Destaque, Notícias

Coluna do Domingão

Por André Luis

90 anos de salário mínimo: a mão que protege contra a elite que explora

Por André Luis – Editor executivo do blog

O calendário não mente, mas a memória curta de alguns setores da sociedade brasileira tenta apagar o óbvio: se o trabalhador brasileiro hoje tem o direito de colocar comida na mesa e descansar no Natal, ele não deve isso à “bondade” do mercado, mas sim à luta histórica da esquerda e dos movimentos sindicais. Na semana que passou, o salário mínimo completou 90 anos de sua primeira semente legal. É um marco de sobrevivência em um país que ainda respira os ares do escravismo em suas elites financeiras.

A história é clara. O 13º salário, por exemplo, foi chamado de “desastre” pela direita da época. Em 1962, o então deputado federal João Goulart, que depois viria a sofrer um golpe apoiado por esses mesmos setores, sancionou a gratificação de Natal sob gritos de que “as empresas iriam quebrar”. Não quebraram. Pelo contrário, o comércio floresceu. “O trabalhador também precisava passar o Natal melhor”, já diziam as vozes da época que entendiam que economia se faz com consumo e dignidade, não com miséria.

Enquanto os governos de esquerda, especialmente na era Lula e Dilma, institucionalizaram a Política de Valorização do Salário Mínimo, garantindo ganhos reais acima da inflação que retiraram milhões da linha da pobreza, a direita, quando teve o poder, agiu para desmontar. Não esqueçamos que, sob o comando de Jair Bolsonaro, o salário mínimo ficou anos sem aumento real, sendo apenas “corrigido” para não sumir de vez, enquanto a reforma trabalhista de Michel Temer prometia empregos e entregou apenas precarização e a figura do “trabalhador de aplicativo” sem direito a nada.

Até mesmo o FGTS, frequentemente citado como um “benefício” da ditadura, foi uma moeda de troca cruel: os militares deram o fundo para retirar a estabilidade no emprego que o trabalhador conquistava após dez anos de casa. A direita só entrega o anel para não perder os dedos.

Onde houve avanço social real, houve a digital de um governo progressista. O Bolsa Família, o maior programa de transferência de renda do mundo, unificou e ampliou benefícios para dar cidadania aos invisíveis. A PEC das Domésticas, que finalmente estendeu direitos básicos a uma categoria historicamente humilhada, veio de uma caneta progressista, sob os olhares tortos de uma classe média que se sentia “prejudicada” por ter que pagar o justo a quem limpa seu chão.

Celebrar os 90 anos do salário mínimo é celebrar a resistência. É a prova de que a democracia brasileira só respira quando o Estado intervém para equilibrar o jogo contra a ganância. Fora da esquerda e do trabalhismo, o que resta ao povo é a “liberdade” de morrer de fome com uma carteira de trabalho vazia nas mãos.

O “Terrorismo” do PIM

Em 1962, a direita dizia que o 13º salário causaria inflação galopante e falência em massa. Sessenta anos depois, o benefício é o que sustenta o comércio brasileiro no fim do ano. O medo é a arma de quem não quer dividir o bolo.

Domésticas: o fim da senzala

Foi apenas em 2013, com Dilma Rousseff, que as trabalhadoras domésticas conquistaram direitos básicos como FGTS e hora extra. A elite brasileira chiou. Para o progressismo, dignidade não é privilégio, é dever constitucional.

Foto: Sérgio Lima/Poder360

A farsa da flexibilização

A Reforma Trabalhista de 2017 prometeu o “pleno emprego” em troca da retirada de direitos. O resultado? Recordes de precarização, uberização e o retorno da fome. Sem Estado para proteger, o trabalhador é apenas uma engrenagem descartável.

Mínimo vital 

O salário mínimo não é um “custo”, é o maior instrumento de distribuição de renda do Brasil. Quando o governo de esquerda valoriza o mínimo, a economia gira da base para o topo. A direita prefere o contrário: o lucro no topo e a migalha na base.

Bolsa Família na história

O programa não é “esmola”, como dizem os detratores. É política de Estado que tirou o Brasil do Mapa da Fome da ONU em 2014. Dar dinheiro aos pobres movimenta a padaria, o mercado e a feira da esquina. É justiça social na veia da economia.

Memória curta e ambição larga

A manobra de João Campos para barrar Humberto Costa em 2022 é apenas mais um capítulo do pragmatismo frio do PSB de Pernambuco. É preciso refrescar a memória: essa é a mesma legenda que, sob a batuta da família Campos-Arraes, abandonou o projeto popular para apoiar Aécio Neves em 2014 e, dois anos depois, entregou votos decisivos para o golpe contra Dilma Rousseff. O “sacrifício” de Humberto para viabilizar Alckmin na vice de Lula não foi um gesto de união, mas uma imposição de quem prioriza o trono regional e o projeto pessoal de 2030 acima da coerência ideológica. No Recife, o PSB senta no sofá da esquerda, mas historicamente não hesita em dar a mão à direita quando o assunto é poder.

Vandalismo Institucional em Serra Talhada

O que deveria ser um dia de celebração pela casa própria no Residencial Vanete Almeida transformou-se em um espetáculo deprimente de falta de educação política. Segundo informações do blog do Júnior Campos, um grupo ligado à prefeita Márcia Conrado montou um cerco de vaias e tumulto para tentar silenciar a governadora Raquel Lyra. É inaceitável que o palanque institucional, pago com dinheiro público, seja sequestrado por “claque” política para constranger autoridades. A política pequena, que prefere o grito ao diálogo, é um câncer que corrói a democracia. No fim, a vergonha ficou com quem trocou a compostura pelo populismo rasteiro.

Nota 1.000

Enquanto o esgoto das redes sociais, alimentado por uma elite ignorante do Sul e Sudeste, insiste no mito criminoso de que o nordestino é “atrasado” ou “burro”, a realidade dos fatos dá uma bofetada no preconceito. Nesta semana, os recifenses Wellington Ribeiro e Caio Silva Braga calaram os xenofóbicos ao atingirem a nota 1.000 na redação do ENEM. Não é sorte, é resistência e intelecto. Em um país que historicamente concentra recursos no Sudeste, Pernambuco segue exportando mentes brilhantes que dominam a norma culta e o pensamento crítico. A “burrice”, na verdade, pertence a quem, em pleno 2026, ainda não entendeu que o Nordeste é o farol intelectual do Brasil. Respeitem o nosso sotaque e, acima de tudo, a nossa caneta.

Não será desta vez

Mais uma vez, o vereador Raimundo Lima deve assistir de fora à disputa pela presidência da Câmara de Afogados da Ingazeira. O parlamentar, que já disse publicamente que “é mais difícil ser presidente da Câmara de Vereadores do que prefeito”, parece acumular evidências para sustentar a própria tese.

Raimundo insiste na existência de um acordo com o atual presidente, Vicentinho Zuza, que lhe garantiria o comando da Casa no segundo biênio. O problema, como já ficou claro nos bastidores e nas entrevistas, é que o entendimento não passou pelo plenário. Faltou combinar com os vereadores.

Colegas de Câmara têm repetido que não houve pacto coletivo e que a presidência não se resolve por “palavra de honra”, mas por maioria de votos. O próprio Vicentinho já afirmou que o nome precisa ser o da maioria, não o de um acordo restrito.

Enquanto Raimundo segue levantando a bandeira da “palavra”, o jogo real continua sendo jogado no campo dos votos. E, ao que tudo indica, não será desta vez que o vereador sentará na cadeira principal da Casa.

Frase da semana

“Se a gente não for esperto, a mentira vencerá a verdade”.

Do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em discurso nesta sexta-feira (16) em evento sobre os 90 anos do salário mínimo na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro.

Outras Notícias

PT, PCdoB e PV anunciam apoio à reeleição de Hugo Motta na presidência da Câmara

A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, anunciou apoio à reeleição do deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara dos Deputados. A decisão foi comunicada nessa terça-feira (27), dois dias após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e integra uma articulação entre partidos de […]

A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, anunciou apoio à reeleição do deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara dos Deputados. A decisão foi comunicada nessa terça-feira (27), dois dias após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e integra uma articulação entre partidos de esquerda e de centro para a próxima legislatura.

Com a adesão das três siglas, Motta passa a contar com o apoio declarado de 15 partidos, que somarão 354 deputados federais a partir de 2027. Para conquistar a presidência da Câmara, será necessário obter pelo menos 257 votos, maioria absoluta dos 513 parlamentares. A eleição está prevista para fevereiro do próximo ano.

Além de PT, PCdoB e PV, integram o grupo de apoio União Brasil, PP, PSD, MDB, Podemos, PSDB, Cidadania, Solidariedade, PRD, Republicanos, PDT e PSB.

Segundo o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), a decisão busca construir uma base parlamentar capaz de garantir a governabilidade durante o quarto mandato de Lula e permitir o avanço de propostas defendidas pela federação.

“Essa composição é estratégica para os próximos quatro anos”, afirmou Uczai, ao destacar a necessidade de articulação entre o governo e os partidos que integram o bloco.

A movimentação também tem como objetivo dificultar uma eventual candidatura do Partido Liberal (PL) à presidência da Câmara. A legenda de Flávio Bolsonaro elegeu 121 deputados federais e terá a maior bancada da Casa na próxima legislatura.

A líder do PCdoB, Jandira Feghali (RJ), afirmou que uma das prioridades da articulação é impedir que o PL conquiste o comando da Câmara ou do Senado.

Segundo a parlamentar, a aproximação com partidos de centro faz parte de uma estratégia para garantir a estabilidade institucional e a tramitação de propostas consideradas prioritárias pelas legendas.

A formação do bloco também terá consequências na distribuição dos cargos da Mesa Diretora e no comando das comissões permanentes. Pelo Regimento Interno da Câmara, o tamanho das bancadas e dos blocos partidários influencia a ordem de escolha dessas posições.

Caso permaneça fora da articulação, o PL poderá perder espaço na definição dos postos mais disputados. A legenda deverá discutir sua posição em uma reunião da bancada prevista para a próxima semana.

Embora o conjunto dos partidos que declararam apoio a Motta reúna deputados em número superior ao necessário para sua reeleição, o resultado ainda dependerá da votação entre os parlamentares em fevereiro.

Fonte: Diário de Pernambuco
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

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Alunos da EREM Rosete, em Iguaracy, denunciam calor nas salas e ameaçam paralisação a partir de 3 de novembro

O Grêmio Estudantil da Escola de Referência em Ensino Médio Professora Rosete Bezerra de Souza, em Iguaracy, divulgou uma carta aberta cobrando providências para melhorar as condições das salas de aula. Os estudantes relatam dificuldades provocadas pelas altas temperaturas e anunciam uma possível paralisação das atividades presenciais a partir de 3 de novembro, caso não […]

O Grêmio Estudantil da Escola de Referência em Ensino Médio Professora Rosete Bezerra de Souza, em Iguaracy, divulgou uma carta aberta cobrando providências para melhorar as condições das salas de aula. Os estudantes relatam dificuldades provocadas pelas altas temperaturas e anunciam uma possível paralisação das atividades presenciais a partir de 3 de novembro, caso não sejam apresentadas soluções.

No documento, dirigido à comunidade escolar e à Gerência Regional de Educação (GRE) do Sertão do Alto Pajeú, o grêmio afirma que o calor tem prejudicado estudantes e professores, principalmente durante o período da tarde.

Segundo os representantes estudantis, as temperaturas elevadas comprometem a concentração, a disposição e as condições necessárias ao desenvolvimento das atividades escolares.

A carta informa que a unidade possui aparelhos de ar-condicionado instalados, mas os equipamentos ainda não podem ser utilizados devido à ausência de forro de PVC em algumas salas e às condições da estrutura elétrica.

Outro problema apontado é a reforma pela qual a escola está passando. De acordo com o grêmio, parte das janelas permanece parcial ou totalmente coberta por tapumes, dificultando a circulação de ar e aumentando a sensação de calor dentro das salas.

Os estudantes ressaltam que a manifestação não busca responsabilizar a direção ou os profissionais da escola. O documento reconhece que determinadas decisões e autorizações dependem de instâncias superiores à gestão da unidade.

Cobrança à GRE

Na carta, o Grêmio Estudantil O Recomeço informa que já encaminhou a reivindicação à Gerência Regional de Educação do Sertão do Alto Pajeú, mas afirma que não recebeu resposta até a divulgação do documento.

Diante da situação, os estudantes cobram um posicionamento da GRE e a apresentação de medidas concretas para melhorar as condições das salas.

Entre as alternativas defendidas estão a viabilização do funcionamento dos aparelhos de ar-condicionado e, enquanto o problema não for resolvido, a adoção de medidas provisórias, como a redução da carga horária.

O grêmio também informou que, caso não haja resposta e encaminhamentos efetivos, os estudantes pretendem iniciar uma paralisação das atividades presenciais na próxima terça-feira, 3 de novembro.

A mobilização é apresentada como uma medida para reivindicar condições adequadas de ensino e aprendizagem. Os representantes estudantis afirmam que continuam abertos ao diálogo para evitar a interrupção das aulas.

Foto: Reprodução

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Após escala no Equador, avião com Flávio Bolsonaro decola para Miami; chegada está prevista para as 10h40

O avião que transporta o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sua família decolou do Equador em direção a Miami, nos Estados Unidos, às 6h22 desta quarta-feira (28), no horário de Brasília. Segundo informações divulgadas pelo G1, a previsão é de que a aeronave chegue ao aeroporto Opa-locka Executive por volta das 10h40. A aeronave, identificada […]

O avião que transporta o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sua família decolou do Equador em direção a Miami, nos Estados Unidos, às 6h22 desta quarta-feira (28), no horário de Brasília. Segundo informações divulgadas pelo G1, a previsão é de que a aeronave chegue ao aeroporto Opa-locka Executive por volta das 10h40.

A aeronave, identificada pela matrícula LV-JQW, havia pousado às 5h46 em Guayaquil, no Equador, para uma breve escala. O trajeto começou na Argentina e passou pelo espaço aéreo do Paraguai, da Bolívia e do Peru, sem sobrevoar o território brasileiro.

Flávio deixou o Brasil acompanhado da esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e das duas filhas, Carolina e Luiza. A passagem da família pela Argentina foi confirmada oficialmente pela Direção Nacional de Migrações do país.

De acordo com o órgão, o grupo atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Puerto Iguazú, na Argentina, às 22h50 de terça-feira (27).

As autoridades argentinas informaram que os quatro apresentaram documentos válidos e não encontraram impedimentos para a entrada no país. Cerca de 40 minutos depois, a família embarcou em um voo particular operado pela empresa Baires Fly, com destino ao Equador.

A confirmação do trajeto contraria informações divulgadas por aliados de Flávio ao longo de terça-feira, quando afirmaram que o senador já havia chegado aos Estados Unidos. Os registros oficiais indicam que ele ainda estava na Argentina naquela noite.

Segundo a reportagem, uma fonte de alto escalão do Departamento de Estado americano informou, na terça-feira, que o governo de Donald Trump concederia vistos ao senador e à família.

Fonte: Diário de Pernambuco
Foto: Mauro Pimentel/ Reprodução TV Globo

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Aliados mentiram sobre Flávio para enganar autoridades. Senador ficou até 22h50 no Brasil

Agora, a suspeita é de que aliados enganaram imprensa e autoridades ao dizer que não sabiam de seu paradeiro. Flávio só saiu da mansão em Brasília por volta das 19h de terça-feira (27), em um comboio. Flávio entrou no país às 22h50, cruzando a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu. Às 23h30, embarcou […]

Agora, a suspeita é de que aliados enganaram imprensa e autoridades ao dizer que não sabiam de seu paradeiro.

Flávio só saiu da mansão em Brasília por volta das 19h de terça-feira (27), em um comboio. Flávio entrou no país às 22h50, cruzando a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu. Às 23h30, embarcou em um voo privado da Baires Fly com destino a Guayaquil, no Equador. Já pousou lá.

O empresário Simón Levy, que se apresenta como aliado de Donald Trump afirmou que Flávio já estava nos EUA e atribuiu a articulação ao secretário de Estado Marco Rubio. Chamou a movimentação de “Operação Alba”. Era mentira pra desviar as atenções.

No Brasil, Rogério Marinho e aliados diziam não saber onde Flávio estava. “Vocês devem saber mais que a gente”, disse Marinho de forma irônica aos jornalistas.

A suspeita é de que tudo fez parte de um grande plano para driblar as atenções da imprensa enquanto Flávio armava a fuga. Agora, a apuração deve buscar saber quem o ajudou entre políticos do PL, aliados e até possivelmente agentes federais e de fronteira.

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Apoio a Flávio Bolsonaro já é explorado por adversários de Trump em meio às eleiçoes nos EUA

A fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos sob a proteção de Donald Trump virou mais um ativo para os Democratas, favoritos a terem maioria do controle da Câmara dos Representantes e no Senado nas eleições de meio de mandato em 3 de novembro. A desaprovação do presidente dos Estados Unidos atingiu níveis recordes […]

A fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos sob a proteção de Donald Trump virou mais um ativo para os Democratas, favoritos a terem maioria do controle da Câmara dos Representantes e no Senado nas eleições de meio de mandato em 3 de novembro.

A desaprovação do presidente dos Estados Unidos atingiu níveis recordes negativos, variando entre 65% e 68%. A insatisfação com sua gestão e índices econômicos é motivo de guinada na votação. Trump corre sério risco de perder o controle das duas casas e não ter os mesmos poderes quase monárquico de hoje.

E a decisão de abrigar Flávio Bolsonaro já é explorada. O deputado democrata norte-americano Joaquin Castro disse ontem que “perder uma eleição não é motivo para asilo”. Ele também declarou que Flávio Bolsonaro é investigado no Brasil por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, e questionou se o governo Trump teria ajudado o senador a deixar o país em desacordo com a legislação brasileira.

Na opinião pública americana, esse pode ser mais um episódio que denuncia a conduta de Trump.

Estratégia

Trump usa o caso para mentir e acusar o processo eleitoral no Brasil como suspeito, para atacar a eleição americana, onde pode perder e busca o mesmo argumento de 2020, quando perdeu a reeleição para Joe Biden.

Aqui, o partido de Flávio, Tarcísio de Freitas, Rogério Marinho e o Presidente do STF, Kassio Nunes Marques, aliado dos Bolsonaro, já reconheceram a derrota e a lisura do processo. Chefes de Estado e organismos internacionais também. Ou seja, vai colar muito menos que as queixas de “prisão política” sobre Bolsonaro.

Trump deve ser pressionado, mas não deve recuar. E a decisão pode lhe custar votos. Outra questão é que o seu mandato termina em 20 de janeiro de 2029. Se for substituído por um Democrata ou mesmo um Republicano moderado, o apoio e abrigo aos Bolsonaros pode estar com os dias contados.

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