João Campos e Raquel Lyra acirram disputa em Pernambuco com ações na Justiça que apontam atuação irregular nas redes

O Globo
A disputa pelo governo de Pernambuco ganhou uma frente paralela nos tribunais, com as campanhas do ex-prefeito João Campos (PSB) e da atual governadora Raquel Lyra (PSD) recorrendo à Justiça Eleitoral falando em atuação irregular nas redes sociais, com acusações de desinformação, uso de inteligência artificial, vídeos negativos e suspeitas de atuação coordenada de perfis.
No fim de julho, a campanha de Lyra apresentou ação apontando eventual coordenação e custeio de rede de perfis anônimos que estariam, de forma articulada, atacando a governadora e promovendo Campos, seu principal adversário na disputa, e pediu, de maneira cautelar, que fossem preservados dados desses perfis. O Tribunal Regional Eleitoral do estado (TRE-PE) decidiu favoravelmente ao pedido e determinou que fossem preservados os dados.
“Não se trata de crítica política isolada — legítima e protegida —, mas de um comportamento digital homogêneo, com ocultação de autoria, replicação sincronizada e escalada artificial de alcance, cuja existência já se acha documentada em ao menos trinta representações eleitorais em curso perante este tribunal”, diz a ação apresentada por Lyra.
Nela, os advogados afirmam que há um modus operandi com substituição sucessiva de perfis, mesmo após ordens judiciais de remoção, para garantir a circulação do mesmo conteúdo, além da identificação de “perfis inautênticos, disparo coordenado, escalada artificial de alcance e ocultação de autoria”.
Agora, a campanha de Lyra prepara uma nova representação apontando suposto uso de robôs para atacar a sua gestão e celebrar João Campos, que deverá ser apresentado à Justiça na próxima semana. O grupo diz ter elaborado um relatório que identificou a criação de 301 perfis num único dia (28 de maio deste ano). O grupo também afirma que mapeou um padrão de sincronia das mensagens com publicação de frases idênticas, o que levanta a suspeita de um uso desses robôs. A campanha também diz que há identificação de erros (como uso da palavra “the” em vez de artigos “o/a”) que apontam para um suposto uso de sistema automatizado.
Além disso, afirma ter identificado 186 perfis que estariam dedicados a enaltecer a candidatura de seu adversário na eleição e outros 33 voltados a atacar a gestão da governadora, que teriam sido criados para criticar o governo por causa de enchentes que atingiram o estado.
A campanha de João Campos, por sua vez, entrou com representação nesta sexta-feira na justiça apontando a existência de um suposto gabinete de ódio financiado com recursos públicos do governo estadual. Os advogados também pedem que sejam preservados, de forma cautelar, dados de perfis que estariam atuando de forma coordenada nesse sentido.
A campanha do ex-prefeito do Recife diz que essas acusações já foram levadas à Polícia Federal em outubro do ano passado por meio de uma denúncia apresentada por deputados estaduais, que está sendo analisada, e que foi alvo de uma CPI na assembleia do estado. Na ação, os advogados dizem que a denúncia se baseou em três pontos: “estrutura profissional de comunicação, possível sustentação econômica e utilização coordenada de perfis digitais aparentemente independentes.”
Ainda no documento, os advogados falam de séries criadas para atacar o ex-prefeito, com mensagens continuadas, identidade visual e estrutura narrativa semelhantes e a distribuição delas por meio de contas distintas. Eles descrevem esse suposto gabinete como uma “estrutura na qual a produção, a edição, a distribuição e a amplificação dos conteúdos são fragmentadas entre diferentes contas, de modo a ocultar a origem comum, dificultar a responsabilização e conferir verniz de espontaneidade àquilo que foi previamente organizado”.
A campanha de Campos afirma também que foi monitorado que perfis que antes exploravam “humor, gastronomia, notícias locais ou conteúdo de bairro” teriam passado a concentrar sua atividade em ataques contra o ex-prefeito e seus aliados. “Depois de diversas ações individuais, dezenas de perfis, produções seriadas, publicações colaborativas, replicações sucessivas, conteúdos sintéticos e investigações institucionais anteriores, já não é razoável continuar chamando tudo de coincidência. Coincidência é um episódio. Repetição organizada, com personagens, roteiros, calendário, páginas de distribuição e contas de reserva, possui outro nome”, diz a ação.
Procurada, a campanha de Lyra diz que a ação protocolada pelo PSB “não acusa nem comprova qualquer irregularidade”, que serão prestados todos os esclarecimentos que forem solicitados e que “participação política não pode ser confundida com irregularidade”. “Recebemos a iniciativa com absoluta tranquilidade. Não nos opomos à preservação de dados e confiamos plenamente na Justiça Eleitoral. O que não se pode fazer é tentar transformar uma medida técnica em fato político para confundir o eleitor pernambucano, atribuindo a ela um significado que não possui.”
Procurada, a campanha de Campos afirma que a representação reúne elementos que apontam a atuação de um gabinete de ódio que teria participação de ocupantes de cargos lotados no governo estadual e que não se trata de uma “denúncia recente ou criada no contexto eleitoral”. Diz também que aliados dele têm sido vítima de ataques distribuídos por essa mesma rede e que é preciso que as autoridades competentes esclareçam os fatos. “Tentar sustentar agora a narrativa de que a candidatura da governadora estaria sendo alvo de uma ofensiva política é uma tentativa de inverter a cronologia dos fatos e construir uma realidade que não corresponde ao histórico das denúncias”, diz a nota.
Além das disputas no meio digital, as duas campanhas têm atuado para buscar apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição. O próprio petista já declarou apoio público a Campos, mas aliados do presidente não descartam gestos para a governadora, diante da avaliação que a eleição à Presidência será acirrada e Lula não pode prescindir de apoios. Hoje, Lyra aparece numericamente à frente de Campos nas pesquisas de intenção de voto.







Pesquisa do Instituto Vox Brasil divulgada neste domingo (18/10) pelo Poder360 mostra Lula (PT) com 51% dos votos válidos, ante 49% de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo segundo turno da eleição presidencial. No cenário estimulado, que considera todos os entrevistados, o presidente tem 46,4% das intenções de voto, contra 44,6% do senador. Brancos, nulos e nenhum somam 5%, enquanto 3,9% estão indecisos. A diferença de 1,8 ponto percentual está dentro da margem de erro de 2,15 pontos, para mais ou para menos.
Pesquisa Gerp divulgada na sexta-feira (16) mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 50% das intenções de voto contra 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na comparação com a pesquisa divulgada em 12 de outubro, Flávio Bolsonaro passou de 53% para 50%, enquanto Lula oscilou de 44% para 45%. A diferença entre os dois candidatos caiu de nove para cinco pontos. Em validos, 52% a 48% pró Flávio. Ouviu 2.400 eleitores em todo o Brasil entre os dias 14 e 16 de outubro de 2026, por meio de entrevistas telefônicas, com margem de erro de 2%. Registro BR-05187/2026.
A empresária Roberta Luchsinger concedeu entrevista à CNN Brasil e afirmou que pretende fazer uma delação premiada, declarando que não poupará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem seu filho, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha).
Depois do sucesso do trabalho no primeiro turno das eleições, a Rádio Pajeú promete repetir a dose no próximo domingo, com a maior cobertura do segundo turno das eleições. Os programas da grade de segunda a sexta terão exibição especial, e às quatro da tarde, a Central de Apuração, que só termina quando o Brasil conhecer o vencedor entre Flávio Bolsonaro e Lula.
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