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Câmara aprova projeto que permite a educação dos filhos em casa; proposta vai ao Senado

Por André Luis

A Câmara dos Deputados concluiu nesta quinta-feira (19) a votação do projeto de lei que regulamenta a prática da educação domiciliar no Brasil, prevendo a obrigação do poder público de zelar pelo adequado desenvolvimento da aprendizagem do estudante. A matéria será enviada ao Senado.

O texto aprovado é um substitutivo da deputada Luisa Canziani (PSD-PR) para o Projeto de Lei 3179/12, do deputado Lincoln Portela (PL-MG). Para usufruir da educação domiciliar (também chamada pelo termo em inglês, homeschooling), o estudante deve estar regularmente matriculado em instituição de ensino, que deverá acompanhar a evolução do aprendizado.

Pelo menos um dos pais ou responsáveis deverá ter escolaridade de nível superior ou em educação profissional tecnológica em curso reconhecido. A comprovação dessa formação deve ser apresentada perante a escola no momento da matrícula, quando também ambos os pais ou responsáveis terão de apresentar certidões criminais da Justiça federal e estadual ou distrital.

Nas votações desta quinta-feira, o Plenário rejeitou todos os destaques apresentados pelos partidos na tentativa de mudar trechos do texto.

“O projeto traz uma série de balizas para que possamos assegurar o desenvolvimento pleno dessas crianças. Defender o homeschooling não é lutar contra a escola regular, é defender mais uma opção para as famílias brasileiras”, disse Luisa Canziani.

Crime e encarceramento

Ao defender a matéria, o líder do governo, deputado Ricardo Barros (PP-PR), afirmou que o texto aprovado descriminaliza a atividade. “Hoje, temos polícia na porta dos pais e conselho tutelar cobrando a presença das crianças na escola”, afirmou.

Já o deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM) lembrou que 11 mil famílias já optaram pela educação domiciliar. “Nós temos que atender a todos”, argumentou.

Contra o projeto, o deputado Rogério Correia (PT-MG) teme que o ensino domiciliar prejudique o convívio social das crianças. “O que se está propondo é um encarceramento de crianças e de jovens. Encarceramento ideológico, religioso, político, social. É uma visão errada”, afirmou.

O deputado Glauber Braga (Psol-RJ) acusou a proposta de seguir interesses do mercado. “A partir do momento em que se aprova e se regulamenta a educação domiciliar, aumenta a necessidade de produção de materiais didáticos específicos para o atendimento a essas famílias.”

Transição

Se o projeto for aprovado pelo Senado e virar lei, as regras entrarão em vigor 90 dias após sua publicação e para quem optar pela educação domiciliar nos dois primeiros anos haverá uma transição quanto à exigência de ensino superior ou tecnológico.

Deverá haver a comprovação da matrícula em instituição de ensino superior ou de educação profissional tecnológica, comprovação anual de continuidade dos estudos com aproveitamento e conclusão em período de tempo que não exceda em 50% o limite mínimo de anos para seu término.

Obrigações da instituição

O texto lista algumas obrigações das escolas nas quais o aluno de educação domiciliar estiver matriculado, como a manutenção de cadastro desses estudantes, repassando essa informação anualmente ao órgão competente do sistema de ensino. 

A escola deverá ainda acompanhar o desenvolvimento do estudante por meio de docente tutor da instituição de ensino, inclusive com encontros semestrais com os pais ou responsáveis, com o educando e, se for o caso, com o preceptor.

No caso de estudante com deficiência ou transtorno global de desenvolvimento, equipe multiprofissional e interdisciplinar da rede ou da instituição de ensino em que ele estiver matriculado deverá fazer uma avaliação semestral de seu progresso.

A escola ou a rede de ensino deverão fazer encontros semestrais das famílias optantes pela educação domiciliar para intercâmbio e avaliação de experiências.

Já o conselho tutelar, nos termos da legislação, deverá fiscalizar a educação domiciliar.

O texto também garante isonomia de direitos e proíbe qualquer espécie de discriminação entre crianças e adolescentes que recebam educação escolar e educação domiciliar, inclusive quanto à participação em concursos, competições, eventos pedagógicos, esportivos e culturais.

Apesar de poderem receber educação domiciliar, estudantes com direito à educação especial também deverão ter acesso igualitário a salas de atendimento educacional especializado e a outros recursos de educação especial.

Pais ou responsáveis

Para garantir o aprendizado na educação domiciliar, os pais deverão cumprir os conteúdos curriculares de cada ano escolar do estudante de acordo com a Base Nacional Comum Curricular, admitida a inclusão de conteúdos curriculares adicionais.

Os responsáveis terão de garantir a convivência familiar e comunitária do estudante e a realização de atividades pedagógicas para promover a formação integral do estudante, contemplando seu desenvolvimento intelectual, emocional, físico, social e cultural.

Nesse sentido, terão de manter registro periódico das atividades pedagógicas realizadas e enviar, à escola na qual está matriculado, relatórios trimestrais dessas atividades.

Quando a escola à qual o aluno estiver vinculado for selecionada para participar de exames do sistema nacional, estadual ou municipal de avaliação da educação básica, o estudante de educação domiciliar deverá também participar dessas avaliações anuais de aprendizagem.

Impedimentos

O PL 3179/12 proíbe que pais ou responsáveis sob determinadas condições optem pela aplicação da educação domiciliar. Assim, não poderão fazer a opção aqueles condenados ou em cumprimento de pena por crimes previstos: no Estatuto da Criança e do Adolescente; na Lei Maria da Penha; no Código Penal, quando suscetíveis de internação psiquiátrica; na Lei de Crimes Hediondos; e na lei de crimes relacionados a drogas (Lei 11.343/06).

Entretanto, aqueles que puderem optar pela educação domiciliar não responderão por abandono intelectual da instrução primária, conforme previsto no Código Penal, que prevê detenção de 15 dias a um mês ou multa.

Avaliações

Quanto às avaliações para certificar a aprendizagem, o texto aprovado remete sua realização à escola na qual o estudante está matriculado. Para a educação pré-escolar, será realizada uma avaliação anual qualitativa e cumulativa dos relatórios trimestrais que os pais devem enviar.

Nos ensinos fundamental e médio, além desses relatórios, deverá haver avaliação anual com base no conteúdo curricular, admitida a possibilidade de avanço nos cursos e nas séries, conforme previsto na Lei de Diretrizes e Bases (LDB).

Se o desempenho do estudante nessa avaliação anual for considerado insatisfatório, uma nova avaliação, em caráter de recuperação, será oferecida no mesmo ano.

Quanto à avaliação para o estudante com deficiência ou transtorno global de desenvolvimento, ela será adaptada à sua condição.

Perda do direito

Os pais ou os responsáveis legais perderão o direito de optar pela educação domiciliar em quatro situações: se forem condenados pelos crimes tipificados nas leis citadas; quando a criança, na educação pré-escolar, mostrar insuficiência de progresso em avaliação anual qualitativa em dois anos consecutivos; se o estudante do ensino fundamental ou médio for reprovado em dois anos consecutivos ou em três anos não consecutivos ou se não comparecer a elas sem justificativa; ou se o estudante com deficiência ou transtorno global do desenvolvimento, de acordo com suas potencialidades, obtiver insuficiência de progresso em avaliação semestral por duas vezes consecutivas ou três vezes não consecutivas. As informações são da Agência Câmara de Notícias

Outras Notícias

Conta de água ficará mais cara em Pernambuco com reajuste de 8,85% homologado pela Arpe

As tarifas de abastecimento de água e esgotamento sanitário terão reajuste de 8,85% nas áreas de Pernambuco atendidas pela concessionária privada Aqua Pernambuco. O aumento foi homologado pela Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe) antes mesmo do início das operações da empresa, previsto para o próximo dia 23 de novembro. A decisão consta na Resolução […]

As tarifas de abastecimento de água e esgotamento sanitário terão reajuste de 8,85% nas áreas de Pernambuco atendidas pela concessionária privada Aqua Pernambuco. O aumento foi homologado pela Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe) antes mesmo do início das operações da empresa, previsto para o próximo dia 23 de novembro.

A decisão consta na Resolução nº 360, de 3 de novembro de 2026, publicada nessa quarta-feira (4). O índice inicialmente calculado foi de 14,58%, referente à variação da inflação acumulada entre setembro de 2023 e julho de 2026. Com a aplicação do desconto contratual de 5% sobre a tarifa de referência, o reajuste efetivo ficou em 8,85%.

A medida abrange os serviços concedidos à BASA Saneamento Ambiental S.A., que atua com o nome comercial Aqua Pernambuco. A empresa será responsável pela distribuição de água e pelos serviços de esgotamento sanitário nos municípios incluídos em seu contrato de concessão.

Embora a resolução tenha entrado em vigor na data de sua publicação, a aplicação dos novos valores depende do cumprimento das condições contratuais e de um prazo mínimo de 30 dias. Portanto, a homologação não representa aumento imediato nas contas dos consumidores.

O reajuste foi autorizado durante a fase de transição dos serviços para a iniciativa privada. Inicialmente prevista para outubro, a transferência das operações foi adiada por quatro semanas, com nova data estabelecida para 23 de novembro.

A antecipação da autorização tarifária provocou críticas do deputado federal Pedro Campos (PSB-PE), que questionou a condução do processo pelo Governo de Pernambuco.

“A gente alertou e a conta chegou mais cara para o povo pagar. A tarifa aumenta quase 9%, mas a empresa privada nem começou a trabalhar. A população não pode pagar por decisões mal planejadas pelo Governo do Estado, com uma privatização que encarece a conta sem garantir melhorias no serviço”, afirmou.

O parlamentar também declarou que continuará fiscalizando o cumprimento do contrato de concessão e as decisões relacionadas à transferência dos serviços. Segundo ele, a população precisa ter asseguradas melhorias no abastecimento e no esgotamento sanitário sem aumento excessivo dos custos.

Além do reajuste, a resolução da Arpe estabelece a suspensão, por 90 dias a partir do início da operação, da nova tabela de serviços complementares cobráveis. Nesse período, permanecerão os valores anteriormente praticados para esses serviços.

Foto: Divulgação

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Grupo Saminina conquista duas Capivaras de Prata no CRIA-PE 2026 e destaca publicidade de Serra Talhada

Com campanhas desenvolvidas para a Fundação Altino Ventura e as Óticas Arcoverde, o Grupo Saminina conquistou duas Capivaras de Prata no Festival CRIA 2026. A agência de Serra Talhada recebeu os prêmios nessa quarta-feira (4), durante o evento realizado no Shopping RioMar, no Recife, que reuniu profissionais e empresas do setor publicitário. Promovido pelo Sindicato […]

Com campanhas desenvolvidas para a Fundação Altino Ventura e as Óticas Arcoverde, o Grupo Saminina conquistou duas Capivaras de Prata no Festival CRIA 2026. A agência de Serra Talhada recebeu os prêmios nessa quarta-feira (4), durante o evento realizado no Shopping RioMar, no Recife, que reuniu profissionais e empresas do setor publicitário.

Promovido pelo Sindicato das Agências de Propaganda de Pernambuco (Sinapro-PE), o festival reconhece trabalhos de criação e produção publicitária em diferentes categorias, com troféus de Ouro, Prata e Bronze. Nesta edição, foram registradas 1.306 inscrições de 45 agências, das quais 37 tiveram trabalhos selecionados entre os 634 finalistas.

A Saminina chegou à etapa final com 12 indicações e conquistou dois troféus em categorias distintas.

Uma das premiações foi concedida à campanha “Mãe, você é tudo isso que não vê”, criada para as Óticas Arcoverde. O trabalho recebeu a Capivara de Prata na categoria Filmes, subcategoria Filme Low Cost. A produção aborda a maternidade a partir da maneira como as mães são percebidas por aqueles que as amam.

O segundo prêmio foi conquistado pelo Projeto V.E.R. – Visão em Rede, desenvolvido para a Fundação Altino Ventura. A iniciativa recebeu a Capivara de Prata na categoria Técnica – Áudio, subcategoria Inovação em Áudio, com uma proposta que utiliza recursos sonoros e tecnologia.

A empresária Carla Luckwu, CEO e fundadora do Grupo Saminina, destacou o envolvimento dos profissionais e a parceria com os clientes na realização dos projetos.

“Receber duas Capivaras de Prata é uma emoção enorme para toda a nossa equipe. Cada reconhecimento carrega o talento, a dedicação e a coragem de pessoas que acreditam no poder das ideias e trabalham todos os dias para transformá-las em projetos que fazem sentido para os nossos clientes e para o público”, afirmou.

Fundada em 2010, em Serra Talhada, a Saminina ampliou sua atuação ao longo dos anos e atualmente reúne cerca de 30 colaboradores. O grupo é formado pela Saminina Comunicação e pela Saminina Consultoria e Promo, com atividades nas áreas de publicidade, planejamento, produção audiovisual, estratégias digitais, consultoria e ações promocionais.

A participação no CRIA-PE já rendeu outros reconhecimentos à agência. Em 2024, a empresa recebeu o título de Agência do Ano do Interior. No ano seguinte, conquistou uma Capivara de Bronze na categoria Inovação em Áudio.

Em 2026, o grupo também recebeu três premiações nos Prêmios Lusófonos da Criatividade, competição internacional voltada à publicidade e à comunicação de países de língua portuguesa. Foram uma Prata em Design/Branding e dois Bronzes.

Ao comentar a trajetória da empresa, Carla destacou a possibilidade de desenvolver projetos publicitários a partir do interior de Pernambuco.

“Estar no interior nunca limitou o tamanho dos nossos sonhos. Construímos uma agência com estrutura, profissionais talentosos e capacidade para desenvolver projetos competitivos em qualquer lugar”, declarou.

Fotos: Divulgação

Lula prepara pronunciamento sobre contas públicas e manutenção de programas sociais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve fazer um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão no próximo domingo (8) para tratar da situação das contas públicas e reafirmar o compromisso com a manutenção dos programas sociais. A manifestação será a primeira em rede nacional após sua reeleição, em 25 de outubro. […]

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve fazer um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão no próximo domingo (8) para tratar da situação das contas públicas e reafirmar o compromisso com a manutenção dos programas sociais. A manifestação será a primeira em rede nacional após sua reeleição, em 25 de outubro.

A expectativa é que Lula apresente uma mensagem de responsabilidade fiscal, em meio às cobranças do mercado financeiro por medidas que contenham o crescimento da dívida pública. O presidente também deverá abordar os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral e defender a conciliação entre o equilíbrio das contas e a continuidade das políticas sociais.

O pronunciamento está sendo preparado em um momento de discussões internas no governo sobre possíveis ajustes fiscais para o próximo mandato, que começa em janeiro de 2027. A equipe econômica avalia alternativas para controlar despesas e ampliar a arrecadação, mas ainda não há definição pública sobre quais medidas serão adotadas.

Entre os principais desafios está a trajetória da dívida pública, que chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro, segundo dados apresentados pelo governo. A preocupação com o endividamento tem provocado cobranças por medidas capazes de garantir o cumprimento das metas fiscais nos próximos anos.

Apesar da expectativa em torno do pronunciamento, ainda não está confirmado se Lula apresentará medidas concretas de ajuste. Informações divulgadas nesta quarta-feira (4) indicam que o discurso deverá priorizar os compromissos gerais do governo com a estabilidade das contas públicas.

A manutenção dos programas sociais também deve ocupar espaço na fala presidencial. No último domingo (1º), Lula publicou um vídeo nas redes sociais em que negou a possibilidade de extinguir benefícios existentes e afirmou que pretende cumprir as promessas feitas durante a campanha.

Além da pauta econômica, o presidente deverá agradecer os votos recebidos no segundo turno e defender a redução das tensões políticas após a disputa eleitoral. A mensagem de conciliação será direcionada à população em um cenário de polarização que marcou a campanha presidencial.

Fonte: Folha de S.Paulo
Foto: Reprodução

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Vitória democrata nos EUA pode fragilizar presença de Eduardo e Flávio Bolsonaro, diz professor

A vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas dos Estados Unidos pode dificultar a permanência política de Eduardo e Flávio Bolsonaro no país. A avaliação é do professor Lucas Souza Martins, da Temple University, na Filadélfia, que analisou os possíveis reflexos da nova composição do Congresso norte-americano sobre os dois filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. […]

A vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas dos Estados Unidos pode dificultar a permanência política de Eduardo e Flávio Bolsonaro no país. A avaliação é do professor Lucas Souza Martins, da Temple University, na Filadélfia, que analisou os possíveis reflexos da nova composição do Congresso norte-americano sobre os dois filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Professor de História dos Estados Unidos, Martins considera que a conquista da maioria democrata na Câmara dos Representantes e no Senado pode alterar o ambiente político que vinha favorecendo a atuação dos irmãos em território americano.

O resultado das eleições de terça-feira (3) representa um revés para o presidente Donald Trump, aliado político da família Bolsonaro. Com a oposição fortalecida no Congresso, o governo republicano poderá enfrentar maior fiscalização sobre suas decisões, inclusive aquelas relacionadas à política externa e à imigração.

Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde 2025 e mantém articulações com integrantes do Partido Republicano. Flávio, por sua vez, chegou ao país no fim de outubro, após ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial brasileira.

O novo cenário também pode ampliar os questionamentos sobre as circunstâncias da entrada de Flávio nos Estados Unidos. Antes das eleições legislativas, parlamentares democratas já haviam cobrado explicações do governo Trump sobre a autorização concedida ao senador e a eventual participação de autoridades americanas em sua viagem.

Apesar da mudança na composição do Congresso, uma eventual alteração na situação migratória dos irmãos Bolsonaro não ocorre automaticamente. Decisões sobre vistos, autorizações de permanência e deportação dependem das autoridades competentes e dos procedimentos previstos na legislação norte-americana.

A avaliação sobre o enfraquecimento da posição política dos dois brasileiros, portanto, diz respeito à possibilidade de maior pressão e fiscalização sobre o governo Trump, sem significar que exista uma decisão de retirada dos irmãos do território americano.

Fonte: O Globo
Foto: Reprodução

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Entidades da indústria e do comércio recorrem ao STF contra fim da escala 6×1

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF), nessa quarta-feira (4), contra mudanças nas jornadas de trabalho previstas com o fim da escala 6×1. As entidades questionam aspectos da nova legislação e pedem a suspensão ou o adiamento de […]

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF), nessa quarta-feira (4), contra mudanças nas jornadas de trabalho previstas com o fim da escala 6×1. As entidades questionam aspectos da nova legislação e pedem a suspensão ou o adiamento de sua aplicação.

As ações contestam pontos da Emenda Constitucional 141 de 2026, promulgada pelo Congresso Nacional em outubro. A medida estabelece a transição para uma jornada de até 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado por semana e sem redução salarial.

A CNI argumenta que as novas regras podem comprometer a segurança jurídica, a livre iniciativa e a autonomia das negociações coletivas entre empresas e trabalhadores.

A entidade sustenta que acordos e convenções coletivas já firmados devem permanecer válidos até o encerramento de seus respectivos prazos ou até a celebração de novos instrumentos de negociação.

Outro argumento apresentado é o impacto financeiro sobre o setor industrial. Segundo estimativa da CNI, a redução da jornada, acompanhada da ampliação do descanso semanal sem diminuição dos salários, poderá elevar em 11,1% o custo do trabalho formal na indústria, o equivalente a R$ 88 bilhões.

A confederação também afirma que setores industriais com funcionamento ininterrupto dependem de escalas diferenciadas e de acordos coletivos para organizar os períodos de trabalho e descanso.

Já a CNC pretende adiar o início da redução da jornada de trabalho para outubro de 2027. Pelas regras aprovadas, a primeira etapa da mudança está prevista para dezembro deste ano.

A entidade considera insuficiente o período de adaptação concedido às empresas e argumenta que a implementação das novas regras exige reorganização de escalas, contratações e revisão de acordos trabalhistas.

O fim da escala 6×1 foi aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, com votos de parlamentares da base governista e da oposição. A mudança foi comemorada por entidades sindicais, que defendem a ampliação do tempo de descanso e convivência familiar dos trabalhadores.

Enquanto as ações tramitam no STF, o governo federal prepara a regulamentação da nova jornada. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, informou que a publicação do decreto está prevista para a próxima segunda-feira (9).

O texto deverá estabelecer orientações para a organização das escalas nos diferentes setores econômicos, assegurando pelo menos oito folgas por mês.

A apresentação das ações pelas entidades empresariais não suspende automaticamente a emenda constitucional. Uma eventual alteração dos prazos ou das regras dependerá de decisão do Supremo Tribunal Federal.

Fonte: Agência Brasil
Foto: CNI/Divulgação

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