Notícias

Brasil poderia ter sido primeiro do mundo a vacinar, afirma Dimas Covas à CPI

Por André Luis

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou nesta quinta-feira (27) em depoimento à CPI da Pandemia que fez a primeira oferta de vacinas contra a covid-19 ao Ministério da Saúde em 30 julho de 2020, mas ficou sem resposta. Eram 60 milhões de doses, que seriam entregues no último trimestre daquele ano.

Segundo ele, o Brasil poderia ter sido o primeiro no mundo a iniciar a vacinação “se todos os atores” tivessem colaborado. Dimas Covas disse que manifestações do presidente Jair Bolsonaro contra a vacina deixaram as negociações “em suspenso” e atrasaram o começo da vacinação no país.

Em dezembro, o laboratório tinha quase 10 milhões de doses da CoronaVac ( 5,5 milhões de doses prontas e 4 milhões em processamento). A vacinação no mundo começou em dezembro. No Brasil, apenas em 17 de janeiro.

— O mundo começou a vacinar no dia 8 de dezembro. O Brasil poderia ter sido o primeiro país do mundo a iniciar a vacinação, se não fossem esses percalços, tanto contratuais como de regulamentação — disse Dimas Covas, que entregou à CPI ofícios para comprovar seu depoimento.

As “idas e vindas” nas negociações com o governo federal e a demora na assinatura do contrato atrasaram o cronograma e a oferta de vacinas. Segundo Covas, o contrato com o Ministério da Saúde avançou e ficou perto de um desfecho positivo em outubro, com a assinatura de um protocolo de intenções no dia 19 para fornecimento de 46 milhões de doses e a sinalização da edição de uma medida provisória para permitir a compra.

No dia seguinte, o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello chegou a anunciar a compra dos imunizantes, mas, segundo Covas, o contrato ficou em “suspenso” por quase três meses após declarações de Jair Bolsonaro contra a aquisição dos imunizantes.

— Infelizmente essas conversações não prosseguiram, porque houve, sim, aí, uma manifestação do presidente da República, naquele momento, dizendo que a vacina não seria de fato incorporada, não haveria o progresso desse processo. […] Houve, no dia 19, um dia antes da reunião com o ministro, um documento do ministério que era um compromisso de incorporação, mas após, esse compromisso ficou em suspenso e, de fato, só foi concretizado em 7 de janeiro — relatou.

Naquele momento, afirmou Dimas Covas, o Instituto Butantan tinha a capacidade de produzir 100 milhões de doses até maio. O diretor classificou o recuo do Ministério da Saúde como “frustrante” e relatou que havia incertezas no financiamento da produção da vacina, mas recebeu o apoio do governador de São Paulo, João Doria, e de outros governadores e prefeitos.

— Até esse momento, o Butantan custeava todas as despesas do estudo clínico, da vinda da matéria-prima, da transferência de tecnologia, com essa pressão muito grande dos estados e municípios. O governador do estado de São Paulo veio em suplência a isso, deu todo o apoio, outros estados também. Na realidade, 17 estados fizeram termos de intenção de aquisição da vacina e muitos municípios do Brasil — apontou.

Segundo Randolfe Rodrigues (Rede-AP), as informações de Dimas Covas indicam que, sem contar outros imunizantes, o país já teria 50 milhões de pessoas imunizadas apenas com a CoronaVac, se o governo federal não tivesse sido omisso.

—  O Brasil poderia ter imunizado 50 milhões de brasileiros com duas doses até maio — apontou Randolfe, vice-presidente da CPI.

Negociações com o ministério

Ao detalhar os contatos com o Ministério da Saúde e com a farmacêutica chinesa Sinovac, Dimas Covas disse que em abril de 2020 já havia contatado alguns laboratórios para iniciar parcerias, mas optou pela CoronaVac, que era a vacina até então mais desenvolvida.

Em junho de 2020, apontou o diretor, começaram os estudos clínicos no país. Na sequência, Butantan e Ministério da Saúde iniciaram os contatos técnicos e as negociações.

— Eu mandei um ofício, no dia 30 de julho de 2020, em que ressaltamos a importância de tomar essa iniciativa num momento em que ainda não se tinha vacina. Ofertamos, naquele momento, 60 milhões de doses, que poderiam ser entregues no último trimestre de 2020. Um pouquinho depois, como não houve aí uma resposta efetiva, nós reforçamos o ofício — afirmou.

Críticas à China

Questionado pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL) e outros senadores sobre as consequências das declarações contra a China por parte de membros do governo federal e de campanhas de difamação da vacina CoronaVac nas redes sociais, Covas afirmou que a postura atrapalha a liberação de insumos de imunizantes para o Brasil e impediu a vacinação de milhões de pessoas num prazo anterior ao que acabou ocorrendo:

— Cada declaração que ocorre aqui no Brasil repercute na imprensa da China. As pessoas da China têm grande orgulho da contribuição que a China dá ao mundo neste momento. Então, obviamente isso se reflete nas dificuldades burocráticas, que eram normalmente resolvidas em 15 dias, e hoje demoram mais de mês para serem resolvidas.

Segundo Covas, o problema ameaça a entrega de todas as 54 milhões de doses da vacina até 30 de setembro, como inicialmente previsto. Nesta quinta-feira (27), o Butantan retomou a produção da CoronaVac. Paralisado desde o dia 14 de maio por falta de matéria-prima, o envase foi reiniciado após o recebimento de 3 mil litros de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA).

Doria x Bolsonaro

Marcos Rogério (DEM-RO) apresentou um vídeo do documentário A Corrida das Vacinas que mostra um áudio vazado de uma conversa entre Doria e Dimas Covas. O senador alegou que a peça é uma prova de que o governador agiu politicamente e foi “grosseiro” com relação ao interlocutor chinês.

— Que tipo de relação era essa do governador com os chineses? Ele fala em “pegar esse chinês pelo pescoço”; o senhor considera atitudes como essa favoráveis ao relacionamento do Brasil com a China.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que a fala foi uma demonstração de um agente político que estava em busca de vacinas.

Para os senadores Randolfe Rodrigues, Humberto Costa (PT-PE) e Simone Tebet (MDB-MS), o depoimento de Dimas Covas reforça que o governo federal foi omisso na compra de vacinas. Eles também defenderam o governador João Doria:

— Enquanto ele estava batendo na mesa querendo vacina, o de cá estava oferecendo cloroquina a uma ema. É uma diferença grande — disse Humberto Costa.

Segundo líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), o depoimento de Dimas Covas mostra, na verdade, que o governo federal estava negociando com o Butantan e sempre foi parceiro da instituição.

—  Não houve nenhum embaraço da parte do governo federal — afirmou.

Fonte: Agência Senado

Outras Notícias

Flores celebra tradição com 14º Festival de Carros de Bois

O Governo de Flores, através das secretarias de Turismo e Eventos e Agricultura, promove nesta segunda-feira (24), a partir das 14h, a 14ª Edição do Festival de Carros de Bois, um evento que celebra e preserva uma tradição secular. A festividade, que é de livre acesso à população, reúne agricultores do município que ainda utilizam […]

O Governo de Flores, através das secretarias de Turismo e Eventos e Agricultura, promove nesta segunda-feira (24), a partir das 14h, a 14ª Edição do Festival de Carros de Bois, um evento que celebra e preserva uma tradição secular.

A festividade, que é de livre acesso à população, reúne agricultores do município que ainda utilizam o carro de boi em suas atividades diárias na zona rural. O festival tem caráter exclusivamente cultural, destacando a importância deste meio de transporte histórico para a comunidade rural.

Premiação

Os dez primeiros carreiros colocados serão premiados em valores variando de R$ 200,00 a R$ 5.000,00, conforme a seguir: 1º Lugar: R$ 5.000,00; 2º Lugar: R$ 3.500,00; 3º Lugar: R$ 3.000,00; 4º Lugar: R$ 2.000,00; 5º Lugar: R$ 1.500,00; 6º Lugar: R$ 1.000,00; 7º Lugar: R$ 800,00; 8º Lugar: R$ 600,00; 9º Lugar: R$ 400,00; 10º Lugar: R$ 200,00.

Além disso, todos os participantes receberão uma quantia de R$ 200,00 pelo simples ato de participar. A premiação será entregue no dia do evento, 24 de junho.

Manutenção da Tradição

O Festival de Carros de Boi tem como principal objetivo manter viva a tradição do uso deste meio de transporte no meio rural, valorizando um dos métodos mais primitivos de transporte de cargas e pessoas.

Para a Secretária de Turismo e Eventos, Lucila Santana, “o evento é uma oportunidade para os carreiros mostrarem seu talento e criatividade, além de promover a cultura local”, defendeu.

O 14º Festival de Carros de Boi de Flores promete ser um evento de grande importância cultural, reforçando os laços da comunidade com suas tradições e oferecendo um espetáculo de originalidade e talento dos carreiros locais.

Geólogo pernambucano é empossado como diretor do Confea

Em Brasília, na manhã da quarta-feira, 22.01, durante a primeira Plenária do ano do Confea- Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, foi dada posse à nova diretoria do órgão e foi definida a formação as 05 comissões permanentes, as 03 especiais e o Conselho Gestor do PRODESU – Programa do Desenvolvimento Sustentável do Sistema Confea/Crea […]

Em Brasília, na manhã da quarta-feira, 22.01, durante a primeira Plenária do ano do Confea- Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, foi dada posse à nova diretoria do órgão e foi definida a formação as 05 comissões permanentes, as 03 especiais e o Conselho Gestor do PRODESU – Programa do Desenvolvimento Sustentável do Sistema Confea/Crea para 2020.

O geólogo, conselheiro federal por Pernambuco, Waldir Duarte Costa Filho, natural do Recife, tomou posse como diretor e também passou a integrar a CAIS – Comissão de Articulação Institucional do Sistema.

O presidente do Crea-PE, Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco, Evandro Alencar, presente em toda a programação, comemorou a posse do novo diretor pernambucano.

Ele destacou que acredita numa atuação qualificada, ciente da dedicação do mesmo nas causas e demandas dos profissionais e empresas do Sistema Confea/Crea no estado e também valorizou o protagonismo do Estado na esfera nacional. As informações são do CREA-PE.

Fechamento de agências do Itaú vai fortalecer apagão bancário em PE

Bancos fecham agências em Pernambuco e geram impactos negativos para população e municípios O Sindicato dos Bancários de Pernambuco vem denunciando o fechamento de agências bancárias no estado e os impactos para população e para a economia dos municípios. Em 2025, o Itaú, Santander e Bradesco, juntos, fecharam 1.388 agências pelo Brasil, sendo 29 em […]

Bancos fecham agências em Pernambuco e geram impactos negativos para população e municípios

O Sindicato dos Bancários de Pernambuco vem denunciando o fechamento de agências bancárias no estado e os impactos para população e para a economia dos municípios. Em 2025, o Itaú, Santander e Bradesco, juntos, fecharam 1.388 agências pelo Brasil, sendo 29 em Pernambuco. No mesmo período, foram encerrados 11.447 postos de trabalho no país, segundo balanço dos próprios bancos.

A tendência de redução das unidades bancárias físicas segue em ritmo acelerado em 2026, apesar dos lucros bilionários dos bancos. Neste mês de maio, por exemplo, o Itaú anunciou o fechamento de 7 unidades, entre elas agências em cidades importantes do Sertão, como Araripina, no dia 20 de maio, e de Arcoverde, em 7 de maio.

Com isso, a população e o desenvolvimento regional dos municípios estão sendo atingidos negativamente, já que essas unidades exercem papel essencial na dinâmica econômica local, promovendo a circulação de renda, o acesso ao crédito e a oferta de serviços financeiros indispensáveis à população.

Em regiões do interior, onde a exclusão digital ainda é uma realidade para muitos, o atendimento presencial continua sendo fundamental. Neste cenário, os aposentados, pensionistas do INSS, pequenos comerciantes e trabalhadores serão os mais afetados, precisando realizar deslocamento de mais de 270 quilômetros para receber o atendimento.

Em articulação política que busca garantir o atendimento presencial às pessoas, o Sindicato dos Bancários de Pernambuco foi recebido por deputados estaduais, vereadores e prefeitos, além de representantes do comércio, que mostraram apoio à luta pela permanência dessas unidades nos municípios do Sertão Pernambucano. Mas, o banco Itaú, até o momento, não reverteu sua decisão de abandonar estes municípios polos no Sertão.

SUPERINTENDENTE NÃO RECEBE COMISSÃO

O Superintendente do Itaú para a região, Marcelo Baungarten, se nega a receber uma comissão formada por Deputados Estaduais de Pernambuco e pelo Sindicato dos Bancários para tratar do tema.

Sicoob Pernambuco tem presença destacada na FENAP

O Sicoob Pernambuco marcou presença em mais uma edição da FENAP – Feira de Negócios do Alto Pajeú. Entre os dias 11 e 13 de setembro, a cooperativa financeira esteve presente com estande, oferecendo linhas de crédito em condições especiais e benefícios exclusivos na Sipag, nossa maquineta de cartão. Mais do que apresentar soluções financeiras, […]

O Sicoob Pernambuco marcou presença em mais uma edição da FENAP – Feira de Negócios do Alto Pajeú.

Entre os dias 11 e 13 de setembro, a cooperativa financeira esteve presente com estande, oferecendo linhas de crédito em condições especiais e benefícios exclusivos na Sipag, nossa maquineta de cartão.

Mais do que apresentar soluções financeiras, a FENAP foi um espaço de relacionamento, onde fortalecemos laços com cooperados, parceiros e a comunidade local. Cada conversa, cada visita ao nosso espaço reforçou a importância do cooperativismo para o desenvolvimento da região.

Dentre os que participaram da feira, o Diretor Presidente Evaldo Campos, a Diretora Aline Robéria, Thiago Medeiros Filgueira, Diretor Organizacional e de Riscos, os membros do Conselho de Administarção Fábio da Matta (Vice-presidente) e Nill Júnior, gestores de pontos de atendimento, gerentes de relacionamemnto e colaboradores.

“Agradecemos a todos que nos prestigiaram durante a feira e seguimos firmes no propósito de transformar realidades e gerar oportunidades”, diz o Sicoob.

Parceria entre Governo Federal, INCRA, MLST e Prefeitura injeta R$ 3,2 milhões em São José do Egito

Na manhã desta terça-feira (14), foram assinados 90 contratos em parceria entre o Governo Federal, o INCRA, o Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) e a Prefeitura de São José do Egito. O investimento totaliza R$ 3.268.000,00, que serão injetados na economia do município, trazendo melhorias significativas para diversas áreas. Os contratos foram firmados […]

Na manhã desta terça-feira (14), foram assinados 90 contratos em parceria entre o Governo Federal, o INCRA, o Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) e a Prefeitura de São José do Egito. O investimento totaliza R$ 3.268.000,00, que serão injetados na economia do município, trazendo melhorias significativas para diversas áreas.

Os contratos foram firmados nas modalidades: 

Habitacional: Construção de 28 casas; 

Semiárido: 44 projetos de captação de água, construção de cisternas, perfuração de poços; 

Fomento Produtivo: 29 projetos voltados ao fortalecimento da produção agrícola.

Os assentamentos contemplados são Riacho dos Negros, Açudinho e Lagoa da Outra Banda, beneficiando diretamente diversas famílias que dependem dessas iniciativas para melhorar suas condições de vida e produtividade.

O evento contou com a presença do prefeito de São José do Egito, Fredson Brito, do presidente do MLST, Ivanildo França, e do superintendente adjunto do INCRA, Joilson, reforçando a importância da união entre os governos federal, municipal e entidades de luta pela terra.