Operação Alvitre volta à Câmara de Ipojuca e tem presidente e vice entre os alvos

Polícia Civil investiga suposto esquema de desvio de emendas parlamentares que pode chegar a R$ 27 milhões; Gilmar Costa foi afastado das funções.
O presidente da Câmara Municipal de Ipojuca, Irmão Genival (PSD), e o vice-presidente, Gilmar Costa (Republicanos), estão entre os alvos da terceira fase da Operação Alvitre, deflagrada pela Polícia Civil de Pernambuco na última quinta-feira (3).
A investigação apura um suposto esquema de desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares da Câmara. Segundo a Polícia Civil, o valor investigado ao longo da operação pode chegar a cerca de R$ 27 milhões.
Nesta terceira fase, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em Ipojuca, Cabo de Santo Agostinho e Paulista. Não houve prisões. A Justiça também determinou sequestro de bens, bloqueio de ativos financeiros e suspensão do exercício de função pública.
Gilmar Costa foi afastado das funções por decisão judicial. Duas residências do vereador e seu gabinete na Câmara foram alvo de buscas.
Segundo o delegado Ney Luiz Rodrigues, responsável pelas investigações, vereadores, assessores, servidores públicos, advogados, empresários e outros envolvidos são investigados por uma possível atuação coordenada na destinação e movimentação dos recursos.
Um dos focos desta etapa é a Associação Cultural, Social e Recreativa Mudart, sediada em Ipojuca. De acordo com a Polícia Civil, a entidade recebeu cerca de R$ 1,2 milhão em recursos públicos entre 2017 e 2024.
A polícia investiga emendas destinadas à associação por três vereadores e a possibilidade de parte dos valores ter retornado a parlamentares ou pessoas ligadas a eles.
“Esses valores de alguma forma podem ter voltado para esses vereadores. Então todos os vereadores que destinaram verbas para essa associação são investigados”, afirmou Ney Luiz.
A investigação também identificou uma mulher ligada ao gabinete de Gilmar Costa que teria movimentado cerca de R$ 16 milhões. Segundo a Polícia Civil, ela admitiu que não exercia efetivamente as funções para as quais havia sido nomeada. A origem e o destino dos valores continuam sob apuração.
Associação era presidida por professora assassinada
A Mudart era presidida por Simone Marques da Silva, de 46 anos. Ela foi assassinada a tiros em outubro de 2025, horas depois de comparecer à Delegacia de Porto de Galinhas para prestar depoimento no inquérito.
Simone não chegou a ser ouvida naquele dia porque o depoimento precisou ser adiado. Ela foi morta antes da nova data marcada. O homicídio permanece sob investigação, e não há, até o momento, conclusão pública que estabeleça relação entre o assassinato e o esquema investigado pela Operação Alvitre.
Segundo a Polícia Civil, as apurações apontaram posteriormente que Simone também era investigada por sua atuação na Mudart e pela movimentação dos recursos recebidos pela entidade.
Operação já atingiu antiga direção da Câmara
A terceira fase é um desdobramento das investigações iniciadas em 2025.
Em novembro daquele ano, o então presidente da Câmara, Flávio do Cartório (PSD), e o então vice-presidente, Professor Eduardo (PSD), foram presos durante a segunda fase da Operação Alvitre.
Professor Eduardo foi liberado no mesmo dia da prisão. Em janeiro deste ano, o Tribunal de Justiça de Pernambuco concedeu prisão domiciliar a Flávio do Cartório. Os dois deixaram posteriormente os cargos que ocupavam na Mesa Diretora da Câmara.
As investigações seguem em andamento, e ser alvo de mandado ou investigado não representa condenação.
Fonte: Blog Dantas Barreto, com informações do g1 Pernambuco, JC e Diario de Pernambuco
Foto: Reprodução
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