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Coluna do Domingão

Por Nill Júnior

A cacetada de Alexandre de Moraes: “a Internet deu voz a imbecis”.

O mais odiado ministro do Supremo Tribunal para os militantes de direita, Alexandre de Moraes, afirmou, durante discurso em evento da Associação dos Magistrados Brasileiros em Salvador que a democracia no Brasil será garantida por meio de votação limpa e transparente, com as urnas eletrônicas.

“Vamos garantir a democracia no Brasil com eleições limpas, transparentes e por urnas eletrônicas. Em 19 de dezembro, quem ganhar vai ser diplomado nos termos constitucionais, e o Poder Judiciário vai continuar fiscalizando e garantindo a democracia”, assegurou Moraes.

Durante as eleições, que acontecem em outubro deste ano, o ministro será presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ainda em seu discurso no Congresso Brasileiro de Magistrados, em Salvador, ele falou sobre as “milícias digitais” que atacam a mídia tradicional na tentativa de fazer o povo duvidar da credibilidade dos meios de comunicação, que, segundo ele, são um dos três “sustentáculos da democracia”. “Como não dá para atacar o povo, começaram a atacar os instrumentos que garantem a democracia”, disse.

“As milícias digitais produzem conteúdo falso, notícias fraudulentas, e têm o mesmo ou mais acesso que a mídia tradicional”, destacou. “A internet deu voz aos imbecis”, esbravejou .

E disse mais: “Hoje qualquer um se diz especialista, veste terno, gravata, coloca painel falso de livros (como plano de fundo nos vídeos) e fala desde a guerra da Ucrânia até o preço da gasolina, além de atacar o Judiciário”, pontuou.

Alexandre de Moraes discursou por cerca de 30 minutos e falou também que o Poder Judiciário não vai “se acovardar” diante dos movimentos populistas que são contra a democracia.

“De quatro em quatro anos tem eleições, e essas milícias digitais sabem disso. O Poder Judiciário não pode e não vai se acovardar, eu tenho absoluta certeza disso. O Poder Judiciário não pode e não vai se acovardar perante essas agressões”, garantiu o ministro do STF.

Ele ainda ressaltou que os magistrados têm grande responsabilidade na manutenção da democracia. “Cada um de nós, isso não é só o Supremo Tribunal Federal, não são só os tribunais superiores, cada um de nós magistradas e magistrados, cada um de nós tem a sua responsabilidade para garantir que o país continue essa democracia”, ressaltou.

Não há santidade em Alexandre,  como em nenhum dos ministros do Supremo.  Mas ele nunca esteve tão certo sobre os imbecis, os idiotas que nos cercam. Aliás,  Moraes na presidência das eleições é o prato feito que muitos deles queriam, para alimentar suas não menos anencéfalas teorias da conspiração.  Com medo da falta que lhe fazem os votos, apelam ao tapetão.

Nelson Rodrigues nunca foi tão atual: “Os idiotas perderam a modéstia, a humildade de vários milênios. Eles estão por toda parte. São os que mais berram”.

Quando assume

O ministro Alexandre de Moraes  comandará o TSE a partir de 17 de agosto. Vai conduzir a eleição mais tensa desde a redemocratização.

Pra onde vai Manuca

A ida de André de Paula e Sebastião Oliveira (a confirmar) para o palanque de Marília Arraes deixou o prefeito de Custódia,  Manuca (PSD) em saia justa. Mas, garante o gestor à Coluna: “sigo votando em quem Paulo Câmara indicar”.

“Ô Armandinho”…

Conhecido como a voz da Fulô de Mandacaru, Armando Barros, o Armandinho, esteve em Afogados neste sábado.  Andou na feira,  tomou caldo de cana com pastel e visitou José Patriota,  que também disputa mandato estadual.  Armandinho apoia Marília.   Patriota, Danilo.

Prioridades

Os eventos juninos com despejar de dinheiro público estão de volta. João Gomes, Safadão,  Gustavo Lima, Xand Avião e cia vão levar milhões.  O caso de Bom Conselho é só mais um. Na contramão,  aumentaram as famílias abaixo da linha de pobreza, para quem esse derrame de dinheiro público faria muita diferença.

Farra legal

Quão maiores os cachês, mais margem para maracutaia que ao menos teve freio na pandemia.  A lei e órgãos de controle já deveriam ter uma regra que limitasse a farra. Sem falar na total descaracterização da tradição junina, onde nossos maiores porta vozes ficam com a migalhada …

O palanque 

Luciano Duque caminha para uma campanha solitária em Serra Talhada.  Isso porque não pisa no palanque de Márcia Conrado,  alinhada com Câmara, Danilo e Teresa Leitão. E fica a pergunta: Márcia pedirá votos pra Duque assistida pelos “petêsocialistas” nos atos de campanha?

Menos ruim

Uma compilação feita pelo O Globo com base nas últimas pesquisas mostra que o presidente Jair Bolsonaro (PL), tem mais de 50% de rejeição. Lula (PT) tem 37%. Vai ganhar o menos odiado. Por isso para analistas,  rejeição conta mais que intenção de voto.

A novidade

Em entrevista à Rádio Clube, Miguel Coelho (UB), afirmou que um fato novo deverá surgir no bloco oposicionista até o final do mês de maio. “A estratégia montada por nós é para uma mudança”. Qual será?

Inversão de valore$

No dia em que Wellington Maciel anunciava a pomposa programação junina de Arcoverde, o PT local estampava a imagem de um portador de necessidade especial se banhando com água de esgoto, a poucos metros de um Centro de Vigilância em Saúde. “Pra quem governam os governantes de nossa cidade?” – perguntou a legenda.

Direito à informação 

O protecionismo governista gera excessos. Por exemplo: qual o problema em cobrar ao Secretário de Saúde Arthur Amorim sobre em que pé está o inquérito administrativo das vacinas adultas aplicadas em crianças? É direito saber seja qual for a etapa da investigação. Falando nisso,  em que pé está?

Frase da semana:

“No Brasil de hoje, quem põe em dúvida o processo eleitoral é porque não confia na democracia”.

Do Presidente do TSE, Edson Fachin, sobre a ridícula tentativa de levantar suspeição sobre as urnas eletrônicas e o processo eleitoral.

Outras Notícias

Arcoverde avança mais uma etapa para conquistar Faculdade de Medicina

A prefeita de Arcoverde, Madalena Britto, participou nesta terça-feira (02) no Ministério da Educação, em Brasília, de uma audiência que discutiu o procedimento de instalação da Faculdade de Medicina na cidade. Durante a reunião foi aprovada mais uma etapa do processo, que começou desde que a Prefeitura fez adesão ao Programa Mais Médico do Governo Federal. […]

IMG_9901A prefeita de Arcoverde, Madalena Britto, participou nesta terça-feira (02) no Ministério da Educação, em Brasília, de uma audiência que discutiu o procedimento de instalação da Faculdade de Medicina na cidade.

Durante a reunião foi aprovada mais uma etapa do processo, que começou desde que a Prefeitura fez adesão ao Programa Mais Médico do Governo Federal. Agora, o Ministério da Educação vai enviar técnicos que vão visitar o município e estudar a viabilidade e conhecer o possível local onde a faculdade seria construída.

Madalena comemorou  e afirmou que tem acompanhado de perto todo o andamento desta escolha.  “Estou confiante que vai dar tudo certo e ainda vamos comemorar a abertura do curso no município”.

Atrasos em repasses e “igreja histórica no meio do caminho” travam Transnordestina

Novo atraso para inauguração e mais gastos com a ferrovia. Essas foram as principais novidades apresentadas na reunião da Comissão que apura a situação das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com o diretor de Operações da Transnordestina Logística S.A. (TLSA), Edison Pinto. O debate sobre o atraso na ferrovia que cortará os […]

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Novo atraso para inauguração e mais gastos com a ferrovia. Essas foram as principais novidades apresentadas na reunião da Comissão que apura a situação das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com o diretor de Operações da Transnordestina Logística S.A. (TLSA), Edison Pinto. O debate sobre o atraso na ferrovia que cortará os estados de Pernambuco, Ceará e Piauí ocorreu no final da tarde desta terça-feira (07), na Assembleia Legislativa.

O representante da TLSA apresentou dados sobre o andamento da obra, que hoje estaria com seis mil operários mobilizados e 52% concluída. O diretor garantiu que a concessionária tem todas as condições para terminar a obra até julho de 2018. Contudo, esse prazo, que já ultrapassa em oito anos o cronograma inicial, ainda pode ser mais alongado devido ao fluxo de repasses de crédito do Governo Federal. “Não há impedimentos de engenharia para concluirmos o projeto. O obstáculo é a captação de recursos”, afirmou Edison Pinto durante a reunião.

O diretor ainda informou que a obra passou por nova atualização orçamentária e agora está prevista em R$ 11,2 bilhões. Quando foi lançada pelo Governo Federal, o valor previsto para a Transnordestina era de R$ 4,5 bilhões.

Para o presidente da Comissão do PAC, deputado Miguel Coelho, os esclarecimentos foram importantes, mas o impasse sobre prazos e andamento das obras preocupa. “Vimos que a concessionária tem total interesse em concluir o empreendimento o quanto antes, mas depende da capacidade do Governo Federal em agilizar os créditos. Diante do que foi dito na reunião e se o quadro não melhorar iremos procurar as bancadas federal e estadual para pressionar. Essa ferrovia é muito importante para o estado e para o Nordeste e não podemos deixar que novos impasses travem a obra.”

 Igreja São Luiz Gonzaga
Igreja São Luiz Gonzaga

Igreja no meio do caminho – Apesar de garantir que a maior parte da ferrovia construída em território pernambucano está construída (400 km), o diretor reconheceu que a intervenção permanece paralisada na altura de Custódia por conta de um processo de tombamento histórico da Igreja São Luiz Gonzaga. “Não esperávamos encontrar uma igreja no meio do caminho”, disse o diretor da TLSA ao confirmar que o planejamento original da ferrovia não identificou a existência do templo religioso com mais de 300 anos.

A concessionária, entretanto, assegura que já definiu um traçado alternativo para retomar a construção dos trilhos em direção ao Porto de Suape. “Vamos tentar mobilizar e, depois da ordem de serviço, queremos concluir o trecho de Custódia a Suape em 30 meses”, afirmou Edison Pinto.

Afogados: Prefeitura inaugurou rua no Bairro São Francisco

A Prefeitura de Afogados da Ingazeira já concluiu a pavimentação/calçamento de quase oitenta ruas, becos e travessas em todo o município, segundo levantamento enviado ao blog. A meta é chegar às 100 ruas pavimentadas até o final da gestão, segundo nota. A 16ª rua o São Francisco foi inaugurada no último final de semana pelo […]

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Informações/fotos: Ascom

A Prefeitura de Afogados da Ingazeira já concluiu a pavimentação/calçamento de quase oitenta ruas, becos e travessas em todo o município, segundo levantamento enviado ao blog. A meta é chegar às 100 ruas pavimentadas até o final da gestão, segundo nota.

A 16ª rua o São Francisco foi inaugurada no último final de semana pelo Prefeito José Patriota, a Rua João Batista do Nascimento, antiga Travessa Sete de Setembro, protagonista de inúmeras reclamações nos veículos de comunicação afogadenses.

O calçamento atendeu a um requerimento do Vereador Igor Mariano. O novo nome da rua foi projeto do Vereador Cícero Miguel. Ambos com expressiva votação no bairro. Foram 1.029 m² de calçamento em paralelo, a um custo de 110 mil Reais, recursos originários de emenda do Deputado Gonzaga Patriota.

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A inauguração foi prestigiada pela renomada cantora afogadense, Maria da Paz. “Estou muito feliz com o que vejo quando chego a Afogados. Patriota tem feito um bom trabalho,” destacou a artista. O Prefeito Patriota aproveitou para convidar os presentes para novas inaugurações para este próximo final de semana. “Sexta estaremos inaugurando ruas no Bairro Padre Pedro Pereira e no sábado, vamos ao São Braz, inaugurar a pavimentação de duas ruas,” destacou o Prefeito.

Em pouco mais de um mês, a Prefeitura de Afogados da Ingazeira já inaugurou 11 novas ruas pavimentadas, sendo cinco no bairro Costa, três no Residencial Miguel Arraes, duas no São Braz e uma no São Francisco.

CPI da Pandemia ouve Wilson Witzel, ex-governador do Rio de Janeiro

Foto: Carlos Magno/Gov. do Estado do Rio de Janeiro A CPI da Pandemia ouve Wilson Witzel, ex-governador do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (16), a partir das 9h. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da comissão, e o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) são autores dos requerimentos de convocação de Witzel. Randolfe aponta como motivo para […]

Foto: Carlos Magno/Gov. do Estado do Rio de Janeiro

A CPI da Pandemia ouve Wilson Witzel, ex-governador do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (16), a partir das 9h. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da comissão, e o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) são autores dos requerimentos de convocação de Witzel.

Randolfe aponta como motivo para a convocação uma série de denúncias de que o ex-governador se beneficiou de um esquema de corrupção no início da pandemia. O requerimento do senador cita dados do Ministério Público Federal para apontar que Witzel recebia um percentual das propinas que eram pagas dentro da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro. 

Em setembro do ano passado, Witzel sofreu impeachment, com a Assembleia Legislativa do Estado registrando 69 votos a favor do afastamento e nenhum contrário.

Witzel havia entrado com um pedido de habeas corpus junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para ter o direito de decidir sobre seu comparecimento à CPI da Pandemia. A defesa do ex-governador argumentou que ele já é investigado e que a obrigação de ir à CPI seria um desrespeito a seu direito de não incriminação. 

O ministro Kássio Nunes Marques decidiu na véspera do depoimento que deixou Witzel livre para comparecer ou para responder as perguntas feitas pelos senadores. O vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), porém, afirmou que o ex-governador estará presente na comissão nesta quarta.

Wilson Lima

Na semana passada o STF concedeu um habeas corpus para o governador do Amazonas, Wilson Lima. Convocado pela CPI, ele conseguiu o recurso no Supremo e decidiu não comparecer à comissão. Seu depoimento estava marcado para a última quinta-feira (10). 

No habeas corpus, a defesa de Lima argumentou, entre outros pontos, que CPIs instaladas pelo Congresso Nacional possuem competência para fiscalizar a administração pública federal, sendo-lhe, portanto, vedado investigar a administração pública estadual e municipal.

O Senado, porém, recorreu da decisão, argumentando que Wilson Lima foi convocado como testemunha, e não como investigado; e que o depoimento perante a CPI não constitui ato de autodefesa, e sim ato de responsabilidade política, pois toda autoridade deve colaborar com a prestação de contas perante a sociedade.

Fonte: Agência Senado

Covid-19: Boletim indica um Brasil desigual frente à pandemia

O Boletim do Observatório Covid-19 Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira (24/2), analisa o conjunto de indicadores adotados para monitorar a evolução da pandemia, em suas diferentes fases.  O documento ressalta um quadro heterogêneo e desigual no Brasil com impactos no acesso à saúde e, sugere que qualquer discussão e decisão sobre o quadro atual e cenários […]

O Boletim do Observatório Covid-19 Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira (24/2), analisa o conjunto de indicadores adotados para monitorar a evolução da pandemia, em suas diferentes fases. 

O documento ressalta um quadro heterogêneo e desigual no Brasil com impactos no acesso à saúde e, sugere que qualquer discussão e decisão sobre o quadro atual e cenários futuros deve considerar tal disparidade na implementação de ações. 

“Nesse contexto, mais do que nunca, as políticas públicas do Estado brasileiro precisam estar em consonância com o objetivo da Constituição de 1988 de redução das desigualdades sociais e promoção do bem de todos, bem como com os princípios do [Sistema Único de Saúde] SUS de acesso universal à saúde, com equidade e integralidade nos cuidados”, apontam os pesquisadores. 

Observa-se que nem todos os espaços geográficos, territórios e populações vivenciaram a pandemia ao mesmo tempo e com a mesma intensidade. Este quadro é revelado pelos indicadores de casos, internações e óbitos registrados para Síndromes Respiratórias Agudas Graves e Covid-19, principalmente nos municípios mais distantes das capitais e mais pobres. A desigualdade se repetiu na disponibilidade e acesso aos leitos de UTI para Covid-19. 

Embora o cenário seja bastante promissor, tanto pela tendência de queda nos principais indicadores como pelo avanço da cobertura vacinal, o Boletim sublinha que a pandemia ainda não acabou, com necessidade de proteger a população mais vulnerável e, considera que dentre os mais expostos estão os adultos que não completaram o esquema vacinal, como também crianças e adolescentes. 

Os pesquisadores sugerem que políticas públicas de combate às fake news com busca ativa dos não vacinados, campanhas de vacinação nas escolas, maior oferta e possibilidades de vacinação, exigência do passaporte vacinal nos locais de trabalho públicos e privados, assim como em transportes, devem ser avaliadas. 

O Boletim recomenda que medidas de distanciamento físico, uso de máscaras e higienização das mãos sejam mantidas, mesmo em ambientes abertos, onde possa ocorrer concentração de pessoas. Por fim, os pesquisadores ressaltam que os cuidados e proteção continuam necessários no período de Carnaval e sugerem que festas privadas, bailes em casas de festas ou clubes só sejam realizadas com a exigência do comprovante de vacinação. 

Desigualdades estruturais

Os mais de 5,6 mil municípios do Brasil apresentam uma grande heterogeneidade, criada por diferenças estruturais, demográficas, geográficas, políticas e sociais. A análise destaca a coexistência de no mínimo dois Brasis, um do Norte e outro do Sul, e que, enquanto houver descontrole dos indicadores em um único município, a pandemia não terminará. 

“A política de saúde brasileira, no limite, deve garantir recursos universais, mas proporcionais ao nível de desvantagem relativa aos entes federativos. Não é possível pensar na mitigação da pandemia no Brasil como um todo utilizando indicadores globais do país sem um olhar atento para outras escalas”, aponta o Boletim.

Níveis de atividade e incidência de SRAG

Os dados referentes a Semana Epidemiológica (SE) 7, de 19 de fevereiro, divulgados pelo InfoGripe apontam para um declínio no número de casos de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG) no Brasil. 

A taxa nacional de incidência atualmente se encontra estimada pouco abaixo de 5 casos por 100 mil habitantes na média móvel. De acordo com o Boletim, a redução atual deve-se por múltiplos fatores, dentre os quais o fato de terem ocorrido muitos casos de Covid-19 pela variante Ômicron, pela vacinação, além de outros fatores. Apesar do balanço geral positivo, é preciso permanecer alerta e monitorar as próximas semanas. 

“Mesmo diante de um cenário de redução, os indicadores ainda são altos, de modo que muitas pessoas em situação de vulnerabilidade encontram-se em risco, diante de um evento de infecção, para uma possível evolução para caso grave”, explicam os pesquisadores. Nesse sentido, aumentar as coberturas vacinais com o esquema completo com duas doses de vacina ou dose única e avançar com a dose de reforço para as pessoas elegíveis são fundamentais.  

Casos e óbitos por Covid-19

O novo quadro epidemiológico, atribuído à circulação rápida e contagiosa da variante Ômicron em meio a uma grande parcela da população imunizada, indica uma alta taxa de incidência de Covid-19 na Europa, Sudeste Asiático, Américas do Sul e do Norte, mas uma maior letalidade da doença em países com baixa cobertura de vacinação. 

A taxa de letalidade por Covid-19 no Brasil, portanto, alcançou valores baixos e compatíveis com os padrões internacionais, de cerca de 0,8%, após vários meses oscilando entre 2% e 3%. 

Nesse sentido, o texto destaca que a ampliação da vacinação, atingindo regiões com baixa cobertura, e doses de reforço em grupos populacionais mais vulneráveis podem reduzir ainda mais os impactos da pandemia sobre a mortalidade e internações.

Perfil demográfico

Aspectos como o comportamento social e as intervenções diferenciadas de saúde pública entre crianças, adultos jovens e idosos durante a explosão de casos novos vivida no Brasil desde o final de 2021, somados ao cenário de tímido no avanço da vacinação de reforço entre idosos, assim como o início tardio da vacinação de crianças de 5 a 11 anos descrevem o comportamento de internações e óbitos ao longo desta fase da pandemia no Brasil. 

O que se observa é que a idade média das internações, assim como a mediana de idade, seja em leitos clínicos ou em terapia intensiva, segue crescendo ao longo das últimas semanas. Fenômeno semelhante ocorre com os óbitos, cujos indicadores de idade são sistematicamente mais altos que das internações. Os dados apontam que a população, principalmente a mais longeva, possui maior vulnerabilidade às formas graves e fatais da Covid-19. 

Segundo os pesquisadores, o ponto de mudança da Covid-19 de pandemia para endemia será definido a partir de muitos indicadores, e um deles é a letalidade. 

“Quando a ocorrência de formas graves que requerem internação seja suficientemente pequena para gerar poucos óbitos e não criar pressão sobre o sistema de saúde, saberemos que se trata de uma doença para a qual é possível assumir ações de médio e longo prazo, sem precisar contar com estratégias de resposta rápida”, explicam.

Leitos de UTI Covid-19 para adultos no SUS

Os dados relativos às taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no SUS obtidos na noite de 21 de fevereiro confirmam a tendência de melhora no indicador verificada na semana anterior, embora algumas taxas de ocupação de leitos ainda estejam elevadas. 

Das quatro unidades federativas que se encontravam na zona crítica (taxas iguais ou superiores a 80%) em 14 de fevereiro, o Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal permanecem nessa condição. 

Em 17 estados as taxas caíram pelo menos cinco pontos percentuais: Amazonas (54% para 32%), Pará (63% para 49%), Amapá (44% para 37%), Rondônia (74% para 59%), Mato Grosso (72% para 63%), Maranhão (47% para 38%), Piauí (77% para 68%), Rio Grande do Norte (80% para 49%), Paraíba (59% para 48%), Pernambuco (81% para 68%), Alagoas (60% para 40%), Bahia (70% para 58%), Espírito Santo (79% para 72%), Rio de Janeiro (52% para 46%), São Paulo (66% para 57%), Minas Gerais (39% para 35%) e Santa Catarina (71% para 60%). Três estados apresentaram queda muito expressiva: Rio Grande do Norte (31 pontos percentuais), Amazonas (22 pontos percentuais) e Alagoas (20 pontos percentuais).

Avanço da vacinação e distribuição de imunizantes

Segundo dados do MonitoraCovid-19, mais de 387 milhões de doses de vacinas foram administradas no Brasil, o que representa a imunização de 79,2% da população com a primeira dose, 71,3% com o esquema de vacinação completo e 26,4% com a dose de reforço. Sete estados apresentam mais de 80% da população vacinada com a primeira dose e nove têm mais de 70% com a segunda. 

O Boletim mostra que São Paulo apresenta o maior percentual de doses destinadas para reforço por estado. Amapá, Roraima e Maranhão apresentam cerca de 50% dos imunizantes destinados à primeira dose e as maiores diferenças entre primeira e segunda doses e, junto ao Pará, esses três estados apresentam os menores percentuais de doses destinadas ao reforço. 

Dados do Ministério da Saúde apontam que a vacinação em idosos apresenta o ciclo completo a nível nacional, para primeiras e segundas doses, com percentuais acima de 100%. Em relação à terceira dose, a faixa etária acima de 80 anos apresenta cobertura de 74%. Na população entre 70 e 79 anos a cobertura é de 80%. Entre 65 e 69 anos a cobertura para terceira dose é de 69% e, entre 60 e 64 anos, 57% das pessoas tomaram a terceira dose.

Distanciamento físico e o “novo normal”

O documento mostra que a população procura formas de voltar ao padrão de convívio social e atividades costumeiras do período anterior ao decreto da pandemia. 

Na ausência de diretrizes nacionais baseadas em critérios epidemiológicos, o distanciamento físico vem ocorrendo de forma irregular no Brasil. 

Diante da cobertura vacinal experimentada no país, os pesquisadores do Boletim afirmam que não é razoável recomendar o isolamento irrestrito na atual fase. 

Por isso, é recomendado que medidas de distanciamento físico, uso de máscaras e higienização das mãos sejam mantidas mesmo em ambientes abertos onde possa ocorrer maior concentração e aglomeração de pessoas – o que, embora não seja desejável, poderá acontecer no Carnaval. 

Além disso, o texto reforça que festas ou bailes em casas, clubes ou outros ambientes só sejam realizadas com comprovante de vacinação.