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Promotor Lúcio Almeida representa Araripe no Ouvir Para Mudar

Por Nill Júnior

A partir de um aprofundamento estabelecido com outros Promotores da 1ª Circunscrição e representantes de instituições governamentais e não governamentais da região do Araripe, o Promotor de Justiça  Lúcio Luiz de Almeida Neto identificou algumas demandas prioritárias para levar para o evento “Ouvir para Mudar”.

Capitaneado pela governadora Raquel Lyra, ele trata da coleta de propostas e demandas para elaboração do Plano Plurianual – PPA, realizado pelo Governo do Estado. O evento aconteceu em Ouricuri no último sábado, 2 de Setembro, na Escola de Referência Fernando Bezerra. Lúcio está em Ouricuri há alguns dias, depois de anos servindo a Afogados da Ingazeira.

Dentre as principais demandas, uma Delegacia da Mulher, Instalação do IML, aumento de efetivo para as Polícias Militar e Civil, estruturação das Delegacias, com a possibilidade da Área Integrada de Segurança em Ouricuri, reativação da DENARC, maior orçamento para Estruturação do Ministério Público nos dois territórios e garantia da atuação, no mínimo, de 2 Defensores Públicos por Comarca.

Ainda ativação de canil para a PM (especialmente combate ao tráfico), estruturação do IC, unidade de acolhimento de crianças e adolescentes, unidade regional de abrigamento de idosos, Adutora de Negreiros, Abatedouro Regional em Ouricuri, apreensão de animais soltos nas PEs, elaboração e execução dos projetos de saneamento global, estruturação do Hospital Regional, aumento do repasse para o transporte escolar, ampliação das Escolas em tempo integral e outros itens na pauta de 30 demandas.

De acordo com a dinâmica do evento, foram criadas Salas Temáticas para discussão e validação das propostas a serem apresentadas na plenária perante a Governadora. Assim, houve uma divisão das pessoas e as propostas trazidas por essa articulação foram apresentadas nas diversas Salas Temáticas.

Tendo participado da Sala Temática de “Segurança e Cidadania”, o promotor foi o eleito, por representantes dos diversos municípios do Sertão do Araripe, para apresentar e defender as propostas na plenária com a presença da Governadora e dos seus Secretários, realizada na Quadra da Escola de Referência Fernando Bezerra.

O Promotor destacou que a população dá sinais de cansaço ao ver muitas vezes reuniões e reuniões e pouco resultado sendo tirado do papel, mas destacou a importância do momento participativo para elaboração do PPA, onde o Governo se dispõe a ouvir todas as regiões do Estado e a sociedade renova a esperança de que as demandas se convertam em ações concretas.

“Apesar do pouco tempo, buscamos discutir com diversas representações, para apresentar um conjunto de propostas que refletisse não apenas o olhar do Ministério Público, mas da sociedade da região do Araripe e vamos continuar essa articulação para ainda aprimorar e apresentar novas demandas até o fechamento do ciclo de elaboração do PPA”, finalizou o Dr. Lúcio.

Outras Notícias

Projeto “Humanidade” chega a Afogados da Ingazeira

O Projeto Humanidade, criado em 2014, é coordenado pela Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos e desenvolve atividades de valorização, promoção e defesa dos direitos da pessoa idosa. Nesta quinta (22), a equipe do projeto reuniu-se com profissionais das Secretarias Municipais de Assistência Social e de Saúde. O encontro aconteceu na sede da Associação […]

O Projeto Humanidade, criado em 2014, é coordenado pela Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos e desenvolve atividades de valorização, promoção e defesa dos direitos da pessoa idosa. Nesta quinta (22), a equipe do projeto reuniu-se com profissionais das Secretarias Municipais de Assistência Social e de Saúde.

O encontro aconteceu na sede da Associação de Saúde Vale do Pajeú-ASAVAP. Foram realizadas ações junto aos idosos da instituição, como aferição de pressão e testes de glicemia. ”O projeto acompanha as instituições de longa permanência que atendem às pessoas idosas, e faz a assessoria técnica e jurídica dessas instituições. Estamos nesse momento buscando fortalecer o diálogo, sobretudo com as equipes das Unidades Básicas de Saúde e do Núcleo de Apoio à Saúde da Família,” destacou o técnico social do projeto, Lucas Costa.

A equipe responsável pela cozinha da ASAVAP também recebeu orientações para um melhor aproveitamento dos alimentos e a consequente diminuição do desperdício.

Fiscaliza Afogados: a sociedade acordou!

Nível do debate, Câmara cheia, posição equilibrada de todos e encaminhamento é um sinal de concreta esperança para construção de uma cidade ainda mais democrática Histórica! Não há outra definição para a noite em que o movimento Fiscaliza Afogados passou por seu primeiro grande teste: o da Audiência Pública que lotou o Cine São José, […]

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Nível do debate, Câmara cheia, posição equilibrada de todos e encaminhamento é um sinal de concreta esperança para construção de uma cidade ainda mais democrática

Histórica! Não há outra definição para a noite em que o movimento Fiscaliza Afogados passou por seu primeiro grande teste: o da Audiência Pública que lotou o Cine São José, debatendo o rumos dos temas que a cidade irá travar com os poderes para os próximos anos. Foi emocionante ver pessoas sem amarras debatendo não só o aumento dos subsídios dos vereadores, mas a construção de uma consciência crítica para acompanhar várias questões que tem  relação direta com a vida da população.

Cabe o registro de que foi corajosa e decente a posição dos vereadores que estiveram no encontro, a começar do presidente da Câmara, Frankilin Nazário, que não perdeu o equilíbrio nem quando houve provocações isoladas à postura do legislativo. O Presidente da Câmara pontuou sobre a história do aumento dos subsídios e, quando a Casa foi questionada, disse estar a disposição para, dentro dos encaminhamentos, receber comissão para discutir as questões.

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Também publicamente disse reconhecer falha de comunicação na fatídica sessão de 1/8, afirmou estar revendo esta questão  e foi feliz quando convocou o Movimento para discutir questões que carecem de amplo debate: o das mudanças no Regimento Interno e Lei Orgânica da Casa. Também evidenciou decisões positivas que marcaram sua condução como o fim da verba de gabinete e do recesso de meio de ano, que já havia ganhado positiva repercussão na imprensa.

O mesmo vale para os demais vereadores presentes: Augusto Martins, Antonieta Guimarães, Igor Sá Mariano, Raimundo Lima, Luiz Bizorão e Reinaldo Lima. Porque é fácil ser presença nos momentos em que o discurso é convergente. Neste caso os parlamentares sabiam que encontrariam ambiente crítico. Foram dispostos a encarar o que pensa a sociedade e construir um caminho conjunto. Não há como não registrar esse gesto de grandeza.

Franklin Nazário
Franklin Nazário

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Inicialmente, Frankilin Nazário fez um histórico do aumento do subsídio. Alegou que a alta aferida em 1/8 difere da anterior que chegou a 40%. Fez também explanação sobre o papel do vereador, a partir da etimologia da palavra e elencou temas importantes que dependem da casa como LDO. Como o blog registrou, enobreceu o movimento e chamou atenção para a necessidade de construção conjunta da casa de mudanças na Lei Orgânica e Regimento Interno. Só um exemplo que evidencia essa necessidade: não há praticamente punição econômica para o legislador que falta a varias sessões, um dos pontos que precisam ser revistos. Também lembrou a decisão levada ao conhecimento do Vigário Geral da Diocese, Monsenhor João Acioly, tomada pela bancada governista, de só aumentar salários se houver aumento de arrecadação.

Pelo Fiscaliza Afogados, falou Gustavo Queiroz. Foi uma das falas mais ovacionadas, mostrou liderança e equilíbrio. Ele explanou com números quanto custa um vereador para o município de Afogados da Ingazeira e quanto passará a custar a partir do aumento do subsídio. Por ano, R$ 973.944,00 de salários. Com o aumento aprovado, passará a R$ 1.217.187,00. Ele destacou que com subsídios, a Câmara representa custo de quase R$ 5 milhões para quatro anos e apresentou o projeto de iniciativa popular que fixa o salário legislativo em R$ 2.135,00, o piso atual dos professores.

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Gustavo Lopes
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Lúcio Almeida

O vice prefeito eleito Alessandro Palmeira falou na sequência em nome do prefeito Patriota e parabenizou o movimento, afirmando ser uma data histórica para o município. Em determinado momento, disse que não se podia generalizar as críticas a todos os vereadores e que era necessário destacar o fato de que os cálculos consideravam o repasse bruto, sem descontos. Mas se colocou a disposição do movimento e afirmou que havia posições responsáveis e coerentes dos dois lados.

Logo após falou a presidente da Associação dos Professores Leila Albuquerque. Dizendo que “não seria tão educada como Sandrinho”, Leila em suma comparou a missão e os salários de vereadores e professores. Defendeu a imprensa e especificamente o blog pela divulgação inicial e disse que a Câmara em dois momentos havia tido posições sem a participação da classe e da sociedade. No caso dos quinquênios, se manifestou após provocada sem conhecimento da classe em debate jurídico com repercussão. E no caso dos aumento dos subsídios, também não havia discutido o tema publicamente. Também disse que assistencialismo, a justificativa de alguns para aumentar os salários, não era papel  do vereador e sim da Assistência Social. Foi ovacionada.

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Fátima Silva também criticou a postura da Câmara dizendo ter ficado decepcionada com a posição de alguns parlamentares. Ela registrou que a ONG que representa está para fechar porque não tem condições de pagar salário e manutenção, no total de R$ 1.100,00. E disse que, enquanto isso, vereadores aumentavam o próprio salário.

O promotor Lúcio Luiz de Almeida Neto defendeu o debate plural e também parabenizou pela iniciativa. Destacou que o MP havia solicitado informações e já tinha encaminhamentos a luz do princípio da transparência. Também defendeu o respeito às opiniões divergentes, a liberdade de manifestação da imprensa livre e o caráter único daquela noite, se colocando a disposição para o debate.

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Alessandro Palmeira

Logo depois o debate, mediado por Ivo Marinho, houve falas de sete pessoas sorteadas dentre as que haviam se inscrito. Todas falaram defendendo transparência, maior debate sobre o aumento do legislativo e criticando a forma como foi concedido. Falaram Sílvia Patrício (fisioterapeuta), Marcos Damasco (pastor), Ana Cristina (professora), Marcos Vinicius,  Patrícia Amaral (professora), Afonso Cavalcanti (Diaconia) e Marli Almeida. Houve também elogios ao papel da Rádio Pajeú, como veículo histórico aliado à sociedade, desde figuras como Dom Francisco.

Claro, nos bastidores o sentimento era de que a proposta era um passo inicial para uma construção conjunta com sociedade e Câmara. Passava pela discussão legal do aumento, puxada pelo MP, a possibilidade de recuo político da decisão e a deliberação de um valor considerado justo a partir das próximas legislaturas, afugentando cada vez mais a necessidade de gastos significativos em campanhas, assistencialismo nos mandatos e o “ressarcimento” a partir dos subsídios.

Ao final, um encaminhamento importante foi de que uma comissão do grupo seja formada para discutir o tema com a Câmara. O encaminhamento foi abraçado pelos vereadores presentes e pela comissão.

Sertânia: Sítio Caroá ganha novo prédio para a Escola Municipal Manoel Xavier de Melo

O prefeito Ângelo Ferreira inaugurou as novas instalações da Escola Municipal Manoel Xavier de Melo, no Sítio Caroá, marcando a volta às aulas, nesta segunda-feira (6). Essa é mais uma iniciativa do Governo Municipal que está realizando uma série de entregas de novos prédios e quadras escolares, todas no padrão desenvolvido em todo o município. […]

O prefeito Ângelo Ferreira inaugurou as novas instalações da Escola Municipal Manoel Xavier de Melo, no Sítio Caroá, marcando a volta às aulas, nesta segunda-feira (6).

Essa é mais uma iniciativa do Governo Municipal que está realizando uma série de entregas de novos prédios e quadras escolares, todas no padrão desenvolvido em todo o município.

Em seu discurso, Ângelo ressaltou as ações que vêm sendo desenvolvidas ao longo dessa gestão na área de Educação.

“Professor recebendo salário em dia, os demais funcionários, também, um prédio zelado, limpo, com a merenda de qualidade. Nós vamos entregar ainda, nos próximos dias, uma farda nova. Vamos entregar também os kits para os alunos com lápis, caderno, lápis de cor, canetas. Ficamos felizes de estar cumprindo, com alegria, dedicação, determinação, nosso compromisso como prefeito”, enumerou Ângelo.

Estiveram presentes o gestor da escola, Airon Moisés Freire, o pastor Édson Soares, do Projeto Caroá, o secretário de Desenvolvimento Social e Cidadania, Paulo Henrique Ferreira, o chefe de gabinete, Antônio Cajueiro Neto e os vereadores, Niltinho Souza, Tadeu Queiroz e Antônio Henrique Ferreira, presidente da Câmara Municipal, além do vice-prefeito, Antônio Almeida e da secretária de Educação, Simoni Laet.

Livro “Sertão, o imaginário das grandes imensidões” será lançado neste sábado 

Obra histórica foge de clichês, sem fome e miséria estereotipadas; tudo nele é um confortante exagero, aquele mesmo capaz de adornar as vestes dos vaqueiros ou de cantores populares Em meio ao sol sertanejo, cada página respira resistência, beleza e afeto. No próximo dia 31 de maio, às 15h, no Recife Expo Center, será lançada […]

Obra histórica foge de clichês, sem fome e miséria estereotipadas; tudo nele é um confortante exagero, aquele mesmo capaz de adornar as vestes dos vaqueiros ou de cantores populares

Em meio ao sol sertanejo, cada página respira resistência, beleza e afeto. No próximo dia 31 de maio, às 15h, no Recife Expo Center, será lançada a obra “SERTÃO – O imaginário das grandes imensidões”, uma obra que se ergue como documento histórico, celebração e grito. Exagerada, no bom sentido, como vestes e adornos dos vaqueiros e cantores populares. 

Com fotografia de Adriano Mendes e produção do jornalista, pesquisador e documentarista Anselmo Alves, o livro é uma travessia por paisagens, rostos e memórias que revelam um sertão que não cabe nos estereótipos — vasto, múltiplo, profundamente vivo.

Nesta obra, o sertão não é miragem nem cenário: são trezentas páginas de memória, poesia e fotografia, costuradas pela sensibilidade de quem conhece os desafios e as belezas da região onde o sol se põe alaranjado. 

A obra foge dos clichês. Não há fome romantizada, nem miséria estetizada. O sertanejo que aparece no foco das lentes e das páginas é protagonista da própria história. 

“A gente não colocou o sertão da miséria, da fome. Mostramos o sertão da superação, do circo, do pastoril, um sertão em movimento, de grandes imensidões…”, pontua o produtor Anselmo Alves.

O sertão que virou mundo

O projeto tem um percurso que começa no Agreste, em Belo Jardim, acompanha o caminho das águas do Riacho do Navio até o Pajeú das Flores, se espraia pelo Sertão Central de Salgueiro, respira o clima ameno de Triunfo e cruza fronteiras até a cidade paraibana de Princesa Isabel.

“Esse livro também foi pensado a partir da canção de Zé Dantas e Luiz Gonzaga: ‘Riacho do Navio, corre pro Pajeú e Rio o Pajeú vai despejar no São Francisco, e o Rio São Francisco vai bater no meio do mar… ‘É o sertão que é infinito”, explica Anselmo. “Queria mostrar o sertão, o homem e a terra, a beleza que é o sertão”.

O produtor Anselmo Alves revela que cada imagem feita por Adriano é mais que uma fotografia: é um testemunho da coragem de quem aprende, desde cedo, a transformar a escassez em abundância. 

O olhar de Anselmo também se debruça sobre a geografia simbólica da cultura nordestina. “Em Serra Talhada, a 420 quilômetros do Recife, nasceu Lampião, Agamenon Magalhães e João Santos. Em Exu, distante 180 km de Serra Talhada, nasceu Luiz Gonzaga. A 70 quilômetros dali, nasceu Padre Cícero, em Juazeiro. Queria mostrar essa trilateralidade”.

A literatura que atravessa a região

As imagens dialogam com a força da palavra. Ao lado dos registros visuais, vivem trechos da literatura que há décadas canta o sertão e versos de poetas que hoje mantêm essa tradição viva. 

“Maciel Melo, Xico Bezerra, Jessier Quirino, Elis Almeida e até poetas anônimos do século passado estão no livro. A gente pegou referências de grandes obras ligadas à cultura sertaneja”, conta.

Mais que uma celebração estética, o livro é um documento histórico. “Ele é o sertão em carne e osso”, resume Anselmo, citando Patativa do Assaré. Uma declaração de amor e de urgência — pela preservação cultural e ambiental de uma região onde o chão rachado também gera frutos.

“A poetisa jovem Elis Almeida disse uma coisa muito forte: ‘Precisamos recatingar a identidade cultural do sertão’. Preservar do ponto de vista cultural e ambiental. Isso é fundamental”, reforça ele.

A obra histórica recebeu apoio das Baterias Moura, empresa fundada por Edson Moura Mororó, nascido no coração de Belo Jardim, localizado no Agreste, bem pertinho da região sertaneja. 

Assim como o sertão, a Moura virou sinônimo de resiliência, tecnologia e reconhecimento mundial. “Fiz questão de que o livro fosse patrocinado por uma empresa empreendedora, que sai de Belo Jardim, bem perto do Sertão, para conquistar o mundo. Assim como Luiz Gonzaga saiu de Exu para conquistar o mundo”, afirma.

O sertão exagerado

O sertão, além de território, é também espetáculo de sobrevivência. Para Anselmo, na construção estética de personagens como cangaceiros, nos bordados minuciosos, nos chapéus adornados com moedas, fitas e medalhas, há muito da influência cigana — povos que, assim como o sertanejo, aprenderam a transformar a dureza do caminho em beleza simbólica. 

Essa herança visual não é mero adorno, mas linguagem, código e forma de se fazer visto em meio às vastas imensidões da caatinga. Assim como os ciganos, o sertão entendeu, ao longo da história, que existir também é ser imagem, é ocupar o espaço com cor, forma e significado.

“O sertão é exagerado. É como a gente dizia quando via alguém muito enfeitado: ‘Tá mais enfeitado que jumento de cigano.’ 

Nas imensidões do sertão, o livro se revela como um chamado para que o Brasil — e o mundo — olhem para o sertão não como um lugar à margem, mas como centro de uma cultura poderosa, viva e urgente.

Ainda segundo Anselmo Alves, o processo foi longo e intenso. “Durou quase um ano. Viajamos umas nove vezes para o sertão”, lembra. E foi nesse caminho que o livro se fez não só em papel, mas em alma.

SERTÃO – O imaginário das grandes imensidões é um convite para revisitar não só paisagens, mas modos de existir. Uma travessia que começa quando se abre a primeira página — e que, talvez, nunca se encerre.

Lançamento:

Data: 31 de maio

Local: Recife Expo Center – Cais de Santa Rita, 156, Bairro de São José

Horário:  15 horas

Serra: Segunda noite do “O Massacre de Angicos”

por Bruna Verlene Na segunda noite do “Massacre de Angicos”, o público mais uma vez esteve presente à Estação Ferroviária de Serra Talhada. O blog também esteve por lá e conversou com os atores Roberta Aureliano (Maria Bonita), Karll Marx (Lampião) e Carlos Silva (Pedro de Cândida). Roberta Aureliano, como é para você natural de Serra […]

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Foto: Bruna Verlene

por Bruna Verlene

Na segunda noite do “Massacre de Angicos”, o público mais uma vez esteve presente à Estação Ferroviária de Serra Talhada. O blog também esteve por lá e conversou com os atores Roberta Aureliano (Maria Bonita), Karll Marx (Lampião) e Carlos Silva (Pedro de Cândida).

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Roberta Aureliano, a Maria Bonita do “O Massacre de Angicos”. Foto: Bruna Verlene

Roberta Aureliano, como é para você natural de Serra Talhada e que mora em Alagoas, participar pelo terceiro ano, desse evento que tem um publico tão grandioso?

É como se fosse a primeira vez. Eu acho que o espetáculo tá crescendo, tem tomado uma dimensão que ele merece, por ter a direção que tem, o texto que tem, e nós que fazemos parte só temos a ganhar com o público, junto com o Estado de Pernambuco. Eu me sinto muito satisfeita, e muito grata à Fundação Cabras de Lampião pelo convite de interpretar Maria Bonita.

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Carlos Silva em uma das cenas de tortura, como Pedro de Cândida. Foto: Bruna Verlene

Carlos Silva ator Serra-Talhadense, como é para você viver Pedro de Cândida, aquele que traiu Lampião?

A gente tá pelo terceiro ano consecutivo, fazendo o espetáculo e o mesmo personagem. Para a gente como interprete, é sempre como da primeira vez. São cinco dias de apresentação, mas a gente sempre entra em cena com a mesma emoção da estreia do primeiro ano.

O personagem é muito forte e que tinha uma ligação muito visceral com Lampião. Eles eram compadres, eles eram amigos e a grota de Angicos era pertencente a Pedro de Cândida. De repente ele é pego pela polícia e é torturado, e acaba entregando o grande amigo, de uma forma forçada, claro. Logo em seguida, vem o momento do arrependimento, onde ele diz, “Traí Virgulino, traí meu amigo, traí o sertão”.

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Karll Marx interpretando o Rei do Cangaço, Lampião. Foto: Bruna Verlene

Karll Marx, para você como é fazer Lampião?

É sempre uma emoção e uma responsabilidade muito grande. É um personagem real, não é um personagem que a gente inventa, e que marcou história na nossa região, no Nordeste Brasileiro. A gente procura transmitir o máximos possível para o publico a emoção do personagem, daquilo que ele viveu durante a sua trajetória, durante a sua saga.

Procuramos também trazer uma reflexão para os dias de hoje, das mazelas que existiam a setenta, oitenta anos atrás e que a gente ainda hoje tem, e eu acho que o espetáculo consegui da resposta pra isso tudo e faz com que o publico volte pra casa pensando mais um pouco nisso.

“ O Massacre de Angicos” vai até domingo (27), na Estação Ferroviária com apresentação a partir das 20h.