Homenagem: Amin Stepple, um gênio na arte de escrever e fazer cinema

Por Magno Martins, jornalista
Deus soprou no ventre da minha mãe e me fez farejar notícias ainda na sua barriga. Quando berrei ao mundo, lá do céu ele proclamou: vai ser agente da notícia, vai informar, clarear os olhos e abrir a mente da humanidade, ofício que faço com um prazer enorme, dedicação e uma disposição sem limites.
Persigo furos com o faro de um pastor alemão e os transponho aos meus leitores até em versos, se for necessário, exercitando o dom de juntar palavras herdado do meu pai Gastão Cerquinha, bem vivinho da silva, lá em Afogados da Ingazeira, batendo à casa centenária.
Confesso que vibro e dou até gritos de gol quando faço chegar aos meus leitores um furo, a notícia em primeira mão. Mas tem notícias que recheio o meu blog rangendo os dentes e sangrando o coração.
A morte do jornalista e cineasta Amin Stepple, ontem, aos 69 anos, é o tipo de notícia que se enquadra nesse cabedal. Dou soluçando de dores, na alma, no espírito, na carne que faz o meu coração latejar.
Amin era um gênio, da notícia e da sétima arte, o cinema. Grandalhão, de cabelos longos e óculos de garrafa, o conheci na redação do Diário de Pernambuco quando ali adentrei imberbe para me oferecer como pombo correio das notícias da minha Afogados da Ingazeira com o crivo de correspondente na testa.
A admiração por ele despontou quando meti os olhos numa notícia, romanceada e bem dosada pelo seu humor ferino, relatando um protesto inusitado: um senhor não sei lá das quantas desfilando entre as avenidas Guararapes e Dantas Barreto com um penico na cabeça.
Como me arrependo de não ter guardado em meus arquivos aquela saborosa reportagem! Amin escrevia iluminado pelas estrelas, pela lua e o sol. Foi dono do melhor texto que conheci em todas as redações que passei, seja em Brasília ou na nossa aldeia.
Tive o privilégio de tê-lo entre os meus articulistas do blog. Foi a ele que recorri para compor o roteiro e a edição do vídeo institucional em comemoração aos cinco anos de fundação do meu blog, há oito anos. Ele não se apresentou sozinho para a missão.
Trouxe Roberto Menezes, outro gênio da televisão brasileira, diretor de Jornalismo da Globo Nordeste por muitos anos, sucedido por minha amiga e professora na Unicap, Vera Ferraz, casada com Vlademir Barbosa, igualmente gênio, mas da fotografia. Trabalhei com Vlademir. As fotos-notícias da sua angular dispensavam texto.
Amin e Menezes juntaram os seus talentos e transformaram o vídeo num curta-metragem de arrepiar, a começar pela abertura, reeditando a vinheta do Repórter Esso.
Como fui pioneiro em blog num Estado em que predominava fortemente a notícia em papel com cheiro de tinta fresca, eles tiveram a brilhante ideia de mostrar, no vídeo, o lapejar da era da comunicação até os dias de hoje, retratando essa baita revolução que o mundo vive com o advento da internet.
Amin não fazia apenas a notícia. Ele próprio era notícia como cineasta. Ao lado de Fernando Spencer, a quem o cinema de Pernambuco devia se dobrar para reverenciar, foi produtor, roteirista e diretor de vários curtas-metragens, como
Isso é o que é (1974); Tempo Nublado (1975) e Creuzinha não é Mais Tua (1979).
Além dos vídeos produzidos nas décadas de 80 e 90, como Cinema Pernambucano-70 anos e That’s a Lero-Lero (1975), filmado em 16mm, Amin foi roteirista dos longas Árido Movie (2005) e País do Desejo (2011).
Amin, por fim, tinha outra faceta excepcional: produtor de guias eleitorais de TV. Fez campanhas políticas em vários Estados emprestando o seu talento sem se envolver na rinha da política partidária.
Deixa um vácuo sem tamanho de medida na mídia nacional. Perdi não apenas um amigo. Deus tirou do meu convívio um conselheiro, uma mão estendida para todas as horas. Como disse José Nivaldo Júnior, gênios não deveriam morrer.
Bem que Deus poderia fazer essa exceção.




Disse Adriano Oliveira, cientista político pernambucano: “considerando meu agregador e todas as pesquisas divulgadas neste sábado, meu prognóstico é que Flávio Bolsonaro será eleito amanhã presidente da República. Por quê? Flávio se manteve na casa dos 50% dos votos válidos, e Lula não conseguiu a virada. Mas destaco o que venho afirmando: esta é a eleição do medo. Flávio conseguiu manter elevada a rejeição a Lula, que permaneceu estável ou cresceu nas pesquisas”.
Na análise para o comentário das rádios Itapuama FM, Pajeú, Cultura FM e Monteiro FM, falei das projeções para as eleições deste domingo por ordem: 1) vitória de Flávio com até 2% de frente; 2) vitória de Lula com vantagem mínima, dificilmente chegando a 2% de frente; e 3) ou vitória de Flávio com mais de 2% de frente.
Com base na Quaest, aliados de Lula destacam que Lula “está oscilando para cima”. Votos totais saíram de 44% para 45%; aprovação saiu de 46% para 48%; avaliação positiva do governo subiu de 34% para 36%. Consequentemente, desaprovação também está em queda: caiu de 47% para 45%. Rejeição, que já foi 53%, agora é 47%.
Neste domingo, uma super cobertura da Rádio Pajeú, desde o Rádio Vivo até a Central da Apuração. A coordenação da cobertura é de Alyson Nascimento . Promete ser uma apuração muito mais rápida que no primeiro turno. A partir dos números do Sertão, já será possível projetar abstenção e a comparação com o primeiro turno, dando informações para o que pode acontecer no Nordeste, região essencial na apuração. Em paralelo a apuração nacional e o anúncio do presidente eleito, entre Flávio Bolsonaro e Lula. Segunda o primeiro programa Manhã Total avalia o resultado no Debate das Dez Especial.
Frases da semana: 

















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