Lula nega que vá fugir do país e, se detido, será “preso político”

Um dia depois de ter um habeas corpus preventivo negado por unanimidade pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista à rádio Metrópole, de Salvador (BA), que, “se não provarem um real na minha conta, terei que ser considerado um preso político”. “E eles, então, terão que arcar com o preço de decretar minha prisão”, acrescentou.
Em 24 de janeiro, o petista foi condenado em segunda instância a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, no caso que envolve o tríplex do Guarujá. Menos de um mês depois, em 20 de fevereiro, a defesa do ex-presidente entregou um embargo de declaração. Após o julgamento do recurso, Lula pode ser preso. A última esperança dos advogados é um outro pedido de habeas corpus apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir a prisão após a condenação em segunda instância. Além do caso do tríplex, o ex-presidente é réu em outros seis processos na Justiça Federal.
Ainda na entrevista, Lula afirma que não cogita deixar o Brasil ou pedir asilo político em alguma Embaixada. “Eu vou para a minha casa. Sou brasileiro, amo este país. Tenho certeza do que fiz por este país, tenho certeza do que posso fazer por este país e eles sabem que, neste momento, possivelmente, eu seja uma das poucas pessoas que possa consertar o estrago que eles fizeram”, disparou o ex-presidente.
Confirmado pelo PT como pré-candidato à Presidência da República, Lula disse, em tom de campanha, que é uma “unanimidade” e que poderia vencer as eleições no primeiro turno. Por isso, segundo o ex-presidente, seus adversários queriam tirá-lo da corrida eleitoral para ter “duas vagas em disputa”. “A verdade é que eles não conseguiram construir candidatura por que não têm o que falar para o povo brasileiro. Gente que só fala em corte e toda vez que eles cortam é em prejuízo do povo. Ninguém fala em cortar nada dos ricos? É só dos pobres? É só dos trabalhadores? São quase 13 milhões de desempregados”, avaliou.
“Como é que eu posso me conformar quando eu vejo uma elite perversa entregando esse país a meia dúzia de pessoas? […] ‘Ah, mas o mercado não quer o Lula’. Eu não vou pedir voto para o mercado. Se o mercado quiser votar nos outros, vota. Eu vou conversar com o povo brasileiro”, concluiu o ex-presidente, que lidera as pesquisas de intenção de voto para o Planalto.
Confira a entrevista na íntegra:




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