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Eduardo Cunha: “Moro queria destruir a elite política. Conseguiu”

Por Nill Júnior

Época

O homem que derrubou Dilma Rousseff, encerrando abruptamente 13 anos do PT no poder, pária para boa parte dos brasileiros, herói para alguns poucos, o homem que se consagrou como o mais vistoso preso da Lava Jato, esse homem que segue gerando memes e açulando paixões – eis um homem que se recusa a aceitar o destino que se lhe impôs, da política como passado e das grades como futuro.

Cunha não aceita ser o que esperam dele: um presidiário obsequioso, a cumprir sem muxoxos sua sentença. “Sou um preso político”, disse, num encontro recente em Brasília, aquele cuja delação o presidente Michel Temer mais teme.

Na primeira entrevista desde que foi preso, Cunha, cujo corpo, fala e espírito não traem um dia submetido ao xilindró, foi, bem, puro Cunha: articulado, incisivo, bélico. Falou da vida na prisão, da negociação frustrada de delação com o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e do que considera uma clara perseguição judicial contra ele. Acusou a existência de um mercado de delações premiadas, revelando detalhes substantivos.

Pôs-se à disposição da sucessora de Janot para voltar a negociar sua delação, talvez sua única saída viável para escapar da cadeia – ele foi condenado em primeira instância e responde a processos por corrupção em Curitiba, Brasília e no Rio de Janeiro. A seguir, trechos da entrevista.

ÉPOCA – O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot não aceitou sua proposta de delação premiada. O senhor ainda está disposto a colaborar, caso a nova procuradora-geral, Raquel Dodge, aceite negociar?
Eduardo Cunha –
 Estou pronto para revelar tudo o que sei, com provas, datas, fatos, testemunhas, indicações de meios para corroborar o que posso dizer. Assinei um acordo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República, de negociação de colaboração, que ainda está válido. Estou disposto a conversar com a nova procuradora-geral. Tenho histórias quilométricas para contar, desde que haja boa-fé na negociação.

ÉPOCA – Não houve boa-fé na negociação com Janot?
Cunha –
 Claro que não. Nunca acreditei que minha delação daria certo com o Janot. Tanto que não deu.

ÉPOCA – Então, por que negociou com a equipe dele?
Cunha –
 Topei conversar para mostrar a todos que estou disposto a colaborar e a contar a verdade. Mas só uma criança acreditaria que Janot toparia uma delação comigo. E eu não sou uma criança. O Janot não queria a verdade; só queria me usar para derrubar o Michel Temer.

ÉPOCA – Como assim?
Cunha –
 Tenho muito a contar, mas não vou admitir o que não fiz. Não recebi qualquer pagamento do Joesley  [Batista, dono da JBS] para manter silêncio sobre qualquer coisa. Em junho, quando fui depor à Polícia Federal sobre esse episódio, disse que tanto não mantinha silêncio algum que ninguém havia me chamado a colaborar, a quebrá-lo. Naquele momento, o Ministério Público e a Polícia Federal me procuraram para fazer colaboração. Autorizei meus advogados a negociar com o MP.

ÉPOCA – O que deu errado?
Cunha –
 Janot queria que eu colocasse mentiras na delação para derrubar o Michel Temer. Se vão derrubar ou não o Michel Temer, se ele fez algo de errado ou não, é uma outra história. Mas não vão me usar para confirmar algo que não fiz, para atender aos interesses políticos do Janot. Ele operou politicamente esse processo de delações.

ÉPOCA – O que há de político nas delações?
Cunha –
 O Janot, na verdade, queria um terceiro mandato. Mas seria difícil, tempo demais para um só. O candidato dele era o Nicolao Dino [vice de Janot], mas a resistência ao Dino no PMDB era forte. Se o Dino estivesse fora, a Raquel Dodge, desafeto do grupo dele, seria escolhida. É nesse contexto que aparece aquela delação absurda da JBS. O Janot viu a oportunidade de tirar o Michel Temer e conseguir fazer o sucessor dele na PGR.

ÉPOCA – O que há de absurdo na delação da JBS? Ou o senhor se refere aos benefícios concedidos aos delatores?
Cunha –
 O Joesley fez uma delação seletiva, para atender aos interesses dele e do Janot. Há omissões graves na delação dele. O Joesley poupou muito o PT. Escondeu que nos reunimos, eu e Joesley, quatro horas com o Lula, na véspera do impeachment. O Lula estava tentando me convencer a parar o impeachment. Isso é só um pequeno exemplo. Eu traria muitos fatos que tornariam inviável a delação da JBS. Tenho conhecimento de omissões graves. Essa é uma das razões pelas quais minha delação não poderia sair com o Janot. Ele, com esses objetivos políticos, acabou criando uma trapalhada institucional, que culminou no episódio do áudio da JBS. Jogou uma nuvem de suspeição no Supremo sem base alguma.

ÉPOCA – Mas o que houve de político na negociação da delação do senhor?
Cunha –
 A maior prova de que Janot operou politicamente é que ele queria que eu admitisse que vendi o silêncio ao Joesley para poder usar na denúncia contra o Michel Temer. Não posso admitir aquilo que não fiz. Como não posso admitir culpa do que eu não fiz, inclusive nas ações que correm no Paraná. Estava disposto a trazer fatos na colaboração que não têm nada a ver com o que está exposto nas ações penais. Eles não queriam.

ÉPOCA – Havia algum outro fato que os procuradores queriam que você admitisse? Que não foi uma admissão espontânea, como determina a lei?
Cunha –
 Janot queria que eu colocasse na proposta de delação que houve pagamentos para deputados votarem a favor do impeachment. Isso nunca aconteceu. Um absurdo. Se o próprio Joesley confessou o contrário na delação dele, dizendo que se comprometeu a pagar deputados para votar contra o impeachment, de onde sai esse tipo de coisa? Qual o sentido? Mas aí essa história maluca, olha que surpresa, aparece na delação do Lúcio [Funaro, doleiro próximo a Cunha]. É uma operação política, não jurídica. Eles tiram as conclusões deles e obrigam a gente a confirmar. Os caras não aceitam quando você diz a verdade. Queriam que eu corroborasse um relatório da PF que me acusa de coisas que não existem. Não é verdade. Então não vou. Não vou.

ÉPOCA – Janot estabeleceu uma disputa entre o senhor e Funaro. Só um fecharia delação, por terem conhecimento de fatos semelhantes envolvendo o PMDB da Câmara.
Cunha –
 O Janot tem ódio de mim. Mas o ódio dele pelo Michel Temer passou a ser maior do que a mim. Então, se eu conseguisse derrubar o Michel Temer, ele aceitava. Mas eu não aceitei mentir. E ele preferiu usar o Lúcio Funaro de cavalo.

ÉPOCA – Alguma outra razão para a delação não ter saído?
Cunha –
 O que eu tenho para falar ia arrebentar a delação da JBS e ia debilitar a da Odebrecht. E agora posso acabar com a do Lúcio Funaro.

ÉPOCA – O que o senhor tem a contar de tão grave?
Cunha –
 Infelizmente, não posso adiantar, entrar no mérito desses casos. Quebraria meu acordo com a PGR. Eu honro meus acordos.

ÉPOCA – Nem no caso de Funaro? O senhor já mencionou um fato que diz ser falso.
Cunha –
 Ainda não tive acesso à íntegra da delação do Lúcio Funaro. Mas, pelo que li na imprensa e pelo que já tive conhecimento, há muito contrabando e mentiras ali. A delação do Lúcio Funaro foi feita única e exclusivamente pelo que ele ouviu dizer de mim. O problema é que ele disse que ouviu de mim coisas que não aconteceram. Como um encontro dele com Michel Temer e comigo na Base Aérea em São Paulo. Ou esse episódio da véspera do impeachment, de compra de deputados, que o Janot colocou na boca do Lúcio Funaro. Tudo que ele falou do Michel Temer que disse ter ouvido falar de mim é mentira. Ele não tinha acesso ao Michel Temer ou aos deputados. Eu tinha.

ÉPOCA – O senhor está preso preventivamente há quase um ano. Já foi condenado em primeira instância e ainda enfrenta inquéritos e ações penais em Curitiba e em Brasília. Tem esperança de sair da cadeia um dia?
Cunha – 
Minha prisão foi absurda. Não me prenderam de acordo com a lei, para investigar ou porque estivesse embaraçando os processos. Prenderam para ter um troféu político. O outro troféu é o Lula. Um troféu para cada lado. O MP e o Moro queriam ter um troféu político dos dois lados. Como Janot já era meu inimigo, todos da Lava Jato estavam atrás de mim. Mas acredito que o Supremo vá julgar meu habeas corpus, parado desde junho, e, ao seguir o entendimento já firmado na Corte, concedê-lo.

ÉPOCA – As decisões de Moro sobre a necessidade das preventivas na Lava Jato têm sido mantidas nas instâncias superiores. Não é um sinal de que ele está certo?
Cunha – 
Nós temos um juiz que se acha salvador da pátria. Ele quis montar uma operação Mãos Limpas no Brasil – uma operação com objetivo político. Queria destruir o establishment, a elite política. E conseguiu.

Outras Notícias

Sandrinho participa de encontro com lideranças rurais

Da Ascom O candidato da Frente Popular a Prefeito de Afogados da Ingazeira, Sandrinho Palmeira, reuniu neste sábado (17), mais de cem lideranças rurais, representantes de mais de sessenta comunidades.  Dezenas de candidatos a vereador participaram do encontro, que contou com as presenças também do Prefeito de Afogados, José Patriota, do candidato a vice, Daniel […]

Da Ascom

O candidato da Frente Popular a Prefeito de Afogados da Ingazeira, Sandrinho Palmeira, reuniu neste sábado (17), mais de cem lideranças rurais, representantes de mais de sessenta comunidades. 

Dezenas de candidatos a vereador participaram do encontro, que contou com as presenças também do Prefeito de Afogados, José Patriota, do candidato a vice, Daniel Valadares, coordenador da Ciretran, Heleno Mariano, dentre outras lideranças.

Logo no início do encontro, o Prefeito Patriota apresentou um balanço das inúmeras ações realizadas pela Prefeitura na zona rural de Afogados. Mais de 300 poços perfurados e recuperados, mais de 80 sistemas simplificados de abastecimento instalados, água nas torneiras de diversas comunidades, ampliação dos programas de compra direta da agricultura familiar, dentre outros. 

“Não acredite em que vive dizendo que nada presta, que bota gosto ruim em tudo. Vocês sabem o quanto fizemos, o quanto trabalhamos para levar qualidade de vida e dignidade para homens e mulheres do campo. Instalamos 24 pontos de apoio da saúde na zona rural, passamos a abrir diariamente as UBS’s do Monte Alegre, Alto Vermelho e Dois Riachos. Construímos escolas na carapuça e no são joão, levamos pavimentação para o boqueirão, São João novo, Santo Antônio 2 e Monte Alegre. Fizemos tudo? Não, mas tenho certeza que com Sandrinho Prefeito, todo esse trabalho não vai andar para trás, vai avançar,” finalizou Patriota. 

Ele ainda destacou que esse ano choveu por três invernos, o que prejudicou muito a situação das estradas. “Graças a Deus esse foi um ano bom de chuva, mas as chuvas fortes também trazem problemas, como o desalojamento de famílias e os danos às estradas. Mas aos pouquinhos vamos recuperando tudo,” finalizou o Prefeito.

Em sua fala, Sandrinho apresentou suas propostas para a universalização do acesso à água na zona rural, a aquisição de novas máquinas para atuar em um programa permanente de recuperação de estradas, e o aumento nos recursos destinados à compra direta dos produtos da agricultura familiar. 

“Ampliamos de 17 para 38% o percentual de compras da Prefeitura de produtos da agricultura familiar. Vamos trabalhar para aumentar esse percentual e para dar condições de produção ao nosso agricultor, com assistência técnica adequada e projetos de comercialização,” destacou Sandrinho.

Maestro Ademir Araújo ganha título de cidadão carnaibano

O  maestro Ademir  Araújo, o popular Formiga, foi agraciado na noite desta quinta-feira (13/11), com Título de Cidadão Carnaibano. A entrega foi feita durante Sessão Solene, realizada no teatro municipal José Fernandes de Andrade, dentro da programação da XXI edição da festa do poeta e compositor Zédantas. A sessão foi conduzida pelo presidente da Câmara, […]

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O  maestro Ademir  Araújo, o popular Formiga, foi agraciado na noite desta quinta-feira (13/11), com Título de Cidadão Carnaibano. A entrega foi feita durante Sessão Solene, realizada no teatro municipal José Fernandes de Andrade, dentro da programação da XXI edição da festa do poeta e compositor Zédantas.

A sessão foi conduzida pelo presidente da Câmara, Júnior de Mocinha, autor do Projeto de Lei de Resolução. Ainda estiveram presentes, o prefeito Zé Mário Cassiano Cassiano; a primeira dama, Marluce Freire; a secretária de cultura, Margarida Pereira e os vereadores Zé Ivan; Antônio Chico; Silvonete Carlos; Luiz de Joel e Everaldo Patriota; além dos músicos Cacá Malaquias; Gilson Malaquias e populares.

O maestro Ademir agradeceu aos vereadores e em especial ao povo carnaibano.

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História: Ademir iniciou-se na música pelas mãos do professor José Gonçalves de Lima (da Banda Musical da Escola Industrial Agamenon Magalhães) em meados da década de cinqüenta.

Estudou teoria e solfejo com o professor Otávio Prazeres, e harmonia com os professores Horácio Vilela e Severino Rivoredo no Conservatório Pernambucano de Música. Fez o curso de contra-ponto e fuga com Jaime Diniz. Participou também do curso de música folclórica com o Maestro Guerra Peixe. É um dos maiores músicos do Brasil.

Contrato da obra do saneamento é assinada pelo prefeito Sebastião Dias

Está cada vez mais perto da obra do saneamento básico, em Tabira, ter sua continuidade na prática. Na parte burocrática mais uma etapa foi vencida porque na manhã dessa terça-feira (30), o prefeito Sebastião Dias, acompanhado do secretário de Planejamento, Tote Marques, esteve na sede da Codevasf, em Petrolina. Na sala do superintendente Auriwalter, o […]

Está cada vez mais perto da obra do saneamento básico, em Tabira, ter sua continuidade na prática. Na parte burocrática mais uma etapa foi vencida porque na manhã dessa terça-feira (30), o prefeito Sebastião Dias, acompanhado do secretário de Planejamento, Tote Marques, esteve na sede da Codevasf, em Petrolina.

Na sala do superintendente Auriwalter, o gestor tabirense assinou o contrato de continuação da  obra de saneamento básico que atualmente encontra-se inacabada. Ainda dentro da agenda positiva, prefeito e secretário tiveram acesso aos dois tratores que foram destinados a Tabira mediante emendas do então deputado federal Fernando Ferro e o deputado Pastor Eurico.

O trator da emenda de Fernando Ferro já está liberado e será entregue na próxima semana. A máquina será destinada para a associação dos agricultores do sítio Cachoeira Grande. O outro trator também já está no pátio, mas ainda aguardando a ordem de entrega.

Grupo que atuou em Serra também é investigado por crimes em Floresta, Salgueiro e Mirandiba, diz Delegado

Investigações continuam e devem chegar a mais acusados, segundo Caraciolo A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE) está investigando o envolvimento de mais integrantes de organizações criminosas envolvidas em diversos assassinatos no Sertão do Estado. Segundo a coletiva de ontem que anunciou a prisão de três PMs, dois de Pernambuco e um da Paraíba […]

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Investigações continuam e devem chegar a mais acusados, segundo Caraciolo

A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE) está investigando o envolvimento de mais integrantes de organizações criminosas envolvidas em diversos assassinatos no Sertão do Estado. Segundo a coletiva de ontem que anunciou a prisão de três PMs, dois de Pernambuco e um da Paraíba entre os quatro presos pela Operação Paz no Sertão, realizada contra suspeitos de homicídios no município de Serra Talhada e cidades próximas. No anúncio, não foi descartada a participação eventual de outros policiais.

As investigações começaram em março de 2014 para identificar a autoria, materialidade e demais circunstâncias que explicassem uma série de homicídios registrados no sertão pernambucano. Os alvos das investigações eram indivíduos integrantes a uma Organização Criminosa, que além de delitos como porte e tráfico de armas, tinham como atividade principal a prática de homicídios encomendados, quase sempre, movidos pela vingança, originada de brigas entre famílias.

O centro das investigações foi a cidade de Serra Talhada, mas a atuação dos criminosos não possuía fronteiras. Eles agiam também em Floresta, Salgueiro, Mirandiba e em cidades de outros Estados da Federação.

A informação foi do delegado Guilherme Caraciolo, na coletiva de imprensa   para divulgar os detalhes da Operação Paz no Sertão, deflagrada na última quinta (7).

Entidades e gestores cobram liberação de verba para estados e municípios

Folha PE Entidades que representam prefeitos de mais de 5 mil municípios brasileiros enviaram ofícios ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) cobrando a assinatura do projeto de lei que libera dinheiro para socorrer as contas de estados e municípios, agravadas com a crise econômica da pandemia do coronavírus. Os prefeitos cobram também o veto à […]

Folha PE

Entidades que representam prefeitos de mais de 5 mil municípios brasileiros enviaram ofícios ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) cobrando a assinatura do projeto de lei que libera dinheiro para socorrer as contas de estados e municípios, agravadas com a crise econômica da pandemia do coronavírus.

Os prefeitos cobram também o veto à liberação para reajustes salariais das maiores categorias do funcionalismo. A flexibilização do congelamento salarial opôs Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes, da Economia.

Os documentos foram assinados pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP), que reúne 406 municípios com mais de 80 mil habitantes, e a Confederação Nacional de Municípios (CNM), com 5.000 governos locais.

Glademir Aroldi, presidente da CNM, assina o ofício em que os prefeitos manifestam “apoio ao veto anunciado pelo ministro Paulo Guedes” às regras que permitiriam reajustes salariais no funcionalismo público.

Aroldi afirma que é inoportuno realizar “qualquer aumento de salários e concessão de bônus ou gratificações a agentes públicos, neste momento em que as perdas de receita são imensuráveis e as perdas de renda das famílias brasileiras e das empresas, da mesma forma imprevisíveis”.

O ofício assinado pelo prefeito de Campinas, Jonas Donizete, presidente da FNP, pede, além da sanção imediata do projeto de lei aprovado no Senado no dia 6 de maio, a execução “o mais rápido possível” do pagamento da primeira das quatro parcelas do pacote de socorro.

Dozinete diz, no documento, que “o esforço das prefeituras têm sido manter e garantir o pagamento dos salários dos seus servidores em dia. No contexto de desemprego e do grande número de trabalhadores informais em nosso país, é desconexo tratar de reajuste de salário neste momento.”

O presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) e prefeito de Afogados da Ingazeira, José Patriota (PSB), reforçou a necessidade de liberação dos recursos aos estados e municípios, mas disse não ter discutido com os gestores municipais do Estado o veto à liberação para reajustes salariais dos servidores.

“É uma coisa que é mais de interesse do Governo Federal, uma proposta do Paulo Guedes. Não sei como a economia vai estar, teria que avaliar”, afirmou Patriota.

Já o prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PL) ressalta que os recursos precisam chegar com rapidez.

“A liberação dos recursos federais será importante para que os municípios recomponham a perda de arrecadação, principalmente, com a queda do ICMS, IPVA e FPM, causada pela pandemia da Covid-19. Por isso, quanto mais rápido esses recursos chegarem melhor, pois estamos investindo na área de saúde para garantir o melhor atendimento possível às vítimas da Covid-19 e também nas medidas preventivas, justamente em meio a uma crise. Além disso, os demais serviços da gestão municipal não podem parar”, diz o prefeito.

O atraso na sanção do projeto de socorro financeiro de cerca de R$ 125 bilhões amplia o prejuízo e, em alguns estados e municípios, há o risco de atraso nos salários de servidores. Bolsonaro tem até amanhã para assinar a lei. Quanto mais Bolsonaro demora para assinar a liberação do socorro, mais tarde o dinheiro vai chegar aos cofres de prefeituras e governos estaduais. Do total aprovado no pacote, cerca de R$ 7 bilhões serão repassados diretamente aos cofres dos entes federados.