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Coluna do Domingão

Por Nill Júnior

A eleição do fim do mundo

O lançamento da mostra Rádio em Movimento e das comemorações dos 60 anos da ABERT, no Rio de Janeiro, teve um importante painel sobre cenários e tendências para as eleições 2022, apresentado pelo sócio da Patri Políticas Públicas, Rui Nogueira.

Com escritórios nas principais praças do país, a Patri é especializada em consultorias sobre tendências e cenários para grandes empresas do país. Rui é jornalista, Diretor Sênior da empresa, formado em jornalismo pela UFRJ. Gerencia a análise de cenário político, tendo ainda passado com destaque por redações de jornais como Estado de São Paulo e Folha de São Paulo em Brasília. Conhecer as perspectivas do Brasil até as eleições é importante para a radiodifusão, assim como para vários segmentos da economia.

O cenário pintado por Nogueira mostra o que pode ser definido como “a eleição do fim do mundo”. Isso porque indica a tendência de polarização de uma eleição histórica entre Lula e Bolsonaro, petismo contra bolsonarismo. E divide a eleição em dois atos, com duas eleições que podem ser totalmente diferentes, a do primeiro e a do segundo turno. Assim como já sinalizam as últimas pesquisas, há um quê de polarização e tudo pode acontecer.

Também foram destacadas as vantagens e limites das candidaturas de Lula e Jair Bolsonaro. O presidente tem a força da máquina a seu lado. Contra ele o momento da economia e a alta rejeição aferida nas pesquisas. Já o ex-presidente tem um capital eleitoral que já o garante no segundo turno. Mas há outros indicativos que provam, pode ter chegado ao teto. E o segundo turno será uma eleição nova, totalmente diferente do primeiro. E um dado indica que o antipetismo é ligeiramente maior que o lulismo.

Outras certezas colocadas na análise. A terceira via terá muitas dificuldades de furar a bolha da polarização. Sérgio Moro já é tido como um pato morto, diante da falta de estrutura partidária e apoio. João Dória também não deve ir muito longe, sem unanimidade sequer em seu partido, o PSDB. Simone Tebet e Ciro Gomes não miram o Lula. Tentam minar Bolsonaro para enfrentar o petista no segundo turno.

Para quem reclama desse ciclo de Bolsonaro, uma vitória do presidente poderá pintar um governo ainda mais complexo. Isso porque, diz a análise do consultor, ele não precisará fazer negociação ou uma grande coalisão política, tendo sido reeleito. Um sinal é a insistência para emplacar o militar Braga Neto na vice, afastando a possibilidade de um nome do Centrão. O único mote de sua campanha será o antipetismo. E só.

Outro cenário pintado e muito complexo é o de 2023. Ele chega a dizer que 2023 será um “ano infernal”, porque diante do desequilíbrio fiscal, o Auxílio Brasil só tendo dinheiro até dezembro, inflação galopante e outros fatores econômicos, quem assumir não terá outra opção a não ser promover uma medida tributária radical predatória. Temas como a volta da CPMF e tributação de dividendos voltarão à pauta. Vai ser um ano ainda mais desafiador que 2022. Esse é um dos problemas desse processo. Presidenciáveis tem falado á nação como se os problemas do país fossem resolvidos com o toque de uma varinha de condão. Mas o buraco é mais embaixo.

Voltando à polarização, de fato, as pesquisas parecem indicar isso. Em 24 de março, conforme levantamento do colunista da Veja, Matheus Leitão, o Datafolha mostrou Lula com 43% das intenções de voto em um primeiro turno contra 26% de Bolsonaro. No levantamento anterior do Datafolha, Lula tinha 48% dos votos, ou seja, caiu. Bolsonaro ganhou quadro pontos.

Em 6 abril o Ipespe mostrou Lula com 44% dos votos e Bolsonaro com 30% no primeiro turno. O levantamento anterior desse mesmo Instituto, divulgado em 25 de março, mostrava Lula com os mesmos 44% e Bolsonaro com 26%. Também nesse caso, o presidente ganhou quatro pontos.

No mesmo dia, pesquisa do Instituto Gerp mostrou um cenário ainda mais acirrado. Lula teria 37% dos votos contra 35% de Bolsonaro no primeiro turno. Um empate técnico preocupante para os petistas. O levantamento anterior do Gerp, divulgado em março, mostra Lula com 38% dos votos e Bolsonaro com 31%. Ou seja, o ex-presidente perde um ponto. Bolsonaro ganha quatro.

E dia 7 a pesquisa Genial/Quaest mostrou Lula com 45% dos votos e Bolsonaro com 31%. Em março, no levantamento anterior, Lula tinha 46% e Bolsonaro tinha 26% no primeiro turno. Ou seja, o petista caiu e o presidente subiu cinco pontos, uma evolução ainda maior do que nas três pesquisas apontadas acima. Resumindo, vem aí a eleição do fim do mundo.

Segundo

Dos 12 cenários eleitorais testados pelas pesquisas de intenção de voto publicadas ao longo desta semana, 11 apontam que a disputa pela Presidência da República avança para o segundo turno com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL). Em apenas uma das simulações, feita pelo Quaest, Lula vence no primeiro turno.

Buraqueira

Alguém precisa tirar Luiz Castro do DER da cadeira. A PE 320, no trecho entre Tabira e Afogados da Ingazeira tem nada mais nada menos que cerca de 90 buracos entre pequenos, médios e crateras. A situação do trecho é trágica, com vários relatos de prejuízos. Sem falar no mato tomando acostamento e pista. Novas rodovias são importantes, mas a conservação das que estão aí, fundamental.

Polêmica 1

O caso de violência entre alunos em uma competição dos Jogos Escolares na fase municipal será tema do Debate das Dez desta segunda, na Rádio Pajeú. Diretores de escolas e Gerência Regional de Educação discutem com a sociedade como cada um pode fazer para evitar que outros casos dessa natureza sejam registrados. Está provada a necessidade de maior integração entre escola e família.

Polêmica 2

Mães de crianças que tomaram a dose errada da vacina contra Covid-19 em 5 de abril também estarão no programa. Elas solicitaram ser ouvidas depois da nota da Secretaria de Saúde à imprensa e da entrevista do Secretário Arthur Amorim ao programa Rádio Vivo, da Rádio Pajeú.  Foram 42 crianças das escolas Monteiro Lobato e Padre Carlos Cottart. Outra informação é que a profissional que aplicou as doses, conhecida como Audenice do Mandacaru, falou pela primeira vez do episódio em uma rede social. O blog publica ainda hoje.

Test drive para 24

O fato político da semana foi a saída do ex-prefeito Luciano Duque do PT para disputar mandato pelo solidariedade. O mais interessante vai ser medir a votação de Danilo Cabral, que deve ser apoiado por Márcia Conrado, e Marília Arraes, apoiada por Duque, em Serra Talhada. Nos bastidores, a movimentação e o resultado são tidos como importantes para o jogo de cartas de outra eleição, a municipal de 2024. Até agora, Duque tem defendido o direito da gestora disputar a reeleição.

Trinca?

Perguntado sobre a possibilidade de sucesso dos três candidatos do Pajeú à ALEPE em entrevista à Rádio Pajeú, José Patriota brincou. “Rapaz, eu sei que eu chego. Não sei os outros dois”, referindo-se a Paulo Jucá (São José do Egito e Luciano Duque (Serra Talhada). Mas antes que gerasse manchete pra intriga, emendou: “podem chegar também, é um prazer grande. São boas pessoas. Me dou muito bem”, concluiu.

Frase da semana: “Essa questão já foi superada”.

De Danilo Cabral, em entrevista à Rádio Pajeú, sobre o seu voto pelo impeachment de Dilma Roussef. Novamente aliado de Lula e do PT, disse que não adiantará explorar o tema em campanha.

“Carlos Siqueira já reconheceu que houve um erro histórico na votação daquele processo”.

Outras Notícias

Aliados de Lula repercutem renúncia de presidente do Paraguai e comparam crise do Ueno Bank ao caso Master

A renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciada nesta quinta-feira (5), provocou reações de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociais. Parlamentares brasileiros associaram a crise política no país vizinho ao colapso do Ueno Bank, fizeram críticas a governos de direita na América Latina e estabeleceram comparações com o […]

A renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciada nesta quinta-feira (5), provocou reações de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociais. Parlamentares brasileiros associaram a crise política no país vizinho ao colapso do Ueno Bank, fizeram críticas a governos de direita na América Latina e estabeleceram comparações com o escândalo do Banco Master, no Brasil.

Peña anunciou sua saída após perder apoio político em meio às denúncias de irregularidades envolvendo o banco paraguaio. A instituição, que atendia aproximadamente três milhões de clientes, sofreu intervenção do Banco Central depois que foram identificados problemas em sua situação financeira.

O caso ganhou dimensão política porque Peña havia sido acionista de uma empresa ligada ao grupo controlador do Ueno Bank até março de 2025. A instituição também administrava centenas de milhões de dólares em recursos públicos, incluindo depósitos relacionados à Previdência Social.

Entre os políticos brasileiros que repercutiram a renúncia está o deputado federal Marcelo Freixo (PT-RJ). Ele classificou a saída de Peña como mais uma derrota de aliados do presidente norte-americano Donald Trump na América Latina e criticou a relação entre interesses financeiros privados e governos.

A ex-ministra da Igualdade Racial Anielle Franco também se manifestou. Ela prestou solidariedade aos paraguaios afetados pela crise bancária e questionou modelos econômicos que, em sua avaliação, favorecem grupos financeiros em prejuízo dos trabalhadores.

O deputado Alencar Santana (PT-SP) relacionou o episódio à atuação de governos de direita e mencionou os brasileiros que se mudaram para o Paraguai atraídos pelas condições econômicas do país.

Já a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) destacou a proximidade política de Santiago Peña com Donald Trump e com integrantes da família Bolsonaro. Para ela, a renúncia representa um revés para esse campo político na América do Sul.

A comparação com o Banco Master também entrou nas discussões. No Brasil, a instituição financeira de Daniel Vorcaro teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, após problemas financeiros e irregularidades identificadas pelo órgão regulador.

Embora os dois episódios envolvam instituições financeiras submetidas à intervenção das autoridades e suspeitas de irregularidades, os processos têm características e desdobramentos distintos. No Paraguai, a crise atingiu diretamente a Presidência em razão dos vínculos empresariais anteriores de Peña com o grupo controlador do banco.

A renúncia do presidente paraguaio ainda depende de apreciação pelo Congresso. Após o anúncio, a Câmara dos Deputados aprovou a abertura de um processo de impeachment. A definição sobre a saída definitiva e seus efeitos institucionais caberá ao Legislativo do país.

Peña não assumiu responsabilidade pelas irregularidades investigadas e afirmou que decidiu deixar o cargo para preservar a estabilidade política e institucional do Paraguai.

Fonte: O Globo/CBN
Foto: Brenno Carvalho

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TSE encerra processo sobre quebra de sigilos de Lula e Flávio Bolsonaro

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou o encerramento do processo que tratava da abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi publicada nessa quarta-feira (4) e extinguiu o pedido sem análise do mérito. Mendonça seguiu […]

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou o encerramento do processo que tratava da abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi publicada nessa quarta-feira (4) e extinguiu o pedido sem análise do mérito.

Mendonça seguiu o parecer do Ministério Público Eleitoral (MPE), que se manifestou pelo encerramento do procedimento. O entendimento é de que não cabe à Justiça Eleitoral determinar quais informações pessoais os candidatos devem tornar públicas.

Segundo a manifestação acolhida pelo ministro, “o que se quiser divulgar é escolha de cada um, e avaliar essa escolha cabe ao eleitor”.

O processo teve origem durante a campanha presidencial de 2026, após um desafio feito por Lula a Flávio Bolsonaro no primeiro debate entre os candidatos antes do segundo turno. Na ocasião, o petista propôs abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, desde que o adversário adotasse a mesma medida.

Em 18 de outubro, Lula anunciou que encaminharia ao TSE uma autorização para a divulgação de informações pessoais e de seus cinco filhos, condicionada à abertura dos dados de Flávio e de seus familiares.

Entre os dias 20 e 22 de outubro, as duas campanhas apresentaram documentos ao tribunal para autorizar a divulgação das informações. Flávio também concordou com a proposta, mas acrescentou exigências e solicitou que a abertura abrangesse registros dos últimos 20 anos.

As equipes dos candidatos chegaram a apresentar um pedido conjunto para que o TSE requisitasse os dados e providenciasse sua divulgação simultânea ao público.

Antes da eleição, André Mendonça já havia esclarecido que não existia impedimento legal para a divulgação voluntária dessas informações. Entretanto, afirmou que a Justiça Eleitoral não tinha a atribuição de organizar ou determinar a exposição dos dados.

Com a decisão publicada nesta semana, o procedimento foi encerrado sem que o tribunal determinasse a quebra dos sigilos. Nenhum dos dois candidatos chegou a divulgar voluntariamente os dados previstos no acordo.

O encerramento do processo não representa uma decisão sobre a existência ou inexistência de irregularidades financeiras envolvendo os políticos. A análise ficou restrita à competência da Justiça Eleitoral para atuar no pedido apresentado durante a campanha.

Fonte: Correio Braziliense
Foto: Ricardo Stuckert e Raul Spinassé

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Bolsonaro pede para receber Rogério Marinho e Tereza Cristina em meio à disputa pela presidência do Senado

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu, nesta quinta-feira (5), autorização ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que ele receba os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS). A solicitação ocorre em meio às articulações da oposição para a eleição da presidência do Senado, marcada para fevereiro de […]

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu, nesta quinta-feira (5), autorização ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que ele receba os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS). A solicitação ocorre em meio às articulações da oposição para a eleição da presidência do Senado, marcada para fevereiro de 2027.

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar em Brasília e depende de autorização judicial para receber os parlamentares. No pedido encaminhado ao STF, os advogados sugeriram que as visitas sejam realizadas preferencialmente às terças, quartas ou quintas-feiras, em datas definidas por Moraes e respeitando as condições de segurança estabelecidas.

Os dois senadores anunciaram a intenção de disputar o comando do Senado. Na quarta-feira (4), o PL confirmou a candidatura de Rogério Marinho, líder da oposição na Casa e ex-ministro do Desenvolvimento Regional durante o governo Bolsonaro.

Tereza Cristina, que comandou o Ministério da Agricultura na mesma gestão, também mantém sua pré-candidatura. A senadora, integrante do PP, afirmou que continua conversando com Marinho sobre a possibilidade de um entendimento entre os dois.

A preocupação de setores da oposição é evitar a divisão de votos entre candidaturas do mesmo campo político, o que poderia favorecer o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que pretende disputar a recondução ao cargo e conta com apoio do governo Lula.

Entre as alternativas discutidas está um possível acordo para que Marinho e Tereza Cristina se alternem na presidência da Casa, com um deles disputando a eleição de 2027 e o outro a de 2029. Até o momento, entretanto, não há definição sobre essa possibilidade.

Rogério Marinho também recebeu apoio público do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que anunciou sua candidatura durante uma transmissão realizada dos Estados Unidos, para onde viajou após a derrota na eleição presidencial.

A disputa pela presidência do Senado ocorre em um momento de reorganização das forças políticas no Congresso, com partidos da oposição buscando ampliar sua influência na próxima legislatura.

O pedido de visitas ainda depende de decisão de Alexandre de Moraes. A solicitação apresentada pela defesa não significa que os encontros estejam autorizados.

Fonte: O Globo
Foto: Reprodução

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Flávio Bolsonaro nega ter recebido ajuda na fuga para os EUA: “Vou levar para o túmulo”

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou ter recebido ajuda de governos estrangeiros para deixar o Brasil após sua derrota na eleição presidencial. Em entrevista ao jornal americano The New York Times, publicada nesta quinta-feira (5), o parlamentar afirmou que organizou a viagem por conta própria e declarou que não pretende revelar os detalhes de como […]

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou ter recebido ajuda de governos estrangeiros para deixar o Brasil após sua derrota na eleição presidencial. Em entrevista ao jornal americano The New York Times, publicada nesta quinta-feira (5), o parlamentar afirmou que organizou a viagem por conta própria e declarou que não pretende revelar os detalhes de como chegou aos Estados Unidos.

“Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”, afirmou o senador. Questionado sobre o trajeto até Miami, acrescentou: “Como cheguei aqui, vou levar isso para o túmulo”.

A versão apresentada por Flávio contrasta com informações obtidas pelo jornal junto a autoridades norte-americanas. Segundo a reportagem, um funcionário da Casa Branca teria providenciado o avião particular utilizado na viagem, enquanto a entrada do senador nos Estados Unidos teria sido autorizada diretamente pelo presidente Donald Trump.

Flávio deixou o Brasil em 27 de outubro, dois dias depois de perder o segundo turno da eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A viagem ocorreu após uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para que entregasse seus passaportes à Polícia Federal no prazo de 24 horas.

O senador não cumpriu a determinação e deixou o país pela fronteira entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Puerto Iguazú, na Argentina. De lá, seguiu em uma aeronave particular que fez escala no Equador antes de chegar a Miami, em 28 de outubro.

Na entrevista, Flávio afirmou que decidiu sair do Brasil após visitar o pai, Jair Bolsonaro, e ser informado sobre a ordem de entrega dos documentos. Segundo ele, a decisão foi tomada juntamente com a esposa, Fernanda Bolsonaro, sem participação de aliados ou autoridades estrangeiras.

O parlamentar também declarou acreditar que seria preso caso permanecesse no Brasil. Flávio é investigado em procedimentos relacionados a suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção, mas ainda não foi formalmente denunciado nesses casos. Ele nega irregularidades e atribui as investigações a uma suposta perseguição política.

Durante a conversa, o senador voltou a questionar o resultado da eleição presidencial, classificando sua derrota como matematicamente impossível, sem apresentar provas de fraude.

A vitória de Lula foi reconhecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e não foram apresentadas evidências de irregularidades capazes de alterar o resultado da votação. O presidente foi reeleito com uma vantagem de aproximadamente 4,4 milhões de votos.

Flávio afirmou que pretende buscar meios jurídicos para contestar o resultado, embora reconheça que as possibilidades de êxito são pequenas. Também disse que continuará acompanhando a política brasileira e apoiando propostas defendidas por seus aliados, como a redução da maioridade penal e a anistia para o pai e os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

O senador e sua família receberam autorização temporária para permanecer nos Estados Unidos. Ele não descartou retornar ao Brasil nem disputar novamente a Presidência da República.

Fonte: O Globo/The New York Times
Foto: Reprodução

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Alcolumbre adia votação da redução da maioridade penal e decide aguardar a Câmara dos Deputados

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou nessa quarta-feira (4) o adiamento da votação da proposta que prevê a redução da maioridade penal no Brasil. A decisão foi tomada após um pedido do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para que o Senado aguarde a conclusão da análise do tema pelos deputados. […]

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou nessa quarta-feira (4) o adiamento da votação da proposta que prevê a redução da maioridade penal no Brasil. A decisão foi tomada após um pedido do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para que o Senado aguarde a conclusão da análise do tema pelos deputados.

A proposta já está em discussão na Câmara, onde passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e atualmente é analisada por uma comissão especial. A expectativa é que o relatório seja apresentado e votado até o fim de novembro, permitindo que o texto siga para o Senado no início de dezembro.

Alcolumbre explicou que a decisão busca preservar o entendimento entre as duas Casas do Congresso, apesar da possibilidade de o Senado iniciar sua própria tramitação.

“Na condição de presidente, preciso compreender que a ponderação foi razoável. E mesmo a gente concordando ou não, eu preciso tentar, da melhor maneira possível, uma relação pacífica”, declarou.

O adiamento ocorre após a retirada da discussão sobre maioridade penal da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, aprovada pelo Senado na terça-feira (3). As emendas apresentadas sobre o assunto foram transformadas em propostas independentes.

Na Câmara, o relator da matéria, deputado Mendonça Filho (PL-PE), defende a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Ele afirmou, entretanto, que ainda está aberto ao debate sobre quais crimes seriam abrangidos pela mudança.

“Tenho uma firme convicção em torno dos 16 anos”, afirmou o parlamentar, que também defendeu o cumprimento de penas por menores de 18 anos em unidades separadas das destinadas aos adultos.

No Senado, existem propostas com diferenças em relação à abrangência da redução. Uma delas, apresentada pelo PL, prevê a maioridade penal aos 16 anos para crimes em geral e aos 14 anos para crimes hediondos. Outra, vinculada ao PT, propõe a redução para 16 anos apenas nos casos de crimes hediondos, mantendo o limite de 18 anos para os demais.

A decisão de aguardar a Câmara provocou críticas da oposição. O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), questionou o adiamento e afirmou que o episódio compromete novos entendimentos com o governo em outras matérias legislativas.

Já a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), defendeu a continuidade da tramitação na Câmara. Segundo a senadora pernambucana, o tema exige uma discussão aprofundada, considerando as divergências entre as propostas.

A parlamentar também avaliou que a decisão não impede que a redução da maioridade penal seja discutida e votada pelo Senado ainda neste ano.

Atualmente, a Constituição brasileira estabelece a maioridade penal aos 18 anos. Qualquer mudança nesse limite depende da aprovação de uma proposta de emenda constitucional pelas duas Casas do Congresso, em dois turnos de votação, com apoio de pelo menos três quintos dos parlamentares.

Fonte: Diário de Pernambuco
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

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