Notícias

O Blog e a História: o conclave que elegeu o papa Francisco

Por Nill Júnior

O conclave que elegeu Francisco como o 266º Papa da Igreja Católica foi singular por diversos motivos. Foi o primeiro a ser realizado após uma renúncia em mais 600 anos e também levou pela primeira vez um arcebispo jesuíta e latino-americano ao posto mais alto do Vaticano.

Antes do conclave, a renúncia de Bento 16 pegou cardeais de surpresa. Em uma entrevista em 2019, o jornalista e vaticanista Gerard O’Connell, autor do livro “A Eleição do Papa Francisco: Um relato íntimo do conclave que mudou a história”, contou que a abdicação inesperada ajudou na eleição de Francisco — à época, Jorge Mario Bergoglio.

“O anúncio da renúncia de Bento 16, o segredo mais bem guardado de seu pontificado, pegou os cardeais completamente de surpresa. Eles não estavam preparados para um conclave e só tiveram 30 dias para eleger um novo papa. A súbita renúncia de Bento 16 significou que não houve tempo para as manobras de lobby que precederam o conclave de 2005 [quando Bento 16 foi eleito]”.

Quando o conclave começou, o argentino não era o mais cotado para o papado. Na relação dos favoritos à sucessão de Bento 16 estavam o italiano Angelo Scola, o canadense Marc Ouellet e o brasileiro Odilo Scherer, arcebispo Metropolitano de São Paulo.

Os cardeais, no entanto, buscavam uma nova visão e energia para a Igreja. Segundo O’Connell, nenhum dos três nomes mais cotados era visto pelos votantes do conclave como uma liderança verdadeiramente inspiradora para os católicos.

O nome de Bergoglio surgiu neste contexto. “Dos 115 cardeais eleitores, 68 participaram do conclave de 2005, no qual Bergoglio ficou em segundo lugar, e eles sabiam que era um homem profundamente espiritual, não ambicioso, que vivia de uma forma muito simples e austera, que professava um enorme amor aos pobres e que visitava regularmente as favelas de Buenos Aires”, expõe O’Connell.

Na primeira votação do conclave, o favoritismo de Scola já foi colocado à prova. O italiano, considerado o preferido de Bento 16, não conseguiu o número de votos que esperava receber. De acordo com O’Connell, os cardeais italianos estavam divididos em relação ao compatriota.

Os italianos constituíam o maior bloco do conclave, com um total de 28 votos. “Alguns se opunham fortemente à sua eleição. Vários cardeais também se sentiram desconfortáveis por causa dos laços que Scola mantinha com o movimento conservador Comunhão e Libertação. Além disso, muitos sentiram que ele tinha problemas para se comunicar com as pessoas, porque usava uma linguagem complicada”, conta o jornalista.

“Uma outra razão foi ele ser visto como o preferido de Bento 16, com quem ele estava muito alinhado teologicamente. Muitos cardeais pensaram que, se Scola fosse eleito papa, do ponto de vista teológico, seria mais do mesmo”.

No dia seguinte, Bergoglio já era o mais votado. Os votos que o argentino recebeu no primeiro dia — 26, contra 30 de Scola — foram decisivos para o aumento no segundo dia e a futura eleição. “Um grande número de eleitores não sabia em quem votar, mas, quando Bergoglio emergiu tão fortemente, muitos interpretaram como um sinal de Deus”, explica.

A eleição para um papa, em muitos aspectos, é parecida com um pleito político. Cardeais fazem lobby para outros, com jantares e reuniões secretas. Apesar disso, O’Connell garante que não houve campanha prévia para Bergoglio, apenas durante o conclave. “Seu nome como candidato surgiu lentamente e apenas nos dias antes de os cardeais entrarem na Capela Sistina para votar”, explica.

“O nome de Bergoglio surgiu porque muitos dos cardeais estavam à procura de uma mudança radical e perceberam que os três favoritos nunca fariam isso. Bergoglio, por sua vez, nunca pensou que seria papa. Havia comprado uma passagem de avião para voltar a Buenos Aires e preparado a homilia para a missa da Quinta-Feira Santa, por isso estava tranquilo. Só percebeu que poderia se tornar papa após a terceira votação”.

No entanto, o nome de Bergoglio não era unanimidade. Alguns cardeais desgostavam da ideia do argentino como papa e, inclusive, divulgaram falsas notícias sobre ele para tentar impedir a eleição.

Os posicionamentos de Bergoglio eram o principal ponto de oposição. “Houve alguma oposição a Bergoglio no conclave por parte daqueles que não gostavam de seu estilo de vida simples e austero e seu compromisso com os pobres e de outros que não gostavam de sua atividade como missionário, sua ideia de uma Igreja que vai às periferias, e por ser alguém que instruiu os padres em Buenos Aires a batizar os filhos de mães solos”, explica o autor.

Francisco foi eleito após cinco votações. De acordo com as regras do conclave, é preciso que um candidato tenha ao menos dois terços dos votos para se eleger papa. Bergoglio terminou a última votação com 85 votos dos 115 cardeais votantes. Scola teve 20; Marc Ouellet, 8.

O anúncio da vitória foi feito às 20h14 (16h14 de Brasília) do dia 13 de março de 2013. O nome do novo papa foi revelado após o famoso “Annuntio vobis gaudium, habemus Papam” (“anuncio uma grande alegria: temos um papa”), feito pelo cardeal francês Jean-Louis Tauran.

Outras Notícias

Neste sábado (24), Datafolha e Quaest divulgam últimas pesquisas das eleições 2026; saiba os horários

Os institutos Datafolha e Quaest divulgam neste sábado (24), véspera do segundo turno das eleições presidenciais, novos levantamentos sobre a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). As pesquisas foram realizadas na sexta-feira (23) e neste sábado e poderão captar parcialmente as reações dos eleitores ao […]

Os institutos Datafolha e Quaest divulgam neste sábado (24), véspera do segundo turno das eleições presidenciais, novos levantamentos sobre a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). As pesquisas foram realizadas na sexta-feira (23) e neste sábado e poderão captar parcialmente as reações dos eleitores ao último debate entre os candidatos, promovido pela TV Globo.

A divulgação ocorre após uma semana de levantamentos que apontaram empate técnico entre os presidenciáveis. O segundo turno será realizado neste domingo (25).

A pesquisa Quaest tem divulgação prevista para as 10h15 deste sábado, ainda pela manhã. Já os resultados do Datafolha são esperados no início da noite, com transmissão da Folha de S.Paulo a partir das 18h40. Os horários são de Brasília, os mesmos de Pernambuco.

O Datafolha realizou 4.050 entrevistas presenciais entre sexta-feira e sábado. O levantamento foi contratado pela TV Globo e pela Folha de S.Paulo, tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-09540/2026.

Na pesquisa anterior do instituto, divulgada na quinta-feira (22), Flávio registrou 47% das intenções de voto, enquanto Lula apareceu com 46%. A diferença de um ponto percentual configurou empate técnico. Nos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, os dois candidatos tiveram 50% cada, considerando os percentuais arredondados.

A Quaest também realizou entrevistas presenciais na sexta-feira e neste sábado, ouvindo 3.702 eleitores. O levantamento foi contratado pelo jornal O Globo e pela TV Globo, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-09158/2026.

Na rodada anterior da Quaest, divulgada na quarta-feira (21), Flávio apareceu com 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula. A diferença também ficou dentro da margem de erro do levantamento.

As novas pesquisas serão divulgadas depois de uma semana marcada por acontecimentos na campanha, incluindo a promulgação do fim da escala de trabalho 6×1, as entrevistas dos candidatos à TV Globo e os debates realizados pela Band e pela própria Globo.

Outro tema que ganhou espaço na disputa foi o futuro do Bolsa Família. A campanha de Lula passou a questionar declarações da coordenadora econômica de Flávio, Daniella Marques, enquanto o candidato do PL afirmou que pretende manter o programa.

Como parte das entrevistas foi realizada antes do debate da Globo e parte depois, os levantamentos poderão captar apenas parcialmente eventuais mudanças de opinião relacionadas ao encontro.

Os resultados serão conhecidos na véspera da votação e representarão as intenções de voto registradas durante o período de coleta, não uma previsão do resultado das urnas.

Fonte: O Globo
Foto: Reprodução

Acompanhe o Blog do Nill Júnior também no Instagram e veja essa e outras notícias: @nill_jr

“Pai do bebê”, “dá um Google” e “irmão do Tigrinho”: Lula explora linguagem das redes sociais no debate da Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recorreu a expressões populares nas redes sociais, memes e referências conhecidas do público jovem durante o debate com Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite dessa sexta-feira (23), na TV Globo. A estratégia apareceu em diferentes momentos do confronto, quando o petista citou o jogador Richarlison como “pai […]

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recorreu a expressões populares nas redes sociais, memes e referências conhecidas do público jovem durante o debate com Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite dessa sexta-feira (23), na TV Globo. A estratégia apareceu em diferentes momentos do confronto, quando o petista citou o jogador Richarlison como “pai do bebê”, pediu que os eleitores pesquisassem informações no Google e chamou o adversário de “irmão do Tigrinho”.

Logo no primeiro bloco, Lula utilizou uma comparação com estudantes que decoram conteúdos para prestar vestibular, mas não conseguem demonstrar conhecimento sobre o assunto, para criticar o desempenho de Flávio. O presidente também sugeriu que os telespectadores pesquisassem na internet informações sobre investimentos realizados durante o governo de Jair Bolsonaro.

A referência ao Google voltou a aparecer quando os candidatos discutiram a região Norte do país. Lula questionou o conhecimento do adversário sobre Manaus e os investimentos federais na Amazônia. Flávio reagiu perguntando se quem governava o Brasil era o presidente ou o Google.

Outro momento ocorreu no quarto bloco, quando Lula mencionou uma disputa envolvendo o jogador Richarlison, atacante da Seleção Brasileira, e uma propriedade em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

Ao apresentar o caso, o presidente utilizou dois apelidos associados ao atleta na internet. Primeiro, lembrou a comemoração de gols em que Richarlison imita um pombo. Depois, chamou o jogador de “pai do bebê”, expressão popularizada nas redes sociais.

O apelido surgiu de vídeos publicados por Dudu Daibert, cunhado do atacante, que passou a se apresentar como “tio do bebê” ao brincar com o nome do filho de Richarlison. A expressão ganhou repercussão entre seguidores do jogador e de sua família.

No debate, Lula questionou Flávio sobre a disputa por uma propriedade na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. O presidente mencionou a versão apresentada por Richarlison, segundo a qual o jogador teria enfrentado dificuldades para regularizar a ocupação do imóvel, enquanto pessoas ligadas ao advogado Willer Tomaz teriam obtido documentação em prazo menor.

As circunstâncias da disputa são contestadas pelas partes envolvidas. Flávio nega participação direta no negócio, enquanto o advogado afirma que a aquisição dos direitos sobre a propriedade ocorreu legalmente.

A linguagem das redes também apareceu na discussão sobre os jogos de apostas online. Flávio chamou Lula de “pai do Tigrinho”, responsabilizando o governo petista pela regulamentação dessas atividades.

O presidente rebateu a acusação, atribuiu ao governo Jair Bolsonaro parte da responsabilidade pela expansão das apostas e chamou o ex-presidente de “pai do Tigrinho”. Em seguida, classificou Flávio como “irmão do Tigrinho”, em uma referência à relação familiar entre os dois.

A disputa sobre a responsabilidade pela regulamentação das apostas envolve decisões tomadas em diferentes governos. As apostas de quota fixa foram autorizadas por legislação de 2018, durante a gestão Michel Temer, tiveram novas medidas durante o governo Bolsonaro e foram regulamentadas posteriormente pelo governo Lula.

Apesar das referências bem-humoradas e das expressões populares, o debate também teve momentos de confronto pessoal. Flávio afirmou que Lula dava benefícios com uma mão e os retirava com “nove dedos”, fazendo referência à amputação sofrida pelo presidente em um acidente de trabalho.

Lula reagiu à declaração, relembrou as circunstâncias em que perdeu o dedo mínimo da mão esquerda, aos 17 anos, e chamou o adversário de miliciano. Flávio pediu desculpas pela referência à deficiência física do presidente.

A utilização de expressões populares ocorreu após orientações da equipe de campanha para que Lula adotasse uma postura mais tranquila e concentrasse suas intervenções nas realizações do governo e nas propostas para um eventual novo mandato.

O confronto foi o último debate presidencial antes do segundo turno, marcado para este domingo (25).

Fonte: O Globo
Foto: Ricardo Stuckert

Acompanhe o Blog do Nill Júnior também no Instagram e veja essa e outras notícias: @nill_jr

“Ele não respondeu por que defendeu o assassino da minha filha”, diz mãe de Ana Clara após fala de Flávio em debate

Cristiane Gomes da Silva, mãe da menina Ana Clara, morta aos cinco anos após ser atingida por um tiro de fuzil em Niterói, no Rio de Janeiro, criticou a resposta de Flávio Bolsonaro (PL) durante o debate presidencial da TV Globo, realizado nessa sexta-feira (23). Ela acompanhou o encontro na plateia e afirmou que o […]

Cristiane Gomes da Silva, mãe da menina Ana Clara, morta aos cinco anos após ser atingida por um tiro de fuzil em Niterói, no Rio de Janeiro, criticou a resposta de Flávio Bolsonaro (PL) durante o debate presidencial da TV Globo, realizado nessa sexta-feira (23). Ela acompanhou o encontro na plateia e afirmou que o senador não explicou por que atuou como advogado do policial militar acusado de matar sua filha.

A manifestação ocorreu após o presidente Lula (PT) questionar Flávio sobre sua participação na defesa do cabo da Polícia Militar Bruno Dias Delaroli, denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro pela morte da criança, em fevereiro de 2021.

“Eu não tive a resposta que eu queria. Ele não respondeu porque defendeu o assassino da minha filha”, afirmou Cristiane após a discussão entre os candidatos.

A mãe contestou a versão apresentada pelo senador de que a morte teria ocorrido durante uma troca de tiros em uma comunidade marcada pela presença do tráfico de drogas. Segundo ela, não havia confronto no momento em que a filha foi atingida.

Cristiane afirmou que um policial chegou ao local atirando e que a perícia apontou as circunstâncias do disparo. Ela também acusou Flávio de ter utilizado sua influência como senador para dificultar a realização do julgamento do militar.

De acordo com a mãe, o julgamento foi anulado duas vezes neste ano. A afirmação sobre a responsabilidade de Flávio pelas alterações processuais, entretanto, é uma acusação de Cristiane e não constitui uma conclusão judicial.

Durante o debate, Flávio começou sua resposta confundindo o nome da mãe com o da filha morta. Ao se dirigir a Cristiane, chamou-a de Ana Clara antes de manifestar solidariedade pela perda da criança.

O senador classificou a morte como uma tragédia, afirmou não conseguir imaginar o sofrimento de perder uma filha de cinco anos e disse acreditar que o policial acusado não tenha sido o responsável pelo disparo.

“Tenho a confiança que não foi esse policial”, declarou Flávio, ao defender a necessidade de esclarecer a autoria do tiro.

Cristiane rejeitou a explicação. Ela afirmou ter presenciado a morte da filha e criticou o candidato por apresentar uma versão que, segundo seu relato, não corresponde ao que aconteceu naquela ocasião.

A menina Ana Clara Gomes Machado foi atingida por um disparo de fuzil em fevereiro de 2021, na comunidade Monan Pequeno, no bairro de Pendotiba, em Niterói. A criança estava nas proximidades de casa quando foi baleada.

O policial Bruno Dias Delaroli foi acusado pelo Ministério Público de efetuar o disparo. Ele ainda não foi condenado, e sua defesa contesta a acusação.

Flávio Bolsonaro passou a integrar a defesa do militar e, em 2024, assinou um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra a decisão que determinou que o caso fosse submetido ao Tribunal do Júri.

O trabalho do senador na defesa ocorreu sem cobrança de honorários, a convite de outro advogado, por meio do Instituto Família Policial.

A presença de Cristiane no debate foi articulada pela campanha de Lula. Ela acompanhou o confronto entre os candidatos ao lado de integrantes da comitiva petista.

Fonte: O Globo
Foto: O Globo

Acompanhe o Blog do Nill Júnior também no Instagram e veja essa e outras notícias: @nill_jr

Risadas bolsonaristas, provocação sobre chocolate e dicas de Tarcísio a Flávio: os bastidores do debate na Globo

O debate presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite dessa sexta-feira (23), na TV Globo, teve episódios de tensão que começaram antes mesmo de os candidatos entrarem no estúdio. A presença de convidados ligados a casos envolvendo os adversários, provocações na plateia e orientações das equipes durante os intervalos marcaram os […]

O debate presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite dessa sexta-feira (23), na TV Globo, teve episódios de tensão que começaram antes mesmo de os candidatos entrarem no estúdio. A presença de convidados ligados a casos envolvendo os adversários, provocações na plateia e orientações das equipes durante os intervalos marcaram os bastidores do último confronto antes do segundo turno.

Aliados de Flávio levaram ao estúdio a prefeita de Ituiutaba (MG), Leandra Guedes (Avante), ex-companheira do deputado André Janones (Rede-MG), responsável pelo canal de WhatsApp “Exército do Lula”. Ela obteve uma medida protetiva contra o parlamentar após relatar ameaças de divulgação de imagens íntimas depois do término do relacionamento.

Janones estava na relação de convidados da campanha de Lula, mas não compareceu ao debate em razão da presença da ex-companheira.

Do lado petista, o deputado eleito Marcelo Freixo (PT-RJ) chegou acompanhado da mãe de Ana Clara Machado, menina de cinco anos morta após ser baleada na porta de casa, em Niterói (RJ), em 2021. O policial militar acusado de efetuar o disparo é defendido judicialmente por Flávio Bolsonaro.

Durante o debate, Lula mencionou a presença da mãe da criança, que se levantou na plateia. Ao responder, Flávio confundiu o nome da mulher com o da filha morta, provocando um protesto dela.

Flávio chegou à emissora acompanhado da esposa, Fernanda, da assessora econômica Daniella Marques e do irmão Carlos Bolsonaro, eleito senador por Santa Catarina.

Entre os aliados presentes estavam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o governador catarinense Jorginho Mello (PL), além de Douglas Ruas (PL), eleito governador do Rio de Janeiro, e Sergio Moro (PL), eleito governador do Paraná.

Duas ausências chamaram atenção: Pablo Marçal e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que haviam participado do debate anterior, na Band. A presença de Marçal naquele encontro provocou desconforto entre aliados de Flávio, que relacionaram ao influenciador parte da postura mais agressiva adotada pelo senador. Nikolas estava em Fortaleza, participando de atividades de campanha.

Lula chegou acompanhado da primeira-dama Janja e teve entre os integrantes de sua equipe o ministro Sidônio Palmeira, o senador Camilo Santana (PT-CE) e o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT).

Também acompanharam o debate Guilherme Boulos, Rick Azevedo, Anielle Franco, Marinete Silva e Jandira Feghali (PCdoB-RJ). Fernando Haddad e Marina Silva, presentes em outras ocasiões, não compareceram.

A presença de Jandira também trouxe à memória um episódio ocorrido dez anos antes, quando Flávio desmaiou durante um debate da Band para a Prefeitura do Rio de Janeiro. Na ocasião, a deputada tentou prestar socorro, mas foi impedida por Jair Bolsonaro.

PROVOCAÇÕES E REAÇÕES DA PLATEIA

Uma das provocações ocorreu quando Flávio falou sobre a inflação e o preço do chocolate. Marcelo Freixo reagiu em voz alta:

“Disso ele entende”, ironizou.

A referência foi à investigação envolvendo uma loja de chocolates de Flávio Bolsonaro. O estabelecimento foi mencionado em apurações do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre suspeitas de movimentações financeiras irregulares relacionadas ao ex-assessor Fabrício Queiroz.

Flávio chegou a ser denunciado em 2020. No ano seguinte, o Superior Tribunal de Justiça anulou a quebra de sigilo utilizada na investigação, decisão que enfraqueceu a acusação e levou ao arquivamento do caso.

Outro episódio ocorreu quando Flávio afirmou que Lula “dá com uma mão e tira com nove dedos”, em referência à amputação sofrida pelo presidente em um acidente de trabalho.

A declaração provocou risadas e comentários em voz alta entre convidados ligados ao candidato do PL. Na plateia petista, houve protestos e manifestações de indignação.

ORIENTAÇÕES DURANTE OS INTERVALOS

No primeiro intervalo do debate, Flávio conversou com o governador Tarcísio de Freitas e com o marqueteiro Duda Lima. Tarcísio também havia participado da preparação do senador para o confronto com Lula.

Na equipe petista, o presidente recebeu orientações de Sidônio Palmeira, Rafael Fonteles e Camilo Santana entre os dois primeiros blocos.

Os integrantes da campanha avaliaram que Flávio estava conseguindo apresentar melhor suas respostas quando o assunto envolvia propostas para o futuro. Diante dessa percepção, recomendaram que Lula direcionasse mais suas intervenções para o que pretendia realizar em um eventual novo mandato.

O encontro foi o último debate entre os presidenciáveis antes da votação deste domingo (25).

Fonte: O Globo
Foto: Reprodução

Acompanhe o Blog do Nill Júnior também no Instagram e veja essa e outras notícias: @nill_jr

Forças Armadas mobilizam 25 mil militares para garantir segurança e apoio logístico no segundo turno

Cerca de 25 mil militares das Forças Armadas serão mobilizados para atuar no segundo turno das eleições, neste domingo (25). A operação envolverá integrantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, com ações de segurança e apoio logístico à Justiça Eleitoral em diferentes regiões do país. A mobilização prevê operações de Garantia da Votação e […]

Cerca de 25 mil militares das Forças Armadas serão mobilizados para atuar no segundo turno das eleições, neste domingo (25). A operação envolverá integrantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, com ações de segurança e apoio logístico à Justiça Eleitoral em diferentes regiões do país.

A mobilização prevê operações de Garantia da Votação e da Apuração (GVA) em 306 municípios de 11 estados. Outros 39 municípios, distribuídos por oito unidades da Federação, receberão apoio logístico, principalmente em localidades de difícil acesso.

Além da atuação na segurança de locais determinados pela Justiça Eleitoral, os militares serão responsáveis pelo transporte de urnas eletrônicas, equipamentos, materiais e equipes que trabalharão durante a votação.

Para executar essas atividades, serão utilizados aviões, helicópteros, embarcações e veículos militares. A estrutura atenderá comunidades rurais, regiões ribeirinhas, terras indígenas e outros territórios onde as condições geográficas e de infraestrutura dificultam o deslocamento das equipes eleitorais.

De acordo com o Ministério da Defesa, a operação tem como finalidade contribuir para a manutenção da ordem pública, assegurar a normalidade da votação e da apuração dos votos e garantir que os eleitores possam exercer o direito ao voto.

A presença das Forças Armadas ocorre mediante solicitação da Justiça Eleitoral e autorização da Presidência da República. Os pedidos são encaminhados pelos tribunais eleitorais, responsáveis também por definir as necessidades de cada localidade e organizar as atividades com os comandos militares.

A operação será realizada de maneira integrada entre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Ministério da Defesa, as três Forças Armadas e os órgãos de segurança pública.

A coordenação nacional ficará sob responsabilidade do Centro de Operações Conjuntas, em Brasília, que atuará em articulação com os comandos militares mobilizados para o segundo turno.

Participarão da estrutura os Comandos Conjuntos Amazônia, Amazônia Oriental, Nordeste, Planalto, Oeste e Leste, além do Comando de Operações Aeroespaciais, responsável pela coordenação dos meios aéreos empregados na operação.

Fonte: Agência Brasil
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Acompanhe o Blog do Nill Júnior também no Instagram e veja essa e outras notícias: @nill_jr