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O blog e a história: a tragédia da família Canzenza

Publicado em Notícias por em 19 de junho de 2022

Folha de São Paulo, em 01 de junho de 2000 – Cinco pessoas morreram e outras seis ficaram feridas -quatro em estado gravíssimo- com a explosão de uma fabriqueta clandestina de fogos em Afogados da Ingazeira (PE). O acidente aconteceu na noite de anteontem e destruiu completamente a casa de cinco cômodos onde funcionava o negócio. Todos os atingidos pertencem a mesma família.

A tragédia, segundo a Polícia Civil, ocorreu por volta das 23h40, logo após o final da partida entre Corinthians e Palmeiras, pela Copa Libertadores da América. A polícia trabalha com a hipótese, narrada pelos vizinhos do local, de que a explosão foi ocasionada pela faísca de um traque, que teria sido disparado por uma das crianças da casa.

Os corpos de Joana D’arc Monteiro dos Santos, 43, Washington Eduardo Monteiro dos Santos, 16, Weverton Bruno Monteiro dos Santos, 4, e Wille Cleyson Monteiro dos Santos, 13, foram encontrados carbonizados. A famílai era conhecida como Canzenza

Os feridos foram levados para o Hospital da Restauração, em Recife, e para a Casa de Saúde Doutor José Evoide de Moura. José Angelo, marido de Joana D’arc, morreu ontem à tarde, no hospital. O enterro da mãe e dos três filhos não havia acontecido até o final da tarde de ontem.

O delegado João Gaspar Ribeiro de Souza, que abriu inquérito para apurar quem são os responsáveis pelo acidente, estima que havia cerca de 800 quilos de fogos de artifício espalhados por todas as partes da casa. Cerca de 50% do material foi incinerado. Os móveis e objetos pessoais da família ficaram destruídos. “O estrago só não foi maior porque a vizinhança se uniu e ajudou a apagar o incêndio. Nesta época, quando se aproximam as festas juninas, fica muito difícil conter a clandestinidade”, declarou Souza.

O Corpo de Bombeiros mais próximo de Afogados da Ingazeira (386 km de Recife) fica a 180 km dali, no município de Belo Jardim. De acordo com a polícia, o incêndio demorou cerca de 40 minutos para ser contido. Segundo a prefeita do município, Maria Gizelda Simões Inácio, existem três equipes de vigilância em Afogados da Ingazeira para evitar atividades clandestinas de comércio de fogos. “Embora tenhamos a vigilância e façamos advertências, fica muito difícil controlar esse tipo de atividade (clandestina). Nesta época do ano, as pessoas, por uma questão de sobrevivência, vêem na venda de fogos uma forma de tentar um dinheiro a mais.”

A partir da próxima semana, a prefeitura pretende iniciar uma campanha educativa para esclarecer a população dos riscos das atividades com explosivos. “Não tínhamos conhecimento de que as pessoas estavam trabalhando com essa quantidade de explosivos”, afirmou. Após a explosão de anteontem, a polícia recebeu duas denúncias de depósitos clandestinos de fogos na cidade. “Infelizmente, só após uma tragédia é que as pessoas ganham coragem para tomar uma atitude”, declarou a prefeita. Imagem ilustrativa.

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