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Impeachment é revanche por derrota na eleição, diz ministro da Justiça

Por Nill Júnior

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Com o agravamento da crise política entorno da presidente Dilma Rousseff (PT), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, vem se transformando no mais “visível” dos 39 ministros. A cada ataque mais forte ao governo, é ele quem tem sido o escalado para defendê-lo.

Às vésperas das manifestações a favor do impeachment da presidente, marcadas para este domingo (15), Cardozo saiu, mais uma vez, em defesa do governo. Em entrevista exclusiva ao UOL, Cardozo criticou a oposição que pede o afastamento da presidente e disse que, ao contrário do que ocorreu em 1992, quando o então presidente Fernando Collor de Mello foi afastado por suspeitas de corrupção, agora, não há fato jurídico para justificar o impeachment de Dilma.

Para ele, os opositores “talvez não tenham absorvido a derrota”.

UOL – Como o governo vê os protestos contra a presidente?

José Eduardo Cardozo – O governo tem muita sensibilidade para ouvir a sociedade e está inteiramente aberto pra ouvir as manifestações que são legítimas desde que, evidentemente, não gerem situações de violência, desrespeito à ordem. Manifestações no Estado democrático são normais. O governo ouve tudo aquilo que dentro da ordem democrática lhe é colocado.

UOL – Que medidas o governo prepara para dar uma resposta aos protestos?

Cardozo – O próprio programa de governo em si já é o atendimento de medidas sociais. A presidente Dilma pretende, nos próximos dias, lançar uma série de medidas importantes pra combater a corrupção, dando continuidade a situações que o governo dela e o do ex-presidente Lula fizeram no passado.

UOL – Mas por que a opinião pública tem a impressão de que não é o governo que lidera esse combate, mas, ao contrário, é um dos envolvidos sobretudo se consideradas as investigações da operação Lava Jato?

Cardozo – Eu acho que é uma sensação que não resiste a uma análise fria dos fatos. Há hoje uma situação de passionalismo sobre o que está acontecendo. Fatos como esses, colocados à luz do sol, no passado nunca seriam investigados. Porque a PF não investigava, engavetadores eram nomeados e o MPF [Ministério Público Federal] não investigava. No calor do momento, as pessoas talvez não tenham a percepção de que tudo isso é fruto de uma construção os últimos 12 anos.

UOL – Qual o posicionamento do governo em relação ao pedido de impeachment da presidente Dilma feito pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) e em relação ao pedido feito pelo PPS para que a PGR investigue a presidente Dilma no âmbito da operação Lava Jato?

Cardozo – Nenhum dos dois pedidos tem a menor base jurídica. A lei é muito clara quando fala que impeachment é processo jurídico-político. Para que eu possa ter um processo de impeachment instaurado, é preciso não apenas a vontade política de alguns. Eu preciso ter o fato jurídico imputável. É evidente que não só na conclusão do procurador-geral da República [Rodrigo Janot], mas também a do relator do processo [no Supremo, Teori Zavascki], não há nada a ser imputado à presidente da República. Qual é o fato que pode ser imputado à presidente? Nenhum. Isso é dito com todas as letras pelo ministro Teori Zavascki, que é absolutamente imparcial. É evidente que partidos da oposição querem utilizar esse discurso. Talvez como uma revanche por terem sido derrotados no processo eleitoral. Talvez não tenham absorvido a derrota.

UOL – Mas o presidente Collor foi afastado pelo Congresso e depois inocentado pelo STF…

Cardozo – Há uma diferença jurídica substantiva. Um processo criminal é diferente de um processo de impeachment, mas ambos exigem certos pressupostos. No processo de impeachment, eu tenho de ter fatos imputáveis e na época [do ex-presidente Collor] havia fatos imputáveis a ele. Hoje não há. Não existem fatos nem sequer plausíveis de uma análise contra a presidente.

UOL – O governo teme as consequências dos protestos deste domingo?

Cardozo – Um governo que teme manifestações feitas dentro das regras democráticas não é um governo democrático. Não há o que temer diante da democracia. Só pessoas de cunho autoritário podem temer a democracia.

UOL – Líderes do PT como Alberto Cantalice e José Américo disseram que o panelaço da semana passada havia sido orquestrado por setores golpistas da sociedade. Como membro do PT, essa é a sua opinião?

Cardozo – Nesse momento eu estou falando como ministro da Justiça e não como membro de um partido, do qual me orgulho. Como ministro da Justiça, manifestações que não desrespeitem a ordem são legítimas. O mérito das manifestações, as causas, as razões pelas quais são feitas essa é uma questão que devem competir aos partidos políticos.

UOL – O PT, associado a diversos movimentos sociais, organizou diversas manifestações com o slogan “Fora FHC”. Dói ver o PT enfrentar uma manifestação cujo mote é “Fora Dilma”?

Cardozo – A democracia não deve machucar ninguém. Acho um equívoco profundo das pessoas defenderem impeachment logo após o processo de eleição democrática sem nenhuma base jurídica. Tem cheiro de golpe pedir o impeachment. Acho muito triste que pessoas que tenham comprometimento democrático e lutaram pela democracia no Brasil, hoje lutem por essa bandeira, seja diretamente ou de forma oculta, cabotina.

UOL – O senhor se posicionou contra agentes que estariam incitando ódio e violência durante as manifestações, mas o ex-presidente Lula disse que, se precisasse, a militância também saberia brigar. Essa declaração ajuda a acalmar os ânimos?

Cardozo – O presidente Lula não falou algo que buscasse estigmatizar alguém ou tentar uma situação de ódio pelo simples fato de uma pessoa sustentar uma posição política. O que o presidente disse ali era uma postura de defesa. Era que o governo tinha militância. Quando ele usou a palavra exército, ele falava em militância política e não no sentido armado. Não vi na fala do presidente Lula nenhuma menção ofensiva ou que buscasse estigmatizar alguma pessoa com discurso de ódio. Ele disse que há militantes com uma causa e que estão dispostos a defender sua causa com suas ações, manifestações e com aquilo que a democracia permite.

UOL – Com pedidos de impeachment chegando ao Congresso, lhe preocupa a volatilidade da base governista nesse momento de tensão?

Cardozo – Não. Em todo processo democrático, há momentos de tensioamentos e destensionamentos das forças que dão apoio ao governo. Isso é dinâmico. Isso se altera de período pra período. O governo tem uma base de sustentação sólida no Congresso Nacional e de milhões de brasileiros que o elegeram nas últimas eleições e, portanto, não há temor quanto a isso.

UOL – O senhor acha que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), vai cumprir a promessa de não dar prosseguimento a pedidos de impeachment contra a presidente Dilma?

Cardozo – Acho que o Eduardo Cunha presidirá a Câmara com absoluta isenção em relação a isso.

Outras Notícias

Danilo Simões pode adotar nomes dos pais em campanha, revela Zé Negão

Um áudio do ex-vereador Zé Negão, que recentemente circulou em diversos grupos de WhatsApp na cidade, trouxe à tona uma estratégia política peculiar que promete agitar os bastidores eleitorais. Segundo as informações compartilhadas, Danilo Simões, pré-candidato a prefeito pela oposição de Afogados da Ingazeira, estaria considerando usar os nomes de seus pais como parte central […]

Um áudio do ex-vereador Zé Negão, que recentemente circulou em diversos grupos de WhatsApp na cidade, trouxe à tona uma estratégia política peculiar que promete agitar os bastidores eleitorais. Segundo as informações compartilhadas, Danilo Simões, pré-candidato a prefeito pela oposição de Afogados da Ingazeira, estaria considerando usar os nomes de seus pais como parte central de sua campanha eleitoral.

No áudio, Zé Negão comenta sobre uma pesquisa recente que apontou Danilo Simões com 14% das intenções de voto. O ex-vereador revela que agora o candidato surge como “Danilo de Giza e de Orisvaldo” e promete que o próximo levantamento mostrará um salto significativo na popularidade do pré-candidato.

“Vou deixar aqui só a título de cada um ficar na expectativa. Na última pesquisa Danilo Simões com 14%, ele bateu o centro e agora entrou Danilo de Giza e de Orisvaldo, a próxima pesquisa vocês vão ver o tamanho do salto viu. Se preparem, se cuidem pra não ter nego aí correndo a Sela nas costas”, alerta Zé Negão no áudio.

A possibilidade de Danilo Simões adotar os nomes de seus pais como parte integrante de sua campanha despertou a curiosidade e especulação entre os eleitores locais. Essa estratégia, caso seja confirmada, poderia ter o potencial de criar uma conexão mais pessoal e emocional com o eleitorado, destacando aspectos de sua história familiar.

Socialistas convocam aliados no Sertão para comício de Marina em Petrolina

A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, retorna ao estado para mais um ato político casado com a campanha de Paulo Câmara (PSB), que disputa o governo de Pernambuco pela Frente Popular. Na próxima terça-feira (23), a socialista visita os municípios de Petrolina (no Sertão) e Caruaru (no Agreste). E Petrolina, o […]

Rodrigo Lobo 2

A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, retorna ao estado para mais um ato político casado com a campanha de Paulo Câmara (PSB), que disputa o governo de Pernambuco pela Frente Popular. Na próxima terça-feira (23), a socialista visita os municípios de Petrolina (no Sertão) e Caruaru (no Agreste).

E Petrolina, o comício com Marina, Paulo Câmara, Raul Henry e Fernando Bezerra está sendo anunciado para as 19h no Bairro José e Maria. Para o evento, coordenadores de campanha de todo o Sertão do Estado estão convocando militantes inclusive na mídia de carro de som nas cidades. A ideia é de que haja caravanas de várias cidades sertanejas no ato.

Por isso, a estratégia agora é reforçar o interior. “Apesar da campanha está com um percentual muito bom, ainda precisamos investir em algumas regiões”, destacou o presidente estadual do PSB, Sileno Guedes. Marina virá a Pernambuco acompanhada do candidato a vice Beto Albuquerque (PSB-RS), que deixou a disputa pelo Senado no Rio Grande do Sul para compor a nova chapa presidencial do partido.

Vetado segundo médicos, Bolsonaro não vai a debate da Band

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, foi submetido a uma nova avaliação médica, na manhã desta quarta-feira (10), em sua casa na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Segundo o clínico cardiologista Leandro Echenique, a cirurgia completa hoje 34 dias e Bolsonaro está se recuperando, mas ainda não está […]

Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, foi submetido a uma nova avaliação médica, na manhã desta quarta-feira (10), em sua casa na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.

Segundo o clínico cardiologista Leandro Echenique, a cirurgia completa hoje 34 dias e Bolsonaro está se recuperando, mas ainda não está liberado para fazer campanha.

“Ele perdeu 15 quilos de massa muscular e ainda está fraco. Ele precisa de uma dieta de recuperação proteica.”, disse o médico, ressaltando que na próxima quinta-feira (18) Bolsonaro deve ir ao hospital e provavelmente será liberado para campanha e debates.

Está previsto para essa semana o debate entre os presidenciáveis Fernando Haddad (PT) e Bolsonaro na TV Band. A assessoria de imprensa do candidato do PSL confirmou que ele não participará do debate desta semana.

“Ele não pode fazer viagens, não pode fazer atividade física mais prolongada. Tem de ter um repouso relativo para a recuperação final dentro de casa. Ele pode sair de casa por períodos muito curtos. Ele tem o desejo de participar da campanha, mas no momento ainda não é recomendado”, disse o médico.

Macedo disse que a retirada da bolsa de da colostomia deve ocorrer depois do dia 12 de dezembro. “Ela pode ser retirada a partir de três meses da cirurgia, que ocorreu no dia 12 de setembro. Ele vai escolher a data. Essa cirurgia é muito mais simples e a recuperação é de duas semanas”, disse Macedo.

Avião da AirAsia pode ter sofrido explosão antes de cair na água

O avião da AirAsia que caiu no Mar de Java no dia 28 de dezembro provavelmente sofreu uma explosão antes de atingir a água, disse o diretor da agência nacional de busca e resgate da Indonésia nesta segunda-feira (12), após uma das duas caixas-pretas da aeronave ser retirada da água. As informações são da agência […]

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O avião da AirAsia que caiu no Mar de Java no dia 28 de dezembro provavelmente sofreu uma explosão antes de atingir a água, disse o diretor da agência nacional de busca e resgate da Indonésia nesta segunda-feira (12), após uma das duas caixas-pretas da aeronave ser retirada da água. As informações são da agência Reuters.

Segundo Resgate, S.B Supriyadi, os destroços encontrados indicam que houve uma mudança de pressão na aeronave antes de ela atingir a água, cuja causa provável é uma explosão.

“Minha análise é, baseada nos destroços encontrados e em outras informações, que o avião sofreu uma explosão antes de cair na água”, disse Supriyadi a repórteres.

Segundo ele, o lado esquerdo do avião parece ter se desintegrado, apontando para uma mudança de pressão que pode ter sido causada por uma explosão.

A informação, entretanto, foi questionada pelo Comitê Nacional de Segurança nos Transportes. “Não há nenhum dado que suporte este tipo de teoria”, disse  Santoso Sayogo, investigador do comitê.

Caixas-pretas
Uma das caixas-pretas do avião foi localizada neste domingo (11), e retirada da água nesta segunda.

“Recebi informação da Comissão Nacional de Segurança dos Transportes (KNKT), (dizendo) que, às 7h11 (horário local), conseguimos recuperar parte da caixa-preta com as gravações dos dados sobre o voo”, informou o chefe da equipe nacional de busca e resgate, Bambang Soelistyo.

O gravador de voz da cabine foi achado apenas algumas horas após a caixa-preta ser recuperada, e os investigadores acreditam que ele está em boas condições. O equipamento é vital para entender o que causou a queda do avião. (G1)

Ex-deputado Caio Nárcio morre de Covid-19

UOL O ex-deputado federal Caio Nárcio (PSDB-MG) morreu hoje (16) aos 33 anos em decorrência de complicações da covid-19, doença causada do coronavírus, em São Paulo. Caio Nárcio foi deputado federal entre 2015 e 2019, quando chegou a ser o presidente da Comissão de Educação da Câmara, e deixa a mulher grávida. Ele nasceu em […]

UOL

O ex-deputado federal Caio Nárcio (PSDB-MG) morreu hoje (16) aos 33 anos em decorrência de complicações da covid-19, doença causada do coronavírus, em São Paulo.

Caio Nárcio foi deputado federal entre 2015 e 2019, quando chegou a ser o presidente da Comissão de Educação da Câmara, e deixa a mulher grávida. Ele nasceu em Uberlândia e completaria 34 anos na próxima sexta-feira (21). Caio é filho de Nárcio Rodrigues, também ex-deputado federal pelo PSDB de Minas Gerais.

Ele estava internado no Hospital das Clínicas, em São Paulo, por causa de uma meningoencefalite e, na instituição, foi diagnosticado com o coronavírus. A informação foi confirmada pela assessoria do PSDB.

O PSDB lamentou a morte chamando-a de perda prematura. “Caio nos deixa muitos exemplos: luta e companheirismo. De bom caráter e boa índole é uma grande perda a vida pública! Nosso especial abraço a Nárcio Rodrigues”, afirma publicação no Twitter.

O presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, também se manifestou.