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O novo luxo é ser simples: por que a ostentação se tornou atraso

Por André Luis

Por Inácio Feitosa*

Vivemos um momento histórico em que a ostentação deixou de ser símbolo de poder e passou a ser evidência de atraso. Durante muito tempo, consumir e exibir foram gestos quase obrigatórios para quem desejava reconhecimento. Era como se a sociedade exigisse um desfile permanente de marcas, objetos, etiquetas e exageros. 

Só que o excesso cansou. Cansou porque falta sentido. Cansou porque o mundo amadureceu. Cansou porque não cabe mais num contexto global que exige consciência e sobriedade. Aos poucos, tornou-se evidente que aparência não resolve vazio, que logotipo não compra paz e que objetos não sustentam identidade. Hoje, ostentar não impressiona — constrange. Não comunica grandeza — revela insegurança. Não mostra sucesso — mostra falta de compreensão sobre o próprio tempo.

As redes sociais ajudaram a acelerar esse desgaste. O exagero permanente transformou-se em paródia de si mesmo. Perfis recheados de ostentação perderam credibilidade e passaram a ser vistos como uma tentativa desesperada de compensar algo que falta. Quanto mais gente exagera, menos gente respeita. Quanto mais se exibe, menos se admira. Esse colapso da estética do excesso expôs a fragilidade emocional que existe por trás da obsessão pela aparência. O espetáculo da ostentação ficou ultrapassado, e não perceber isso é perder a mudança cultural do século.

Sociedades mais maduras já não medem sucesso pelo volume de bens, mas pelo impacto social, pela solidez interna, pela capacidade de viver com propósito. Países desenvolvidos migraram da lógica da abundância ostentatória para a lógica da elegância silenciosa. E o Brasil, embora ainda preso a certos resíduos culturais, começa a despertar para essa transição. Hoje, o comportamento realmente admirado não é o que chama atenção, mas o que a dispensa. Não é o que grita, mas o que sabe falar baixo. Não é o que acumula, mas o que escolhe. E, acima de tudo, não é o que tenta parecer, mas o que consegue ser.

Enquanto consumidores mais atentos abraçam o “quiet luxury”, muitos ainda acreditam que exibir é avançar. Porém, exibir é regredir. É não entender a mudança de época. É permanecer preso à ingenuidade estética e simbólica dos anos 2000, quando o mundo ainda se encantava com brilho e barulho. Hoje, brilho e barulho soam infantis. É anacrônico confundir valor com preço, grandeza com visibilidade, qualidade com chamativo. O novo luxo é justamente o oposto dessa lógica: discrição, leveza, paz, autonomia, autenticidade, tempo, silêncio — bens intangíveis que não se compram numa vitrine, mas se constroem com maturidade.

Pessoas que realmente evoluíram não precisam provar nada a ninguém. A sofisticação atual não está na posse, mas no discernimento. Não está no acúmulo, mas na clareza. Não está no excesso, mas na medida. Talvez por isso os sinais mais sofisticados hoje sejam os mais discretos: a roupa sem logotipo, o carro que não chama atenção, o relógio que não precisa ser reconhecido, a garrafa de água comum no lugar da versão importada de valor absurdo. É um gesto simples, mas carregado de inteligência cultural. Esse comportamento não significa pobreza de possibilidades, mas riqueza de consciência. É a afirmação sutil de quem já entendeu que existir vale mais do que parecer.

Ostentar, nesse contexto, não é apenas falta de bom senso: é falta de leitura de mundo. É não perceber que a humanidade mudou de eixo. É insistir num modelo ultrapassado, preso à estética da década passada. É viver segundo o olhar alheio, e não segundo a própria lucidez. Exibir-se para conquistar respeito é como gritar para parecer eloquente: quanto mais alto, menos digno. O excesso virou ruído, e o ruído virou ridículo.

Viver com menos, por escolha, é maturidade emocional. Viver com exagero, por necessidade de reconhecimento, é fragilidade disfarçada de poder. É sinal de desequilíbrio interno. É a demonstração de que a pessoa ainda depende de aplauso externo para sustentar a própria autoestima. A verdadeira força está em não precisar ser visto para existir. Está em não depender de aprovação para permanecer inteiro. Está em ser suficiente para si mesmo.

O mundo mudou, a sensibilidade mudou, a régua da elegância mudou. A nova estética é ética. O novo estilo é consciência. O novo símbolo de status é a serenidade. O que realmente impressiona hoje não é o brilho, mas a profundidade; não é o volume, mas o silêncio; não é a exibição, mas a sobriedade. Um ambiente organizado, uma rotina equilibrada, uma vida coerente — isso sim comunica grandeza. Porque o que encanta, hoje, não é o exagero, mas a clareza; não é o luxo ostensivo, mas a simplicidade consciente.

Quem ainda não percebeu isso continua preso a um tempo que já se foi, lutando para parecer mais enquanto o verdadeiro avanço é simplesmente ser. E a tendência global é clara: quanto mais o mundo se torna complexo, mais as pessoas inteligentes buscam o simples. Quanto mais a sociedade grita, mais o sábio se recolhe. Quanto mais tudo encarece emocionalmente, mais o equilíbrio se torna valioso. A simplicidade não é ausência — é conquista. Não é falta — é escolha. Não é pouco — é tudo o que basta.

E, no fim das contas, quando todas as luzes externas se apagam e sobra apenas o que somos de verdade, resta a constatação mais simples e mais difícil de todas: a maior obstinação do ser humano é ser humano!

*Inácio Feitosa é Advogado e Presidente do ICE — Instituto Confraria da Educação

Outras Notícias

Santa Cruz da Baixa Verde prorroga prazo do IPTU 2026 e oferece descontos para contribuintes com débitos antigo

A Prefeitura de Santa Cruz da Baixa Verde prorrogou até o dia 3 de novembro o prazo para pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de 2026. Segundo a gestão municipal, os contribuintes que efetuarem o pagamento dentro do novo prazo poderão participar do sorteio do IPTU Premiado. A administração também anunciou a concessão […]

A Prefeitura de Santa Cruz da Baixa Verde prorrogou até o dia 3 de novembro o prazo para pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de 2026. Segundo a gestão municipal, os contribuintes que efetuarem o pagamento dentro do novo prazo poderão participar do sorteio do IPTU Premiado.

A administração também anunciou a concessão de descontos sobre multas e juros para contribuintes que possuem débitos do imposto referentes a anos anteriores. A medida busca facilitar a regularização de pendências junto ao município.

Os contribuintes interessados em regularizar débitos antigos devem procurar a sede da Prefeitura de Santa Cruz da Baixa Verde para consultar os valores pendentes e obter informações sobre as condições oferecidas.

Foto: Reprodução

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Pesquisa Gerp aponta Flávio com 53% dos votos válidos e Lula com 47%

Pesquisa do instituto Gerp divulgada nesta quarta-feira (21) aponta Flávio Bolsonaro (PL) com 53% dos votos válidos na disputa pelo segundo turno da eleição presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 47%, uma diferença de seis pontos percentuais. Segundo o instituto, a vantagem do senador é estatisticamente significativa. O levantamento foi […]

Pesquisa do instituto Gerp divulgada nesta quarta-feira (21) aponta Flávio Bolsonaro (PL) com 53% dos votos válidos na disputa pelo segundo turno da eleição presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 47%, uma diferença de seis pontos percentuais. Segundo o instituto, a vantagem do senador é estatisticamente significativa.

O levantamento foi realizado entre os dias 19 e 21 de outubro, a quatro dias da votação, marcada para domingo (25). Os percentuais de votos válidos desconsideram os entrevistados que declararam não votar em nenhum dos candidatos ou não souberam responder.

Na comparação com a pesquisa anterior da Gerp, divulgada em 16 de outubro, Flávio oscilou de 52% para 53%, enquanto Lula passou de 48% para 47%. As variações de um ponto percentual estão dentro da margem de erro do levantamento.

No cenário estimulado, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados e todas as respostas são consideradas, Flávio registra 50% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Outros 2% afirmaram que não votariam em nenhum dos dois, enquanto 2% não souberam ou não responderam. A soma dos percentuais chega a 99% devido aos arredondamentos.

Os números da pesquisa estimulada permaneceram iguais aos registrados na rodada anterior, quando Flávio também aparecia com 50% e Lula com 45%.

Na pesquisa espontânea, em que os entrevistados declaram sua preferência sem receber os nomes dos candidatos, Flávio alcança 48%, enquanto Lula registra 43%. Outros 8% não souberam responder e 1% mencionou outros nomes.

Em relação à rodada anterior, ambos oscilaram um ponto percentual para baixo na modalidade espontânea. Flávio tinha 49% e Lula, 44%.

A Gerp Mercadologia entrevistou 2.400 eleitores por telefone, em todo o território nacional, entre 19 e 21 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança informado de 95,55%.

O levantamento foi contratado e financiado pelo próprio instituto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03835/2026.

Fonte: Blog do Mario Flávio
Foto: Reprodução

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PT leva denúncia contra Flávio Bolsonaro ao Conselho de Ética do Senado por suspeita de quebra de decoro

Um grupo de oito senadores, liderado por Randolfe Rodrigues (PT-AP), apresentou nesta quarta-feira (21) uma denúncia contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Conselho de Ética do Senado. Os parlamentares pedem a apuração de suspeitas de quebra de decoro envolvendo a relação do candidato à Presidência com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento de um filme […]

Um grupo de oito senadores, liderado por Randolfe Rodrigues (PT-AP), apresentou nesta quarta-feira (21) uma denúncia contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Conselho de Ética do Senado. Os parlamentares pedem a apuração de suspeitas de quebra de decoro envolvendo a relação do candidato à Presidência com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro.

A representação questiona a atuação de Flávio nas negociações para financiar o filme Dark Horse, que retrata a trajetória política de seu pai. Segundo os parlamentares, o senador teria negociado com Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, um aporte de US$ 24 milhões para a produção.

O documento aponta que US$ 12,33 milhões teriam sido transferidos para um fundo nos Estados Unidos ligado ao projeto. Os autores da denúncia querem esclarecer se houve utilização do mandato parlamentar para obter vantagens indevidas.

A representação também menciona possíveis benefícios recebidos pelo senador, como viagens em aeronaves particulares e o uso de uma mansão em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

Outro ponto envolve o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio. Os parlamentares pedem a apuração de informações sobre voos internacionais e uma conta bancária vinculada a uma empresa do advogado.

O pedido foi liderado por Randolfe Rodrigues e assinado também por Beto Faro (PT-PA), Humberto Costa (PT-PE), Rogério Carvalho (PT-SE), Eliziane Gama (PSD-MA), Paulo Paim (PT-RS), Camilo Santana (PT-CE) e Teresa Leitão (PT-PE).

Os senadores solicitam que Flávio seja chamado a apresentar sua defesa e que o Conselho examine as informações reunidas. Caso sejam identificados elementos suficientes para justificar a perda do mandato, os autores pedem o encaminhamento do caso à Mesa Diretora do Senado.

Flávio já negou irregularidades relacionadas ao financiamento de Dark Horse. O senador afirma que não houve contrapartida ligada ao exercício de seu mandato e sustenta que a responsabilidade pela prestação de contas dos recursos é da produtora do filme.

A denúncia foi registrada como Petição do Conselho de Ética nº 22/2026. Conforme a tramitação oficial do Senado, o procedimento aguarda a designação dos membros da comissão.

Fonte: Metrópoles
Foto: Reprodução

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Lula aceita condições de Flávio para abertura de sigilos, mas cobra inclusão de empresa na proposta

A campanha do presidente Lula (PT) afirmou nesta quarta-feira (21) que aceita as condições apresentadas por Flávio Bolsonaro (PL) para a abertura dos sigilos dos candidatos e de seus familiares. A resposta, no entanto, inclui uma cobrança sobre a exclusão de uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz da proposta apresentada pelo senador. A posição […]

A campanha do presidente Lula (PT) afirmou nesta quarta-feira (21) que aceita as condições apresentadas por Flávio Bolsonaro (PL) para a abertura dos sigilos dos candidatos e de seus familiares. A resposta, no entanto, inclui uma cobrança sobre a exclusão de uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz da proposta apresentada pelo senador.

A posição foi anunciada pelo senador Camilo Santana (PT-CE), um dos coordenadores da campanha de Lula, após Flávio protocolar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma resposta ao desafio lançado pelo presidente durante o debate da Band, no domingo (18).

Na manifestação encaminhada à Justiça Eleitoral, o candidato do PL apresentou condições adicionais para autorizar a divulgação de informações bancárias, fiscais e telefônicas, incluindo dados de pessoas ligadas ao presidente.

Camilo classificou as exigências como uma tentativa de manobra, mas afirmou que Lula não pretende rejeitá-las.

“Todas as condicionantes que ele colocou, a única resposta que o presidente tem é dizer ao candidato que não se opõe a absolutamente nada do que ele estava falando”, declarou.

Apesar da disposição anunciada, a campanha petista questionou a retirada da Alcazar, empresa pertencente ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, da relação de pessoas jurídicas que teriam seus sigilos abertos.

A empresa é mencionada em uma investigação da Polícia Federal na qual o candidato do PL aparece como suposto “usuário master” de uma conta bancária vinculada à companhia.

“A gente vê muita estranheza que ele tirar essa empresa. Então, que a imprensa possa cobrar dele porque é que ele está tirando essa empresa. Que ele cumpra o que foi pedido”, afirmou Camilo.

O coordenador informou que Lula apresentará uma resposta formal ao TSE às 11h desta quinta-feira (22). Segundo ele, Flávio terá até o mesmo horário para aceitar ou rejeitar os termos propostos.

Apesar das manifestações dos dois lados, a abertura dos sigilos ainda não foi efetivada. A discussão ocorre a quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25).

Fonte: Diário de Pernambuco
Foto: Nelson Almeida/AFP

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“Democracia exige lealdade às regras do jogo, inclusive por parte de quem perde”, afirma Fachin

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, defendeu nesta quarta-feira (21) o respeito às regras democráticas e às decisões judiciais. A declaração foi feita durante um seminário na sede da Corte, em Brasília, a quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais. Durante a abertura do evento Diálogos com o Supremo, dedicado ao […]

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, defendeu nesta quarta-feira (21) o respeito às regras democráticas e às decisões judiciais. A declaração foi feita durante um seminário na sede da Corte, em Brasília, a quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais.

Durante a abertura do evento Diálogos com o Supremo, dedicado ao papel dos tribunais constitucionais, Fachin alertou para os riscos enfrentados pelas democracias em períodos de polarização política e destacou a responsabilidade das instituições e dos participantes do processo democrático.

O ministro afirmou que o Estado Democrático de Direito depende do cumprimento das regras estabelecidas, inclusive por aqueles que não conseguem vencer as disputas políticas.

Fachin também chamou atenção para o uso de decisões judiciais no debate público. Segundo ele, em ambientes marcados pela polarização, essas decisões frequentemente são reduzidas a slogans e utilizadas em disputas políticas, o que torna ainda mais necessária a apresentação de fundamentos claros e transparentes à sociedade.

Outro ponto abordado foi o risco de enfraquecimento gradual das instituições democráticas. O presidente do STF observou que as democracias contemporâneas nem sempre são ameaçadas por rupturas abruptas, mas também por processos que aparentam respeitar a legalidade, embora comprometam os mecanismos de controle e a confiança pública.

O ministro defendeu ainda que o Supremo precisa encontrar equilíbrio em sua atuação. Para ele, a Corte não pode se omitir diante de violações de direitos fundamentais, mas também não deve substituir o debate político por decisões baseadas exclusivamente na vontade de seus integrantes.

As declarações ocorrem em meio a divergências internas no STF relacionadas às investigações do Banco Master, que envolvem suspeitas de fraudes financeiras e corrupção de agentes públicos. A crise também passou a integrar o debate eleitoral, com propostas de mudanças no funcionamento do Judiciário apresentadas durante a campanha.

Ao tratar da preservação das instituições, Fachin ressaltou que a consolidação democrática não é definitiva e depende tanto da capacidade de resistência das instituições quanto da participação da sociedade.

Fonte: Agência Brasil
Foto: Rosinei Coutinho/STF

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