Homenagem: o legado de José Mariano de Brito
Por Magno Martins
Deus chamou, hoje, bem cedinho da madrugada, de um sopro quando dormia, um sertanejo valente de 87 anos, de um oceano inteiro de sabedoria sem nunca ter lido uma só palavra por causa da escravidão do analfabetismo. Seu nome de batismo: José Mariano de Brito, pai do meu sogro, o ex-deputado Antônio Mariano de Brito, e avô de minha esposa Aline Mariano, vereadora licenciada da Cidade do Recife, secretária de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas da gestão Geraldo Júlio.
Criado no trabalho árduo do preparo da terra, no saudoso sítio São João, onde veio ao mundo num parto iluminado por um candeeiro, “seu” José Mariano não teve direito de ir à escola para aprender a ler e com a leitura desvendar o mundo. Seus pais, muito pobres, enxergavam nos filhos uma espécie de exército familiar para angariar o pão de cada dia, conquistado a duras penas. O ofício não era nada fácil. Era a roça debaixo de um sol escaldante. Ali, garoto, compreendia que todo dia era dia de vencer, como ensinou o seu pai.
Inspirado no velho pai, “seu” José Mariano buscou novos horizontes fugindo da terra seca, árida e ardente do Sertão. Viu, aos 15 anos, sem cair do céu como milagre, a primeira moeda entrar no seu bolso fruto do seu suor. Com ela, traçou, como um arquiteto, o plano para escapar da escravidão nas terras de vidas secas. Surgia ali seu primeiro novo meio de vida: o comércio.
Na verdade, uns bagulhos ofertados na incrível vitrine de um pneu de carro usado, mas que lhe serviram de modelo e inspiração para virar de fato um comerciante audacioso e respeitado. Como Deus dá a quem trabalha, o velho caminhou bem longe, andou léguas e léguas, sem botas de sete léguas, com a enorme capacidade que tinha, de não sair de perto de si mesmo nem da sua gente sertaneja.
Dizia ele: “Tenho esperança, quando parece que não vou conseguir. Uma nova esperança surge para mim no meu interior, e então eu tomo alento, respiro fundo e continuo andando, lutando e vencendo”.
Lutou e venceu! Foi o maior comerciante de estivas de Afogados da Ingazeira, reinando absoluto por muitas décadas. O analfabetismo nunca lhe impôs medo e nunca o impediu de caminhar no destino das terras prometidas, a sua Canaã. Desde muito cedo, fez a mais segura caminhada. Nunca vi – e convivi com ele de perto – um matuto tão esperto, tão sábio, tão dócil. Não sabia escrever uma só palavras, mas era um fidalgo.
Fazendeiro realizado até o último dia de sua vida, convivia com uma docilidade incrível entre os animais como se fossem seres humanos. Os tratavam por nome. A relação entre ele as vacas, os bois e os bezerros mais parecia de pai e filho. O gado o reconhecia de longe pelo seu jeito lindo e amoroso de pastorear o seu rebanho.
De olhos verdes encantadores e sedutores, era fino no trato, educado, manso, incapaz de qualquer indelicadeza com o próximo. Um sábio não se inventa, já li nas Escrituras. Ele sabia que para caminhar entre pedras e espinhos teria que herdar e adotar ao mesmo tempo a sabedoria de Paulo e a paciência de Jó. Vencer, para ele, era ver o horizonte, mesmo que a névoa tentasse encobrir.
Se não teve o direito aos bancos escolares, para desvendar as letras e voar como águia na conquista do mundo, o sábio Mariano percebeu, num facho de luz, acendida pelo Deus que abria os seus caminhos, que sem educação o homem raramente, como ele, consegue transpor as barreiras da vida.
“Só morrerei um dia em paz e feliz quando ver todos os meus filhos formados”, costumava dizer. Deus ouviu a sua prece. Dos 13 filhos, todos viraram gente na vida pela dedicação aos estudos. Aos poucos, um a um, foi celebrando entre os filhos os anéis dourados que entravam nos seus dedos, produzidos pelo queimar das pestanas de muitas noites insones, para romper com dignidade as etapas que as universidades impõem.
Sua felicidade não foi restrita apenas à formação acadêmica dos filhos. Na política, também realizou-se. Os filhos que embalaram os sonhos do velho exibiram canudos em Direito, Letras, Psicologia, História e tantas outras ciências. Festejou mais tarde, entre 31 netos e 34 bisnetos, a graça de ter uma neta aprovada no vestibular de Medicina. Isso não cai do céu. Foi ensinamento do sábio sertanejo, que viveu outros momentos de glória.
Já na política, abriu um bocado de champanhes para comemorar vitórias, a maior delas a eleição do primogênito Antônio Mariano, aos 24 anos vereador de Afogados da Ingazeira e aos 28 anos prefeito do município. Desconfio que seu José era profeta. Só ele dizia que o filho, tão logo cumprisse a missão de prefeito, viraria deputado. E assim a graça foi concebida com a anuência do espírito santo. As urnas deram a Antônio quatro mandatos na Assembleia Legislativa.
Na política, que é destino, segundo Tancredo, mais um filho do velho profeta também saiu consagrado das urnas: Heleno Mariano, vereador de Afogados da Ingazeira. Também da família, dois irmãos tiveram mandato parlamentar no município e outro irmão, no Recife, Alfredo Mariano, assim como dois sobrinhos e dois netos vereadores: Igo, em Afogados da Ingazeira, e Aline Mariano, no Recife, hoje secretária municipal.
“Seu” José Mariano deixou o legado de um pai forte, nobre, compreensivo, distinto, amigo. Para os jovens, outro legado se expressa aqui por uma frase impressionante, lembrada hoje pela filha Aline, do seu segundo casamento: “Quem tem vergonha, não faz vergonha”. Sabe por que ele dizia isso? A honra e a honestidade vêm de dentro, são natos. O que muitas vezes, diga-se de passagem, faltam em muitos doutores de anel de ouro e brilhante.
O sábio sertanejo se foi nos deixando muita saudade, mas a certeza de que com os seus ensinamentos e a sua vida aprendemos a ter uma melhor compreensão do mundo. Dele, fica a lição: nunca deixe que ninguém impeça você de sonhar, nem se essa pessoa for o seu pai. “Seu José Mariano, amado por filhos, netos, bisnetos e sua gente sertaneja, vai permanecer como uma foto 3X4 guardada no álbum de recordação dos nossos corações.
Que Deus o tenha!





Natural de Sertânia-PE, Vitor Vinícius Patriota dos Santos, de 22 anos, está realizando um sonho que alimentou por anos: viajar por todas as cidades de Pernambuco, utilizando apenas sua bicicleta. Formado em Agropecuária pela Escola Técnica Estadual em Pernambuco, Vitor iniciou a primeira etapa de sua jornada no sertão do Pajeú.


A chave da eleição em Pernambuco está na Região Metropolitana
Raquel Lyra tem 47% dos pernambucanos que aprovam sua gestão contra 42% que desaprovam. Não opinaram, 11%. Quando a população é chamada a classificar a gestão, 6% acham ótima, 25% boa, 34% regular, 9% ruim e 21% péssima. Não opinaram 5%.
O Múltipla fez um cenário estimulado para Presidente da República. Nele, Lula lidera com 50%, seguido de Tarcísio de Freitas, com 7%. Ratinho Júnior tem 2%. Outros nomes são citados por 2%. Brancos e nulos somam 22%. Indecisos, 11%. Não opinaram 6%. Quando o embate tem só Lula e Tarcísio, 56% a 16%.
Na espontânea, quando não são dadas opções, Lula tem 37%. Jair Bolsonaro é citado por 8%. Outros nomes tem 2%. Brancos e nulos, 12%. Indecisos, 15%. Não opinaram 26%.
O governo Lula é aprovado por 60% dos pernambucanos, contra 32% que desaprovam. Quando o pernambucano vai avaliar o governo, 14% o acham ótimo, 31% bom e 27% regular. Outros 5% disseram que o governo Lula é ruim e 20% avaliaram como péssimo. Não opinou/não respondeu, 3%.
O Múltipla também quis saber se a governadora Raquel Lyra merece ser reeleita governadora de Pernambuco. A maioria dos eleitores, 47%, disse que ela não merece continuar comandando Pernambuco. O percentual dos que querem que ela continue no Palácio do Campo dos Princesas é de 41%. Nesse quesito, 12% não opinaram. Esse foi o dado que mais impressionou o diretor do Instituto, Ronald Falabella. Pois 41% dizem que ela merece continuar, mas só 27% dizem que votam nela. Alguma coisa está fora da ordem…
O blog foi mais uma vez eleito o melhor em sua categoria na escolha dos Melhores do Ano da Agência MV4. Os questionários são distribuídos entre a população e a votação, auditada pela CDL. Muito obrigado mais uma vez!
Frase da semana:












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