Na prisão, Vorcaro assinou acordo para documentário sobre caso Master, revela contrato apreendido pela PF
Documento previa entrevistas exclusivas e acesso a informações e materiais; investigadores relacionam a iniciativa ao chamado “Projeto DV”.
A Polícia Federal encontrou na residência do publicitário Thiago Miranda um contrato firmado com Daniel Vorcaro para a produção de uma obra audiovisual sobre o Banco Master. O documento é datado de 31 de março de 2026, período em que o banqueiro já estava preso.
A informação consta em relatório da PF incluído entre os documentos que tiveram o sigilo levantado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o material apreendido, Vorcaro e Miranda se comprometiam a colaborar com a produção, concedendo entrevistas exclusivas e fornecendo documentos, imagens e outras informações. O acordo tinha vigência inicial de seis meses e previa a possibilidade de produção de filme ou série documental.
O título provisório mencionado nos documentos era “Caso Banco Master”. A existência da minuta e a data em que ela teria sido celebrada já haviam sido citadas em decisão de Mendonça relacionada às investigações sobre Thiago Miranda.
Para a Polícia Federal, o material deve ser analisado dentro do contexto do chamado “Projeto DV”, iniciativa investigada por supostamente buscar melhorar a imagem pública de Vorcaro e do Banco Master e questionar a atuação do Banco Central.
Em relatório, os investigadores afirmam que os envolvidos estariam negociando informações para uma produção que, na avaliação da PF, poderia ser utilizada para influenciar a opinião pública.
Ao abordar o documento em decisão judicial, Mendonça ressaltou que a produção de uma obra audiovisual, isoladamente, não constitui crime. O ministro considerou, porém, que o contrato precisa ser examinado em conjunto com outros elementos reunidos na investigação.
A PF investiga o “Projeto DV” por suspeitas de contratação de influenciadores e jornalistas para produzir conteúdo favorável ao Master e crítico ao Banco Central. Documentos anteriores apontaram também propostas financeiras e acordos de confidencialidade ligados à estratégia.
Segundo a investigação citada por Mendonça, também há indícios de levantamento e utilização de dados pessoais de jornalistas e executivos no âmbito das ações atribuídas ao grupo. Esses fatos continuam sob apuração.
Fonte: O Globo
Foto: Ana Paula Paiva
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