Avanço de Flávio Bolsonaro entre mulheres, jovens e classe média explica empate com Lula, diz diretor da Quaest
O empate técnico entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, medido pela pesquisa Genial/Quaest, é resultado de mudanças na composição do eleitorado, com crescimento do senador em grupos estratégicos e redução da vantagem do presidente em bases tradicionais.
A avaliação é do diretor da Quaest, Felipe Nunes, em entrevista ao Estúdio i.
Segundo ele, “pela primeira vez, Flávio aparece numericamente à frente do presidente Lula”, embora o cenário ainda esteja dentro da margem de erro.
Entre os principais movimentos identificados está a mudança no comportamento por gênero.
“Neste momento o Flávio tem uma vantagem no público masculino e lentamente a gente vai vendo o presidente Lula perder vantagem no público feminino”, afirmou Nunes.
Na análise de Nunes, as mulheres foram um dos principais pilares da vitória de Lula em 2022, e a redução dessa diferença ajuda a explicar o equilíbrio atual na disputa.
A pesquisa também aponta crescimento do senador em diferentes faixas etárias.
“Os jovens de 16 a 34 anos têm 46% de intenção de voto em favor do Flávio contra 38% do Lula”, disse Nunes.
Entre os eleitores de 35 a 59 anos, o movimento também aparece. “A gente também está vendo uma tendência de queda do presidente Lula ao longo do tempo e de crescimento e consolidação do nome do Flávio”, afirmou.
Já entre os eleitores com 60 anos ou mais, Lula mantém vantagem. “É o único segmento em que o Lula está vencendo”, acrescenta.
Classe média e renda mais alta puxam mudança
O recorte por renda mostra um dos pontos mais relevantes da análise. Segundo Nunes, Lula mantém vantagem entre os mais pobres. “O Lula tem um desempenho muito favorável na população com até dois salários mínimos, isso continua se repetindo”, afirmou.
Mas a situação se inverte nas demais faixas. No público de 2 a 5 salários mínimos, Flávio tem 47% e Lula, 36%. Nunes destaca que esse é justamente o grupo em que o governo esperava maior impacto de medidas econômicas.
“É exatamente no público em que o governo apostava que haveria uma grande repercussão da isenção do Imposto de Renda”, afirmou.



Com informações e fotos de Júnior Finfa

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