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O peso do Sertão pernambucano nas eleições de 2018

Por André Luis

Do Diário de Pernambuco

A região é conhecida pela seca e pelo Rio São Francisco, ocupando cerca de 70% do território pernambucano, e terá um simbolismo na disputa desse ano. O Diario traz um raio dos apoios aos pré-candidatos ao governo nos 56 municípios sertanejos

Quase sempre ofuscado nos debates eleitorais pela Região Metropolitana do Recife, por ter 17,8% do eleitorado pernambucano, o Sertão deve estar mais presente na pauta política de 2018. Seis dos 10 municípios sertanejos mais populosos são administrados por prefeitos da oposição ao governo Paulo Câmara (PSB) e eles vão exercer um poder de pressão política e econômica maior nesse período. A região é conhecida pela seca e pelo Rio São Francisco, ocupando cerca de 70% do território pernambucano, e terá um simbolismo na disputa desse ano. Manter e conquistar o apoio, nesse cenário, será um desafio aos pré-candidatos ao governo.

A proximidade dos moradores com as lideranças políticas locais pode ser um contraponto à apatia dos centros urbanos, onde a conexão dos moradores com seus prefeitos, vereadores e deputados é menor. No interior, muitos eleitores assumem um lado e a popularidade ou impopularidade de um prefeito pode ajudar na eleição de um governador. O engajamento dos gestores é tão importante que oposição e governo medem forças na pré-campanha exibindo os apoios que recebem. O Diario traz um raio x de quem está com quem nesta primeira fase. Há controvérsias sobre o prefeito de Santa Maria da Boa Vista, Humberto Mendes (PTB), que não foi localizado. Duas fontes falaram que ele apoiava Armando. O deputado federal Fernando Monteiro negou. (Veja quadros abaixo)

A reportagem entrevistou seis dos 56 prefeitos da região (10%), um deputado estadual e três federais com bases eleitorais espalhadas no Sertão Central e de Itaparica, no Araripe, no Moxotó, no Pajeú e no São Francisco. Os dados sobre municípios foram levantados no Tribunal Superior Eleitoral e na Associação Municipalista de Pernambuco.

Embora alguns prefeitos mudem de lado no decorrer da disputa, nessa etapa preliminar, dos 56 sertanejos eleitos em 2016, 41 apoiam a reeleição do governador Paulo Câmara (PSB), 11 estão com o senador Armando Monteiro Neto (PTB) e quatro pretendem votar em Marília Arraes (PT), que ainda não teve a pré-candidatura confirmada pelo partido.

Os aliados do governador estão otimistas ao falar sobre os avanços educacionais na área, numa região que por muito tempo foi marcada pelo coronelismo, pelo voto de cabresto. Já os adversários vão centrar o discurso na crise econômica dos municípios, nas obras que deixaram de ser feitas pelo governo por falta de “autoridade” e iniciativa.

Pelos números levantados e entrevistas, o Araripe é o maior centro político de Armando Monteiro Neto. Sem apoio de prefeitos em 2014, ele venceu em oito dos dez municípios, num momento em que Pernanbuco estava vivendo uma comoção pela morte de Eduardo Campos. Nessa disputa, agora, ele tem o suporte de dois prefeitos, sendo em duas cidades de densidade eleitoral (Araripina e Bodocó).

Já o Sertão do Pajeú é o principal berço do PSB na região. Dos 17 prefeitos, 13 dizem votar com Paulo, três apoiam Armando e um Marília. (Veja o quadro). A relação do Pajeú com o PSB é histórica, segundo o presidente da Associação Municipalista de Pernambuco, o prefeito de Afogados da Ingazeira, José Patriota (PSB).

Segundo o prefeito, a ligação com a legenda socialista vem desde a época do governador Miguel Arraes. Ele lembrou que, em 1982, o primeiro prefeito do MDB de Pernambuco (Geraldo Alves) foi eleito em Itapetim, em plena ditadura militar. Ainda segundo Patriota, das dez melhores escolas que disputavam o ranking na categoria Ensino Médio no índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEPE), oito delas foram do Sertão. Um avanço educacional que, para ele, beneficia Paulo Câmara.

“Aqui, no Pajeú, teve a primeira mulher presidente de sindicato, Dona Lia, dos Trabalhadores Rurais. Outro aspecto desse berço do PSB é a poesia. Aqui é um lugar onde pessoas dizem coisa de improviso, o povo tem identidade com seu território e isso influencia no comportamento do dia a dia. Mudou muito em termos de coronelismo por conta dos investimentos em educação. O resultado do Sertão em termos de educação não se compara com a Região Metropolitana”, orgulhou-se Patriota, citando o Idepe, tocado pelo governo estadual.

O contraponto no Pajeú ao PSB é o prefeito de Serra Talhada, Luciano Duque (PT), que tem feito a diferença na campanha pró-Marília e administra o maior colégio eleitoral de lá. O petista disse que votará com Armando Monteiro caso o PT decida, no estado, se aliar a Paulo Câmara, mas ele está confiante que Marília será a candidata de Lula. “Na cidade grande as pessoas estão preocupadas com outros problemas, no interior, se respira política 24 horas. Na eleição passada, o grupo de Eduardo construiu uma frente com muita coesão, tinha normalmente o apoio de duas ou três correntes, tinha oposição e situação apoiando Paulo Câmara. Agora, sem Eduardo, o cenário é outro, as forças se dividiram, é uma movimentação espontânea”, analisou.

Outras Notícias

Paulo passa por saia-justa e Armando fica em casa em sabatina da Fiepe

do JC Online A sabatina promovida pela Federação de Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) na tarde dessa segunda (15) com os candidatos Armando Monteiro Neto (PTB) e Paulo Câmara (PSB) – principais postulantes ao governo estadual – mostrou situações distintas no relacionamento com os concorrentes. Enquanto o petebista (que presidiu a instituição por 12 […]

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do JC Online

A sabatina promovida pela Federação de Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) na tarde dessa segunda (15) com os candidatos Armando Monteiro Neto (PTB) e Paulo Câmara (PSB) – principais postulantes ao governo estadual – mostrou situações distintas no relacionamento com os concorrentes. Enquanto o petebista (que presidiu a instituição por 12 anos, além de oito que ficou à frente da CNI) encontrou um ambiente favorável, Paulo teve que escutar críticas a respeito do tratamento do Estado com o empresariado. As propostas foram apresentadas separadamente.

Ao fazer a apresentação do quadro econômico de Pernambuco, o coordenador de execução da Política Industrial de Pernambuco da Fiepe, Antônio Carlos Maranhão, destacou que o Estado é considerado um dos mais instáveis e complexos para a instalação de novas empresas. Ele também citou dados que mostram que Pernambuco tem uma das energias mais caras do País, o que impacta na competitividade com os demais estados.

Paulo questionou a fonte dos dados e disse o tempo para instalação de novos empreendimentos reduziu de 30 dias para nove dias. O socialista criticou o sistema elétrico do País e disse que o custo da energia se deve ao modelo de concessão, mas se comprometeu em rever formas para reduzir os valores. O candidato foi questionado sobre as políticas de incentivo às micro e pequenas empresas, tema que pauta os discursos de Armando Monteiro. Ele disse que seu governo terá uma política tributária justa e se comprometeu a criar unidades regionais da AD Diper.

Sentindo-se em casa, Armando falou o que os empresários queriam ouvir: que, caso seja eleito, irá defender alianças com o setor privado tanto para obras de caráter econômico ou social. Falou também em não oferecer isenção fiscal para novas empresas cuja produção seja semelhante à da indústria local, evitando, assim, concorrentes. A sintonia com a plateia era tanta que, a cada pergunta, o candidato era aplaudido.

“Uma aliança estratégica, não tem outro nome. Se não construirmos uma aliança estratégica do governo com o setor empresarial, nós não vamos poder enfrentar essa agenda que é extremamente sobrecarregada”, afirmou.

O petebista defendeu propostas para a área de educação, programas de incentivos e infraestrutura e ainda respondeu questões feitas pelos empresários nas áreas de qualificação, inovação e sustentabilidade.

Nas considerações finais, aproveitou para alfinetar o adversário, afirmando que Paulo Câmara é um “produto de marketing”. “A experiência indica que gestores existem em várias áreas, nas instituições públicas, nas empresas, nas universidades. Agora, políticos, é algo que não tem pronto na prateleira”, disse.

Em Afogados, Dani Portela critica Delegacia da Mulher fechada

Em agenda no município de Afogados da Ingazeira, ao lado da vereadora Lucineide do Sindicato, a Deputada do Dani Portela (PT) criticou o fechamento da Delegacia da Mulher que, segundo ela, “não cumpre o seu papel por pura falta de gestão”. “Existe a Lei Federal 14.541, que exige o funcionamento dessas unidades durante 24 horas. […]

Em agenda no município de Afogados da Ingazeira, ao lado da vereadora Lucineide do Sindicato, a Deputada do Dani Portela (PT) criticou o fechamento da Delegacia da Mulher que, segundo ela, “não cumpre o seu papel por pura falta de gestão”.

“Existe a Lei Federal 14.541, que exige o funcionamento dessas unidades durante 24 horas. Se a lei existe, por que o Governo do Estado continua ignorando a realidade das pernambucanas?” – criticou.

Ela disse que a segurança e a vida das mulheres “não são opcionais”.

“Não dá para esperar o pior acontecer para que providências sejam tomadas”, criticou. A vereadora Lucineide afirmou que há muitos casos de violência contra a mulher na região e que o equipamento é regional.

Danilo diz que bate Marília em Serra Talhada

Eleição na Capital do Xaxado ganhou visibilidade com ida de Luciano Duque para o palanque de nome do Solidariedade Em entrevista à Rádio Vilabela FM, o pré-candidato Danilo Cabral (PSB) disse que a Frente Popular trabalha para conquistar uma grande vitória em Serra Talhada, cidade que nos últimos anos vinha fazendo oposição ao PSB sob […]

Eleição na Capital do Xaxado ganhou visibilidade com ida de Luciano Duque para o palanque de nome do Solidariedade

Em entrevista à Rádio Vilabela FM, o pré-candidato Danilo Cabral (PSB) disse que a Frente Popular trabalha para conquistar uma grande vitória em Serra Talhada, cidade que nos últimos anos vinha fazendo oposição ao PSB sob a liderança do ex-prefeito Luciano Duque.

Confiante no apoio da prefeita Márcia Conrado, do deputado federal Sebastião Oliveira, do ex-prefeito Carlos Evandro e de grande parte dos vereadores da base governista, ele afirmou acreditar que será majoritário em Serra, onde disputará espaço com Marília Arraes, apoiada por Duque.

Com a ida de Luciano Duque para o palanque de Marília Arraes, a eleição na cidade virou uma vitrine, observada por analistas da política estadual. Márcia não seguiu seus passos e confirmou apoio a Danilo.

“Tenho essa confiança pois a gente tem aí um conjunto político que é extremamente representativo. Além das lideranças da prefeita Márcia, do vice-prefeito e do conjunto de vereadores, a liderança do deputado Sebastião Oliveira, que é uma força política expressiva e tradicional da cidade, nosso Carlos Evandro, Duquinho, ou seja, nós temos um time que mostra e a população de Serra sabe que tem todas as condições de construir uma grande e bonita vitória da Frente Popular em Serra Talhada”, afirmou Danilo.

Apesar de não citar nomes, o pré-candidato aproveitou para cutucar alguns opositores, que segundo ele estariam escondendo o presidente Bolsonaro em seus palanques. A fala pode ser entendida como uma indireta para Miguel Coelho, que tem se distanciando da figura do presidente da República. “Eu espero que aquele que defende o Bolsonaro bote a cara e defenda o Bolsonaro. Eu não vi ninguém ainda botar a cara, acho que talvez só o prefeito Anderson que tem assumido efetivamente, mas tem outros companheiros que tiveram relações estreitas com Bolsonaro mas até agora eu tenho sentido distante de Bolsonaro, parece alguma vergonha. Acho que todo mundo tem que mostrar seu time, todos”.

Acerca do polêmico voto a favor do impeachment de Dilma, repetiu que foi um erro já superado. “Essa é uma discussão já esclarecida e já superada. O partido nacionalmente já expressou que foi um equívoco histórico, o partido reconheceu esse equívoco. Nós, depois disso, já tivemos manifestações do próprio presidente Lula, então isso pra gente é uma questão já superada desde a última eleição”.

Orelhão Digital do MPPE leva cidadania à população do Pajeú

O projeto Orelhão Digital, do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), aportou em mais duas cidades do Sertão do Estado na última segunda-feira (17). O lançamento das unidades ocorreu pela manhã na Câmara de Vereadores de Sertânia e no período da tarde, na sede do Legislativo de Iguaracy. Nas duas localidades, o espaço físico que receberá […]

O projeto Orelhão Digital, do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), aportou em mais duas cidades do Sertão do Estado na última segunda-feira (17).

O lançamento das unidades ocorreu pela manhã na Câmara de Vereadores de Sertânia e no período da tarde, na sede do Legislativo de Iguaracy.

Nas duas localidades, o espaço físico que receberá os Orelhões Digitais será localizado dentro das Câmaras Municipais.

As duas cidades se unem às cidades de Cabrobó, Gravatá, Caruaru, Brejinho e Flores, que já firmaram parceria com o MPPE para implantar o projeto.

“Importante levar, pelo MPPE, às cidadãs e aos cidadãos pernambucanos, em parceria com as Câmaras e municípios aderentes, o direito humano à inclusão digital. Essa iniciativa visa otimizar o recebimento de demandas e aumentar a resolutividade no atendimento ao público”, detalhou a promotora de Justiça Fernanda Nóbrega, líder do projeto.

Em Sertânia, a inauguração do Orelhão Digital teve a presença do presidente da Câmara, vereador Antônio Henrique dos Santos; do prefeito ngelo Ferreira dos Santos; do promotor de Justiça Tiago Gonzales; além de vereadores, secretários municipais, servidores e moradores.

Já em Iguaracy, prestigiaram o lançamento o presidente da Câmara, vereador Francisco Torres Martins; o prefeito José Lopes Filho; vereadores, secretários municipais, servidores e a população local.

Temer afirma a Paulo que vai promover mudanças na Reforma da Previdência

O governador Paulo Câmara se reuniu hoje (05.04) pela manhã, no Palácio do Planalto, com o presidente Michael Temer. Paulo atendeu convite do presidente para a conversa. Entre os assuntos tratados na reunião, que durou 1h, a Reforma da Previdência, o andamento das obras hídricas de Pernambuco e a autonomia do Porto de Suape. “O […]

O governador Paulo Câmara se reuniu hoje (05.04) pela manhã, no Palácio do Planalto, com o presidente Michael Temer. Paulo atendeu convite do presidente para a conversa. Entre os assuntos tratados na reunião, que durou 1h, a Reforma da Previdência, o andamento das obras hídricas de Pernambuco e a autonomia do Porto de Suape.

“O presidente Temer me revelou que o deputado federal Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), relator da matéria, está ouvindo as bancadas no Congresso Nacional e que vai promover mudanças na proposta de Reforma da Previdência encaminhada pelo Governo Federal”. Paulo disse que reconhece a necessidade da Reforma, mas falou ao presidente das preocupações dos governadores do Nordeste com relação à assistência social do trabalhador rural e o acesso ao Benefícios de Prestação Continuada. “A Reforma não pode prejudicar os mais vulneráveis”.

“Também pedi ao presidente que o Governo Federal deixasse as obras hídricas de fora do contigenciamento. No sexto ano consecutivo de seca no Nordeste, o que precisamos é de acelerar as obras em andamento para que a população de Pernambuco e dos outros Estados do Nordeste diminuam o sofrimento causado pela falta d’Água”. Segundo o governador de Pernambuco, o presidente Temer garantiu a priorização para não haver redução dos recursos para os projetos hídricos.

Outro assunto abordado por Paulo Câmara foi o retorno da autonomia do Porto de Suape, tirada pelo Governo Federal em 2013. Segundo o presidente Michel Temer, em breve o Governo estará publicando decreto que devolverá a Suape a competência para condução de estudos, a elaboração dos editais, a realização dos procedimentos licitatórios e a celebração dos contratos relativos aos arrendamentos portuários. Com a autonomia, Suape também passará a ser responsável pela aprovação das expansões e adensamento de áreas e, prorrogações antecipadas de contratos em vigência. “Essa medida corrigirá uma injustiça que foi cometida contra Pernambuco e contra Suape e permitirá que o nosso Porto continue crescendo num ritmo acelerado”, disse Paulo Câmara.