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Cidadão Recifense: leia o discurso de Magno Martins

Por Nill Júnior

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Minhas Senhoras e Senhores vereadores,

Venho do Sertão, sou de Afogados da Ingazeira, do Pajeú das Flores e como bem profetizou o poeta Rogaciano Leite, tenho razão de cantar. Trago o meu verso que se solta da garganta como um cantador que canta pelo prazer de cantar. Venho do Sertão, terra de poetas cantadores, do verso livre, do verso parnasiano, que mesmo longe do oceano tem galope a beira mar.

Venho do Sertão, onde abelha de capoeira faz o mel da flor, mais doce do que o mel de cá. Lá, o amanhecer catingueiro é no bico do sabiá, sua majestade o sabiá, como canta Roberta Miranda. O cheiro tem cor, é verde do marmeleiro. A paisagem é triste, com uma caveira de vaca enfiada numa estaca, fazendo a fome chorar.

Venho do Pajeú das Flores, de Patrício e de Dió. De Otacílio, Dimas e Jó. Do gênio imortal de Louro, de Manoel Filó, de Bio Crisanto, que por lá é chamado do rebelde com afeto. De Dedé de Monteiro, o sumo pontífice do verso, de Rogaciano, o mais completo, que deixou este verso imortalizado:

“Eu sou da terra em que o verso/ Brota tão perfeitamente/ Que só pode ser presente/Que Deus manda do universo/ O meu sangue está imerso/ Na terra em que versejar/ É a forma singular/ De aliviar tantas dores/ Sou do Pajeú das flores/Tenho razão de cantar”.
Eu sou de uma terra que a linda cabocla, de riso na boca, zomba no sofrer, como disse Patativa do Assaré. Sou da terra em que se grudam os olhos no céu na esperança de que apareçam nuvens que se transformem em chuva. Da seca que vem tão malvada e me rouba a última flor.

Lá, os rios não correm mais, o sol queimou a sua paz. Lá, tem sede, tem fome, tem sertanejo sem nome, tem rosto maltratado pelo tempo, tem olhar profundo e vazio, o mesmo vazio a que está acostumado o prato do sertanejo. Lá, os pássaros se chamam Pintasilva, Azulão, Galo de Campina, Curió, Casaca de Couro, Rolinha, Lambú e até a seca a desertar da região, a famosa Asa Branca, imortalizada na voz de Luiz Gonzaga. Lá, de noite, tem uma ave até de espantação, a rasga-mortalha, que a minha avó dizia que era porta-voz de notícias ruins.

Venho do Sertão, de uma gente que usa alpercatas, calça de brim, saia de chita, toma uma garrafa de aguardente e, no final da feira, volta pra casa no carro de bois, com toda a família, inclusive o cachorro, magro e fiel.  No meu sertão se descansa à sombra do juazeiro, se come rapadura de sobremesa, a água é salobra do pote, a comida sai da panela de barro no fogão de lenha.

As casas são de taipa, com portas de duas bandas, a de baixo e a de cima, a de cima sempre aberta, parecendo uma arquitetura do bem receber. Uma gente que não esmorece nem quando vem o mormaço da seca que queima tudo, até mesmo o juízo dos mais fracos.

Venho do Sertão, onde a morte se ver sem chorar, a dor é do medo e da fome. Venho do Sertão, onde arrebatei, numa noite enluarada, o coração desta destemida, atuante e valorosa vereadora do Recife, Aline Mariano. Somos a versão tupiniquim de Romeu e Julieta, porque o seu pai Antônio Mariano, adversário político ferrenho, se rivalizou comigo até no campo pessoal, mas depois encheu um lençol de lágrimas, vertidas pela dor da notícia do nosso romance. Deste enlace proibido ganhei dois filhos maravilhosos – Magno Filho e João Pedro – que se irmanam ao primogênito Felipe e André Gustavo, ambos do casamento anterior.

Venho do Sertão, com DNA Martins, de minha amada mãe Margarida, que Deus levou em missão celestial, e Fonseca, do meu pai Gastão, que, aos 94 anos, resiste em nosso torrão feito uma baraúna, sem perder a ternura, feliz feito vaqueiro tangendo o gado para o curral.

Como a paixão que o pintor Cícero Dias move pelo Recife, eternizado na sua célebre frase “Eu vi o mundo, ele começava no Recife”, meu pai é daqueles que quanto mais o tempo passa mais ele se encanta pelo Sertão.  Para ele, no Sertão até as pedras são belas. Venho, enfim, de uma família sertaneja que deu ao País a pentaatleta Yane Marques, orgulho pernambucano.

Se o mundo começa no Recife, como disse Cícero Dias, eis-me aqui para se entregar a esta beleza sem igual como Cidadão. Em suas belas praias vou estender o meu gibão de couro para contemplar seus corais. De cavalo andante, vestido de vaqueiro, vou percorrer seus rios e pontes.

Mais tarde, quando o Recife não se impregnar mais de mim, nesta paixão ardente e avassaladora, vou cair no frevo, aprender a dança do maracatu, virar um caboclinho e curtir seus alegres e belos carnavais.

Tem razão Cícero Dias: o Recife é berço da nacionalidade brasileira, do Arraial do Bom Jesus e dos Montes Guararapes, capital do meu Pernambuco, Terra Canavieira. Agora, pelo voto unânime desta Casa, que acolheu proposta do nobre vereador Edmar de Oliveira, as luzes das pontes e dos cais se acendem para mim.

Quanta honra para um matuto pajeuzeiro ser abraçado e dormir nos braços desta filha mimosa do mar ouvindo canções de ninar. Agora, mais do que nunca, vou cantar as tuas paisagens, Recife, os teus vitrais, as tuas alegorias, os teus painéis.
Nas águas do Capibaribe e do Beberibe, que se abraçam para formar o oceano, vou embalar meus sonhos, beber o orvalho dos teus roseirais, bater continência para os seus menestréis.

O poeta Joaquim Cardoso dizia que o Recife refletido nas colunas dos seus rios dava a impressão de uma catedral imersa, imensa, deslumbrante, onde no esplendor das noites as almas dos seus heróis iriam rezar.

Metade roubada ao mar, metade à imaginação, como disse Carlos Pena Filho, Recife é um encanto, com as suas pontes e os seus rios que, na poesia de Ledo Ivo, cantam. Seus jardins, leves como sonâmbulos, e suas esquinas desdobram os sonhos de Nassau.
Das cidades do Brasil, Recife é a mais bela e sedutora. Se o Rio de Janeiro continua lindo, Recife continua formosa. A cidade é mais bela quando a lua, pela noite, através de cada rua, um cenário de luz radiante exibe. À noite, quando transponho a ponte Santa Isabel, Recife parece um sonho, um luminoso painel.

Alguém, Recife, já te chamou um dia Linda “cidade-mulher”! Nenhuma cidade exibe seduções tão naturais. O banho do Beberibe. Nos cais, frutos saborosos, pitangas e sapotis, samburás de mangas-rosas, mangabas e abacaxis. Velhos lampiões te iluminam. No Cais do Apolo iluminas alvarengas e barcaças.

Pitorescos teus subúrbios, cada qual mais singular, nomes de graça sem par: Pina, Poço da Panela, Várzea, Ambolê, Caxangá, Cordeiro, Casa Amarela, Tejipió, Jiquiá. Qual foi o maior troveiro de teus antigos cantares? Silveira? Carlos? Monteiro? Cardoso? Adelmar Tavares? Noites nas ruas pacatas, quem não podia dormir mais, fazia serenatas. Felinto e Raul Morais! Ó minhas ruas cansadas do bairro de São José.

Dos sinos de teus conventos, das igrejas antigas, os quintos não são lamentos, mas muito claras cantigas. O rio Capibaribe, em frente à Cruz do Patrão, abraça-se ao Beberibe, num grande abraço de irmão.

Rendo graças aos homens antigos da minha terra adotiva: Joaquim Nabuco, Martins Júnior, Zé Maria, João Alfredo, Faelante, Zé Mariano, Manuel Bandeira, Gilberto Freyre, Mauro Mota, Ascenso Ferreira, Solano Trindade, Carlos Pena Filho, João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna, Nelson Rodrigues, Clarice Lispector, Mestre Salustiano, Chico Science, Capiba e Reginaldo Rossi.
Na alma e no coração, o Recife agora está de fato encarnado em mim, como um seio de mãe, que ama e perdoa.
Minhas senhoras e meus senhores,

A noção de cidadania sempre esteve voltada para um agir, para uma conduta positiva de participação na sociedade. Recife me recebe como cidadão pelo meu agir no jornalismo, uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade.

Gabriel Garcia Marques disse que quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são.

Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte.

Existem dias em que o jornalismo registra fatos que, no futuro serão contados nos livros – e serão guardados por gerações. Nesses dias, o que o jornalismo faz é escrever a história. Nesta minha trajetória, faço história na estrada.

Não sou jornalista das redações refrigeradas e do copia e cola. Tenho botas de sete léguas para ir buscar a notícia onde ela estiver acontecendo, seja em Brasília, onde morei por 15 anos e ainda sou tangido para lá pelas crises, ou no mais longínquo rincão nordestino.

Foi na estrada que concebi toda minha obra jornalística e literária, resultando nos livros O Nordeste que deu certo, O Lixo do poder, A Derrota não anunciada, Reféns da seca e Perto do Coração. Estão no prelo ainda Os santuários eleitorais do Bolsa-Família, Histórias de Repórter e Fenômenos eleitorais, este último tendo já percorrido mais de 10 mil km pelo Nordeste a cata de anônimos que fizeram o diferencial nas eleições deste ano.

Eu costumo dizer, nesta fase da tecnologia, do mundo digital e do Whatsapp que, enquanto muitos caçam Pokémon, eu caço personagens que encarnam a mudança no perfil da política brasileira. É o catador de lixo que virou vereador, a parteira vereadora que nunca pediu um voto, a vereadora eleita numa UTI, o vereador eleito na cadeia, uma mulher prefeita cadeirante, um prefeito eleito aos 88 anos, enfim, dezenas de casos inéditos que mudam conceitos e dogmas.

Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria dos jornalistas apenas trabalha como disse certa vez Oscar Wilde. Eu tenho esta exata noção em relação a mim. Sou um escravo da notícia, vivo para fazer manchetes. Furo é o orgasmo do meu jornalismo.
Para mim, Jornalismo é como se fosse um fio, que liga as pessoas ao mundo. Jornalismo é tirar a venda dos olhos de quem não conhece a verdade. Hoje, infelizmente, quem se forma em jornalismo não quer mais fazer jornalismo com o sacrifício de percorrer léguas atrás da notícia.

Na realidade, os jovens que estão nos bancos das universidades hoje, com raríssimas exceções, fazem jornalismo sonhando em virar celebridade. Estão enganados e iludidos. Jornalismo não é isso. É a voz dos oprimidos e o terror dos malfeitores, é “dar furo” e noticiar os fatos.

O preço da minha escolha por esse jornalismo vou pagar com gosto. Eu tive coragem de fazê-la e só me tornei quem sou hoje através dela.  Para mim, o bom jornalista é como vinho: a capacidade se mede pelo tempo. Se for ruim quando novo, serve apenas para vinagre.

Cláudio Abramo já disse que o jornalismo é, antes de tudo e, sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter. Por mais que essa frase possa parecer um chavão, o jornalismo é a sentinela da democracia.  Já li que ser jornalista e não ser louco é uma contradição genética, como disse Che Guevara. Numa época em que o jornalismo impresso ainda reinava soberano no Nordeste introduzi por aqui a chamada era da blogosfera.

Quando eu morrer – e espero que Deus prolongue por muitos dias a minha missão aqui na terra – certamente já saberei a manchete antecipada: “Deus chamou o pai dos blogueiros”.

Minhas senhoras, meus senhores,

Para encerrar gostaria de fazer referência a três pessoas que foram muito importantes lá atrás, no início desta minha jornada: Joezil Barros, que me abriu as portas do Diário de Pernambuco eu ainda imberbe, apostando na vocação de um matuto.
A Eduardo Monteiro, que conheci no Diário e mais tarde, abraçamos o desafio de criar a Folha de Pernambuco, a chamada terceira via da Imprensa pernambucana, e mais adiante, nos abraçamos em Brasília com a experiência no arrendamento do Jornal de Brasília.

Por fim, ao ex-governador Joaquim Francisco, que me tirou do exílio em Brasília para coordenar a sua campanha em 1990 e depois me fez secretário estadual de Imprensa. Nesta função, aprendi o que é ser vidraça depois de tanto tempo exercitando o estilingue.
Ao direito e ao sonho realizado de virar um recifense de fato, de alma e de coração, agradeço a todos os vereadores desta Casa e ao autor da ideia, Edmar de Oliveira. Agradeço também a todos vocês que saíram das suas casas para compartilhar comigo este momento de grandeza e de emoção.

E para concluir, poeticamente, encerro com esta declaração de amor ao Recife feita pelo poeta Ledo Ivo:

“Amar mulheres, várias”.
Amar cidades, só uma – Recife.
E assim mesmo com as suas pontes,
E os seus rios que cantam,
E seus jardins leves como sonâmbulos
E suas esquinas que desdobram os sonhos de Nassau.
Amar senhoras, muitas. Cidade,
Só uma, e assim mesmo com o vento amplo do Atlântico
E o sol do Nordeste entre as mãos”.

Muito obrigado, Recife!

Outras Notícias

Percol, Lyra e Severo são homenageados em missas de sétimo dia

do JC Online O jornalista Carlos Percol, que era assessor de comunicação do ex-governador e presidenciável Eduardo Campos, foi homenageado com um culto na Catedral da Reconciliação, no bairro da Imbiribeira, na Zona Sul do Recife. A celebração religiosa teve a participação de familiares, amigos e  colegas de profissão. A viúva de Percol, a jornalista […]

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do JC Online

O jornalista Carlos Percol, que era assessor de comunicação do ex-governador e presidenciável Eduardo Campos, foi homenageado com um culto na Catedral da Reconciliação, no bairro da Imbiribeira, na Zona Sul do Recife. A celebração religiosa teve a participação de familiares, amigos e  colegas de profissão. A viúva de Percol, a jornalista Cecília Ramos, mostrou tranquilidade na maior parte do tempo apesar da tristeza.

O culto foi conduzido pelo bispo Alexandre Ximenes. Foi ele que celebrou, há quatro meses, o casamento de Percol e Cecília. Além da cerimônia religiosa propriamente dita, com orações e leitura de passagens da Bíblia, a celebração teve diversas músicas.

Cecília Ramos agradeceu a presença de todos os familiares e amigos presentes à cerimônia e disse que o culto era mais uma oportunidade de reconfortar o coração. Assim como no dia do velório e sepultamento de Percol, ela destacou a importância do marido em sua vida.

As famílias do fotógrafo Alexandre Severo e do cinegrafista Marcelo Lyra decidiram por uma cerimônia única, realizada na igreja do Espinheiro, na Zona Norte do Recife. Amigos e familiares dos dois profissionais vestiram camisas brancas com a foto dos assessores de Eduardo Campos.

Carlos Percol, Alexandre Severo e Marcelo Lyra morreram na última quarta-feira (13) em um acidente aéreo que vitimou Eduardo Campos e mais três pessoas, entre assessores do ex-governador e pilotos do jatinho que transportava a equipe do Rio de Janeiro para Santos.

Coluna do Domingão

Todo torturador esconde um covarde Maria de Fátima Campos Belham, esposa de José Antônio Nogueira Belham, General acusado de ter assassinado o ex-deputado Rubens Paiva, entrou com um processo contra o condomínio  que mora em Brasília. Motivo: algumas capivaras comeram um pedaço do jardim da casa dela, no condomínio Life Resort, Asa Norte, Brasília. O blog teve acesso […]

Todo torturador esconde um covarde

Maria de Fátima Campos Belham, esposa de José Antônio Nogueira Belham, General acusado de ter assassinado o ex-deputado Rubens Paiva, entrou com um processo contra o condomínio  que mora em Brasília. Motivo: algumas capivaras comeram um pedaço do jardim da casa dela, no condomínio Life Resort, Asa Norte, Brasília. O blog teve acesso à ação.

Ela pediu indenização por danos morais, alegando ainda que seu marido, torturador e acusado de assassinar Rubens Paiva, tem problemas cardíacos e poderia ter morrido de susto por conta do quadrúpede. “Ainda, apenas para ilustrar o estado de espírito da autora, destaca-se que caso ela ou seu marido tivessem se deparado com a cena enquanto ela ocorria, isto é, se tivessem dado de
cara com os animais em sua varanda, só o susto poderia causar um terrível desfecho, considerando que ele é cardíaco”, diz a ação.

No dito jardim, ela tinha investido R$ 240,00. Incluiu a nota fiscal nos autos. Maria de Fátima Belham, esposa do general torturador e acusado de matar Rubens Paiva,  perdeu o processo.

Causa estranheza a coragem e valentia do deputado para combater os que considerou ameaças pelo simples direito de pensar diferente do regime ditatorial na época do chumbo, assim como causa mais estranheza ainda seu medo de morrer, em razão de um possível encontro com uma capivara, famosa por sua docilidade.

Ao longo do ano de 2003, quando era deputado federal, o presidente Jair Bolsonaro nomeou em seu gabinete na Câmara, como assessora parlamentar, Maria de Fátima Campos Belham. Professora do Colégio Militar de Brasília até a aposentadoria, em 2013, a mulher do general reformado do Exército José Antônio Nogueira Belham sempre esteve aliada ao Bolsonarismo. Já o general que tem medo de capivaras foi um dos quadros mais importantes do Exército nas ações de repressão durante a ditadura militar, chefiou o Destacamento de Operações de Informação (DOI) – quando o deputado federal Rubens Paiva foi assassinado – e se tornou réu pelo crime.

Comandante do DOI no auge das prisões e torturas aos opositores do regime, em 1971, Belham também integrou o Centro de Informações do Exército (CIE), núcleo de inteligência ligado ao gabinete do ministro do Exército, que, na época, era Orlando Geisel. Desses anos, carrega o processo que se tornou histórico na Justiça brasileira: responde por homicídio doloso qualificado, ocultação de cadáver, quadrilha armada e fraude processual no caso do desaparecimento do deputado federal Rubens Paiva, até agora, sem punição.

O filme Ainda Estou Aqui expõe as vísceras da ditadura e da ação que matou o ex-deputado. Mostra que um grave erro foi o pacto pela anistia aos que cometeram tantos crimes covardes, com atrocidades que deixariam nazistas estupefatos, como choques na vagina, tortura de pais na frente dos filhos crianças, pau de arara e agressões como as que sofreram Paiva, sob o comando de Belham, o torturador que tem medo de capivaras.

O seu corpo foi enterrado e desenterrado diversas vezes por agentes da repressão até ter seus restos mortais jogados ao mar, na costa da cidade do Rio de Janeiro, em 1973, dois anos após sua morte.

Amilcar Lobo, médico que atuava como avaliador dos limites da tortura durante a ditadura militar, deu detalhes de como encontrou a vítima. “Ele era uma equimose só. Estava roxo da ponta dos cabelos à ponta dos pés. Ele havia sido torturado, mas, quando fui examiná-lo, verifiquei que seu abdômen estava endurecido, abdômen de tábua, como se fala em linguagem médica. Suspeitei que houvesse uma ruptura do fígado ou do baço, pois elas provocam uma brutal hemorragia interna. Eu nunca havia presenciado um quadro desse tipo. Aquele homem levara uma surra como eu nunca vira. Fiquei na cela com ele durante uns 15 minutos. Durante todo o tempo ele esteve deitado. Estava consciente. Não gemia. Disse só duas palavras: – Rubens Paiva”, relatou.

Este fim de semana marca os 40 anos da redemocratização do Brasil. Só haverá plenitude no modelo de representação popular se houver punição exemplar para quem a ameaça, como no 8 de janeiro. Sem anistia para quem atenta contra a democracia!

Pais da maternidade

O anúncio de uma maternidade pela governadora Raquel Lyra para a cidade de Serra Talhada foi comemorado pelos adversários Luciano Duque e Márcia Conrado, cada um invocando a paternidade local pela maternidade. E Duque vai cada vez mais tensionar e cobrar fidelidade de Márcia a Raquel, sabendo que o PT da gestora deve tomar o caminho do apoio ao PSB de João Campos. Já no apoio de 2022, Márcia chegou bem antes. Duque preferiu Marília Arraes, hoje com Márcia, para se aliar já no curso do mandato.

O projeto 

Segundo o Estado,  a maternidade de Serra Talhada terá 150 leitos e vai receber mães dos municípios de Serra Talhada, Afogados da Ingazeira, Brejinho, Carnaíba, Iguaraci, Ingazeira, Itapetim, Quixabá, Santa Terezinha, São José do Egito, Solidão, Tabira, Tuparetama, Betânia, Calumbi, Carnaubeira da Penha, Flores, Floresta, Itacuruba, Santa Cruz da Baixa Verde, São José do Belmonte e Triunfo. Custará R$ 125 milhões.

Viva o cinema!

O Cine São José terá a entrega oficial das novas cadeiras e tela no dia 12 de abril, às 19 horas. A Fundação Cultural Senhor Bom Jesus dos Remédios formalizará novo convênio de manutenção das atividades com a prefeitura de Afogados da Ingazeira, com presença do prefeito Sandrinho Palmeira. O vice, Daniel Valadares, articula emenda com o Deputado Federal Carlos Veras para melhoria do prédio. A Fundação será representada pelo Bispo Diocesano, Dom Limacêdo Antônio, e pelo Padre Josenildo Nunes de Oliveira.

Aliado

O ex-prefeito e Secretário Marconi Santana, cada vez mais próximo de Raquel Lyra, também parabenizou a governadora pelo anúncio da maternidade de Serra Talhada. Em sua rede social, lembrou um discurso de 2022, quando cobrava melhorias nesse serviço de partos da região, evitando nascimento de filhos do Pajeú fora da região. Marconi é pré-candidato a Deputado Estadual, e deve escolher sua nova legenda em breve.

Nada mudou

Até agora, no Sertão, só o prefeito de Inajá, Marcelo de Alberto, se filiou ao PSD. A oficialização ocorreu nessa semana. Era dos Republicanos. Semana passada, o blog destacou que são esperados no PSD nomes como Pedro Alves e Zeinha Torres (Iguaracy), Diógenes Patriota (Tuparetama), Luciano Bonfim (Triunfo), Ilma Valério (Carnaíba), Pollyanna Abreu (Sertânia) e até Dr. Ismael, do Republicanos. Até agora, nenhum deles anunciou essa movimentação.

O papel da imprensa

Os diretores do Hospital Memorial Arcoverde, destacaram a importância da denúncia do blog e, depois, repercussão no resto da imprensa, sobre os atrasos nos repasses do SASSEPE à unidade, assim como a muitas outras no Estado. A reportagem deu luz ao problema. Mais que o dinheiro pro hospital, teve preocupação com pacientes oncológicos que estavam ameaçados de perder o serviço. A fala dos médicos Joaquim e Rafael Lucena foi ao ar no LW Cast, da TV LW. Esse é o papel do Jornalismo.

Teve, não dá em nada

Em Custódia, aliados do prefeito Messias do DNOCS e da vice, Anne Lúcia, não acreditam que vá prosperar a denúncia de abuso de poder econômico, com a máquina da gestão Manuca totalmente a serviço da candidatura, segundo o MP. A denúncia é grave e diz que a gestão Manuca contratou servidores temporários para obter votos aumentando em 57% essa modalidade, mesmo com a redução de matrículas escolares, além de temporários recebendo em período proibido e as datas de contratação falsificadas. Todo mundo sabe que a máquina de Manuca moeu pra Messias, mas não acreditam em punição.

Frase da semana: “Nós queremos encontrar quem é o pilantra que aumentou tanto o ovo”.

Do presidente Lula, reclamando da alta no preço dos ovos. Ele disse que, mesmo com as exportações — de 0,9% dos 59 bilhões produzidos no território brasileiro — o valor deveria se manter estável no país.

Presidente da Câmara de Carnaíba diz que transmissões das sessões pelo Face serão retomadas

O blog foi provocado por cidadãos de Carnaíba sobre a falta de transmissão  das sessões da Câmara de Vereadores de Carnaíba. Em sua segunda sessão ordinária não houve a transmissão da reunião para o  público,  que por conta das  restrições em virtude do COVID-19 não pode ser acompanhada no plenário da casa Major Saturnino Bezerra. […]

O blog foi provocado por cidadãos de Carnaíba sobre a falta de transmissão  das sessões da Câmara de Vereadores de Carnaíba. Em sua segunda sessão ordinária não houve a transmissão da reunião para o  público,  que por conta das  restrições em virtude do COVID-19 não pode ser acompanhada no plenário da casa Major Saturnino Bezerra.

Alegam que nas gestões anteriores, de  Nêudo da Itã e Gleybson Martins,  todas as sessões eram transmitidas ao vivo deixando a população informada com tudo que tramitava na Câmara de Vereadores. Mas na gestão Cicero Batista as transmissões das sessões teriam sido interrompidas.

O blog procurou o vereador Cícero Batista que informou não haver nenhuma proibição ou interrupção das transmissões por parte do legislativo. Segundo ele, estão sendo corrigidos alguns detalhes de ordem técnica. “Acredito quê na próxima sessão já poderemos transmitir ao vivo”. Segundo Batista, tão logo regularizado o “pequeno problema técnico”, como definiu,  serão feitas as transmissões.

Serra: secretário promete diálogo e admite melhorar proposta para professores

Professor Erivonaldo Alves  não comentou ação do município  contra o piso O Secretário de Educação de Serra Talhada, Erivonaldo Alves, falou ao Sertão Notícias, da Cultura FM, sobre a negociação com os professores da rede municipal de Serra Talhada, que estão em greve. Ele esteve ao lado de Marquinhos Dantas, mais um nome envolvido na […]

Professor Erivonaldo Alves  não comentou ação do município  contra o piso

O Secretário de Educação de Serra Talhada, Erivonaldo Alves, falou ao Sertão Notícias, da Cultura FM, sobre a negociação com os professores da rede municipal de Serra Talhada, que estão em greve.

Ele esteve ao lado de Marquinhos Dantas, mais um nome envolvido na comunicação da gestão. “Nós estamos sempre abertos ao diálogo. Recebemos sindicatos e representações em cerca de seis vezes. Lembro que também sou professor da rede. Márcia não se furtou de maneira alguma em fazer o melhor dentre das suas possibilidades”.

Apesar do reajuste aprovado de 14,9% a proposta do município foi de 5,46%. “O comparativo financeiro é voltado sempre com base no ano anterior. E também temos os índices da Lei de responsabilidade Fiscal”, justificou sobre o aumento. Disse ainda estar na luta planejando para chegar aos 200 dias letivos, sem prejuízos para os pais de alunos. “Mediante esse tempo que estamos parados estamos adiantando reformas. E todos os dias serão recompensados”. Também destacou que colocou câmeras de monitoramento nas escolas.

“Ente março e abril deste ano recebemos a menos R$ 1,5 milhão. Pode variar”. Perguntado se pode avançar além dos 5,46%, falou em calma. “Vamos chegar nesse ponto”.  Sobre melhorar a proposta, falou que “pode acontecer”.

Afirmou ainda que a visão não é somente quanto ao professor, falando de outros profissionais. Defendeu investimentos feitos na zona rural, inclusive com a primeira creche na zona rural, ações urbanas como a reforma da escola Cônego Torres e outras escolas. Falou que a  merenda é uma das melhores da regional.

Sobre a possibilidade de boicote ao desfile de emancipação, disse não acreditar que os professores não irão participar da atividade.

Secretário desviou do tema “ação contra o piso”: chamou atenção o fato de que o Secretário não comentou a ação do município de Serra Talhada contra a aplicação do piso exclusivamente em Serra Talhada. A ação gerou repercussão inclusive pelo fato de Márcia Conrado ser presidente da AMUPE.  Também pela fragilidade jurídica da liminar, já quer não se pode conceber um piso nacional não cumprido apenas em Serra Talhada. Até aliados avaliam ter sido um fato ruim.

O Secretário foi pouco interpelado sobre o tema.  Quando a jornalista Juliana Lima falou do porquê porque judicializar se há possibilidade de melhorar a proposta, ele se esquivou. “É isso que o governo vai analisar. Toda a parte jurídica está cumprindo seu papel junto com o Sindicato”, limitou-se a dizer.

Paulo Câmara critica novo cronograma da Transnordestina

Por Paulo Câmara (PSB), governador de Pernambuco, em artigo de opinião publicado na edição desta segunda-feira (26) da Folha de Pernambuco O novo cronograma da Ferrovia Transnordestina Logística (TLSA) prioriza a ligação entre a jazida de minério de ferro no Piauí e no Porto de Pecém/CE, com conclusão em 2021. A retomada é uma boa […]

Foto: Paulo Paiva / DP

Por Paulo Câmara (PSB), governador de Pernambuco, em artigo de opinião publicado na edição desta segunda-feira (26) da Folha de Pernambuco

O novo cronograma da Ferrovia Transnordestina Logística (TLSA) prioriza a ligação entre a jazida de minério de ferro no Piauí e no Porto de Pecém/CE, com conclusão em 2021. A retomada é uma boa notícia, porém, a chegada ao Porto de Suape/PE apenas no ano 2027 é mais uma boa notícia, porém, a chegada ao Porto de Suape/PE apenas no ano 2027 é mais uma lamentável frustração nessa obra iniciada há mais de 20 anos. E sem motivos para tamanho atraso na frente pernambucana.

Suape fica 80 km mais próximo da jazida mencionada do que Pecém. Esses 80 km a mais de transporte ferroviário representariam algo em torno de R$ 50 milhões/ano adicionais de custo de transporte – ou R$ 500 milhões em valor presente. A logística não justifica esse atraso.

A explicação poderia residir no menor volume de investimento. Mas a obra está mais avançada em direção a Pernambuco. O trecho entre Salgueiro e Suape, com 544 km, tem 41% prontos e está mais avançado que o seguimento Missão Velha a Pecém, que tem 527 km.

Outro argumento é de que os lotes de chegada ao Porto de Suape não teriam seus projetos aprovados na ANTT. Entre 2012 e 2013, o traçado original ferrovia precisou de variantes em virtude de uma barragem e conflitos urbanos. Essa revisão coube à própria empresa e se arrasta há muito tempo. Segundo o TCU, a concessiona´ria deve complementações de projetos e orçamentos na obra toda, e não só em Pernambuco, o que suscitou a suspensão de repasse federal até sua aprovação.

Resta, então, a questão portuária. Aqui, o caso é mais problemático. Suape é um porto organizado submetido à intensa regulação federal e listado no Sistema Federal de Viação. Pecém é um terminal de uso privado, não sujeito à mesma sorte de controle federal e detentor de maior flexibilidade. Essa assimetria na regulação supõe que os portos organizados, mais controlados, sejam os destinatários dos investimentos da União, mas a proposta vai no sentido contrário.

Ainda que haja preferência por um modelo mais flexível para viabilizar a verticalização da cadeia logística, a União poderia transformar o Terminal de Minério de Suape num terminal privado, de modo a oferecer condições iguais aos dois ramais. Em vez disso, aprisiona-se Suape na burocrática legislação portuária e se propõe retirá-lo da prioridade dos investimentos federais.

Suape tem condições para receber a Transnordestina. E o 5º porto do país, o maior do Nordeste, lidera no Brasil a movimentação de líquidos e de cabotagem e, no Nordeste, a xde contêineres. Já tem terminal para movimentar os grãos da região do Matopiba e, desde 2012, desenvolveu os projetos necessários à licitação do Terminal de Minério – licitação cuja responsabilidade desde a nova Lei dos Portos de 2013, e sob protestos de Pernambuco, é do Governo Federal.

Retornando-se ao início: não existem razões para que o Governo Federal aprove o cronograma proposto. É ótimo que se viabilizem as obras em direção a Pecém, mas não a postergação da ferrovia tão esperada em Pernambuco. Defendemos que a ferrovia seja executada em direção a ambos os portos e é preciso que se apresente uma solução nesse sentido, dialogando com os estados.

Espera-se que os órgãos que irão se debruçar sobre o tema tomem a decisão correta para que a retomada desse projeto, tão importante para o Brasil e Pernambuco, não passe mais anos travada por decisões equivocadas.