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Internações e casos de covid voltam a subir e geram alerta de 4ª onda

Por André Luis

Depois de quase três meses de estabilidade, a Rt (taxa de transmissão) do novo coronavírus voltou a romper o teto de segurança, indicando novo crescimento da doença no país. Com ele, houve também aumento de testes positivos e alta nas hospitalizações em São Paulo, dando indícios de que uma quarta onda de casos pode estar prestes a ocorrer, segundo especialistas consultados pelo UOL.

Apesar de a vacinação em massa impedir que o aumento das mortes atinja a proporção das primeiras ondas da pandemia, esta semana outro sinal de alerta acendeu: no dia 17 de maio, a média móvel de óbitos registrou a primeira alta em duas semanas. Ontem, ela voltou a ficar estável.

Cientistas consideram o número 1 como o teto da Rt. Com esse valor, cada pessoa infectada pode contaminar outra, mantendo a estabilidade de casos. A meta é baixar esse número porque, se ele ultrapassar esse patamar, cada doente poderá contaminar mais de uma pessoa.

O ano de 2022 começou em meio à terceira onda da pandemia no Brasil, com o Rt permanecendo acima de 1 até o dia 5 de fevereiro, quando atingiu o pico de 2,1 —o que significa que cem pessoas infectavam outras 210, aumentando o número de casos.

Desde então, o índice começou a cair, mas só ficou abaixo de 1 no dia 22 de fevereiro. A curva despencou até o dia 16 de março, quando bateu em 0,5, mas voltou a subir lentamente sem nunca ultrapassar o número 1.

Tudo mudou no dia 9 de maio, quando voltou a romper o teto e não parou de crescer: no dia 18 de maio, estava em 1,25 (cem pessoas contaminavam 125), indica levantamento da Info Tracker, a plataforma de monitoramento da pandemia da USP (Universidade de São Paulo) e Unesp (Universidade Estadual Paulista).

O Rt já ultrapassou a marca em quatro das cinco regiões do Brasil: Centro-Oeste: 1,29; Sudeste: 1,26; Sul: 1,26; Nordeste: 1,13; e Norte: 0,82.

No estado de São Paulo, apenas três das 22 macrorregiões têm índice abaixo de 1: a Grande São Paulo Sudoeste, São João da Boa Vista e Barretos. Na média, o Rt paulista está em 1,15.

Esse aumento já reflete nas internações em leito covid no estado de São Paulo, embora em ritmo muito menor do que o auge da pandemia, quando ainda não havia imunizante.

O aumento das internações no último mês foi de 55% no estado na comparação com as quatro semanas anteriores. No interior chegou a 88%, na capital, a 49%, enquanto na Grande São Paulo ficou estável e na Baixada Santista caiu 25%.

Apesar da subnotificação dos autotestes, os resultados disponíveis em testagem de laboratório e farmácia comprovam o recrudescimento da pandemia.

Apenas nos 15 primeiros dias de maio, os 49,3 mil resultados positivos para covid-19 em testes de farmácia já superaram os 32 mil registrados em todo o mês de abril.

“O índice de positivados [nos testes de farmácia] saltou 54%”, diz Sérgio Mena Barreto, CEO da Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias). “É um forte indício da resiliência do coronavírus, que já apresentava crescimento desde a segunda quinzena de abril.”

A tendência também é de alta nos testes laboratoriais. Os exames positivos, que representavam 13% do total das amostras na semana terminada em 1º de maio, saltaram para 17% na semana seguinte.

Há ainda a expectativa de uma “taxa de positividade de 24%” para a semana terminada em 15 de maio (os dados ainda não foram tabulados), segundo a Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnostica), que representa 65% dos laboratórios de diagnóstico do país.

A 4ª onda chegou?

“Com base na dinâmica recente dos dados, é possível que já estejamos vivenciando o início da quarta onda de covid: menos letal que as demais por conta da vacinação, mas ainda muito preocupante em razão da ausência de planos de contenção, abandono das máscaras e testagem por parte do poder público”, avalia Wallace Casaca, coordenador da Info Tracker e professor da Unesp.

Para o médico sanitarista Gonzalo Vecina, o aumento no número de casos e internações por covid-19 não se deve a uma nova onda, mas à flexibilização ao uso de máscaras.

“Isso tudo é fruto do relaxamento social e da falta de máscara, e de levantar o decreto emergência sanitária foi um erro”, afirmou Vecina. Ele se refere ao decreto do presidente Jair Bolsonaro (PL), que em abril pôs fim ao estado de emergência para a covid-19.

Infectologista, a professora de medicina Joana D’arc Gonçalves também diz acreditar na chegada de uma nova onda de contaminações.

“Como a gente vai conviver com esse vírus por muito tempo, acredito que uma quarta onda esteja se aproximando e, possivelmente, haverá até outras ondas, dependendo do nosso comportamento”, afirma a infectologista Joana D’arc Gonçalves.

A professora lembra que a maioria das restrições sanitárias caiu no Brasil por decisão de estados e municípios. No começo da semana, por exemplo, a Prefeitura de São Paulo acabou com a obrigatoriedade de usar máscara em táxi e de apresentar comprovante de vacinação em eventos na capital. O abandono das máscaras ocorre em todo o país.

“Além disso, a transmissão de doenças respiratórias é mais alta no frio porque as pessoas ficam mais próximas”, diz a médica. “E tivemos o Carnaval recentemente, com muita gente aglomerada. Tudo isso traz consequências.”

A especialista diz não acreditar no retorno das restrições sanitárias, mas espera que o poder público organize campanhas educativas em períodos sazonais, como em tempos de frio.

“O que temos em mãos é a vacina. É preciso focar nos mais vulneráveis”, afirma a infectologista ao prever convivência longa entre humanos e a Sars-Cov-2.

“Aguardar por uma política restritiva é complicado, não só pelo governo, como pela população, que cansou. Lamentavelmente essa decisão foi passada para o indivíduo”, diz ela, que ainda recomenda o uso de máscaras em ambientes fechados, como transporte público.

“A gente tem sido pego de surpresa. Pensamos que a alta transmissibilidade da variante ômicron iria enfraquecer o vírus, mas ele continua com suas mutações. Pelo jeito vamos conviver com esse vírus por um bom tempo. Depois da pandemia, será uma endemia, talvez com um vírus mais transmissível, mas também menos letal”, alerta Joana D’arc.

Outras Notícias

Conta de água ficará mais cara em Pernambuco com reajuste de 8,85% homologado pela Arpe

As tarifas de abastecimento de água e esgotamento sanitário terão reajuste de 8,85% nas áreas de Pernambuco atendidas pela concessionária privada Aqua Pernambuco. O aumento foi homologado pela Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe) antes mesmo do início das operações da empresa, previsto para o próximo dia 23 de novembro. A decisão consta na Resolução […]

As tarifas de abastecimento de água e esgotamento sanitário terão reajuste de 8,85% nas áreas de Pernambuco atendidas pela concessionária privada Aqua Pernambuco. O aumento foi homologado pela Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe) antes mesmo do início das operações da empresa, previsto para o próximo dia 23 de novembro.

A decisão consta na Resolução nº 360, de 3 de novembro de 2026, publicada nessa quarta-feira (4). O índice inicialmente calculado foi de 14,58%, referente à variação da inflação acumulada entre setembro de 2023 e julho de 2026. Com a aplicação do desconto contratual de 5% sobre a tarifa de referência, o reajuste efetivo ficou em 8,85%.

A medida abrange os serviços concedidos à BASA Saneamento Ambiental S.A., que atua com o nome comercial Aqua Pernambuco. A empresa será responsável pela distribuição de água e pelos serviços de esgotamento sanitário nos municípios incluídos em seu contrato de concessão.

Embora a resolução tenha entrado em vigor na data de sua publicação, a aplicação dos novos valores depende do cumprimento das condições contratuais e de um prazo mínimo de 30 dias. Portanto, a homologação não representa aumento imediato nas contas dos consumidores.

O reajuste foi autorizado durante a fase de transição dos serviços para a iniciativa privada. Inicialmente prevista para outubro, a transferência das operações foi adiada por quatro semanas, com nova data estabelecida para 23 de novembro.

A antecipação da autorização tarifária provocou críticas do deputado federal Pedro Campos (PSB-PE), que questionou a condução do processo pelo Governo de Pernambuco.

“A gente alertou e a conta chegou mais cara para o povo pagar. A tarifa aumenta quase 9%, mas a empresa privada nem começou a trabalhar. A população não pode pagar por decisões mal planejadas pelo Governo do Estado, com uma privatização que encarece a conta sem garantir melhorias no serviço”, afirmou.

O parlamentar também declarou que continuará fiscalizando o cumprimento do contrato de concessão e as decisões relacionadas à transferência dos serviços. Segundo ele, a população precisa ter asseguradas melhorias no abastecimento e no esgotamento sanitário sem aumento excessivo dos custos.

Além do reajuste, a resolução da Arpe estabelece a suspensão, por 90 dias a partir do início da operação, da nova tabela de serviços complementares cobráveis. Nesse período, permanecerão os valores anteriormente praticados para esses serviços.

Foto: Divulgação

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Grupo Saminina conquista duas Capivaras de Prata no CRIA-PE 2026 e destaca publicidade de Serra Talhada

Com campanhas desenvolvidas para a Fundação Altino Ventura e as Óticas Arcoverde, o Grupo Saminina conquistou duas Capivaras de Prata no Festival CRIA 2026. A agência de Serra Talhada recebeu os prêmios nessa quarta-feira (4), durante o evento realizado no Shopping RioMar, no Recife, que reuniu profissionais e empresas do setor publicitário. Promovido pelo Sindicato […]

Com campanhas desenvolvidas para a Fundação Altino Ventura e as Óticas Arcoverde, o Grupo Saminina conquistou duas Capivaras de Prata no Festival CRIA 2026. A agência de Serra Talhada recebeu os prêmios nessa quarta-feira (4), durante o evento realizado no Shopping RioMar, no Recife, que reuniu profissionais e empresas do setor publicitário.

Promovido pelo Sindicato das Agências de Propaganda de Pernambuco (Sinapro-PE), o festival reconhece trabalhos de criação e produção publicitária em diferentes categorias, com troféus de Ouro, Prata e Bronze. Nesta edição, foram registradas 1.306 inscrições de 45 agências, das quais 37 tiveram trabalhos selecionados entre os 634 finalistas.

A Saminina chegou à etapa final com 12 indicações e conquistou dois troféus em categorias distintas.

Uma das premiações foi concedida à campanha “Mãe, você é tudo isso que não vê”, criada para as Óticas Arcoverde. O trabalho recebeu a Capivara de Prata na categoria Filmes, subcategoria Filme Low Cost. A produção aborda a maternidade a partir da maneira como as mães são percebidas por aqueles que as amam.

O segundo prêmio foi conquistado pelo Projeto V.E.R. – Visão em Rede, desenvolvido para a Fundação Altino Ventura. A iniciativa recebeu a Capivara de Prata na categoria Técnica – Áudio, subcategoria Inovação em Áudio, com uma proposta que utiliza recursos sonoros e tecnologia.

A empresária Carla Luckwu, CEO e fundadora do Grupo Saminina, destacou o envolvimento dos profissionais e a parceria com os clientes na realização dos projetos.

“Receber duas Capivaras de Prata é uma emoção enorme para toda a nossa equipe. Cada reconhecimento carrega o talento, a dedicação e a coragem de pessoas que acreditam no poder das ideias e trabalham todos os dias para transformá-las em projetos que fazem sentido para os nossos clientes e para o público”, afirmou.

Fundada em 2010, em Serra Talhada, a Saminina ampliou sua atuação ao longo dos anos e atualmente reúne cerca de 30 colaboradores. O grupo é formado pela Saminina Comunicação e pela Saminina Consultoria e Promo, com atividades nas áreas de publicidade, planejamento, produção audiovisual, estratégias digitais, consultoria e ações promocionais.

A participação no CRIA-PE já rendeu outros reconhecimentos à agência. Em 2024, a empresa recebeu o título de Agência do Ano do Interior. No ano seguinte, conquistou uma Capivara de Bronze na categoria Inovação em Áudio.

Em 2026, o grupo também recebeu três premiações nos Prêmios Lusófonos da Criatividade, competição internacional voltada à publicidade e à comunicação de países de língua portuguesa. Foram uma Prata em Design/Branding e dois Bronzes.

Ao comentar a trajetória da empresa, Carla destacou a possibilidade de desenvolver projetos publicitários a partir do interior de Pernambuco.

“Estar no interior nunca limitou o tamanho dos nossos sonhos. Construímos uma agência com estrutura, profissionais talentosos e capacidade para desenvolver projetos competitivos em qualquer lugar”, declarou.

Fotos: Divulgação

Lula prepara pronunciamento sobre contas públicas e manutenção de programas sociais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve fazer um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão no próximo domingo (8) para tratar da situação das contas públicas e reafirmar o compromisso com a manutenção dos programas sociais. A manifestação será a primeira em rede nacional após sua reeleição, em 25 de outubro. […]

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve fazer um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão no próximo domingo (8) para tratar da situação das contas públicas e reafirmar o compromisso com a manutenção dos programas sociais. A manifestação será a primeira em rede nacional após sua reeleição, em 25 de outubro.

A expectativa é que Lula apresente uma mensagem de responsabilidade fiscal, em meio às cobranças do mercado financeiro por medidas que contenham o crescimento da dívida pública. O presidente também deverá abordar os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral e defender a conciliação entre o equilíbrio das contas e a continuidade das políticas sociais.

O pronunciamento está sendo preparado em um momento de discussões internas no governo sobre possíveis ajustes fiscais para o próximo mandato, que começa em janeiro de 2027. A equipe econômica avalia alternativas para controlar despesas e ampliar a arrecadação, mas ainda não há definição pública sobre quais medidas serão adotadas.

Entre os principais desafios está a trajetória da dívida pública, que chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro, segundo dados apresentados pelo governo. A preocupação com o endividamento tem provocado cobranças por medidas capazes de garantir o cumprimento das metas fiscais nos próximos anos.

Apesar da expectativa em torno do pronunciamento, ainda não está confirmado se Lula apresentará medidas concretas de ajuste. Informações divulgadas nesta quarta-feira (4) indicam que o discurso deverá priorizar os compromissos gerais do governo com a estabilidade das contas públicas.

A manutenção dos programas sociais também deve ocupar espaço na fala presidencial. No último domingo (1º), Lula publicou um vídeo nas redes sociais em que negou a possibilidade de extinguir benefícios existentes e afirmou que pretende cumprir as promessas feitas durante a campanha.

Além da pauta econômica, o presidente deverá agradecer os votos recebidos no segundo turno e defender a redução das tensões políticas após a disputa eleitoral. A mensagem de conciliação será direcionada à população em um cenário de polarização que marcou a campanha presidencial.

Fonte: Folha de S.Paulo
Foto: Reprodução

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Vitória democrata nos EUA pode fragilizar presença de Eduardo e Flávio Bolsonaro, diz professor

A vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas dos Estados Unidos pode dificultar a permanência política de Eduardo e Flávio Bolsonaro no país. A avaliação é do professor Lucas Souza Martins, da Temple University, na Filadélfia, que analisou os possíveis reflexos da nova composição do Congresso norte-americano sobre os dois filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. […]

A vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas dos Estados Unidos pode dificultar a permanência política de Eduardo e Flávio Bolsonaro no país. A avaliação é do professor Lucas Souza Martins, da Temple University, na Filadélfia, que analisou os possíveis reflexos da nova composição do Congresso norte-americano sobre os dois filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Professor de História dos Estados Unidos, Martins considera que a conquista da maioria democrata na Câmara dos Representantes e no Senado pode alterar o ambiente político que vinha favorecendo a atuação dos irmãos em território americano.

O resultado das eleições de terça-feira (3) representa um revés para o presidente Donald Trump, aliado político da família Bolsonaro. Com a oposição fortalecida no Congresso, o governo republicano poderá enfrentar maior fiscalização sobre suas decisões, inclusive aquelas relacionadas à política externa e à imigração.

Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde 2025 e mantém articulações com integrantes do Partido Republicano. Flávio, por sua vez, chegou ao país no fim de outubro, após ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial brasileira.

O novo cenário também pode ampliar os questionamentos sobre as circunstâncias da entrada de Flávio nos Estados Unidos. Antes das eleições legislativas, parlamentares democratas já haviam cobrado explicações do governo Trump sobre a autorização concedida ao senador e a eventual participação de autoridades americanas em sua viagem.

Apesar da mudança na composição do Congresso, uma eventual alteração na situação migratória dos irmãos Bolsonaro não ocorre automaticamente. Decisões sobre vistos, autorizações de permanência e deportação dependem das autoridades competentes e dos procedimentos previstos na legislação norte-americana.

A avaliação sobre o enfraquecimento da posição política dos dois brasileiros, portanto, diz respeito à possibilidade de maior pressão e fiscalização sobre o governo Trump, sem significar que exista uma decisão de retirada dos irmãos do território americano.

Fonte: O Globo
Foto: Reprodução

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Entidades da indústria e do comércio recorrem ao STF contra fim da escala 6×1

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF), nessa quarta-feira (4), contra mudanças nas jornadas de trabalho previstas com o fim da escala 6×1. As entidades questionam aspectos da nova legislação e pedem a suspensão ou o adiamento de […]

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF), nessa quarta-feira (4), contra mudanças nas jornadas de trabalho previstas com o fim da escala 6×1. As entidades questionam aspectos da nova legislação e pedem a suspensão ou o adiamento de sua aplicação.

As ações contestam pontos da Emenda Constitucional 141 de 2026, promulgada pelo Congresso Nacional em outubro. A medida estabelece a transição para uma jornada de até 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado por semana e sem redução salarial.

A CNI argumenta que as novas regras podem comprometer a segurança jurídica, a livre iniciativa e a autonomia das negociações coletivas entre empresas e trabalhadores.

A entidade sustenta que acordos e convenções coletivas já firmados devem permanecer válidos até o encerramento de seus respectivos prazos ou até a celebração de novos instrumentos de negociação.

Outro argumento apresentado é o impacto financeiro sobre o setor industrial. Segundo estimativa da CNI, a redução da jornada, acompanhada da ampliação do descanso semanal sem diminuição dos salários, poderá elevar em 11,1% o custo do trabalho formal na indústria, o equivalente a R$ 88 bilhões.

A confederação também afirma que setores industriais com funcionamento ininterrupto dependem de escalas diferenciadas e de acordos coletivos para organizar os períodos de trabalho e descanso.

Já a CNC pretende adiar o início da redução da jornada de trabalho para outubro de 2027. Pelas regras aprovadas, a primeira etapa da mudança está prevista para dezembro deste ano.

A entidade considera insuficiente o período de adaptação concedido às empresas e argumenta que a implementação das novas regras exige reorganização de escalas, contratações e revisão de acordos trabalhistas.

O fim da escala 6×1 foi aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, com votos de parlamentares da base governista e da oposição. A mudança foi comemorada por entidades sindicais, que defendem a ampliação do tempo de descanso e convivência familiar dos trabalhadores.

Enquanto as ações tramitam no STF, o governo federal prepara a regulamentação da nova jornada. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, informou que a publicação do decreto está prevista para a próxima segunda-feira (9).

O texto deverá estabelecer orientações para a organização das escalas nos diferentes setores econômicos, assegurando pelo menos oito folgas por mês.

A apresentação das ações pelas entidades empresariais não suspende automaticamente a emenda constitucional. Uma eventual alteração dos prazos ou das regras dependerá de decisão do Supremo Tribunal Federal.

Fonte: Agência Brasil
Foto: CNI/Divulgação

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