Notícias

Artigo: A formação de uma elite meritocrática exclui muitos jovens da escola

Por André Luis

Por Heleno Araújo*

A política educacional fundamentada na teoria do capital humano, de caráter gerencial, com base exclusivamente nos resultados das provas de matemática e língua portuguesa, com seu modelo de escolas de tempo integral para o ensino médio, vem sendo adotada no Estado de Pernambuco desde 2005. Após dezessete anos, cabe perguntarmos: quais os reais resultados dessa política para a juventude pernambucana?

A primeira escola de ensino médio em tempo integral a adotar esse modelo gerencial foi o Ginásio Pernambuco, uma instituição histórica e emblemática para a sociedade pernambucana, na qual estudaram vários intelectuais e artistas renomados. 

O Ginásio Pernambuco, no início dos anos 2000, antes de ser fechado para reforma, contava com 2.200 estudantes matriculados. Concluída a reforma, a gestão da escola foi entregue ao terceiro setor empresarial (ICE – Instituto de Corresponsabilidade pela Educação) e o número de matrículas, para surpresa geral, caiu para 300 estudantes.

No ano de 2005 a rede estadual de ensino de Pernambuco contava com 1.107 escolas e 948 mil matrículas. Dezessete anos depois, mesmo com o crescimento populacional, a rede estadual de ensino fechou o ano de 2022 com 1.059 escolas (menos 48 escolas em 17 anos) e 534 mil matrículas (uma diminuição de estrondosos 414 mil estudantes nas escolas estaduais do Estado), sendo 341 mil dessas concentradas no ensino médio.

O percentual de jovens analfabetos com 15 anos ou mais de idade em 2018 no Estado de Pernambuco era de 11,9%. Isso representava 911.690 pessoas sem acesso à leitura e à escrita. No ano de 2019, Pernambuco era o terceiro estado do país com mais jovens de 15 a 17 anos de idade fora da escola (15,4% da população nesta faixa etária).

Em 2021, no Estado de Pernambuco, mais de 808 mil jovens de 15 a 29 anos de idade não estudavam e nem trabalhavam (34,5% da população nesta faixa etária). Dos 15 aos 19 anos de idade, mais de 261 mil jovens não frequentavam a escola.

Em Pernambuco, 3.441.463 pessoas com 25 anos ou mais de idade (56,4% da população do Estado) não concluíram a educação básica. Vale observar que uma pessoa hoje com 25 anos de idade, em 2005 era uma criança de oito anos. Desse modo, constata-se que ao longo desses 17 anos muitas crianças e jovens não tiveram acesso à escola ou foram excluídos dela.

Diante de tais constatações, fica a pergunta: por que o estado de Pernambuco é apontado como referência de sucesso educacional? Sucesso para quem e quantos? E para qual projeto de educação e de sociedade? Consideramos que essas são questões que exigem reflexões mais aprofundadas por parte de nossos governantes e da sociedade brasileira.

Será que as propagandas veiculadas na mídia impressa e televisiva de que Pernambuco é referência na gestão de sua educação pública porque conseguiu sair do 21º lugar no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) em 2007 e chegar ao 4º lugar em 2013, 1º lugar em 2015 e 3º lugar em 2017 e 2019 são legítimas e suficientes para induzir um Ministro da Educação a ter como referência no campo educacional o modelo de política desse Estado? Mas se consideramos a experiência do Ceará, que recorrentemente é apontada como modelo educacional exitoso, percebemos que as mesmas políticas orientadas pelo terceiro setor empresarial estão presentes e o contexto não difere muito.

Se em Pernambuco 34,5% dos jovens nem estudavam e nem trabalhavam em 2021, no Ceará esse percentual era de 34% no mesmo ano. Então, qual é o sucesso desse modelo educacional que deixa de fora a maioria da população demandante? O que é mesmo uma política educacional de sucesso? Uma política pública que garanta que todas as pessoas tenham acesso e permanência à escola e que consigam concluir seus estudos ou uma política que se destina a formar uma elite meritocrática, excluindo a maioria da nossa juventude do direito à educação?

*Heleno Araújo é Professor da educação básica em Pernambuco. Presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e membro da Coordenação do Fórum Nacional Popular de Educação (FNPE).

Outras Notícias

O Blog e a História: monstros da poesia

No mês em que a Cantoria de Viola foi reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil pelo IPHAN, vale o registro: A foto clássica, divulgada por Luiz Ferraz, mostra sete monstros sagrados do repente nordestino. O título recente deve muito a eles. Da esquerda para a direita:  Zé de Cazuza, Lourival Batista, Pedro Amorim, Jansen Filho, […]

No mês em que a Cantoria de Viola foi reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil pelo IPHAN, vale o registro:

A foto clássica, divulgada por Luiz Ferraz, mostra sete monstros sagrados do repente nordestino. O título recente deve muito a eles.

Da esquerda para a direita:  Zé de Cazuza, Lourival Batista, Pedro Amorim, Jansen Filho, João Furiba, Pinto do Monteiro e Jô Patriota. O registro da foto é dos anos 70.

Severino Lourenço da Silva Pinto, conhecido como Pinto do Monteiro , nasceu em 21 de novembro de 1895 e morreu em 28 de outubro de 1990. Filho de uma doméstica com um tropeiro, chegou a trabalhar como vaqueiro, vendedor de cuscuz, auxiliar de enfermagem e guarda do serviço contra a malária. Aprendeu a ler e a escrever já depois de adulto.

Lourival Batista Patriota, também conhecido por Louro do Pajeú, nasceu em 6 de janeiro de 1915 em São José do Egito e faleceu em 5 de dezembro de 1992. Considerado o rei do trocadilho, concluiu o curso ginasial em 1933, no Recife, de onde saiu para fazer cantorias.

João Batista Bernardo, o João Furiba, nasceu a 04/07/1931, em Taquaritinga do Norte. Considerado um dos grandes repentistas nordestinos, arrebatou mais de trinta troféus em festivais de violeiros, tendo conquistado por 13 vezes o primeiro lugar nesse tipo de competição.

O apelido de “Furiba”, que segundo ele representa coisa sem importância”, foi dado pelo repentista Pinto do Monteiro.

Proposta de título de cidadão a João Campos gera críticas em Afogados da Ingazeira

A apresentação do Projeto de Lei nº 024/2025, que propõe conceder o título de cidadão afogadense ao prefeito do Recife, João Campos (PSB), gerou forte reação negativa entre moradores de Afogados da Ingazeira. A proposta, de autoria da vereadora Gal Mariano e subscrita pelos vereadores César Tenório, Vicentinho, Cícero Miguel, Raimundo Lima e Renaldo Lima, […]

A apresentação do Projeto de Lei nº 024/2025, que propõe conceder o título de cidadão afogadense ao prefeito do Recife, João Campos (PSB), gerou forte reação negativa entre moradores de Afogados da Ingazeira.

A proposta, de autoria da vereadora Gal Mariano e subscrita pelos vereadores César Tenório, Vicentinho, Cícero Miguel, Raimundo Lima e Renaldo Lima, foi protocolada nesta terça-feira (8) na Câmara Municipal.

De acordo com a justificativa da matéria, João Campos tem “muitos serviços prestados” ao município. No entanto, a alegação não convenceu parte significativa da população, que reagiu nas redes sociais e grupos de WhatsApp com duras críticas à iniciativa.

Entre os comentários, o tom predominante foi de indignação e cobrança por ações mais concretas em benefício da cidade. “Ao invés de procurarem um projeto para limpeza do Rio Pajeú, políticas de municipalização real do trânsito, vão dar título de cidadão para João Campos?”, questionou um internauta. Outro afirmou: “Recebem salário do povo para fazer média com João Campos, vão trabalhar de verdade. Olha as ruas cheias de cachorros.”

A proposta também foi vista como uma tentativa de aproximação política sem retorno prático para o município. “Tenho uma admiração por ele, mas não precisa de tanta babação. Estão sem o que fazer. É só visitar os bairros que acham”, comentou uma moradora. “Tanta coisa pra fazer na cidade, ficam perdendo tempo”, disse outro.

O projeto ainda será apreciado em plenário, mas a repercussão nas redes sociais evidencia que o debate deve se intensificar. Muitos cidadãos cobraram dos parlamentares mais foco em demandas locais urgentes, como infraestrutura urbana, saúde pública e políticas de bem-estar animal.

Até o momento, nenhum dos vereadores signatários do projeto se pronunciou publicamente sobre as críticas.

Repasse extra do FPM caiu na conta. “Nunca chegou tanto dinheiro para prefeituras”, revela gestor

Foi creditado o valor de R$ 7.194.356.112,42 referente ao repasse extra de 1% do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) em dezembro. A medida é decorrente da Emenda Constitucional (EC) 55/2007 e representa uma conquista da Confederação. O valor repassado é calculado a partir da arrecadação do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) e do Imposto […]

Foi creditado o valor de R$ 7.194.356.112,42 referente ao repasse extra de 1% do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) em dezembro.

A medida é decorrente da Emenda Constitucional (EC) 55/2007 e representa uma conquista da Confederação.

O valor repassado é calculado a partir da arrecadação do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) e do Imposto de Renda (IR), contabilizado entre o início de dezembro de 2021 até o final de novembro deste ano, e será repassado um dia antes da primeira cota do FPM para o mês de dezembro.

O adicional de 1% do FPM de dezembro de 2022 foi 24,94% superior ao repasse realizado em 2021 (de R$ 5,758 bilhões).

Ao longo dos últimos 16 anos, os cofres dos Municípios receberam R$ 56,178 bilhões relacionados aos repasses extras da EC 55/2007, outros R$ 32,259 bilhões foram transferidos pela EC 84/2014 (adicional de 1% do FPM em julho).

Ainda, foram repassados R$ 1,218 bilhão através da E.C. 112/2021 (adicional de 1% do FPM em setembro). Tomando o volume transferido em conjunto, a luta constante da CNM em prol dos Municípios representou mais de R$ 89,6 bilhões nos cofres municipais.

Um prefeito sertanejo disse com reservas ao blog: “Acho que nos últimos 10 anos nunca chegou tanto dinheiro para prefeituras como dias 8 e 9”. Ele pediu para o nome não ser revelado para não ser “massacrado pelos colegas”. Se ele disse, quem sou eu pra duvidar?

Itapetim tem água nas barragens, mas não chega às torneiras

Um problema técnico registado na Estação de Tratamento  (ETA) de Itapetim está prejudicando o abastecimento de água em toda a  cidade. Segundo apurou o blogueiro Marcelo Patriota, não há previsão de concerto, o que angustia ainda mais a população. Moradores do Alto de Santo Antonio, por exemplo, relatam estar sem água há vários dias. O […]

Um problema técnico registado na Estação de Tratamento  (ETA) de Itapetim está prejudicando o abastecimento de água em toda a  cidade.

Segundo apurou o blogueiro Marcelo Patriota, não há previsão de concerto, o que angustia ainda mais a população. Moradores do Alto de Santo Antonio, por exemplo, relatam estar sem água há vários dias.

O que aumenta as queixas é o fato das barragens do município estarem com bom volume de aguá.Carmucuqui tem 1,2 milhão de metros cúbicos e Mãe D’Água pouco mais de 3 milhões. Boa Vista tem 3,5 milhõss de metros cúbicos.

Itapetim teve chuvas nesse mês de abril que chegaram a 309 milímetros. No ano ja são 665 milímetros, bem acima da média histórica.

Segundo o gerente da Unidade de Negócios da Compesa, Gileno Gomes, a ETA de Itapetim está parada para intervenção de qualidade.

“A água estava saindo para rede com índices de Cor e Turbidez fora dos padrões. Uma das soluções, a principio seria colocar a Barragem de Boa Vista para operar”, disse. A previsão de retorno do abastecimento é esta sexta.

Pajeú em Poesia teve belos shows e homenagens a Dedé Monteiro

Fotos: Cláudio Gomes Foi um sucesso o  9º Pajeú em Poesia, evento organizado pelo produtor cultural e poeta Alexandre Morais e que nessa edição levou  três atrações especiais para o espaço de Maju Festas. A festa cultural tradicionalmente acontece dia 25 de dezembro. A abertura ficou por conta de  Coração de Poeta, que nasceu em 2011, a partir […]

8caf59e3-4e7f-4895-a89a-63f190fb5f2a

Fotos: Cláudio Gomes

Foi um sucesso o  9º Pajeú em Poesia, evento organizado pelo produtor cultural e poeta Alexandre Morais e que nessa edição levou  três atrações especiais para o espaço de Maju Festas. A festa cultural tradicionalmente acontece dia 25 de dezembro.

A abertura ficou por conta de  Coração de Poeta, que nasceu em 2011, a partir de um projeto cultural criado para homenagear o Poeta sertaniense Walmar Belarmino, com composições do poeta-cantor e compositor Kalu Vital e participação de Filipe Morais, Gaudêncio Neto, júnior Cordel, além dos músicos. Foi um show cheio de elementos culturais, com música e versos de nomes da cultura popular do Sertão.

ba4e8969-6f43-420b-895d-b866afe7f290

a2df5a94-ea1a-40c6-89a8-a663e27eb63c

68ffc9ac-dcc9-4d9a-8221-fe3fb94343df

61a0975b-8981-48b8-adc2-ebe912bf6827

Outro show foi o de Jonathas Malaquias, que apesar de jovem, já coleciona experiência de sobra com sua sanfona, responsável por projetos ao lado de nomes como Geraldo Azevedo, Maciel Melo e tantos outros. Mais um talento do Malaquias da terra da música, Carnaíba. Ele fez homenagens a nomes como Cacá Malaquias, seu tio, e Moacir Santos.

A festa terminou com Encanto e Poesia formado pelos netos de Helena e Louro do Pajeú Antonio Marinho, Greg e Miguel. O trio levou seu  conteúdo poético único e era o mais aguardado pela dimensão que ganhou com os anos de estrada.

5a68f1df-b7b6-42b2-8ae0-e99cff7a6f72

4cd3b420-57aa-4427-8a03-5d5bc7b39217

0af802f4-7757-4c7d-a0f2-fa800180e029

cb5491f1-fe7d-449f-a4e4-3b7d2fc55c8d

Em todo o evento, várias homenagens a Dedé Monteiro, que na semana que passou foi homenageado como Patrimônio Vivo de Pernambuco, em evento no Palácio das Princesas. O poeta foi aplaudido de pé ao chegar ao local e reverenciado por todos que subiram ao palco. No espaço entre uma ou outra atração os declamadores se revezavam em homenagens ao mestre sertanejo.   Chamado ao palco por Alexandre Morais, Dedé também deu sua canja.