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Temer acha a corrupção “triste”, mas não faz nada

Por Nill Júnior
20/03/2017. Crédito: Beto Barata/PR

Blog do Josias

Carlos Drummond de Andrade escolheu como epígrafe do livro Claro Enigma um verso de Paul Valéry: “Les événements m’ennuient”. Significa: os acontecimentos me entediam. Ou me chateiam, numa tradução livre. Michel Temer poderia adotar o mesmo verso como lema de sua gestão. Mais do que revolta, o comportamento do presidente diante da crise moral começa a provocar uma onda de tédio.

Em entrevista à espanhola TVE, Temer concordou com o entrevistador quando ele disse que é triste ter dezenas de políticos acusados de corrupção no Brasil. “Sim, me parece triste, não posso falar outra coisa”, aquiesceu o entrevistado, antes de deixar claro que sua tristeza não tem a menor serventia: “Em relação a essas investigações, temos que esperar que o Poder Judiciário condene ou absolva as pessoas.”

Dois espetáculos não cabem no mesmo palco. Ou no mesmo governo. Dividido entre uma encenação e outra, a plateia não dá atenção a nenhuma das duas. Temer anuncia que está em cartaz a novela das reformas. Mas a hecatombe da Odebrecht faz piscar outra palavra no letreiro: c-o-r-r-u-p-ç-ã-o. A estratégia de Temer é clara: simular desgosto com a podridão e tentar arranca as reformas do Congresso apodrecido.

Noutra entrevista, dessa vez à agência de notícias Efe, Temer reiterou que deseja descer ao verbete da enciclopédia como o presidente que ”reformulou o país”.  Vaticinou: ”A melhor marca do meu governo, será colocar o país nos trilhos.” Bocejos! O presidente parece dar de barato que, na disputa por um lugar no cartaz, o vocábulo “reformas” prevalecerá sobre “corrupção”. Será?

Fernando Henrique Cardoso gosta de dizer que, sob atmosfera caótica como a atual, o Brasil costuma avançar. De fato, a crise atenuou as resistências ideológicas às reformas. As corporações ainda brigam pela preservação de privilégios. Mas estão meio zonzas. Amedrontado, o Congresso talvez se mexa.

Supondo-se que Temer consiga aprovar algum tipo de reforma trabalhista e previdenciária, os efeitos das mudanças serão avaliados mais adiante. A imagem do seu governo, porém, é um problema urgente. Com a popularidade roçando o chão, Temer associa sua agonizante figura a uma tríade de símbolos tóxicos: cumplicidade, suspeição e acobertamento.

Acomodado por delatores no centro de cenas nas quais foram negociadas verbas eleitorais espúrias e propinas milionárias, Temer só não é investigado porque a Procuradoria-Geral acha que ele dispõe de imunidade temporária enquanto estiver na cadeira de presidente. Contra esse pano de fundo enodoado, o presidente passa a sensação de que não dispõe de moral para agir. Daí, por exemplo, a presença de ministros suspeitos no governo.

Quando escuta Temer dizer que fica “triste” com a suspeita de roubalheira que recai sobre tantos políticos, a plateia boceja de tédio. As manifestações do presidente dão sono antes de irritar. Confrontadas com os avanços da Lava Jato, suas palavras mostram que, no Brasil da Lava jato, o pesadelo tornou-se menos penoso do que o despertar.

Em meio aos dois espetáculos que estão em cartaz, Temer se divide. Do ponto de vista econômico, a aura do presidente pertence à modernização. Do ponto de vista político, Temer se esforça para simbolizar o que há de mais anacrônico. Acossado pela hecatombe moral, Temer reage à moda do avestruz: enfia a cabeça na sua pseudo-tristeza. De duas, uma: ou Temer morrerá de tédio ou acabará gritando diante do espelho: “Fora, Temer”.

Outras Notícias

Tabaqueiro gigante de quatro metros estreia no carnaval de Afogados

Neste sábado (14) Afogados da Ingazeira vivenciou um dos momentos mais marcantes do Carnaval 2026: a estreia do tabaqueiro gigante, uma homenagem do artista plástico Edglêy Brito a uma das maiores tradições do Carnaval de Afogados. Medindo quatro metros de altura, com cartola, e envergando os apetrechos usados pelos tabaqueiros, o boneco marcou sua primeira […]

Neste sábado (14) Afogados da Ingazeira vivenciou um dos momentos mais marcantes do Carnaval 2026: a estreia do tabaqueiro gigante, uma homenagem do artista plástico Edglêy Brito a uma das maiores tradições do Carnaval de Afogados.

Medindo quatro metros de altura, com cartola, e envergando os apetrechos usados pelos tabaqueiros, o boneco marcou sua primeira saída, em frente ao ateliê do artista na Avenida Rio Branco. Com a fantasia nas cores da bandeira de Afogados, o gigante foi acompanhado por outro boneco, menor, o “tabaqueirinho”.

Acompanhado a orquestra Show de Frevo, sob a regência do Maestro Jesus, e das mulheres do bloco Flor do Mandacaru, o tabaqueiro gigante deu seus primeiros passo no carnaval de Afogados.

“Os bonecos ficaram lindíssimos, engrandecendo ainda mais o nosso carnaval e homenageando nossa maior tradição de carnaval. A saída dele foi um acontecimento, que vai marcar, daqui pra frente, todos os nossos carnavais. A saída dele será sempre um dos eventos de nossa programação de carnaval,” destacou o Prefeito de Afogados, Sandrinho Palmeira. Presenças na saída, do vice-prefeito, Daniel Valadares, dos vereadores César Tenório e Simone da feira, além do ex-prefeito de Carnaíba, Anchieta Patriota.

Virgens – uma multidão desceu atrás do trio elétrico, logo após o tradicional desfile das virgens, ocorrido no cruzamento das ruas Joaquim Nazário e Pedro Pires. O desfile premiou as vencedoras com um total de R$ 2.400,00. As virgens vendedoras foram:

5 – as empreguetes – 200 Reais
4 – Calcinha de boneca – 300 Reais
3 – A noiva – 400 Reais
2 – As galegas dos Correios – 600 Reais
1 – Xuxa e as Paquitas – mil Reais

Áudio cita Cármen, Lewandowski, Gilmar Mendes, Dilma e Cardozo

Monica Bergamo Nos grampos entregues pela J&F na semana passada, aparece um áudio em que Joesley Batista e Ricardo Saud, executivo da empresa, falam sobre um diálogo com o ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que teria sido gravado. Na conversa entre os dois delatores, Saud cita ainda pelo menos três ministros do STF: Cármen […]

Monica Bergamo

Nos grampos entregues pela J&F na semana passada, aparece um áudio em que Joesley Batista e Ricardo Saud, executivo da empresa, falam sobre um diálogo com o ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que teria sido gravado.

Na conversa entre os dois delatores, Saud cita ainda pelo menos três ministros do STF: Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes.

O nome “Marco Aurélio” aparece na conversa, mas não é uma referência ao ministro do STF, Marco Aurélio Mello, e sim a Marco Aurélio de Carvalho, advogado e sócio do ex-ministro da Justiça em um escritório.

Saud e Joesley falam sobre uma suposta proximidade da ex-presidente Dilma Rousseff e da atual presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Cármen Lúcia.

Nesse trecho, Saud diz, entre outras coisas, o seguinte: “Porque ele [interlocutor não identificado] falou da Cármen Lúcia, da Cármen Lúcia que vai lá falar do… com a Dilma e tal, os três juntos, tal tal tal. ‘Ah, então ele tem mesmo essa intimidade?’. Os cara… falei não é mentira não”.

Em outro trecho sobre os mesmos personagens, ele chega a usar palavra de baixo calão em tom de brincadeira.

O executivo diz também a Joesley que Cardozo poderia teria cinco ministros do STF nas mãos, e que conversou sobre isso com um terceiro interlocutor.

O executivo da J&F diz a Joesley que essa pessoa, que não está claramente identificada, teria duvidado do tamanho da influência descrita sobre o STF. “Ele falou ‘cinco eles não têm, não… ele têm… ah, só se eles, só se eles contam o Lewandowski até hoje’… ele falou, falei ah daí eu não sei, não deu nome não… Mas se contar Lewandowski pode ser sim”.

Os dois discutem ainda sobre uma briga de alguém que conhecem com Gimar Mendes. E concluem que a confusão deve ser esquecida para que eles possam “pegar” três ministros do STF.

Há alguns meses, Joesley Batista e Saud tiveram a ideia de atrair Cardozo para um encontro, sob o pretexto de que gostariam de contratá-lo para serviços advocatícios.

O objetivo era, no meio da conversa, arrancar do ex-ministro da Justiça informações sobre magistrados do STF. Dependendo do teor delas, a J&F entregaria o conteúdo à PGR.

Os executivos da JBS entendiam que os procuradores tinham grande desejo de que as investigações alcançassem o Supremo.

No diálogo, Saud fala a Joesley que já tinha alertado um homem chamado Marcelo [supostamente o ex-procurador Marcelo Miller] de que, para comprometer o STF, o caminho seria José Eduardo Cardozo.

O encontro com Cardozo efetivamente ocorreu e a proposta de contratação também. A armadilha, porém, não teria funcionado a contento.

Cardozo teria feito afirmações genéricas sobre os magistrados e teria inclusive recusado propostas de pagamentos de honorários fora das vias regulares.

Blog vai a local de tragédia na BR 232 e identifica motorista que causou acidente

Exclusivo O Blog esteve no local do grave acidente na BR 232, no quilômetro 185, que causou as mortes de Socorro Martins,  Coordenadora do CRAS de Afogados da Ingazeira, e Marcos Vinícius,  de Pesqueira. A nossa apuração confirmou que a Polícia Rodoviária Federal vai atestar no laudo definitivo que uma ultrapassagem indevida por pessoa não […]

Exclusivo

O Blog esteve no local do grave acidente na BR 232, no quilômetro 185, que causou as mortes de Socorro Martins,  Coordenadora do CRAS de Afogados da Ingazeira, e Marcos Vinícius,  de Pesqueira.

A nossa apuração confirmou que a Polícia Rodoviária Federal vai atestar no laudo definitivo que uma ultrapassagem indevida por pessoa não habilitada gerou o acidente na via.

Uma outra informação é sobre a pessoa que guiava o veículo. Ele foi identificado como Júlio Silva,  idade não informada,  natural de Pesqueira.

Ele guiava o Peugeot placas KHH-3870, quando fez a ultrapassagem em faixa contínua.  O carro pertencia formalmente à mãe de Marcos Vinícius que entregou a chave ao amigo. Eles iam para Caruaru.

Uma curiosidade: Júlio guiava o carro com uma lesão de clavícula.  Ele tinha um procedimento cirúrgico agendado,  mas, mesmo com a lesão e sem habilitação, se permitiu dirigir.

A investigação ficará a cargo da Delegacia de Belo Jardim. Júlio pode responder por duplo homicídio doloso,  quando se assume o risco de matar. A Polícia aguarda o laudo definitivo da PRF.

 

Sebastião Oliveira cumpre agenda em Angelim

O deputado federal e candidato a reeleição, Sebastião Oliveira, cumpriu agenda na noite desta quarta-feira (19), no município de Angelim, Agreste do Estado.  Sebá (como é conhecido), que conta com o apoio do grupo político do prefeito Douglas Duarte, aproveitou a ocasião para noticiar a requalificação da estrada que dá acesso ao município.   “Vamos iniciar em breve a […]

Foto: Henrique Genecy

O deputado federal e candidato a reeleição, Sebastião Oliveira, cumpriu agenda na noite desta quarta-feira (19), no município de Angelim, Agreste do Estado. 

Sebá (como é conhecido), que conta com o apoio do grupo político do prefeito Douglas Duarte, aproveitou a ocasião para noticiar a requalificação da estrada que dá acesso ao município.  

“Vamos iniciar em breve a obra de requalificação da estrada que dá acesso a Angelim. É um sonho antigo que será realizado que vai trazer muitos benefícios. A crise que afeta todo o país não impediu que o governador Paulo Câmara continuasse investindo na melhoria da qualidade de vida das pessoas e no desenvolvimento de Pernambuco”, ressaltou Sebastião Oliveira, que até recentemente comandou a secretária de Transportes. 

Sebá ainda aproveitou para assumir um novo compromisso com o município. “Vou destinar recursos para a compra de um ônibus com ar-condicionado, que vai garantir mais conforto e segurança para os alunos”, ressaltou Sebastião Oliveira. “Só a educação transforma. Ela é uma das principais ferramentas que o político disponibiliza para transformar vidas e promover a verdadeira inclusão social”, finalizou o republicano.

No Cine São José, o bolso que guarda a alma da minha saudade

Por Magno Martins, jornalista Minha última crônica da série revivendo Afogados da Ingazeira, minha pátria de nascença, escrevo hoje com a dor da saudade, com os olhos em lágrimas. Traz como cerne o Cine São José. Que alegria encontrá-lo vivo, fazendo resplandecer no sorriso da garotada os truques e segredos da sétima arte! Pisei no […]

Por Magno Martins, jornalista

Minha última crônica da série revivendo Afogados da Ingazeira, minha pátria de nascença, escrevo hoje com a dor da saudade, com os olhos em lágrimas. Traz como cerne o Cine São José.

Que alegria encontrá-lo vivo, fazendo resplandecer no sorriso da garotada os truques e segredos da sétima arte!

Pisei no seu solo sagrado com meu filho Magno Filho e seu primo Guilherme, que lhe acolheu esses dias de férias por aqui com o seu irmão Antônio Neto. Uma das magias do cinema era o toque da cirene. Quando criança e adolescente, tocava três vezes. Era o aviso de que teríamos um bom filme naquela noite. Ainda continua tocando. Cada toque, uma lágrima de saudade.

Nele, assisti muitos filmes de Tarzan! Na história, Tarzan era filho de um casal de nobres ingleses. Logo após o assassinato de John e Alice Clayton por gorilas, na costa africana, o garoto ficou sozinho e foi encontrado por macacos. Ele acabou sendo criado pela macaca Kala e, já adulto, casou-se com Jane, com quem teve um filho.

Adorava a macaca Chita. Era uma gorila mal-humorada, e moleca que atuava como uma irmã adotiva para Tarzan e Jane, a mulher que salvou Tarzan da solidão na selva, onde vivia com gorilas e com eles aprendeu tropecias em árvores para se salvar.

Havia filmes de faroestes e séries. Adorava Rin Tin Tin. Apelidado Rinty por seu proprietário, era um cão bonito que aprendeu truques e podia saltar grandes alturas. Foi transformado em um cão de shows pelo produtor cinematográfico Charles Jones, que pagou a Duncan para filmar Rinty.

Conta a história que o primeiro Rin Tin Tin surgiu nas telas, assim, em 1922, em The Man From Hell’s River, no papel de um lobo.

O Cine São José também foi palco de muitas anarquias quando moleque. Nossa turma, de tão bagunceira, era vigiada e chegou a ser proibida de frequentar o cinema. Pulávamos sobre as cadeiras para quebrá-las. Enchíamos seu assento de chicletes.

Seu Helvécio, locatário do cinema, propriedade da Diocese, criou a sua lista de Schindler para nos perseguir e nos privar da telinha. E ainda fazia o fuxico aos pais.

Para minha geração, o Cine São José foi o grande centro cultural de Afogados da Ingazeira. Além de projetar filmes, era palco para os Domingos Alegres, com Waldecy Menezes, um programa de auditório transmitido pela Rádio Pajeú.

Waldecy era o nosso Silvio Santos que nos salvava do tédio nas tardes de domingo. O programa era super divertido e revelava talentos. A cantora Maria da Paz, a Paizinha, que Deus já chamou, foi uma delas. Garotinha, subia no palco e cantava feito um sabiá.

Que saudade desse tempo maravilhoso! Rubem Alves, meu cronista preferido, diz que saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar. Diz também que saudade é o bolso onde a alma guarda aquilo que perdeu. Na saudade, descobrimos que pedaços de nós já ficaram para trás.