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Covid-19: Boletim indica um Brasil desigual frente à pandemia

Por André Luis

O Boletim do Observatório Covid-19 Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira (24/2), analisa o conjunto de indicadores adotados para monitorar a evolução da pandemia, em suas diferentes fases. 

O documento ressalta um quadro heterogêneo e desigual no Brasil com impactos no acesso à saúde e, sugere que qualquer discussão e decisão sobre o quadro atual e cenários futuros deve considerar tal disparidade na implementação de ações. 

“Nesse contexto, mais do que nunca, as políticas públicas do Estado brasileiro precisam estar em consonância com o objetivo da Constituição de 1988 de redução das desigualdades sociais e promoção do bem de todos, bem como com os princípios do [Sistema Único de Saúde] SUS de acesso universal à saúde, com equidade e integralidade nos cuidados”, apontam os pesquisadores. 

Observa-se que nem todos os espaços geográficos, territórios e populações vivenciaram a pandemia ao mesmo tempo e com a mesma intensidade. Este quadro é revelado pelos indicadores de casos, internações e óbitos registrados para Síndromes Respiratórias Agudas Graves e Covid-19, principalmente nos municípios mais distantes das capitais e mais pobres. A desigualdade se repetiu na disponibilidade e acesso aos leitos de UTI para Covid-19. 

Embora o cenário seja bastante promissor, tanto pela tendência de queda nos principais indicadores como pelo avanço da cobertura vacinal, o Boletim sublinha que a pandemia ainda não acabou, com necessidade de proteger a população mais vulnerável e, considera que dentre os mais expostos estão os adultos que não completaram o esquema vacinal, como também crianças e adolescentes. 

Os pesquisadores sugerem que políticas públicas de combate às fake news com busca ativa dos não vacinados, campanhas de vacinação nas escolas, maior oferta e possibilidades de vacinação, exigência do passaporte vacinal nos locais de trabalho públicos e privados, assim como em transportes, devem ser avaliadas. 

O Boletim recomenda que medidas de distanciamento físico, uso de máscaras e higienização das mãos sejam mantidas, mesmo em ambientes abertos, onde possa ocorrer concentração de pessoas. Por fim, os pesquisadores ressaltam que os cuidados e proteção continuam necessários no período de Carnaval e sugerem que festas privadas, bailes em casas de festas ou clubes só sejam realizadas com a exigência do comprovante de vacinação. 

Desigualdades estruturais

Os mais de 5,6 mil municípios do Brasil apresentam uma grande heterogeneidade, criada por diferenças estruturais, demográficas, geográficas, políticas e sociais. A análise destaca a coexistência de no mínimo dois Brasis, um do Norte e outro do Sul, e que, enquanto houver descontrole dos indicadores em um único município, a pandemia não terminará. 

“A política de saúde brasileira, no limite, deve garantir recursos universais, mas proporcionais ao nível de desvantagem relativa aos entes federativos. Não é possível pensar na mitigação da pandemia no Brasil como um todo utilizando indicadores globais do país sem um olhar atento para outras escalas”, aponta o Boletim.

Níveis de atividade e incidência de SRAG

Os dados referentes a Semana Epidemiológica (SE) 7, de 19 de fevereiro, divulgados pelo InfoGripe apontam para um declínio no número de casos de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG) no Brasil. 

A taxa nacional de incidência atualmente se encontra estimada pouco abaixo de 5 casos por 100 mil habitantes na média móvel. De acordo com o Boletim, a redução atual deve-se por múltiplos fatores, dentre os quais o fato de terem ocorrido muitos casos de Covid-19 pela variante Ômicron, pela vacinação, além de outros fatores. Apesar do balanço geral positivo, é preciso permanecer alerta e monitorar as próximas semanas. 

“Mesmo diante de um cenário de redução, os indicadores ainda são altos, de modo que muitas pessoas em situação de vulnerabilidade encontram-se em risco, diante de um evento de infecção, para uma possível evolução para caso grave”, explicam os pesquisadores. Nesse sentido, aumentar as coberturas vacinais com o esquema completo com duas doses de vacina ou dose única e avançar com a dose de reforço para as pessoas elegíveis são fundamentais.  

Casos e óbitos por Covid-19

O novo quadro epidemiológico, atribuído à circulação rápida e contagiosa da variante Ômicron em meio a uma grande parcela da população imunizada, indica uma alta taxa de incidência de Covid-19 na Europa, Sudeste Asiático, Américas do Sul e do Norte, mas uma maior letalidade da doença em países com baixa cobertura de vacinação. 

A taxa de letalidade por Covid-19 no Brasil, portanto, alcançou valores baixos e compatíveis com os padrões internacionais, de cerca de 0,8%, após vários meses oscilando entre 2% e 3%. 

Nesse sentido, o texto destaca que a ampliação da vacinação, atingindo regiões com baixa cobertura, e doses de reforço em grupos populacionais mais vulneráveis podem reduzir ainda mais os impactos da pandemia sobre a mortalidade e internações.

Perfil demográfico

Aspectos como o comportamento social e as intervenções diferenciadas de saúde pública entre crianças, adultos jovens e idosos durante a explosão de casos novos vivida no Brasil desde o final de 2021, somados ao cenário de tímido no avanço da vacinação de reforço entre idosos, assim como o início tardio da vacinação de crianças de 5 a 11 anos descrevem o comportamento de internações e óbitos ao longo desta fase da pandemia no Brasil. 

O que se observa é que a idade média das internações, assim como a mediana de idade, seja em leitos clínicos ou em terapia intensiva, segue crescendo ao longo das últimas semanas. Fenômeno semelhante ocorre com os óbitos, cujos indicadores de idade são sistematicamente mais altos que das internações. Os dados apontam que a população, principalmente a mais longeva, possui maior vulnerabilidade às formas graves e fatais da Covid-19. 

Segundo os pesquisadores, o ponto de mudança da Covid-19 de pandemia para endemia será definido a partir de muitos indicadores, e um deles é a letalidade. 

“Quando a ocorrência de formas graves que requerem internação seja suficientemente pequena para gerar poucos óbitos e não criar pressão sobre o sistema de saúde, saberemos que se trata de uma doença para a qual é possível assumir ações de médio e longo prazo, sem precisar contar com estratégias de resposta rápida”, explicam.

Leitos de UTI Covid-19 para adultos no SUS

Os dados relativos às taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no SUS obtidos na noite de 21 de fevereiro confirmam a tendência de melhora no indicador verificada na semana anterior, embora algumas taxas de ocupação de leitos ainda estejam elevadas. 

Das quatro unidades federativas que se encontravam na zona crítica (taxas iguais ou superiores a 80%) em 14 de fevereiro, o Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal permanecem nessa condição. 

Em 17 estados as taxas caíram pelo menos cinco pontos percentuais: Amazonas (54% para 32%), Pará (63% para 49%), Amapá (44% para 37%), Rondônia (74% para 59%), Mato Grosso (72% para 63%), Maranhão (47% para 38%), Piauí (77% para 68%), Rio Grande do Norte (80% para 49%), Paraíba (59% para 48%), Pernambuco (81% para 68%), Alagoas (60% para 40%), Bahia (70% para 58%), Espírito Santo (79% para 72%), Rio de Janeiro (52% para 46%), São Paulo (66% para 57%), Minas Gerais (39% para 35%) e Santa Catarina (71% para 60%). Três estados apresentaram queda muito expressiva: Rio Grande do Norte (31 pontos percentuais), Amazonas (22 pontos percentuais) e Alagoas (20 pontos percentuais).

Avanço da vacinação e distribuição de imunizantes

Segundo dados do MonitoraCovid-19, mais de 387 milhões de doses de vacinas foram administradas no Brasil, o que representa a imunização de 79,2% da população com a primeira dose, 71,3% com o esquema de vacinação completo e 26,4% com a dose de reforço. Sete estados apresentam mais de 80% da população vacinada com a primeira dose e nove têm mais de 70% com a segunda. 

O Boletim mostra que São Paulo apresenta o maior percentual de doses destinadas para reforço por estado. Amapá, Roraima e Maranhão apresentam cerca de 50% dos imunizantes destinados à primeira dose e as maiores diferenças entre primeira e segunda doses e, junto ao Pará, esses três estados apresentam os menores percentuais de doses destinadas ao reforço. 

Dados do Ministério da Saúde apontam que a vacinação em idosos apresenta o ciclo completo a nível nacional, para primeiras e segundas doses, com percentuais acima de 100%. Em relação à terceira dose, a faixa etária acima de 80 anos apresenta cobertura de 74%. Na população entre 70 e 79 anos a cobertura é de 80%. Entre 65 e 69 anos a cobertura para terceira dose é de 69% e, entre 60 e 64 anos, 57% das pessoas tomaram a terceira dose.

Distanciamento físico e o “novo normal”

O documento mostra que a população procura formas de voltar ao padrão de convívio social e atividades costumeiras do período anterior ao decreto da pandemia. 

Na ausência de diretrizes nacionais baseadas em critérios epidemiológicos, o distanciamento físico vem ocorrendo de forma irregular no Brasil. 

Diante da cobertura vacinal experimentada no país, os pesquisadores do Boletim afirmam que não é razoável recomendar o isolamento irrestrito na atual fase. 

Por isso, é recomendado que medidas de distanciamento físico, uso de máscaras e higienização das mãos sejam mantidas mesmo em ambientes abertos onde possa ocorrer maior concentração e aglomeração de pessoas – o que, embora não seja desejável, poderá acontecer no Carnaval. 

Além disso, o texto reforça que festas ou bailes em casas, clubes ou outros ambientes só sejam realizadas com comprovante de vacinação.

Outras Notícias

Prefeitura de Itapetim inaugura Sala de Telessaúde com consultas online em cinco especialidades médicas

A Prefeitura de Itapetim inaugurou, nesta quinta-feira (5), uma Sala de Telessaúde destinada à realização de consultas online com médicos especialistas. O serviço funciona na Unidade Básica de Saúde (UBS) Alzira Alves, ao lado do Hospital Municipal Maria Silva, e foi implantado pela Secretaria Municipal de Saúde em parceria com o Governo Federal. A nova […]

A Prefeitura de Itapetim inaugurou, nesta quinta-feira (5), uma Sala de Telessaúde destinada à realização de consultas online com médicos especialistas. O serviço funciona na Unidade Básica de Saúde (UBS) Alzira Alves, ao lado do Hospital Municipal Maria Silva, e foi implantado pela Secretaria Municipal de Saúde em parceria com o Governo Federal.

A nova estrutura permitirá que pacientes recebam atendimento especializado por videoconferência, sem a necessidade de deslocamento para outros municípios em determinados casos. Segundo a gestão municipal, o serviço atenderá moradores de todas as localidades de Itapetim.

O acesso às consultas começa pela Unidade Básica de Saúde. Inicialmente, o paciente passa por uma avaliação médica e, caso seja identificada a necessidade de acompanhamento especializado, o profissional da unidade realiza o agendamento. No dia marcado, a consulta acontece de forma remota, com a presença do médico da UBS ao lado do paciente.


Nesta primeira etapa, serão oferecidos atendimentos em cinco especialidades: cardiologia, estomatologia, oncopediatria, psiquiatria ambulatorial e obstetrícia (PNAR).

Na área de cardiologia, a estrutura também permitirá a realização de eletrocardiogramas, quando houver indicação médica. O exame registra a atividade elétrica do coração e auxilia na avaliação de possíveis alterações cardíacas.

De acordo com a Prefeitura, o município trabalha para ampliar o número de especialidades disponíveis. A previsão também é implantar o serviço nos distritos de Piedade e São Vicente, embora ainda não tenham sido divulgadas datas para o início dos atendimentos nessas localidades.

A inauguração contou com a presença da prefeita Aline Karina, do vice-prefeito Chico, da secretária municipal de Saúde, Alda Araújo, além de vereadores, secretários, diretores municipais e profissionais da unidade.


O atendimento será realizado mediante avaliação e encaminhamento médico pela rede municipal de saúde. A Prefeitura não informou a quantidade de consultas previstas nem os horários específicos de funcionamento da Sala de Telessaúde.

Fotos: Divulgação

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Aliados de Lula repercutem renúncia de presidente do Paraguai e comparam crise do Ueno Bank ao caso Master

A renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciada nesta quinta-feira (5), provocou reações de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociais. Parlamentares brasileiros associaram a crise política no país vizinho ao colapso do Ueno Bank, fizeram críticas a governos de direita na América Latina e estabeleceram comparações com o […]

A renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciada nesta quinta-feira (5), provocou reações de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociais. Parlamentares brasileiros associaram a crise política no país vizinho ao colapso do Ueno Bank, fizeram críticas a governos de direita na América Latina e estabeleceram comparações com o escândalo do Banco Master, no Brasil.

Peña anunciou sua saída após perder apoio político em meio às denúncias de irregularidades envolvendo o banco paraguaio. A instituição, que atendia aproximadamente três milhões de clientes, sofreu intervenção do Banco Central depois que foram identificados problemas em sua situação financeira.

O caso ganhou dimensão política porque Peña havia sido acionista de uma empresa ligada ao grupo controlador do Ueno Bank até março de 2025. A instituição também administrava centenas de milhões de dólares em recursos públicos, incluindo depósitos relacionados à Previdência Social.

Entre os políticos brasileiros que repercutiram a renúncia está o deputado federal Marcelo Freixo (PT-RJ). Ele classificou a saída de Peña como mais uma derrota de aliados do presidente norte-americano Donald Trump na América Latina e criticou a relação entre interesses financeiros privados e governos.

A ex-ministra da Igualdade Racial Anielle Franco também se manifestou. Ela prestou solidariedade aos paraguaios afetados pela crise bancária e questionou modelos econômicos que, em sua avaliação, favorecem grupos financeiros em prejuízo dos trabalhadores.

O deputado Alencar Santana (PT-SP) relacionou o episódio à atuação de governos de direita e mencionou os brasileiros que se mudaram para o Paraguai atraídos pelas condições econômicas do país.

Já a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) destacou a proximidade política de Santiago Peña com Donald Trump e com integrantes da família Bolsonaro. Para ela, a renúncia representa um revés para esse campo político na América do Sul.

A comparação com o Banco Master também entrou nas discussões. No Brasil, a instituição financeira de Daniel Vorcaro teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, após problemas financeiros e irregularidades identificadas pelo órgão regulador.

Embora os dois episódios envolvam instituições financeiras submetidas à intervenção das autoridades e suspeitas de irregularidades, os processos têm características e desdobramentos distintos. No Paraguai, a crise atingiu diretamente a Presidência em razão dos vínculos empresariais anteriores de Peña com o grupo controlador do banco.

A renúncia do presidente paraguaio ainda depende de apreciação pelo Congresso. Após o anúncio, a Câmara dos Deputados aprovou a abertura de um processo de impeachment. A definição sobre a saída definitiva e seus efeitos institucionais caberá ao Legislativo do país.

Peña não assumiu responsabilidade pelas irregularidades investigadas e afirmou que decidiu deixar o cargo para preservar a estabilidade política e institucional do Paraguai.

Fonte: O Globo/CBN
Foto: Brenno Carvalho

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TSE encerra processo sobre quebra de sigilos de Lula e Flávio Bolsonaro

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou o encerramento do processo que tratava da abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi publicada nessa quarta-feira (4) e extinguiu o pedido sem análise do mérito. Mendonça seguiu […]

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou o encerramento do processo que tratava da abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi publicada nessa quarta-feira (4) e extinguiu o pedido sem análise do mérito.

Mendonça seguiu o parecer do Ministério Público Eleitoral (MPE), que se manifestou pelo encerramento do procedimento. O entendimento é de que não cabe à Justiça Eleitoral determinar quais informações pessoais os candidatos devem tornar públicas.

Segundo a manifestação acolhida pelo ministro, “o que se quiser divulgar é escolha de cada um, e avaliar essa escolha cabe ao eleitor”.

O processo teve origem durante a campanha presidencial de 2026, após um desafio feito por Lula a Flávio Bolsonaro no primeiro debate entre os candidatos antes do segundo turno. Na ocasião, o petista propôs abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, desde que o adversário adotasse a mesma medida.

Em 18 de outubro, Lula anunciou que encaminharia ao TSE uma autorização para a divulgação de informações pessoais e de seus cinco filhos, condicionada à abertura dos dados de Flávio e de seus familiares.

Entre os dias 20 e 22 de outubro, as duas campanhas apresentaram documentos ao tribunal para autorizar a divulgação das informações. Flávio também concordou com a proposta, mas acrescentou exigências e solicitou que a abertura abrangesse registros dos últimos 20 anos.

As equipes dos candidatos chegaram a apresentar um pedido conjunto para que o TSE requisitasse os dados e providenciasse sua divulgação simultânea ao público.

Antes da eleição, André Mendonça já havia esclarecido que não existia impedimento legal para a divulgação voluntária dessas informações. Entretanto, afirmou que a Justiça Eleitoral não tinha a atribuição de organizar ou determinar a exposição dos dados.

Com a decisão publicada nesta semana, o procedimento foi encerrado sem que o tribunal determinasse a quebra dos sigilos. Nenhum dos dois candidatos chegou a divulgar voluntariamente os dados previstos no acordo.

O encerramento do processo não representa uma decisão sobre a existência ou inexistência de irregularidades financeiras envolvendo os políticos. A análise ficou restrita à competência da Justiça Eleitoral para atuar no pedido apresentado durante a campanha.

Fonte: Correio Braziliense
Foto: Ricardo Stuckert e Raul Spinassé

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Bolsonaro pede para receber Rogério Marinho e Tereza Cristina em meio à disputa pela presidência do Senado

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu, nesta quinta-feira (5), autorização ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que ele receba os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS). A solicitação ocorre em meio às articulações da oposição para a eleição da presidência do Senado, marcada para fevereiro de […]

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu, nesta quinta-feira (5), autorização ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que ele receba os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS). A solicitação ocorre em meio às articulações da oposição para a eleição da presidência do Senado, marcada para fevereiro de 2027.

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar em Brasília e depende de autorização judicial para receber os parlamentares. No pedido encaminhado ao STF, os advogados sugeriram que as visitas sejam realizadas preferencialmente às terças, quartas ou quintas-feiras, em datas definidas por Moraes e respeitando as condições de segurança estabelecidas.

Os dois senadores anunciaram a intenção de disputar o comando do Senado. Na quarta-feira (4), o PL confirmou a candidatura de Rogério Marinho, líder da oposição na Casa e ex-ministro do Desenvolvimento Regional durante o governo Bolsonaro.

Tereza Cristina, que comandou o Ministério da Agricultura na mesma gestão, também mantém sua pré-candidatura. A senadora, integrante do PP, afirmou que continua conversando com Marinho sobre a possibilidade de um entendimento entre os dois.

A preocupação de setores da oposição é evitar a divisão de votos entre candidaturas do mesmo campo político, o que poderia favorecer o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que pretende disputar a recondução ao cargo e conta com apoio do governo Lula.

Entre as alternativas discutidas está um possível acordo para que Marinho e Tereza Cristina se alternem na presidência da Casa, com um deles disputando a eleição de 2027 e o outro a de 2029. Até o momento, entretanto, não há definição sobre essa possibilidade.

Rogério Marinho também recebeu apoio público do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que anunciou sua candidatura durante uma transmissão realizada dos Estados Unidos, para onde viajou após a derrota na eleição presidencial.

A disputa pela presidência do Senado ocorre em um momento de reorganização das forças políticas no Congresso, com partidos da oposição buscando ampliar sua influência na próxima legislatura.

O pedido de visitas ainda depende de decisão de Alexandre de Moraes. A solicitação apresentada pela defesa não significa que os encontros estejam autorizados.

Fonte: O Globo
Foto: Reprodução

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Flávio Bolsonaro nega ter recebido ajuda na fuga para os EUA: “Vou levar para o túmulo”

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou ter recebido ajuda de governos estrangeiros para deixar o Brasil após sua derrota na eleição presidencial. Em entrevista ao jornal americano The New York Times, publicada nesta quinta-feira (5), o parlamentar afirmou que organizou a viagem por conta própria e declarou que não pretende revelar os detalhes de como […]

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou ter recebido ajuda de governos estrangeiros para deixar o Brasil após sua derrota na eleição presidencial. Em entrevista ao jornal americano The New York Times, publicada nesta quinta-feira (5), o parlamentar afirmou que organizou a viagem por conta própria e declarou que não pretende revelar os detalhes de como chegou aos Estados Unidos.

“Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”, afirmou o senador. Questionado sobre o trajeto até Miami, acrescentou: “Como cheguei aqui, vou levar isso para o túmulo”.

A versão apresentada por Flávio contrasta com informações obtidas pelo jornal junto a autoridades norte-americanas. Segundo a reportagem, um funcionário da Casa Branca teria providenciado o avião particular utilizado na viagem, enquanto a entrada do senador nos Estados Unidos teria sido autorizada diretamente pelo presidente Donald Trump.

Flávio deixou o Brasil em 27 de outubro, dois dias depois de perder o segundo turno da eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A viagem ocorreu após uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para que entregasse seus passaportes à Polícia Federal no prazo de 24 horas.

O senador não cumpriu a determinação e deixou o país pela fronteira entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Puerto Iguazú, na Argentina. De lá, seguiu em uma aeronave particular que fez escala no Equador antes de chegar a Miami, em 28 de outubro.

Na entrevista, Flávio afirmou que decidiu sair do Brasil após visitar o pai, Jair Bolsonaro, e ser informado sobre a ordem de entrega dos documentos. Segundo ele, a decisão foi tomada juntamente com a esposa, Fernanda Bolsonaro, sem participação de aliados ou autoridades estrangeiras.

O parlamentar também declarou acreditar que seria preso caso permanecesse no Brasil. Flávio é investigado em procedimentos relacionados a suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção, mas ainda não foi formalmente denunciado nesses casos. Ele nega irregularidades e atribui as investigações a uma suposta perseguição política.

Durante a conversa, o senador voltou a questionar o resultado da eleição presidencial, classificando sua derrota como matematicamente impossível, sem apresentar provas de fraude.

A vitória de Lula foi reconhecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e não foram apresentadas evidências de irregularidades capazes de alterar o resultado da votação. O presidente foi reeleito com uma vantagem de aproximadamente 4,4 milhões de votos.

Flávio afirmou que pretende buscar meios jurídicos para contestar o resultado, embora reconheça que as possibilidades de êxito são pequenas. Também disse que continuará acompanhando a política brasileira e apoiando propostas defendidas por seus aliados, como a redução da maioridade penal e a anistia para o pai e os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

O senador e sua família receberam autorização temporária para permanecer nos Estados Unidos. Ele não descartou retornar ao Brasil nem disputar novamente a Presidência da República.

Fonte: O Globo/The New York Times
Foto: Reprodução

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