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Bolsonaro é denunciado em Haia por genocídio e crime contra humanidade

Por André Luis

O presidente Jair Bolsonaro é denunciado por crimes contra a humanidade e genocídio no Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia. A iniciativa, protocolada na noite deste domingo, está sendo liderada por uma coalizão que representa mais de um milhão de trabalhadores da saúde no Brasil e apoiado por entidades internacionais.

A Rede Sindical Brasileira UNISaúde acusa o presidente de “falhas graves e mortais” na condução da resposta à pandemia de covid-19.

“No entendimento da coalizão, há indícios de que Bolsonaro tenha cometido crime contra a humanidade durante sua gestão frente à pandemia, ao adotar ações negligentes e irresponsáveis, que contribuíram para as mais de 80 mil mortes pela doença no país”, destacam.

Bolsonaro já foi alvo de uma outra denúncia no mesmo tribunal, envolvendo a situação dos indígenas. Naquele momento, a acusação era de risco de genocídio. Desta vez, porém, trata-se da primeira ação de iniciativa dos trabalhadores da saúde na Corte Internacional e já levando em consideração vetos a leis, a medidas de ajuda e sua responsabilidade de proteger tanto a população quanto aos profissionais de saúde.

O tribunal recebe cerca de 800 denúncias por ano e leva meses até tomar uma decisão se aceita ou não a queixa, o que levaria a corte a abrir uma investigação formal.

Enquanto uma decisão é aguardada, porém, a ofensiva internacional se transforma em mais um capítulo de um abalo contra o governo. Nos últimos meses, as denúncias em diferentes fóruns internacionais se transformaram no “novo normal” para a diplomacia brasileira. Apenas em 2019, foram mais de 35 queixas apresentadas formalmente à ONU. Leia a íntegra da matéria na coluna de Jamil Jade no UOL.

Outras Notícias

Coluna do Domingão

Raquel com a faca nos dentes Você pode dizer e decretar várias observações sobre o governo Raquel,  sobre o que é positivo e o que precisa andar. Agora, independente de paixões,  ninguém pode negar que, numa linguagem figurada, a governadora está com a faca nos dentes. Essa foi a impressão das agendas em Serra Talhada […]

Raquel com a faca nos dentes

Você pode dizer e decretar várias observações sobre o governo Raquel,  sobre o que é positivo e o que precisa andar.

Agora, independente de paixões,  ninguém pode negar que, numa linguagem figurada, a governadora está com a faca nos dentes. Essa foi a impressão das agendas em Serra Talhada e Arcoverde,  quinta e sexta dessa semana.

Auxiliares diretos ouvidos pelo blog reclamam do ritmo da mandatária estadual. Pode parecer exagerado,  mas alguns chegam a comparar com a rotina de Eduardo Campos. Não há como estabelecer um parâmetro,  dado o fato de que simplesmente,  não há parâmetro. Mas quem está com Raquel se impressiona com sua disposição.

Em Caruaru,  um nome da comunicação se impressionou quando informado do horário em que a governadora esteve em Serra Talhada. “Mas meio dia ela esteve aqui”. No embalo, um outro interlocutor ligado a um secretário afirmou que ele não está conseguindo acompanhá-la.

Em Serra Talhada,  nem a voz falhando impediu Raquel de fazer um discurso firme, ao lado de aliados,  Luciano Duque e Sebastião Oliveira,  e de uma adversária,  a prefeita Márcia Conrado. “Quem pensa que pode parar uma mulher obstinada, que tem propósito e sabe onde quer ir, sabendo que a única missão que eu tenho aqui é a de servir ao meu povo e fazer Pernambuco voltar a ser referência no Nordeste brasileiro e pro Brasil,  sabe que não é desafio que me põe medo. O desafio me dá é força e coragem pra juntar mais gente pra seguir em frente.  E é com essa coragem,  com essa fé e esperança,  que eu digo aos prefeitos e prefeitas que não tiveram suas obras anunciadas hoje: nós estamos continuando trabalhando,  fazendo projeto,  fazendo obra, buscando empréstimo. E aí eu conto com a Assembleia Legislativa, garantindo parcerias com o Governo Federal,  e aí eu agradeço ao presidente Lula, e trabalhando junto com os municípios”.

Em Arcoverde,  outro importante polo regional,  a disposição não foi diferente. “O governo do Estado governava pro mar, esquecendo que tem gente aqui e a gente veio pra transformar essa realidade”, disse, referência a gestões anteriores do PSB.

É difícil saber até onde essa movimentação intensa, quase insana, renderá uma melhora nas pesquisas que determine um sentimento de virada em relação a João Campos. Mas, para fins de constatação,  a governadora está buscando construir um sentimento diferente do que marcou seus dois primeiros anos, de distância da política,  erros administrativos e lentidão no azeitamento da máquina. Se vai conseguir ou não, são outros quinhentos. De certo agora, uma constatação: Raquel está com a faca nos dentes.

Matemática

O desafio de Raquel é enorme, dado o favoritismo de João Campos,  mesmo considerando os números da pesquisa Conecta, que coloca a vantagem do socialista em 21 pontos,  no 52%x31%. A primeira meta é levar a eleição para o segundo turno. Lá,  a expectativa é de que os votos hoje mais à direita virem votos anti esquerda, migrando mais pra ela que pra João. Aí,  pode ter jogo…

Miguel critica Raquel…

De Miguel Coelho,  sobre o governo Raquel Lyra. “Pernambuco tá num marasmo a um tempo. Perdeu tração. Tem problemas como falta de água,  de saneamento, saúde,  com muitos jovens desinteressados em entrar pro mercado de trabalho. O Governo do Estado não se sentiu bem e já mudou o slogan Estado de Mudança. Ele tirou essa palavra da própria marca dele. Não adianta ter a maioria dos prefeitos, fazer intimidação de forma alguma. A qualidade fala mais que a quantidade. Miguel descartou novo diálogo com Raquel para 2026, afirmando que não teve espaço após apoia-la. “Não vamos discutir onde a gente foi expulso ou não teve possibilidade de participar”

… e defende fim da polarização entre Lula e Bolsonaro 

“O Brasil como um todo já cansou dessa polarização. É um pingue-pongue besta, chega a ser até burro e ineficiente muitas vezes, e que só retroalimenta os extremos. E se você for olhar, os extremos alimentam 15% de cada lado, e você tem 70% da população refém de uma narrativa ideológica que coloca o Brasil ou parado, ou pra trás. Então, o que nós, de União Brasil, e agora através da Federação, defendemos é uma pauta de Brasil de futuro. Mas não aquele Brasil de futuro de 20, 30 anos — a gente precisa enfrentar isso nos próximos 4, nos próximos 8 anos. Se o União Brasil não tiver a Presidência, nós teremos a força política necessária no Congresso pra poder endereçar essas pautas”, afirmou.

Opinião

Para Ello TV, falei ao blogueiro Marcelo Patriota sobre as eleições em Pernambuco,  os prós e contras de Raquel Lyra e João Campos. Assista:

O que João Lyra falou 

“Eu acho que João Campos é muito jovem ainda, está certo? Ele está fazendo um bom trabalho em Recife, sem dúvida. Tem uma boa imagem”, afirmou João Lyra, pai de Raquel. No entanto, o ex-governador sugeriu que o prefeito não entre na corrida estadual no próximo pleito. “Foi reeleito com mais de 70% do eleitorado. Então, ele tem condições de esperar para ser candidato depois”, destacou na Rádio Cultura do Nordeste de Caruaru. Acresentou que, se Raquel melhorar aprovação,  tem dúvidas se ele será candidato.

Segura, Priscila!

Coube a Priscilla Krause segurar a mesa em que Raquel estava apoiada no Ouvir Para Mudar de Arcoverde. O prefeito Zeca Cavalcanti viu que ela estava segura e riu com a esposa, Neryanne Cavalcanti. A novidade, com a gestora subindo onde deveria sentar, foi inaugurada em Serra Talhada. Lá Raquel subiu na cadeira. Márcia Conrado não a ajudou a não cair. Registre-se, Luciano Duque também, não. Pior que não se pode nem alertar: “governadora,  a senhora vai cair!” Vai que ela pensa que é nas pesquisas. O auxiliar vai perder o cargo…

Estrategista

Nos bastidores, a cartada que tirou nomes do PSB para as bancadas de MDB, PSDB e PRD, visando enfraquecer a base de Raquel Lyra na ALEPE é totalmente creditada ao prefeito do Recife,  João Campos.

Conexões

Um dos problemas do grupo encabeçado por Danilo Simões e Zé Negão na crítica por fogo amigo de Mário Viana,  pedindo sua cabeça politicamente falando,  são as conexões que ele estabeleceu no governo Raquel desde abril de 2023. Prova disso foi o tratamento que recebeu da equipe,  além de ser convidado de Luciano Duque para o jantar com Raquel Lyra em sua casa.

No prato que comeu

A fala de Zeinha Torres sobre “a vitória de Raquel Lyra no primeiro turno” gerou reações de socialistas que o taxaram de “ingrato”. A reação mais forte foi de Cecília Patriota,  esposa do ex-prefeito de Carnaíba, Anchieta Patriota. “Elogiava tanto Paulo Câmara e estava sempre sendo beneficiado,  junto com sua família. Acompanhei todo o processo. Tem coragem de dizer que o PSB nunca fez nada. Pasma com tanta falsidade e ingratidão”.

Frase da semana:

“Tenho coisa melhor para fazer”.

Do presidente Lula,  dizendo estar pouco preocupado com o julgamento de Jair Bolsonaro,  que vai parar o país na próxima semana.

Luciano Duque diz que tem aproximado atuação de Afogados da Ingazeira

Do Farol de Notícias  A medida que a disputa eleitoral cresce na região, com vários pré-candidatos dividindo o mesmo espaço em busca de votos, pesquisa interna realizada pelo Farol, constatou que o deputado Luciano Duque ampliou o apoios nos municípios e bases eleitorais praticamente em todas as regiões do estado. Nas eleições passadas o deputado […]

Do Farol de Notícias 

A medida que a disputa eleitoral cresce na região, com vários pré-candidatos dividindo o mesmo espaço em busca de votos, pesquisa interna realizada pelo Farol, constatou que o deputado Luciano Duque ampliou o apoios nos municípios e bases eleitorais praticamente em todas as regiões do estado.

Nas eleições passadas o deputado serra-talhadense teve votos em 21 municípios pernambucanos, agora, ele já contabiliza cerca de 35, com tendência de crescimento.

Também há sinais de crescimento no Sertão do São Francisco e Pajeú. “Devemos avançar em Petrolina, inclusive, trabalhando para triplicar a base. Estamos montando um time que está estimulado como o nosso trabalho por Pernambuco. Em todos os municípios cresci, agreguei novas bases, e também temos o voto de opinião. Vamos em frente”, disse Duque, em conversa com o Farol.

Além de Serra Talhada, Luciano Duque também está otimista com o desempenho em Afogados da Ingazeira.

“Estou assumindo pautas importantes com Afogados, a exemplo da hemodiálise, a nova Estação de Tratamento (ETA) da Compesa, entre outras”.

IFPE contrata professores para o Pronatec

O IFPE – Campus Abreu e Lima lançou um novo edital para seleção de profissionais que desejam atuar como professores nos cursos do Pronatec.  As inscrições são abertas ao público externo e deverão ser feitas, exclusivamente, pelo site http://pronatec.ifpe.edu.br, até esta quinta-feira (08). São oferecidas 19 vagas, além de 46 cadastro reserva, para docentes das áreas […]

O IFPE – Campus Abreu e Lima lançou um novo edital para seleção de profissionais que desejam atuar como professores nos cursos do Pronatec.  As inscrições são abertas ao público externo e deverão ser feitas, exclusivamente, pelo site http://pronatec.ifpe.edu.br, até esta quinta-feira (08).

São oferecidas 19 vagas, além de 46 cadastro reserva, para docentes das áreas de Matemática, Estatística, Contabilidade, Economia, Ciência da Computação, Sistemas de Informação, Engenharia de Computação, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Técnico em Informática, Gestão Ambiental, Ciências Biológicas, Biologia, Geografia, Técnico em Gestão Ambiental, Técnico em Meio Ambiente, Agronomia, Ciências Agrárias, Engenharia Florestal, Engenharia Agrícola, Tecnólogo em Irrigação.

Os selecionados devem ter disponibilidade para uma carga-horária de até 16 horas semanais. A remuneração será de R$ 50 por hora-aula. O resultado preliminar será divulgado dia 14 de fevereiro.

LIBRAS – O IFPE também abriu um processo processo seletivo simplificado para contratação temporária de Tradutor e Intérprete de Libras. São oferecidas três vagas para o cargo e os selecionados irão atuar auxiliando estudantes surdos ou com deficiência auditiva no processo de ensino-aprendizagem em cursos técnicos e superiores.  As inscrições seguem até o dia 16 de fevereiro.

A remuneração básica será de R$4.182,66 por mês, além de benefícios, para um regime de trabalho de 40 horas semanais. Para participar da seleção, é preciso ter Bacharelado ou Licenciatura em Letras com habilitação em Libras ou curso superior com certificado de proficiência em Libras. A seleção será feita em duas etapas, sendo a primeira uma análise curricular classificatória e a segunda uma prova prática.  O edital se encontra disponível no site da Comissão de Vestibulares e Concursos (cvest.ifpe.edu.br). O valor da taxa de inscrição é R$ 80

Faculdade Vale do Pajeú recebe visita de Raquel Lyra no São João de Serra Negra

Por André Luis Neste sábado (17), a Faculdade Vale do Pajeú (FVP) teve recebeu a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, a vice-governadora Priscila Krause, a prefeita e a vice-prefeita de Bezerros, Lucielle Laurentino e Dona Socôrro, respectivamente. O encontro ocorreu durante o evento São João de Serra Negra, em Bezerros. Representando a instituição de ensino […]

Por André Luis

Neste sábado (17), a Faculdade Vale do Pajeú (FVP) teve recebeu a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, a vice-governadora Priscila Krause, a prefeita e a vice-prefeita de Bezerros, Lucielle Laurentino e Dona Socôrro, respectivamente. O encontro ocorreu durante o evento São João de Serra Negra, em Bezerros.

Representando a instituição de ensino superior, o Diretor Geral, Cleonildo Lopes, recebeu as autoridades em um estande especialmente montado para a ocasião. Na oportunidade, a Faculdade Vale do Pajeú prestou homenagem às mulheres que têm contribuído para transformar Pernambuco por meio de investimentos nas áreas de educação, gestão pública, sustentabilidade, meio ambiente e inclusão social.

O evento proporcionou um espaço de diálogo e troca de ideias entre as lideranças políticas presentes e a equipe da faculdade. A visita da governadora e demais autoridades fortaleceu os laços entre a instituição de ensino e o poder público, evidenciando a importância da educação para o desenvolvimento do estado.

Médico cubano se apaixonou no Sertão

LeiaJá Itapetim é uma pequena cidade de 13 mil habitantes do Sertão de Pernambuco. Em dezembro de 2013, nessa cidade, chegava o ortopedista Miguel Lopez Valdes, através da segunda etapa do Programa Mais Médicos (PMM). Mal imaginava o cubano que, quando finalmente tivesse que deixar o país, sairia acompanhado de esposa e filha. Até a […]

Miguel e Jessika [detalhe] têm uma filha de dois anos. Eles devem se mudar para Cuba
Montagem/Divulgação e redes sociais
LeiaJá

Itapetim é uma pequena cidade de 13 mil habitantes do Sertão de Pernambuco.

Em dezembro de 2013, nessa cidade, chegava o ortopedista Miguel Lopez Valdes, através da segunda etapa do Programa Mais Médicos (PMM). Mal imaginava o cubano que, quando finalmente tivesse que deixar o país, sairia acompanhado de esposa e filha. Até a próxima quinta-feira (6), Miguel continuará atendendo no posto médico do município. Sua saída iminente tem deixado triste uma população não acostumada a ver um médico se manter tanto tempo no mesmo cargo.

Miguel, com média de atender 30 pessoas por dia, tem recebido cerca de 60 pacientes nos últimos dias. São pessoas querendo saber se o cubano está mesmo deixando a cidade, pedindo para que ele fique, trazendo presentes ou querendo um último atendimento com o doutor que eles aprovaram. “Eu me sinto grato. É uma situação difícil, muita preocupação dos pacientes. Mas de forma geral, me sinto feliz”, diz Miguel ao LeiaJá. Ainda em dezembro, o médico deve viajar de volta para Cuba, mas não decidiu se continuará vivendo na terra natal. “É complicado ficar sem emprego. Acho que não dá para ficar aqui, infelizmente”, acrescenta.

Apesar da esposa de Lopez ser da área de saúde, eles não se conheceram por isso. A auxiliar de saúde bucal Jessika Elaine Amorim Vieira, 29, é filha da dona da pousada na qual o estrangeiro ficou alojado. “Quando Miguel veio para Itapetim, foi algo que se criou muita expectativa. Muita gente esperando. Da minha parte não houve expectativa, agi normalmente. Médicos por aqui, os que conheci, querem ser um rei. O paciente vai para a consulta com medo, não sabe o que falar. Mas minha mãe ficou muito surpresa com a simplicidade dele”, recorda Jessika. Um almoço não programado em um bar da cidade foi a ocasião em que os dois se conheceram. “Acho que foi amor à primeira vista”, sorri um Miguel nervoso, envergonhado com o clichê da frase. “A gente se identificou na hora. A gente fica falando sobre isso, ‘nossa, como foi naquela vez que a gente se conheceu?’, e a gente concorda que houve uma identificação”, completa o cubano.

Eles continuaram mantendo contato. Um namoro teve início. E depois veio Emily Vanessa, agora com dois anos e seis meses. Jessika, no início do relacionamento, já era mãe de um garoto de dois anos. “Meu filho hoje chama ele de pai”, diz ela, orgulhosa. “Eu nunca imaginei” continua Miguel, “Eu estive em vários países e isso nunca passou pela minha cabeça, de casar fora de Cuba”.

Uma estimativa da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) aponta que 1,4 mil cubanos do Mais Médicos se casaram no Brasil. Miguel tem garantia de permanência no Brasil, não havendo risco de ficar em situação irregular no país. Temendo o desemprego, entretanto, Lopez deve voltar para Cuba. Uma viagem com a família já está sendo programada para dezembro e janeiro. Após isso, o destino deles deve ser selado.

“Minha mãe está doidinha para conhecer minha família”, ele brinca.   Miguel tem recebido grande apoio da esposa, que está disposta a abandonar a carreira na sua cidade e seguir com o companheiro para Cuba. “Não me assusto em deixar minha cidade. A base é a família. Minha família é minha filha e meu marido. Onde a base da minha família for eu vou e o que der pra eu fazer por ele eu faço. Eu não opino em nada. A decisão que ele tomar está tomada”, diz a auxiliar com firmeza.

Enquanto eles não deixam o Sertão, não param de receber visitas. Jessika diz não ter conseguido fazer a faxina porque a todo momento chegam pessoas, até aos prantos, querendo saber de Miguel e trazer presentes. Ela cita alguns dos presentes oferecidos ao companheiro: galinha, peru, passarinho, cachorro, feijão, banana, maçã, queijo, uva e morango.

O prefeito de Itapetim, Adelmo Moura (PSB), esteve no posto médico para cumprimentar o cubano e constatou o aumento de pacientes querendo ser atendidos por ele. “Eu recebi a notícia da saída dos cubanos com muita tristeza, eles são muito bons. Atendem a população muito bem. São treinados para fazer atenção básica. Tem gente que vem de outra cidade para ser atendido pelo Miguel”, afirma o prefeito.

Para Adelmo, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) deveria ter recuado e negociado com mais calma a saída dos cubanos.   Apesar de uma médica já ter sido selecionada para assumir a vaga de Miguel a partir do dia 7 de dezembro, o prefeito já vê a saúde do município piorar.

Um médico do programa Estratégia Saúde da Família (ESF) saiu de Itapetim para trabalhar no Mais Médicos de uma cidade vizinha. Segundo o Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems), um terço dos brasileiros inscritos para substituir os cubanos deixou vagas em seus postos de saúde. Foi criado um déficit de 2.844 profissionais.

Os dados do conselho apontam que das 8,3 mil vagas preenchidas pelo edital do Ministério da Saúde, 34% foram ocupadas por médicos que já atuavam no ESF. O Mais Médicos oferece bolsas de R$ 11,8 mil, valor superior à média do Norte e Nordeste ofertada aos profissionais do ESF, além de uma ajuda de custo paga pelo município variando entre mil e três mil por profissional.  O médico vinculado ao Programa tem carga horária semanal de 32 horas de trabalho e oito horas dedicadas às atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Lopez diz não gostar de falar sobre política, mas avalia que a saída dos cubanos é fruto de discriminação. Ele também afasta a versão de Bolsonaro de que os médicos seriam escravos no Brasil. “Existe um contrato que foi firmado e todo cubano sabia. Ninguém foi obrigado a vir para o Brasil nem foi enganado. Todo mundo sabia o salário e o que aconteceria no programa desde o princípio”, explica. “Houve um momento em que Cuba quebrou o contrato porque se falou para os cubanos fazerem um teste de conhecimento. Veja, os médicos cubanos trabalham em 62 países, por que o Brasil tem que fazer esse teste? Passei por exames em Cuba e no acolhimento quando cheguei no Brasil”.

Questionado sobre o governo de Cuba, o ortopedista nega que seu país viva em uma ditadura. “Quem tiver interesse em saber se Cuba é uma ditadura, que viaje e fale com a população cubana. Eu não considero que a gente viva em uma ditadura. É um socialismo que quer igualdade, mas ditadura é uma palavra muito forte. Ditadura é a Coreia do Norte. Lá em Cuba está minha mãe e meu pai, ninguém é obrigado a nada. Se existe tanta carência, tantos problemas e dificuldades no Brasil, não seria bom criticar outros países”, opina.

A esposa do médico diz ideia semelhante. “As pessoas mais carentes serão as mais prejudicadas. O presidente [eleito] se incomoda tanto com o que Cuba faz e aqui no Nordeste ainda morre criança com diarreia. É uma ingratidão. Como nós brasileiros vamos falar de Cuba se a nossa saúde e educação são precárias? Não nos dá o direito”, avalia Jessika.

Perto de se despedir da cidade onde conheceu a esposa e teve sua primeira filha, o cubano diz que sentirá saudades. Ele percebeu uma mudança no comportamento da população nos últimos anos. “Quando comecei aqui, a saúde era diferente. Hoje em dia tem melhorado muito, mas não só pelo meu atendimento”, afirma, compartilhando os louros. “Itapetim agora tem uma infraestrutura melhor. A população também mudou muito, a forma de pensar tem mudado. Hoje em dia a maioria sabe se expressar, está atenta e participa de palestras”.