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Livro “Sertão, o imaginário das grandes imensidões” será lançado neste sábado 

Por André Luis

Obra histórica foge de clichês, sem fome e miséria estereotipadas; tudo nele é um confortante exagero, aquele mesmo capaz de adornar as vestes dos vaqueiros ou de cantores populares

Em meio ao sol sertanejo, cada página respira resistência, beleza e afeto. No próximo dia 31 de maio, às 15h, no Recife Expo Center, será lançada a obra “SERTÃO – O imaginário das grandes imensidões”, uma obra que se ergue como documento histórico, celebração e grito. Exagerada, no bom sentido, como vestes e adornos dos vaqueiros e cantores populares. 

Com fotografia de Adriano Mendes e produção do jornalista, pesquisador e documentarista Anselmo Alves, o livro é uma travessia por paisagens, rostos e memórias que revelam um sertão que não cabe nos estereótipos — vasto, múltiplo, profundamente vivo.

Nesta obra, o sertão não é miragem nem cenário: são trezentas páginas de memória, poesia e fotografia, costuradas pela sensibilidade de quem conhece os desafios e as belezas da região onde o sol se põe alaranjado. 

A obra foge dos clichês. Não há fome romantizada, nem miséria estetizada. O sertanejo que aparece no foco das lentes e das páginas é protagonista da própria história. 

“A gente não colocou o sertão da miséria, da fome. Mostramos o sertão da superação, do circo, do pastoril, um sertão em movimento, de grandes imensidões…”, pontua o produtor Anselmo Alves.

O sertão que virou mundo

O projeto tem um percurso que começa no Agreste, em Belo Jardim, acompanha o caminho das águas do Riacho do Navio até o Pajeú das Flores, se espraia pelo Sertão Central de Salgueiro, respira o clima ameno de Triunfo e cruza fronteiras até a cidade paraibana de Princesa Isabel.

“Esse livro também foi pensado a partir da canção de Zé Dantas e Luiz Gonzaga: ‘Riacho do Navio, corre pro Pajeú e Rio o Pajeú vai despejar no São Francisco, e o Rio São Francisco vai bater no meio do mar… ‘É o sertão que é infinito”, explica Anselmo. “Queria mostrar o sertão, o homem e a terra, a beleza que é o sertão”.

O produtor Anselmo Alves revela que cada imagem feita por Adriano é mais que uma fotografia: é um testemunho da coragem de quem aprende, desde cedo, a transformar a escassez em abundância. 

O olhar de Anselmo também se debruça sobre a geografia simbólica da cultura nordestina. “Em Serra Talhada, a 420 quilômetros do Recife, nasceu Lampião, Agamenon Magalhães e João Santos. Em Exu, distante 180 km de Serra Talhada, nasceu Luiz Gonzaga. A 70 quilômetros dali, nasceu Padre Cícero, em Juazeiro. Queria mostrar essa trilateralidade”.

A literatura que atravessa a região

As imagens dialogam com a força da palavra. Ao lado dos registros visuais, vivem trechos da literatura que há décadas canta o sertão e versos de poetas que hoje mantêm essa tradição viva. 

“Maciel Melo, Xico Bezerra, Jessier Quirino, Elis Almeida e até poetas anônimos do século passado estão no livro. A gente pegou referências de grandes obras ligadas à cultura sertaneja”, conta.

Mais que uma celebração estética, o livro é um documento histórico. “Ele é o sertão em carne e osso”, resume Anselmo, citando Patativa do Assaré. Uma declaração de amor e de urgência — pela preservação cultural e ambiental de uma região onde o chão rachado também gera frutos.

“A poetisa jovem Elis Almeida disse uma coisa muito forte: ‘Precisamos recatingar a identidade cultural do sertão’. Preservar do ponto de vista cultural e ambiental. Isso é fundamental”, reforça ele.

A obra histórica recebeu apoio das Baterias Moura, empresa fundada por Edson Moura Mororó, nascido no coração de Belo Jardim, localizado no Agreste, bem pertinho da região sertaneja. 

Assim como o sertão, a Moura virou sinônimo de resiliência, tecnologia e reconhecimento mundial. “Fiz questão de que o livro fosse patrocinado por uma empresa empreendedora, que sai de Belo Jardim, bem perto do Sertão, para conquistar o mundo. Assim como Luiz Gonzaga saiu de Exu para conquistar o mundo”, afirma.

O sertão exagerado

O sertão, além de território, é também espetáculo de sobrevivência. Para Anselmo, na construção estética de personagens como cangaceiros, nos bordados minuciosos, nos chapéus adornados com moedas, fitas e medalhas, há muito da influência cigana — povos que, assim como o sertanejo, aprenderam a transformar a dureza do caminho em beleza simbólica. 

Essa herança visual não é mero adorno, mas linguagem, código e forma de se fazer visto em meio às vastas imensidões da caatinga. Assim como os ciganos, o sertão entendeu, ao longo da história, que existir também é ser imagem, é ocupar o espaço com cor, forma e significado.

“O sertão é exagerado. É como a gente dizia quando via alguém muito enfeitado: ‘Tá mais enfeitado que jumento de cigano.’ 

Nas imensidões do sertão, o livro se revela como um chamado para que o Brasil — e o mundo — olhem para o sertão não como um lugar à margem, mas como centro de uma cultura poderosa, viva e urgente.

Ainda segundo Anselmo Alves, o processo foi longo e intenso. “Durou quase um ano. Viajamos umas nove vezes para o sertão”, lembra. E foi nesse caminho que o livro se fez não só em papel, mas em alma.

SERTÃO – O imaginário das grandes imensidões é um convite para revisitar não só paisagens, mas modos de existir. Uma travessia que começa quando se abre a primeira página — e que, talvez, nunca se encerre.

Lançamento:

Data: 31 de maio

Local: Recife Expo Center – Cais de Santa Rita, 156, Bairro de São José

Horário:  15 horas

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A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (23) a 9ª fase da Operação Lesa Pátria, ação que tem por objetivo identificar e prender pessoas que participaram, financiaram, omitiram-se e fomentaram os fatos ocorridos em 8 de janeiro em Brasília/DF, quando o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal foram invadidos por indivíduos que promoveram violência e dano generalizado contra os imóveis, móveis e objetos daquelas Instituições.

Policiais federais cumpriram nesta fase um mandado de prisão preventiva em Riacho Fundo/DF, em desfavor de um suspeito de atuar como incitar dos atos antidemocráticos e um dos administradores dos recursos que financiavam as ações.

As investigações apontam ainda que o preso teria ensinado táticas de guerrilha para os participantes do acampamento situado no QG do Exército, em Brasília.

Os fatos investigados constituem, em tese, os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido.

As investigações continuam em curso e a Operação Lesa Pátria é permanente, com atualizações periódicas acerca do número de mandados judiciais expedidos, pessoas capturadas e foragidas.

Serra registra duplo homicídio no feriado

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Na manhã desta segunda-feira (07), foi registrado um duplo homicídio em Serra Talhada.

O fato ocorreu por volta das 06h30, no bairro da Borborema, nas proximidades da clinica psiquiatra. A cidade chegou a 21 homicídios.

De acordo com populares ao Blog Nayn Neto, as mortes aconteceram de forma continuidade na Rua do Cruzeiro e na Rua I.

As vítimas também foram identificadas preliminarmente como ‘Juan’ e ‘Neguinho’.  Um seria ex-presidiário.

Ainda de acordo com as informações, os homens foram vítimas de disparos de arma de fogo com características de execução. As testemunhas informaram que a dupla estava conhecida por envolvimento com o tráfico de drogas. Um dos suspeitos teria sido preso ainda essa manhã.

Diogo Moraes agradece solidariedade em retorno à ALEPE

O Deputado Diogo Moraes (PSB) comemorou a volta nesta segunda-feira (25), às suas atividades na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Diogo teve que ir a São Paulo tratar um quadro de depressão, com resultados animadores e alta clínica. “Nos últimos dias recebi inúmeras mensagens de apoio e carinho, seja de nobres colegas da Alepe, deputados e […]

O Deputado Diogo Moraes (PSB) comemorou a volta nesta segunda-feira (25), às suas atividades na Assembleia Legislativa de Pernambuco.

Diogo teve que ir a São Paulo tratar um quadro de depressão, com resultados animadores e alta clínica.

“Nos últimos dias recebi inúmeras mensagens de apoio e carinho, seja de nobres colegas da Alepe, deputados e deputadas, de políticos de todo o Estado. Sem falar dos meus familiares, eleitores, amigos e equipe”, disse.

“Não poderia recomeçar sem agradecer a todos pela energia positiva e orações. Estou de volta, em plena saúde, disposto a trabalhar como nunca. Meu gabinete está de portas abertas, como sempre esteve”, comemorou.

Capibaribe Festival celebra arte, cultura e sustentabilidade em Serra Talhada, nos dias 10 e 11 

A Prefeitura de Serra Talhada, em parceria com a organização do Capibaribe Festival, realiza nos dias 10 e 11 de outubro mais uma edição do evento que une arte, cultura e sustentabilidade, com o tema “Do Sertão ao Mar”. A programação é aberta ao público e começa na quinta-feira (10), a partir das 17h30, no […]

A Prefeitura de Serra Talhada, em parceria com a organização do Capibaribe Festival, realiza nos dias 10 e 11 de outubro mais uma edição do evento que une arte, cultura e sustentabilidade, com o tema “Do Sertão ao Mar”. A programação é aberta ao público e começa na quinta-feira (10), a partir das 17h30, no Parque dos Ipês, seguindo na sexta-feira (11) com ações de trilha, plantio simbólico e exposições.

Durante o festival, o público poderá conferir exposições artísticas, pintura ao vivo, trabalhos das Marias Artesãs e mostras de artesanato local, incluindo uma oficina de produção de materiais decorativos a partir do reaproveitamento de garrafas. 

O evento contará ainda com a presença do MST, que trará uma feira agroecológica, além de projetos do SESC e da UFRPE/UAST, reforçando a integração entre instituições, artistas e comunidade. Também haverá apresentações culturais, com destaque para o grupo de dança do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos do Mutirão e o grupo Folhas Outonais, encerrando a noite com show musical.

A prefeita Márcia Conrado destacou a importância do festival como um espaço de valorização da cultura e da consciência ambiental. “O Festival Capibaribe é uma celebração das nossas raízes e do nosso compromisso com o meio ambiente. É um encontro do povo de Serra Talhada com a arte, com a natureza e com a sustentabilidade, mostrando que o Sertão também inspira e ensina o cuidado com o planeta.”

O secretário de Meio Ambiente, Sinezio Rodrigues, ressaltou o caráter educativo e participativo do evento. “Queremos que cada cidadão perceba que pequenas ações, como o reaproveitamento de materiais e o cuidado com os espaços verdes, fazem a diferença. O festival é um convite à reflexão e à ação coletiva em defesa da vida e do meio ambiente.” 

No dia 11 de outubro, a programação continua com uma trilha com ciclistas e um plantio simbólico no Parque Estadual Mata da Pimenteira. À tarde, haverá exposição no Shopping Serra Talhada e outro plantio simbólico no Memorial em Homenagem às Vítimas da COVID-19, reafirmando a conexão entre memória, natureza e futuro sustentável.

Doriel Barros escuta trabalhadores e lideranças sobre a vacinação e a fome nos municípios

O deputado estadual Doriel Barros, presidente do PT/PE e da Comissão de Agricultura Pecuária e Política Rural da Assembleia Legislativa (Alepe), está fazendo um giro pelo estado para conversar com trabalhadores rurais e lideranças sindicais e políticas sobre a vacinação contra a covid 19 e a situação da fome nos municípios.  O objetivo é trazer […]

O deputado estadual Doriel Barros, presidente do PT/PE e da Comissão de Agricultura Pecuária e Política Rural da Assembleia Legislativa (Alepe), está fazendo um giro pelo estado para conversar com trabalhadores rurais e lideranças sindicais e políticas sobre a vacinação contra a covid 19 e a situação da fome nos municípios. 

O objetivo é trazer as informações coletadas nas localidades para contribuir com os debates e proposições na Alepe e com as articulações junto ao Governo do Estado. Esta semana, ele está em municípios do Agreste Meridional e Agreste Central.

“As populações do campo estão sofrendo muito com a atual conjuntura. Além das questões ligadas à pandemia, a estiagem já atinge mais de cem municípios, o Governo Federal tem desmontado políticas fundamentais para agricultura familiar, a exemplo dos programas de Aquisição de Alimentos (PAA) e Cisternas e, por conta de tudo isso, a fome começa a assombrar a nossa gente. Temos que fazer uma movimentação coletiva, unindo forças para minimizar os impactos desse cenário na vida das famílias”, destaca Doriel Barros.

O parlamentar tem apresentado na Assembleia um conjunto de projetos e indicações que trata de grupos prioritários para a vacinação, da ampliação de programas sociais em nível de estado, como o Chapéu de Palha, e da implementação leis  que podem ajudar as famílias trabalhadoras rurais e combater a fome no campo e na cidade, como o Programa Estadual de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar.