pernambuco siga avançando”, destacou Paulo Câmara, sendo muito aplaudido pela multidão que se formou na praça central do município.

A prefeita Eliane frisou que não podia deixar as eleições municipais interferirem na sua decisão de apostar na continuidade das mudanças vivenciadas pelo Estado. O ex-prefeito Leandro Duarte revelou que essa será a primeira vez que ele votará em um candidato do PSB para o Governo do Estado.  Já o socialista Jetro pontuou que a Frente Popular tem uma forma de governar aprovada pela população. “Sou presidente do PSB no município e tenho muito orgulho disso. O nosso partido tem transformado o Estado e o pernambucano reconhece”, afirmou, segundo nota ao blog.

Paulo se comprometeu em honrar o alinhamento de todos os lados de Santa Maria da Boa Vista e de sua população com muito trabalho.

Rosa Weber nega pedido do MBL para declarar Lula inelegível

Do Congresso em Foco A ministra Rosa Weber, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), rejeitou hoje (quarta, 18), um pedido feito pelo Movimento Brasil Livre (MBL) para que o tribunal declare a inelegibilidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na decisão, a ministra afirmou que não se pode discutir legalmente a questão da inelegibilidade de […]

Do Congresso em Foco

A ministra Rosa Weber, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), rejeitou hoje (quarta, 18), um pedido feito pelo Movimento Brasil Livre (MBL) para que o tribunal declare a inelegibilidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na decisão, a ministra afirmou que não se pode discutir legalmente a questão da inelegibilidade de candidatos antes do período de registro de candidaturas.

Rosa Weber também entendeu que os representantes do movimento não têm legitimidade para levantar a causa. Ela não entrou no mérito do processo, que são os motivos alegados.

Apesar de a Lei da Ficha Limpa ter definido que condenados por órgãos colegiados estão inelegíveis, o momento no qual a Justiça Eleitoral analisa a restrição ocorre após a apresentação do pedido de registro de candidatura, que deve ser feito a partir do próximo dia 20 de julho até 15 de agosto, depois da aprovação do candidato na convenção de seu partido.

Lula está preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde o dia 7 de abril, por determinação do juiz Sérgio Moro, que ordenou a execução provisória da pena de 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, no caso do triplex em Guarujá (SP).

A prisão foi executada com base na decisão do STF que autorizou prisões após o fim dos recursos na segunda instância da Justiça.

Com informações da Agência Brasil