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Governo desviou R$ 52 mi de publicidade da Covid para propaganda de suas ações

Por André Luis

O governo Jair Bolsonaro desviou R$ 52 milhões previstos para campanhas com peças informativas sobre o combate ao coronavírus para fazer propaganda institucional de ações do Executivo. A reportagem é de Constança Rezende e Raquel Lopes/Folhapress.

Os recursos foram alocados pela medida provisória 942, de abril de 2020. A MP abriu créditos extraordinários para enfrentamento da pandemia dentro do chamado Orçamento de guerra, uma modalidade criada para atender despesas urgentes e imprevisíveis. O mecanismo é permitido em três situações: guerra, comoção interna ou calamidade, como é o caso da crise sanitária causada pela Covid.

Pela justificativa da MP, o dinheiro reservado à Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) tinha “o objetivo de informar à população e minimizar os impactos decorrentes da proliferação da doença”, mas peças publicitárias entregues à CPI mostram que o dinheiro bancou a divulgação de feitos que rendem dividendos políticos ao presidente, sem referências a medidas preventivas contra a Covid.

O desvio é constado com base em cruzamento de dados enviados pela Secom ao jornal Folha de S.Paulo, por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação), e à CPI da Covid no Senado, além de requerimentos de informação entregues à Câmara.

Vídeos de 15 a 30 segundos, áudios e informativos foram veiculados em TV aberta e fechada, rádio, internet e mídia exterior para enaltecer a liberação de recursos para pagamento de salários em micro e pequenas empresas e repasses a estados e municípios.

“O cuidado com o Brasil e com os brasileiros continua. Liberação de R$ 100 bilhões em crédito para micro e pequenas empresas”, diz uma das campanhas.

Os informes também trataram de ações relacionadas ao Bolsa Família, ao auxílio emergencial, à suspensão de pagamento da conta de luz e aos saques do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). As medidas são do Ministério da Economia.

Há ainda vídeos sobre compra de equipamentos, medicamentos e EPIs (equipamentos de proteção individual), usados por profissionais na linha de frentes. Trata-se, portanto, de realizações do Ministério da Saúde.

“A pandemia do novo coronavírus desafia governos em todo o mundo. No Brasil, nós, do governo federal, trabalhamos para enfrentar o seu avanço e cuidar da saúde da população. Investimos R$ 16 bilhões na compra de respiradores, ventiladores pulmonares, equipamentos de segurança e medicação”, diz uma peça.

O crédito destinado ao órgão então vinculado à Presidência da República -hoje atrelado ao Ministério de Comunicações- seria executado de acordo com a justificativa da MP.

Para realizar as campanhas, a Secom precisou do apoio dos Ministérios da Cidadania e da Saúde, o que prejudicou ações destinadas de fato à saúde pública.

Em requerimento de informação enviado pelo órgão ao deputado Elias Vaz (PSB-GO), a Secom explicou que foi necessária a realização de quatro dos chamados TEDs (termos de execução descentralizada).

Pelo instrumento, o órgão repassou dinheiro às pastas para pagamento de campanhas de divulgação das ações do governo. No entanto, Cidadania e Saúde perderam margem de gastos com publicidade de seu próprio interesse.

A Secom afirmou, em nota, que as campanhas abrangem diversas áreas impactadas pela pandemia.

Já a Saúde, também em nota, disse que as peças contêm orientações de saúde, medidas de prevenção “e outros temas de balanço do governo federal”. Procurado, o Ministério da Cidadania não respondeu.

Como os dois ministérios mantinham contratos ativos com a agência Calia, responsável pela publicidade da Secom, os TEDs foram executados. Dois deles foram pela Cidadania, nos valores de R$ 6 milhões e R$ 5,3 milhões, e dois pela Saúde, de R$ 35 milhões e R$ 6,5 milhões.

“Percebendo o cenário da pandemia de coronavírus e identificando a necessidade de informar a sociedade sobre as ações do governo federal para minimizar os efeitos da crise provocada pelo coronavírus, [a agência] apresentou proposta de campanha publicitária de iniciativa própria”, escreveu, no dia 13 de abril do ano passado, o então secretário especial de Comunicação Social adjunto, Samy Liberman, ao Ministério da Saúde, em ofício obtido pela Folha de S.Paulo.

A Secom, segundo ele, considerou a proposta adequada e conveniente, “no entendimento de que cabe ao governo federal manter a população informada acerca das ações governamentais que estão sendo implementadas em virtude das consequências que a pandemia trouxe à realidade de todos”.

À época a Secom era comandada por Fabio Wajngarten, que foi ouvido pela CPI da Covid no mês passado. Um ofício encaminhado à comissão mostra que as campanhas só foram publicadas no canal do YouTube da Saúde em 30 de abril deste ano, três dias depois da instalação da comissão.

Em resposta a outro pedido de TED de Liberman, no dia 3 de julho de 2020, o então secretário executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, alertou que a execução da proposta impactaria o limite contratual para outras campanhas da pasta que seriam realizadas no segundo semestre.

Como exemplo, ele citou ações referentes a estímulo de atividades físicas, aleitamento materno, obesidade infantil, atualização da caderneta de vacinação, pólio, HPV e outras doenças sexualmente transmissíveis, combate da dengue, doação de órgão e dia mundial contra a Aids.

Questionado pela reportagem, o ministério disse que as campanhas Brasil em Movimento, de atividade física, e DST Sífilis Mulheres não foram realizadas no período. Em nota, porém, a pasta disse que o tema contra sífilis para mulheres foi abordado na Campanha de Prevenção às Infecções Sexualmente Transmissíveis, no começo de 2020, período anterior à manifestação de Franco.

Já sobre a campanha Brasil em Movimento, disse que “está em fase de desenvolvimento pela Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS) da pasta”.

Outro lado

O Ministério da Saúde afirmou que as campanhas publicitárias realizadas por meios dos TEDs (termos de execução descentralizada) foram pagas com recursos da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social).

“Os vídeos das campanhas publicitárias do governo federal são disponibilizados na plataforma YouTube, prioritariamente nos perfis do órgão responsável pelo assunto, depois de encerrado o período regular de veiculação/divulgação estabelecido na estratégia de cada ação”, afirmou.

A pasta também defendeu que as peças traziam orientações de saúde, medidas de prevenção “e outros temas de balanço do governo federal”. “Por oportuno, esclarecemos que as ações publicitárias realizadas pela Secom no contexto do enfrentamento da pandemia são complementares e se somam aos esforços do Ministério da Saúde”, disse o órgão.

“As ações executadas abordam aspectos transversais que contemplam outras áreas impactadas pela pandemia, a exemplo da econômica, sem prejuízo das ações publicitárias específicas essencialmente de utilidade pública desenvolvidas pelo Ministério da Saúde, órgão ao qual compete a gestão do assunto”.

Em nota, a Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) afirmou que as campanhas relativas ao enfrentamento da pandemia, prevenção e vacinação contra a Covid-19 desenvolvidas pelo órgão “são complementares aos esforços do Ministério da Saúde, a quem compete executar campanhas exclusivamente de utilidade pública”.

O órgão também afirmou que as campanhas desenvolvidas pela Secom “abrangem diversas áreas impactadas pela pandemia e informam sobre as medidas adotadas no âmbito do Executivo Federal para mitigar seus efeitos e reduzir os impactos na vida das pessoas”.

De acordo com a Secom, as ações incluem “beneficiários de programas sociais, trabalhadores, empresas e entre outras categorias, considerando o contexto no qual foram realizadas”.

“Nesse sentido, as campanhas desenvolvidas pela Secom com recursos do crédito extraordinário da MP 942 cumprem estritamente os objetivos de informar à população e minimizar os impactos decorrentes da proliferação da doença, uma vez que dão publicidade para as ações e serviços disponíveis para as parcelas da população mais afetadas pela crise sanitária e reforçam as orientações aos cidadãos no combate da pandemia”, afirmou a Secom.

Segundo o órgão, além do conteúdo específico, “as ações contemplam também orientações à população no combate da pandemia. Não há, portanto, que se falar em desvio de objetivos”.

Outras Notícias

Aos 86 anos, alagoana faz Enem para realizar sonho de cursar Direito e ser delegada

Aos 86 anos, Sebastiana Firmino dos Santos voltou a enfrentar as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste domingo (8), em busca de um sonho que a acompanha há décadas: ingressar na universidade, cursar Direito e se tornar delegada de polícia. Natural de São Miguel dos Campos, em Alagoas, ela mantém uma rotina […]

Aos 86 anos, Sebastiana Firmino dos Santos voltou a enfrentar as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste domingo (8), em busca de um sonho que a acompanha há décadas: ingressar na universidade, cursar Direito e se tornar delegada de polícia.

Natural de São Miguel dos Campos, em Alagoas, ela mantém uma rotina de estudos que inclui aulas presenciais e preparação em casa, muitas vezes durante a madrugada.

Desde abril, dona Sebastiana frequenta o Física Show, cursinho popular gratuito da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), realizado no Campus VI, em Maceió. As aulas acontecem três vezes por semana, às terças, quartas e quintas-feiras, mas a preparação continua fora da sala de aula.

“Estudo de manhã, de noite. Às vezes perco o sono, tomo um banho e vou estudar”, contou.

A dedicação da estudante chama a atenção dos professores. Segundo a coordenadora do cursinho, Janesmar Cavalcanti, Sebastiana não faltou a nenhuma aula desde que começou a frequentar o projeto.

“Ela presta muita atenção, anota absolutamente tudo que a gente fala e escreve no quadro. E quando ela é questionada, responde com educação e finesse”, relatou a professora.

Esta não é a primeira participação da alagoana no Enem. Ela tentou realizar o exame aplicado no início de 2021, mas passou mal e não conseguiu concluir as provas. Voltou a participar em 2024 e 2025. Na última edição, mesmo estudando sozinha em casa, conseguiu uma pontuação superior a 550 pontos.

Agora, com o acompanhamento dos professores, espera melhorar o resultado para disputar uma vaga no ensino superior.

“Meu objetivo é fazer Direito para ser delegada”, afirmou.

A relação de Sebastiana com os estudos começou ainda na infância, em São Miguel dos Campos. Mais tarde, ela se mudou para Maceió, onde passou a morar com uma tia para continuar a formação escolar.

As dificuldades financeiras e familiares, entretanto, impediram que concluísse o curso de magistério. Posteriormente, conseguiu uma bolsa de estudos da Secretaria de Educação e concluiu o curso técnico em Contabilidade no então Colégio Batista Alagoano.

As limitações econômicas também marcaram sua formatura. Sem condições de comprar uma roupa para a ocasião, ela mesma confeccionou uma saia para participar da cerimônia.

O desejo de chegar à universidade permaneceu ao longo dos anos. Em 2020, Sebastiana decidiu retomar esse projeto e começou a participar do Enem, mesmo diante dos obstáculos encontrados nas primeiras tentativas.

O cursinho Física Show, que ela frequenta atualmente, é um projeto de extensão da Uneal e integra a Rede Nacional de Cursinhos Populares. A iniciativa oferece preparação gratuita para estudantes, com aulas teóricas e práticas voltadas ao exame.

Depois da primeira etapa do Enem, realizada neste domingo, dona Sebastiana ainda tem pela frente as provas do próximo dia 15 de novembro. O objetivo é alcançar a pontuação necessária para concorrer a uma vaga no curso de Direito.

Foto: Ascom/Uneal

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Flávio Bolsonaro segura há cerca de 500 dias projeto que combate domínio de facções e milícias

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está há cerca de 500 dias com a relatoria de um projeto de lei que prevê punições específicas para organizações criminosas que controlam territórios por meio de violência e ameaças. A proposta, apresentada pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), permanece sem parecer na Comissão de Segurança Pública do Senado desde julho […]

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está há cerca de 500 dias com a relatoria de um projeto de lei que prevê punições específicas para organizações criminosas que controlam territórios por meio de violência e ameaças. A proposta, apresentada pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), permanece sem parecer na Comissão de Segurança Pública do Senado desde julho de 2025.

O Projeto de Lei 1345/2025 pretende alterar a legislação sobre organizações criminosas para punir práticas utilizadas por facções e milícias no controle de comunidades. Entre elas estão a restrição da circulação de moradores, a cobrança de taxas ilegais e o impedimento da entrada de pessoas e serviços em determinadas áreas.

O texto prevê penas que podem chegar a 15 anos de prisão, além de agravantes em situações que envolvam adolescentes, agentes públicos ou conexões com organizações criminosas internacionais.

Apresentada em março de 2025, a proposta chegou à Comissão de Segurança Pública no mês seguinte. Em 1º de julho, Flávio, que presidia o colegiado, assumiu a própria relatoria, utilizando uma previsão do Regimento Interno do Senado que permite ao presidente da comissão adotar esse procedimento excepcionalmente.

Desde então, não há registro de apresentação de parecer pelo parlamentar. A tramitação oficial permanece com o status de matéria sob relatoria, etapa que antecede a análise da proposta pelos integrantes da comissão.

A situação chama atenção porque o combate às facções criminosas foi um dos temas centrais da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro em 2026.

Durante a disputa, o senador defendeu a recuperação de áreas dominadas pelo crime organizado. Em seu plano de governo, prometeu devolver aos moradores a liberdade de circulação nas comunidades controladas por facções.

No debate do segundo turno, também afirmou que pretendia recuperar cada território ocupado por organizações criminosas.

A proposta de Rogério Carvalho busca criar uma tipificação penal específica para o domínio territorial, permitindo a aplicação dos instrumentos de investigação previstos na legislação de combate às organizações criminosas.

Para avançar, o projeto depende da apresentação de um parecer pelo relator ou de uma nova distribuição da relatoria. Caso seja aprovado na Comissão de Segurança Pública, seguirá para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Procurado para comentar a demora na tramitação, Flávio Bolsonaro não respondeu aos questionamentos da reportagem original.

Fonte: Estadão
Foto: Reprodução

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Vitória democrata nos EUA não deve reduzir pressão de Trump sobre o Brasil, avaliam analistas

A vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas dos Estados Unidos deve impor dificuldades ao presidente Donald Trump na condução de sua agenda interna, mas não significa uma redução das pressões de Washington sobre o Brasil. A avaliação é de especialistas em relações internacionais, que apontam a autonomia do Executivo americano para manter tarifas comerciais, […]

A vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas dos Estados Unidos deve impor dificuldades ao presidente Donald Trump na condução de sua agenda interna, mas não significa uma redução das pressões de Washington sobre o Brasil. A avaliação é de especialistas em relações internacionais, que apontam a autonomia do Executivo americano para manter tarifas comerciais, sanções e outras medidas de política externa.

Os democratas conquistaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado nas eleições de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3). A nova composição do Congresso entrará em funcionamento em 3 de janeiro de 2027, reduzindo a margem de articulação política do presidente republicano no Legislativo.

Apesar da mudança, os analistas consideram que as principais decisões de Trump em relação ao Brasil dificilmente serão revertidas apenas pela nova maioria parlamentar.

Entre os pontos de tensão estão as tarifas sobre produtos brasileiros, as pressões para que o país reduza sua aproximação econômica com a China e a decisão americana de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

Para o economista Otaviano Canuto, ex-vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e ex-diretor do Banco Mundial, a presença democrata poderá ampliar os canais de diálogo entre o governo brasileiro e parlamentares americanos. Entretanto, a mudança não garante alterações na política comercial da Casa Branca.

O especialista observa que o Congresso pode aumentar a fiscalização sobre o Executivo, mas encontra limitações para modificar medidas adotadas diretamente pela Presidência.

Uma das principais dificuldades envolve as tarifas impostas com base na Seção 301 da legislação comercial americana. Em julho, o governo Trump anunciou uma taxa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros. Consideradas outras cobranças e exceções, parte das mercadorias exportadas pelo Brasil passou a enfrentar tarifas de 37,5%.

O professor Lucas Leite, da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), também considera improvável uma mudança imediata.

“Ele até terá mais empecilhos, especialmente na América Latina, mas a vitória democrata nas urnas não anula a agenda trumpista”, afirmou.

Segundo Leite, os parlamentares democratas deverão concentrar esforços na fiscalização do governo e no enfrentamento de políticas internas, como as deportações de imigrantes, antes de priorizar uma revisão das medidas comerciais contra outros países.

A professora Regiane Bressan, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), avalia que o novo cenário poderá aumentar as cobranças ao Departamento de Estado, comandado por Marco Rubio. Comissões parlamentares poderão solicitar explicações sobre decisões diplomáticas e ações americanas na América Latina.

Mesmo assim, a possibilidade de reverter medidas presidenciais permanece limitada. Trump poderá vetar projetos aprovados pelo Congresso, e uma eventual derrubada do veto exigiria o apoio de dois terços dos parlamentares em cada Casa.

Outro obstáculo está na política de proteção à indústria americana. Especialistas observam que democratas e republicanos compartilham posições protecionistas em setores como aço e alumínio, o que reduz as possibilidades de revisão dessas tarifas.

O cientista político Feliciano de Sá Guimarães, diretor do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e professor da Universidade de São Paulo (USP), considera que a nova composição do Congresso poderá abrir espaço para negociações, mas ressalta que qualquer alteração dependerá de acordos e contrapartidas.

Há ainda a possibilidade de um efeito contrário ao esperado. Regiane Bressan observa que presidentes americanos que enfrentam dificuldades no Congresso podem ampliar sua atuação internacional para compensar os obstáculos à agenda doméstica.

Para os especialistas, portanto, a vitória democrata poderá alterar o equilíbrio político em Washington e ampliar o diálogo com o Brasil, mas não assegura mudanças imediatas nas políticas adotadas por Trump em relação ao governo brasileiro.

Fonte: g1 / BBC News Brasil
Foto: Reprodução

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Coluna do Domingão: Raquel 2.0 tem como principal desafio ser melhor que o primeiro

Depois de vencer as eleições de outubro no primeiro turno, a governadora Raquel Lyra começa a arrumar a casa projetando sua gestão 2.0, depois de um primeiro ciclo em que afirmou ter arrumado a casa,  ou, em palavras dela, “limpado o mato alto”. Uma das etapas da auto transição é política: Raquel exonerou 146 pessoas, […]

Depois de vencer as eleições de outubro no primeiro turno, a governadora Raquel Lyra começa a arrumar a casa projetando sua gestão 2.0, depois de um primeiro ciclo em que afirmou ter arrumado a casa,  ou, em palavras dela, “limpado o mato alto”.

Uma das etapas da auto transição é política: Raquel exonerou 146 pessoas, incluindo integrantes do grupo político ligado ao presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, e ao deputado federal André Ferreira (PL). A nova gestão deve estar alinhada à política,  a partir dos que lhe deram sustentação.  Esse realinhamento deve ocorrer até o início de janeiro.

Outra questão é dos compromissos assumidos,  desafios e oportunidades da nova gestão. Raquel tem enfrentado questionamentos pelo aumento autorizado pela Arpe de 8,85% nas tarifas de água e esgoto em 175 municípios de Pernambuco, com início de vigência marcado para 4 de dezembro de 2026. O reajuste cobre a inflação acumulada e está ligado à transição da concessão parcial dos serviços da Compesa para a iniciativa privada (AQUA Pernambuco e VITA Sertão). Há outras críticas como a de que serviços como religação e outros terão tabela reajustada em até 600%.

A favor de Raquel o fato de que esse tema foi amplamente explorado na campanha e não teve impactos eleitorais. Se a promessa de universalização da água nas torneiras e saneamento cumprirem o cronograma, o impacto será absorvido.

No interior,  outro desafio é resolver o problema do teto de atendimentos do SASSEPE, que estabeleceu sistema de cotas e a limitação nos atendimentos prestados por hospitais, clínicas e laboratórios credenciados, situação que tem gerado críticas ao Governo do Estado. Raquel afirmou que pegou o órgão sucateado. Agora, precisa responder essa questão.

Há bons sinais por outro lado: a governadora ganhou carta branca da ALEPE para contrair crédito com finalidade de investimentos da ordem de R$ 1,9 bilhão.

No interior, o programa Reabilita está recapeando rodovias que exigiam restauração.  Os projetos estruturadores como a duplicação da BR-232 não sofrerão descontinuidade. Lula foi reeleito e deve ignorar a neutralidade de Raquel para manter as contrapartidas federais.

Raquel sabe, neste novo ciclo, o comparativo da gestão será da própria governadora com ela mesma, sem o argumento de herança de governos passados. Com o nome figurando no radar da política nacional, o desempenho deste mandato será determinante para o futuro que ela vai chamar de seu.

Sem chance

O prefeito de São José do Egito, Fredson Britto,  não se manifesta, mas considera plantadas pela oposição as notícias de que estaria a fim de disputar o CIMPAJEÚ. Credita à oposição,  revoltada com sua articulação para fazer Luiz de Raimundo presidente da Câmara da Capital da Poesia.

A hora é essa

Uma vantagem do dinheiro que Dinca Brandino vai receber da prefeitura de Tabira é que eventuais vencedores de ações contra o ex-prefeito poderão se habilitar para pegar,  caso haja, parte que lhes cabe do crédito da prefeitura.

Desse jeito

Um exemplo é do radialista Anchieta Santos,  que ganhou uma ação por danos morais contra o ex-prefeito, mas morreu sem levar,  porque não havia bens no nome de Dinca para execução. Agora, seu espólio já se habilitou e vai receber na hora que o valor for liberado.

Cada um vai pra seu lado

Na Festa de Zé Dantas,  é engraçado ver a distância entre Anchieta Patriota e Berg Gomes na festa. Um na mesa, outro nos quiosques.  Não costumam ficar juntos. Claro, haja especulação. Os dois publicamente dizem ser estilo de um e do outro. Sobre 2028, vaza a notícia de que Berg não disputará reeleição,  abrindo portas para o Anchieta 5.0, mas publicamente ninguém assume nada.

Super posse

Para garantir a mais ampla participação na posse do Lula 4.0, o site do PT terá uma listagem de hospedagens a preços acessíveis, alojamentos e acampamentos para quem se deslocar a Brasília. Um formulário foi criado para cadastro. “A posse será mais do que uma cerimônia institucional. Será uma grande celebração da democracia. Vamos fazer dessa última posse do Presidente Lula um momento inesquecível da história do nosso país”, diz Edinho Silva, Presidente Nacional do PT.

Aloprado

O Ministro do STF, Gilmar Mendes,  chamou de levianas, que apenas revelam intenções espúrias ou alheamento da realidade de quem as propaga, sobre a dúvida lançada de Flávio Bolsonaro sobre sua derrota acachapante. “As eleições de 2026 foram acompanhadas por missões internacionais. A da OEA, com 179 observadores, a maior já realizada no Brasil, constatou que os resultados divulgados pelo TSE coincidem com as informações colhidas em campo e afirmou “não ter dúvidas quanto à integridade dos dados oficiais”. Para o Carter Center, organização norte-americana de referência mundial em observação eleitoral, o processo foi “bem-organizado e transparente, com oportunidades de fiscalização por partidos políticos e eleitores”.

Quase lá 

Segundo o PE Notícias,  o próximo presidente do CIMPAJEÚ será mesmo Flávio Marques,  diante do volume de apoios de outras cidades e da falta de condições legais e de suporte da candidatura de Pollyana Abreu,  de Sertânia,  que quer passar o rodo em qualquer movimento que tenha apoio ou participação de socialistas e petistas da região.

Frase da semana:

“O Mercado tem que saber que pobre não pagará a conta!”

Do presidente Lula,  sobre a cobrança de ajuste fiscal do mercado e sua disposição de não cortar programas sociais,  aumento do mínimo ou previdência.

Lula comenta tema da redação do Enem 2026 e afirma: “Viva o SUS”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestou neste domingo (8) sobre a escolha do Sistema Único de Saúde (SUS) como tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026. Em publicação nas redes sociais, Lula destacou a importância do sistema público de saúde e defendeu seu fortalecimento. “Viva o SUS. […]

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestou neste domingo (8) sobre a escolha do Sistema Único de Saúde (SUS) como tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026. Em publicação nas redes sociais, Lula destacou a importância do sistema público de saúde e defendeu seu fortalecimento.

“Viva o SUS. Patrimônio do Brasil, que vamos seguir protegendo e fortalecendo”, escreveu o presidente.

Mais cedo, Lula esteve na Sala de Monitoramento do Enem, em Brasília, para acompanhar a preparação, a organização e a aplicação das provas em todo o país. A visita foi registrada pelo presidente em suas redes sociais, acompanhada de uma mensagem aos participantes do exame.

“Hoje visitei a Sala de Monitoramento do Enem para acompanhar a preparação e a organização da aplicação do exame em todo o país”, publicou.

O tema da redação deste ano, “Valorização do SUS como direito universal”, propõe uma reflexão sobre a saúde como direito de todos os brasileiros e sobre a importância do sistema público na garantia do acesso aos serviços de saúde.

Ao comentar a escolha, Lula destacou o significado do assunto para a sociedade brasileira.

“O tema da redação deste ano, ‘Valorização do SUS como direito universal’, traz uma reflexão muito importante sobre a saúde como direito de todos e uma conquista da sociedade brasileira”, afirmou.

O Sistema Único de Saúde foi instituído a partir da Constituição Federal de 1988 e tem como princípios a universalidade, a integralidade e a equidade no atendimento à população.

Durante a visita à estrutura de monitoramento, Lula também acompanhou informações sobre a logística do exame, que mobiliza profissionais em diferentes regiões do país para garantir a distribuição, a segurança e a aplicação das provas.

Neste primeiro dia, os candidatos respondem a 90 questões objetivas, divididas entre Linguagens e Ciências Humanas, além de produzir a redação.

Na mensagem publicada após a visita, o presidente desejou tranquilidade aos estudantes que participam do exame.

“Aos milhões de estudantes que fazem o Enem neste domingo, desejo boa sorte, tranquilidade e confiança. Que essa prova seja mais um passo na realização dos sonhos de vocês!”, escreveu.

Lula encerrou a publicação desejando uma boa prova aos participantes.

Fonte: Metrópoles
Foto: Reprodução/ Redes sociais

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