“É importante que o Brasil saiba quem está tentando impedir”, diz Lula sobre fim da escala 6×1
Presidente criticou oposição no Senado nesta quinta-feira (3); governo tenta viabilizar sessão extraordinária ainda em setembro para votar a PEC.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, criticou nesta quinta-feira (3) a atuação da oposição no Senado durante a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho.
A manifestação ocorreu após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovar a proposta nessa quarta-feira (2), mas o texto não chegar à votação no plenário. Lula responsabilizou principalmente o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).
“Enquanto tentávamos avançar com a PEC que acaba com a jornada 6×1 no Senado, a oposição, capitaneada pelo coordenador da campanha do meu opositor nessa corrida presidencial, atuava para impedir o avanço da pauta”, escreveu Lula nas redes sociais.
O presidente afirmou ainda que considera importante deixar claras as posições dos grupos políticos sobre a proposta.
“É importante que o Brasil saiba quem está trabalhando para avançar com essa mudança e quem está tentando impedir uma conquista que pode garantir um dia a mais de descanso sem redução de salário”, declarou.
Lula também rebateu os argumentos de que a redução da jornada poderia provocar impactos negativos na economia e nas empresas.
“O que quebra de verdade é a saúde mental do trabalhador com essa escala. O que quebra qualquer família é a sensação de não poder acompanhar os filhos crescerem”, afirmou.
Votação ainda pode ocorrer antes das eleições
A PEC foi aprovada pela CCJ do Senado de forma simbólica. Rogério Marinho, Jaime Bagattoli (PL-RO), Tereza Cristina (PP-MS) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS) registraram votos contrários.
Para ser aprovada no plenário, a proposta precisa de pelo menos 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação.
O governo estimava contar com 53 ou 54 senadores favoráveis, mas decidiu não levar o texto ao plenário nessa quarta diante da possibilidade de ausências reduzirem o número necessário.
A informação mais recente é que a base governista tenta convencer o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a convocar uma sessão extraordinária ainda em setembro, antes do primeiro turno das eleições. Se isso não ocorrer, uma nova tentativa deverá acontecer durante o esforço concentrado previsto para outubro.
A PEC reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e estabelece dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial. Como a CCJ manteve o mesmo texto aprovado pela Câmara, se o Senado também aprová-lo sem alterações, a proposta poderá seguir diretamente para promulgação.
Fonte: CNN Brasil e UOL
Foto: Ricardo Stuckert/PR
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