Caso Master: mensagens revelam contatos de Vorcaro com políticos; ex-banqueiro nega à PF grupo de intimidação e plano de fuga

Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal nesta quarta-feira (30) e negou a existência de grupos organizados para intimidar adversários ou de um plano de fuga. No mesmo dia, novas mensagens extraídas de seu celular revelaram contatos e encontros do ex-controlador do Banco Master com políticos e outras figuras públicas entre 2023 e 2025.
A oitiva teve como foco a investigação sobre os grupos mencionados nas mensagens como “A Turma” e “Os Meninos”. A PF apura suspeitas de que estruturas ligadas ao empresário tenham atuado na obtenção de informações protegidas, monitoramento e ações contra pessoas consideradas adversárias. As suspeitas ainda estão sob investigação.
Segundo a defesa, as expressões encontradas nas conversas não identificavam grupos específicos ou estruturas organizadas. Os advogados afirmaram ainda que Vorcaro mantinha um contrato formal de prestação de serviços de inteligência e segurança digital e negaram a ocorrência de atos de violência ou intimidação.
O ex-banqueiro também voltou a negar que pretendesse fugir do país quando foi preso pela primeira vez, em novembro de 2025. A defesa sustenta que a viagem havia sido comunicada previamente e que existiam reservas de hotel, salas de reunião e registros relacionados ao deslocamento.
Vorcaro está preso preventivamente desde março, quando foi alvo de uma nova ordem de prisão no curso das investigações. A prisão é uma medida cautelar e não representa condenação.
Enquanto o depoimento ocorria, mensagens obtidas pela PF e divulgadas pela imprensa trouxeram novos detalhes sobre os contatos mantidos pelo empresário.
Entre os interlocutores identificados estão o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), o atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia e o apresentador Luciano Huck. As conversas, por si só, não significam a prática de irregularidades pelos citados.
No caso de Hugo Motta, mensagens mostram uma relação de proximidade com Vorcaro. Em maio de 2025, o empresário escreveu ao deputado: “Queria estar em Mônaco com você”. Também há registros de pedidos relacionados a ingressos para camarote e de conversas envolvendo negócios.
Os diálogos incluem ainda uma operação de crédito de pelo menos R$ 22 milhões concedida pelo Banco Master a uma empresa ligada à cunhada de Motta para aquisição de um terreno em João Pessoa, na Paraíba.
Motta afirmou que não existe ilícito nas conversas divulgadas e rejeitou qualquer interpretação de que tenha ocorrido favorecimento. Segundo o presidente da Câmara, seus contatos com Vorcaro estavam inseridos nas relações que mantém com representantes de diferentes setores da sociedade.
As mensagens também mostram trocas pessoais entre Vorcaro e Davi Alcolumbre. O presidente do Senado afirmou que as conversas têm caráter privado e não demonstram ilegalidade, além de rejeitar acusações de favorecimento.
Outro conjunto de diálogos indica que Alexandre Padilha, então ministro da Secretaria de Relações Institucionais, participou de um jantar na residência de Vorcaro, em Brasília, em outubro de 2024. O encontro ocorreu antes da reunião do banqueiro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em dezembro daquele ano.
Padilha estava acompanhado de Olavo Noleto, então secretário-executivo da pasta. O compromisso não apareceu na agenda oficial do ministro. Em resposta à divulgação das mensagens, a assessoria de Padilha afirmou que ele participava regularmente de encontros com representantes de diferentes setores e que não houve desdobramento relacionado ao jantar. Também destacou que, naquele momento, não havia acusações contra o Banco Master.
Mensagens ainda mostram que Vorcaro organizou um almoço para o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em 2023. O ex-banqueiro não participou do encontro. Os registros integram o material extraído pela PF de aparelhos apreendidos durante as investigações.
Os diferentes contatos revelados nas mensagens passaram a ser analisados no conjunto das apurações sobre Vorcaro e o Banco Master. A existência de encontros, conversas ou relações pessoais não representa, isoladamente, comprovação de participação dos interlocutores nos fatos investigados.
Fonte: Diário de Pernambuco
Foto: Divulgação
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