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Os cem anos de Dom Francisco

Por Nill Júnior

Por Monsenhor Assis Rocha*

A celebração festiva do Centenário de nascimento de Dom Francisco Austregésilo, em Afogados da Ingazeira, , começa hoje, na cidade onde ele foi Bispo Diocesano por 40 anos: de 1961 a 2001. Foi, imediatamente, antecedido por D. Mota, e sucedido por Dom Pepeu, Dom Egídio e, agora, por Dom Limacedo.

A Pastoral de Comunicação da Diocese, por um de seus membros, a Silmara, entrou em contato comigo, por ser um dos padres mais antigos e vivo, a trabalhar por lá, pedindo-me alguma informação, a respeito de D. Francisco, minha convivência com ele, seu destemor no uso da Rádio, sobretudo através do MEB, de seus sermões e programas radiofônicos ou outros aspectos de sua ação evangelizadora por toda a Diocese. Claro que não me neguei a fazê-lo.

Enviei-lhe três vídeos de 10 a 12 minutos, abordando três aspectos: um pouco de sua biografia e de nossa convivência; outro tanto do seu trabalho de evangelização e catequese pela PASCOM e pelo MEB; e algo mais folclórico ou “causos” que, apesar da seriedade dele, aconteciam, esporadicamente.

Transcrevo para meus leitores, neste meu comentário desta semana, um pouco do que já enviei em vídeo, para meus amigos e colegas, em Afogados da Ingazeira, como colaboração para a Festa Centenária.

Conheci Dom Francisco, em 1952. Eu tinha meus 11 anos de idade, e ele tinha 27. Dezesseis anos de diferença. Eu, ingressando no Seminário de Sobral, e ele meu professor de Língua Portuguesa e Matemática. Mais tarde, de Literatura Brasileira e Portuguesa, e também, meu Reitor do Seminário.

Em comum, tínhamos o nome dos lugares onde havíamos nascido: SANTA CRUZ – já em projeto de mudarem de nomes para evitarem confusão, sobretudo do serviço telegráfico. Com a mudança de um dos nomes, findava a confusão. Mudaram os dois nomes de uma vez: a Santa Cruz dele passou a ser Reriutaba e a minha Santa Cruz passou a chamar-se Bela Cruz. E assim, fomo-nos acostumando com essa história e a recontamos até hoje.

Dom Francisco nasceu aos 3 de Abril de 1924. Por isso é que no dia 03 de Abril de 2024, quarta feira desta semana, Afogados da Ingazeira esteve celebrando os 100 anos do seu nascimento, que Reriutaba, bem que poderia comemorar, com mais propriedade do que nós.

Depois de cursar 1º e 2º graus no Seminário de Sobral, com grande brilhantismo, em Literatura, língua portuguesa e ciências matemáticas, ingressou nos Cursos Superiores de Filosofia, Teologia, Sagradas Escrituras e Direito Canônico com mais brilhantismo ainda, credenciando-se à Ordenação Sacerdotal, que se deu aos 08 de dezembro de 1951 das mãos de seu Bispo de Sobral, Dom José Tupinambá, assumindo tarefas ministeriais, como professor e, mais tarde, como Reitor do Seminário, tornando-se o grande formador dos futuros padres da Diocese. Era conhecido por todos, como Padre Austregésilo, o mais preparado do clero sobralense, o mais admirado pelas aulas bem ministradas, pelos sermões cheios de sabedoria, por suas palestras convincentes, pelos retiros convertedores de pessoas, pela segurança, energia e destemor que passava em tudo o que fazia. Isto o credenciou a ser Bispo.

Sua nomeação de Roma aconteceu aos 25 de Maio de 1961, nove dias antes de completar seus 37 anos de idade. Em 24 de Agosto do mesmo ano, recebeu a Ordenação Episcopal, em sua Diocese de origem, Sobral – CE, e no dia 17 de setembro de 1961 substituiu o 1º Pastor, Dom Mota, que fora trans-ferido para Sobral.

Começou seu Ministério Episcopal em Afogados, tendo a felicidade de participar do Concílio Ecumênico Vaticano II, em Roma, com todos os bispos do mundo, reciclando-se para melhor realizar sua nova fase de prestação de serviço à Igreja. Apresentou-se aos seus diocesanos, como Dom Francisco, dada a dificuldade que o povo teria de chamá-lo Dom Austregésilo. Em Sobral, os colegas mais íntimos o chamavam “Tregeba”. Era bem mais fácil; não?

Ele chegara a Afogados, em Setembro de 1961, como eu já disse. Eu cheguei a Pernambuco, primeiro que ele: em Fevereiro, para cursar o 2º Ano de Filosofia no Seminário Regional do Nordeste, em Olinda. O 1º ano eu havia feito em 1960, no Seminário Arquidiocesano de Fortaleza.

Dom Mota, em 04 anos, fundara duas instituições básicas para seu trabalho de evangelização: a Rádio Pajeú e a A.S.D. (Ação Social Diocesana). O novo bispo, Dom Francisco, nem se preocupou em “criar” algo “de novo”. O novo já existia. Era só pô-lo em prática. Os políticos, para mostrarem serviço, destroem o que seus antecessores deram início. Bispos sérios não fazem isso.

E aqui está o 2º motivo da minha reflexão sobre o episcopado de D. Francisco.

Dom Mota fora escolhido para a Missão em Afogados da Ingazeira, no momento em que os Bispos de todo o Brasil, sobretudo do Norte, Nordeste e Centro Oeste eram convidados pelo Presidente da República, J.K. a fazerem uma parceria, via CNBB, para iniciarem um projeto de Educação pelo Rádio, que atingisse os interiores mais longínquos do país, onde ninguém chegava, a não ser as ondas do Rádio. O Ministério das Comunicações, associado à Igreja do Brasil, desenvolveria esse trabalho através do M.E.B. (Movimento de Educação de Base). Mas, porque Juscelino pensara nisso?

Ele fora seminarista no grande Seminário Lazarista, do Monte Caraça, em Minas Gerais. Seu “slogan” era pura ousadia: “fazer o Brasil crescer 50 anos em cinco”. Juscelino tinha pressa. Tinha de fazer muito em pouco tempo.  Queria construir no seu momento presente, o que o Brasil fosse precisar mais tarde. Deu início com ousadia e planejamento à Indústria Brasileira, às fábricas de automóveis, às refinarias de petróleo, à frota naval, à marinha mercante nacional, à transferência da Capital do Rio de Janeiro para o Planalto Central, enfim, motivou, investiu, construiu não só sob o aspecto material, mas cuidou da Educação como sua principal meta. Não queria o povo só para trabalhar pesado. Tinha também que pensar, ativar os conhecimentos, aprender para ser mais. Não era o ter que era mais importante. E a melhor maneira que achou de pagar o que recebeu do Seminário do Caraça, foi nesta parceria com a CNBB.

Em 05 anos, a Diocese de Afogados da Ingazeira, com o início dado por D. Mota e a continuidade expressa pela coragem e destemor de D. Francisco, tinha instalado um serviço de educação integral para a vida comunitária, social e política e para a evangelização que movimentava mais de 400 Escolas Radiofônicas, espalhadas por toda a Diocese. Com o golpe militar de 1964, todo o sonho de Juscelino, todo o empenho da CNBB, todo o material de traba-lho e das pessoas envolvidas, tudo foi de água abaixo. A ditadura os destruiu.

Em Afogados, policiais tomavam os “radinhos cativos” das Escolas e amedrontavam os monitores, ameaçando-os de prisão. O Bispo se indignava.

Procurava o 4º exército, na 10ª região militar em Recife, bradando diante da autoridade: “quem já viu fechar-se um chuveiro, arrolhando cada um de seus buraquinhos? Porque não fechá-lo, enroscando a torneira geral?” Era o desafio do Bispo Sertanejo para o exército fechar a Rádio Pajeú, coisa que nunca aconteceu.

Dom Francisco se caracterizava, por onde andava, como um homem de muita coragem. Sempre dizia que “medo” era uma palavra que não existia em seu dicionário; e justificava o seu destemor, à luz da Palavra de Deus, que tem em 366 ocasiões: “não tenhais medo”. Só da boca de Jesus tem, pelo menos, 18 vezes.  Com essas suas maneiras de pensar e agir, eu vou passando para a terceira solicitação da Silmara, na abordagem de alguns “causos” mais hilários de D. Francisco que, dada a seriedade dele, tem pouca graça, mas é parte do seu jeitão. Como eu disse acima, falando da sugestão de Silmara, quanto aos causos, apesar de sua seriedade, aconteciam esporadicamente. Vamos a eles.

Eu sempre convivi com Dom Francisco, admirando sua sabedoria, quer no seminário menor, em Sobral, quer no Seminário Maior, em Fortaleza, no tocante ao seu Curso de Direito Canônico. Sob este aspecto, orientava por toda a Diocese, sobre a liberdade que o casal de namorados ou noivos deveria ter para realizar-se como marido e mulher. Sustentava com toda coragem que ninguém era obrigado a casar. Assim estava ensinando na Paróquia de S. José do Belmonte, dizendo que casamento obrigado é nulo. Não houve sacramento.

Ao dizer isso, um promotor público que estava na Igreja atreveu-se a dizer que, em certas circunstancias, para evitar uma tragédia na família, talvez fosse mais prudente realizar o casamento. Dom Francisco revidou com mais indignação ainda: “Não, Senhor! Não há lei que obrigue um casamento”. O tal promotor é que não sabia quem era D. Francisco e do que ele era capaz. Replicou-o, dizendo que ‘ele orientava daquele modo por desconhecer a lei’. O suficiente para criar “um bafafá” em que o Bispo saiu à meia noite daquela cidade, 600 km. para Recife, e se inscreveu no último dia do vestibular de Direito da Universidade Católica de Pernambuco. Ficou num dos 1ºs lugares.

Fez todo o Curso, dividido em 03 Faculdades: na Católica, em Caruaru e na Federal, devido dificuldades de frequência; mas venceu. Entre os convites a serem enviados, pediu apenas três, para pessoas que não estariam presentes: Dona Clausídia, sua mãe, já idosa, em Sobral. Para mim, que estava em Roma e também não viria; e para o tal promotor que o desafiara, na Missa, em São José do Belmonte, com o seguinte recado: ‘terei imenso prazer em contar com o prezado colega, em minha formatura’. Será que ele foi?

Gostaria de acrescentar aos causos já citados (não ter medo/ discussão com o promotor/ defesa do MEB no 4º exército) mais um, em âmbito mundial: durante o Concílio Vaticano II, propôs a restauração do Diaconato Permanente, que funcionou no começo da Igreja, como narram os Atos dos Apóstolos 6,13: “escolham entre vocês, sete homens de confiança, cheios do Espírito Santo e de sabedoria e nós entregaremos as prestações de serviços a eles e nós continuaremos a usar todo o nosso tempo na oração e no anuncio da palavra”.

Dom Francisco impôs tanta seriedade no pleito dele, dando exemplos das necessidades de sua própria Diocese de 11 mil km quadrados, 300 mil há-bitantes, 06 padres, o mais novo era ele mesmo, que os Padres Conciliares se renderam aos seus argumentos e aprovaram o projeto. Voltando do Concílio começou a preparar por 03 anos, seus 1ºs Diáconos. A ele nossa homenagem.

*Monsenhor Francisco de Assis Magalhães Rocha é sacerdorte católico, professor e comunicador. Natural de Bela Cruz, Ceará, onde mora hoje, foi ordenado sacerdote a 4 de agosto de 1968. De 1973 a 1976, cursou Sociologia na Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino, em Roma, onde concluiu o bacharelato e o mestrado, defendendo a tese O Fenômeno Frei Damião na Religiosidade Popular do Nordeste do Brasil. Atuou por décadas a serviço da Diocede de afogados no bispado de Dom Francisco. Dirigiou a Rádio Pajeú e Rádio Universitária de Sobral, no Ceará.

Outras Notícias

Referência da direita brasileira, Bukele parabeniza Lula pela reeleição e defende cooperação entre países

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, enviou uma carta a Lula reconhecendo sua vitória nas eleições brasileiras. O gesto chama atenção pela influência de suas políticas de segurança pública sobre propostas defendidas por Flávio Bolsonaro. A mensagem foi encaminhada pela Embaixada de El Salvador em Brasília ainda no domingo (25), dia do segundo turno […]

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, enviou uma carta a Lula reconhecendo sua vitória nas eleições brasileiras. O gesto chama atenção pela influência de suas políticas de segurança pública sobre propostas defendidas por Flávio Bolsonaro.

A mensagem foi encaminhada pela Embaixada de El Salvador em Brasília ainda no domingo (25), dia do segundo turno das eleições presidenciais. Na correspondência, divulgada pela imprensa nessa quarta-feira (28), Bukele cumprimentou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela conquista de seu quarto mandato.

“Apresento a Vossa Excelência minhas felicitações por sua reeleição como Presidente da República Federativa do Brasil”, escreveu o presidente salvadorenho.

Bukele também manifestou interesse em manter e ampliar a cooperação entre os dois países, destacando o respeito mútuo e a busca por interesses comuns. A mensagem foi enviada em nome do governo salvadorenho, de sua esposa, Gabriela, e dele próprio.

O posicionamento tem repercussão política porque Bukele é uma das principais referências internacionais de setores da direita brasileira, especialmente por sua política de segurança pública, baseada no endurecimento das penas, no encarceramento em massa e no combate às organizações criminosas.

Durante a campanha presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) citou o modelo salvadorenho como exemplo para suas propostas de segurança. Em agosto, o então candidato se reuniu com Gustavo Villatoro, ministro da Justiça de El Salvador, durante um encontro em São Paulo.

Já em outubro, antes do segundo turno, Flávio afirmou que pretendia adotar medidas ainda mais rigorosas do que aquelas implementadas pelo governo de Bukele, incluindo a ampliação de vagas no sistema prisional e o aumento de penas para determinados crimes.

O presidente salvadorenho também foi citado durante a campanha por Renan Santos, do partido Missão, que disputou a Presidência no primeiro turno.

Apesar dessa identificação política com setores da direita brasileira, Bukele optou por uma manifestação diplomática de reconhecimento ao resultado eleitoral e de disposição para manter as relações com o governo Lula.

A carta se soma às mensagens encaminhadas por outros chefes de Estado e de governo após o segundo turno.

Fonte: O Globo
Foto: Marvin Recinos/AFP

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Flávio Bolsonaro pode perder mandato no Senado por faltas após ida aos EUA; entenda as regras

A permanência de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos pode comprometer seu mandato no Senado, que termina em janeiro de 2027. A legislação prevê perda do cargo por excesso de faltas, mas a medida não é automática. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poderá enfrentar consequências no exercício de seu mandato caso permaneça fora do Brasil sem […]

A permanência de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos pode comprometer seu mandato no Senado, que termina em janeiro de 2027. A legislação prevê perda do cargo por excesso de faltas, mas a medida não é automática.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poderá enfrentar consequências no exercício de seu mandato caso permaneça fora do Brasil sem apresentar justificativas aceitas pelo Senado Federal. Até esta quinta-feira (29), não havia confirmação de que o parlamentar tivesse comunicado oficialmente sua saída do país ou solicitado licença à Casa.

De acordo com o artigo 55 da Constituição Federal, deputados e senadores podem perder o mandato caso deixem de comparecer a um terço das sessões ordinárias durante o ano legislativo, salvo em situações de licença ou missão autorizada.

Um levantamento publicado pelo UOL aponta que Flávio já acumulava 11 faltas não justificadas em 2026. Até quarta-feira (28), o Senado havia realizado 48 sessões deliberativas, com outras 25 previstas até o recesso de dezembro.

Caso o calendário seja mantido, o total chegará a 73 sessões. Nesse cenário, 25 ausências não justificadas seriam suficientes para atingir o limite constitucional, desde que todas sejam consideradas na contagem oficial.

A perda do mandato por excesso de faltas não exige votação em plenário. A decisão cabe à Mesa Diretora do Senado, mediante procedimento que assegure ao parlamentar o direito à ampla defesa.

Flávio também poderá solicitar licença para tratar de interesses particulares, por até 120 dias, sem remuneração. Se concedido, o afastamento impede que as ausências correspondentes sejam contabilizadas como faltas injustificadas.

Outra possibilidade prevista na legislação é a abertura de um processo por quebra de decoro parlamentar. Nesse caso, uma eventual cassação depende de aprovação da maioria absoluta do Senado, equivalente a pelo menos 41 dos 81 parlamentares.

A permanência no exterior também pode limitar a participação de Flávio nas atividades legislativas. Embora o Senado permita votações remotas em determinadas circunstâncias, o uso dessa modalidade depende das regras estabelecidas para cada sessão e não dispensa automaticamente a presença física.

A saída do país não interrompe, por si só, o pagamento dos vencimentos. Entretanto, ausências injustificadas em sessões deliberativas podem provocar descontos na remuneração.

Caso o mandato seja encerrado antecipadamente, o primeiro suplente, Paulo Marinho, poderá assumir a cadeira. Flávio foi eleito senador pelo Rio de Janeiro em 2018, para um mandato que se encerra em 31 de janeiro de 2027.

Fonte: UOL
Foto: Reprodução

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Após proibição das bets, consumo de arroz, óleo, macarrão e café cresce no Brasil, aponta Abras

As vendas de alimentos registraram crescimento de 6,5% no Brasil entre os dias 5 e 11 de outubro, em comparação com o mesmo período de 2025. Na semana seguinte, de 12 a 18 de outubro, a alta foi de 6,3%. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), segundo reportagem do Estadão. A […]

As vendas de alimentos registraram crescimento de 6,5% no Brasil entre os dias 5 e 11 de outubro, em comparação com o mesmo período de 2025. Na semana seguinte, de 12 a 18 de outubro, a alta foi de 6,3%. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), segundo reportagem do Estadão.

A entidade associa o aumento do consumo à proibição das plataformas de apostas on-line, estabelecida pela Medida Provisória 1.394/2026, publicada pelo governo federal em 25 de setembro.

Segundo a Abras, o crescimento foi observado especialmente na compra de produtos essenciais, como arroz, óleo, macarrão e café. O movimento ocorreu em diferentes estabelecimentos do varejo alimentar, incluindo supermercados, atacarejos e mercearias.

Na primeira semana analisada, o Sul e o conjunto formado por Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro apresentaram os maiores índices de crescimento, ambos com 10,6%. O Nordeste registrou alta de 6,5%, seguido pelo interior de São Paulo, com 5,6%.

Na segunda semana, o Sul manteve o maior crescimento, com 9%, enquanto Minas Gerais, Espírito Santo e interior fluminense registraram 7,1%. No Nordeste, o avanço foi de 4,5%.

A associação também relaciona os resultados a uma redução nas transações realizadas por Pix após a proibição das apostas. Segundo os dados citados pela entidade, houve uma queda inicial de 10% no número de operações, percentual que posteriormente passou para 7%.

A Abras considera que a redução dos gastos com apostas pode estar contribuindo para que as famílias destinem mais recursos à compra de alimentos. Entretanto, os números apresentados mostram uma associação temporal entre os acontecimentos, sem comprovar isoladamente que a proibição seja responsável por todo o crescimento registrado.

A medida provisória proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e jogos on-line. A restrição não abrange outras modalidades lotéricas autorizadas pela legislação brasileira.

Fonte: Estadão
Foto: Tiago Queiroz/Estadão

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Governo vai investigar 45 casos de violência política no segundo turno, incluindo dez mortes

O governo federal anunciou medidas para ampliar a investigação de 45 episódios de violência política registrados durante o segundo turno das eleições. O levantamento reúne 47 vítimas, incluindo dez mortes, e denúncias de agressões e ameaças. O anúncio foi feito nessa quarta-feira (28), durante entrevista coletiva do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e […]

O governo federal anunciou medidas para ampliar a investigação de 45 episódios de violência política registrados durante o segundo turno das eleições. O levantamento reúne 47 vítimas, incluindo dez mortes, e denúncias de agressões e ameaças.

O anúncio foi feito nessa quarta-feira (28), durante entrevista coletiva do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e de representantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública. As ocorrências foram registradas entre sábado (24) e domingo (25), período da votação que confirmou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo os dados apresentados pelo governo, os registros incluem dez vítimas fatais, entre elas três indígenas, sete vítimas de atropelamentos apontados como intencionais, 14 de agressões físicas, espancamentos e esfaqueamentos, cinco de disparos e atentados com armas de fogo, cinco de violência e coação contra povos indígenas e seis de abusos de autoridade e violência policial.

De acordo com Boulos, as denúncias envolvem apoiadores de Lula que teriam sido atacados por simpatizantes de Flávio Bolsonaro (PL). A motivação política e a responsabilidade dos envolvidos ainda dependem das investigações.

“Não haverá impunidade nesses casos. Isso é inadmissível. Nós vivemos um processo democrático e, como em toda eleição, um ganhou e outro perdeu. Isso não pode ser pretexto para o cometimento de crimes, para agressões. Não pode ser pretexto para assassinatos”, afirmou o ministro.

Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina concentram o maior número de ocorrências identificadas no levantamento.

Entre as providências anunciadas estão investigações da Polícia Federal sobre crimes eleitorais, violência política de gênero e violações de direitos humanos. O governo também encaminhará denúncias à Procuradoria-Geral da República (PGR) e acionará corregedorias policiais e Ministérios Públicos estaduais quando houver suspeita de envolvimento de agentes de segurança.

O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ademar Borges, informou que dezenas de inquéritos já foram instaurados e que os episódios apresentam diferentes enquadramentos criminais, incluindo racismo, homicídio e lesão corporal.

Um dos casos citados envolve a vereadora Iara Pimentel (PT), de Montes Claros, em Minas Gerais, atingida no rosto por um objeto durante uma manifestação política. Ela perdeu a consciência e precisou de atendimento do Samu.

Em Santos, no litoral paulista, o engenheiro Marcelo de Oliveira da Rocha, de 30 anos, morreu após ser agredido quando retornava de um ato político. A Polícia Civil investiga o episódio como latrocínio, e a motivação política ainda não foi comprovada.

O governo também anunciou medidas de combate à violência no ambiente digital, com cobrança do cumprimento das obrigações legais das plataformas diante da circulação de conteúdos envolvendo ameaças, discriminação e incitação à violência.

Fonte: Agência Brasil
Foto: Reprodução

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Aliados de Flávio Bolsonaro em Pernambuco rejeitam versão de fuga e defendem “exílio político”

Gilson Machado e Coronel Feitosa afirmam que a saída do senador para os Estados Unidos foi motivada pelo receio de perseguição judicial. Os parlamentares defendem que a viagem seja tratada como exílio político. O deputado federal eleito Gilson Machado Neto (Podemos) e o deputado estadual reeleito Coronel Feitosa (PL) defenderam a decisão de Flávio Bolsonaro […]

Gilson Machado e Coronel Feitosa afirmam que a saída do senador para os Estados Unidos foi motivada pelo receio de perseguição judicial. Os parlamentares defendem que a viagem seja tratada como exílio político.

O deputado federal eleito Gilson Machado Neto (Podemos) e o deputado estadual reeleito Coronel Feitosa (PL) defenderam a decisão de Flávio Bolsonaro de deixar o Brasil após a derrota nas eleições presidenciais. Em entrevista ao Diario de Pernambuco, os dois rejeitaram a classificação de fuga e afirmaram que o senador buscou proteção diante de possíveis medidas judiciais.

Para Coronel Feitosa, a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para a entrega dos passaportes do senador levanta questionamentos sobre as garantias constitucionais.

“Ele não fugiu do Brasil. Ele é um refugiado”, afirmou o deputado, que criticou a adoção de medidas restritivas com base em informações sobre uma possível saída do país.

Gilson Machado Neto apresentou avaliação semelhante. O ex-ministro argumentou que Flávio poderia enfrentar restrições à sua atuação política e até uma eventual prisão caso permanecesse no Brasil.

Ao defender a decisão do aliado, Gilson comparou sua situação à do ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que também teria deixado o país nas mesmas circunstâncias.

Os parlamentares acreditam que a permanência de Flávio nos Estados Unidos permitirá a continuidade de sua atuação na oposição ao governo Lula. Segundo eles, o senador poderá manter contatos políticos e manifestações públicas sem as restrições que afirmam existir no Brasil.

Gilson Machado também comparou a situação de Flávio à de opositores do governo venezuelano, como María Corina Machado e Edmundo González, e alegou que a viagem teria contado com apoio norte-americano.

As declarações representam a interpretação política dos aliados. A Polícia Federal informou, nessa quarta-feira (28), que Flávio descumpriu a determinação de entregar documentos de viagem de outras nacionalidades e que investiga as circunstâncias de sua saída do Brasil.

A corporação esclareceu, entretanto, que o senador não é considerado foragido da Justiça e que as restrições relacionadas aos passaportes não autorizam, por si só, sua prisão.

Fonte: Diario de Pernambuco
Foto: Pablo Porciuncula/AFP

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