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Ao quebrar sigilo, Moro lembra que Lula ainda não tinha foro privilegiado

Por Nill Júnior

Do G1

No despacho em que retirou nesta quarta-feira (16) o sigilo de interceptações telefônicas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o juiz Sergio Moro justificou a medida afirmando que o sigilo não é mais necessário “a fim de propiciar a ampla defesa e publicidade” e o “saudável escrutínio público”. Segundo ele, essa é a forma como tem decidido “em todos os casos semelhantes da assim denominada Operação Lavajato”.

Segundo Moro, o “levantamento [do sigilo] propiciará assim não só o exercício da ampla defesa pelos investigados, mas também o saudável escrutínio público sobre a atuação da Administração Pública e da própria Justiça criminal”. “A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras.”

“Isso é ainda mais relevante em um cenário de aparentes tentativas de obstrução à justiça, como reconhecido pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, ao decretar a prisão cautelar do Senador da República Delcídio do Amaral Gomez, do Partido dos Trabalhadores, e líder do Governo no Senado, quando buscava impedir que o ex-Diretor da Petrobrás Nestor Cuñat Cerveró, preso e condenado por este Juízo, colaborasse com a Justiça, especificamente com o Procurador Geral de Justiça e com o próprio Supremo Tribunal Federal”, escreveu.

Ainda segundo o magistrado, o sigilo também não se justifica em razão de a “prova ser resultante de interceptação telefônica”. “Sigilo absoluto sobre esta deve ser mantido em relação a diálogos de conteúdo pessoal inadvertidamente interceptados, preservando-se a intimidade, mas jamais, à luz do art. 5º, LX, e art. 93, IX, da Constituição Federal, sobre diálogos relevantes para investigação de supostos crimes contra a Administração Pública”, argumentou.

No despacho em que libera as gravações, Moro afirma que, “pelo teor dos diálogos degravados, constata-se que o ex-presidente já sabia ou pelo menos desconfiava de que estaria sendo interceptado pela Polícia Federal, comprometendo a espontaneidade e a credibilidade de diversos dos diálogos”.

Moro afirma, ainda, que alguns diálogos sugerem que Lula já sabia das buscas feitas pela 24ª fase da Operação Lava Jato no início do mês. Leia a íntegra do despacho.

O advogado de Luiz Inácio Lula da Silva, Cristiano Zanin Martins, disse que a divulgação do áudio da conversa entre a presidente Dilma Rousseff com Lula é uma ‘arbitrariedade’ e estimula uma ‘convulsão social’.

Leia a decisão de Moro que revelou conversa entre Dilma e Lula

“Trata-se de processo vinculado à assim denominada Operação Lavajato e no qual, a pedido do Ministério Público Federal, foi autorizada a interceptação telefônica do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de associados.

A interceptação foi interrompida.

Juntou a autoridade policial relatórios e áudios nos eventos 109, 111, 116 e 133.
Ouvido, o MPF manifestou-se pelo levantamento do sigilo sobre estes autos e a remessa deles à Procuradoria-Geral da República (evento 123). Decido.

Com a efetivação das buscas e diligências ostensivas da investigação em relação a supostos crimes envolvendo o ex-Presidente (processo 5006617-29.2016.4.04.7000), não há mais necessidade de manutenção do sigilo sobre a presente interceptação telefônica.

Rigorosamente, pelo teor dos diálogos degravados, constata-se que o ex-Presidente já sabia ou pelo menos desconfiava de que estaria sendo interceptado pela Polícia Federal, comprometendo a espontaneidade e a credibilidade de diversos dos diálogos.

Da mesma forma, alguns diálogos sugerem que tinha conhecimento antecipado das buscas efetivadas em 04/03/2016.

Observo que, apesar de existirem diálogos do ex-Presidente com autoridades com foro privilegiado, somente o terminal utilizado pelo ex-Presidente foi interceptado e jamais os das autoridades com foro privilegiado, colhidos fortuitamente.

Rigorosamente, sequer o terminal do ex-Presidente foi interceptado, mas apenas o terminal telefônico utilizado por acessor dele (11XXXXXXXXX), do qual ele fazia uso frequente.

Mantive nos autos os diálogos interceptados de Roberto Teixeira, pois, apesar deste ser advogado, não identifiquei com clareza relação cliente/advogado a ser preservada entre o ex-Presidente e referida pessoa.

Rigorosamente, ele não consta no processo da busca e apreensão 5006617-29.2016.4.04.7000 entre os defensores cadastrados no processo do ex-Presidente. Além disso, como fundamentado na decisão de 24/02/2016 na busca e apreensão (evento 4), há indícios do envolvimento direto de Roberto Teixeira na aquisição do Sítio em Atibaia do ex-Presidente, com aparente utilização de pessoas interpostas. Então ele é investigado e não propriamente advogado. Se o próprio advogado se envolve em práticas ilícitas, o que é objeto da investigação, não há imunidade à investigação ou à interceptação.

Observo que, em alguns diálogos, fala-se, aparentemente, em tentar influenciar ou obter auxílio de autoridades do Ministério Público ou da Magistratura em favor do ex-Presidente. Cumpre aqui ressalvar que não há nenhum indício nos diálogos ou fora deles de que estes citados teriam de fato procedido de forma inapropriada e, em alguns casos, sequer há informação se a intenção em influenciar ou obter intervenção chegou a ser efetivada. Ilustrativamente, há, aparentemente, referência à obtenção de alguma influência de caráter desconhecido junto à Exma. Ministra Rosa Weber do Supremo Tribunal Federal, provalvemente para obtenção de decisão favorável ao ex-Presidente na ACO 2822, mas a eminente Magistrada, além de conhecida por sua extrema honradez e retidão, denegou os pleitos da Defesa do ex-Presidente.

De igual forma, há diálogo que sugere tentativa de se obter alguma intervenção do Exmo. Ministro Ricardo Lewandowski contra imaginária prisão do ex-Presidente, mas sequer o interlocutor logrou obter do referido Magistrado qualquer acesso nesse sentido. Igualmente, a referência ao recém nomeado Ministro da Justiça Eugênio Aragão (“parece nosso amigo”) está acompanhada de reclamação de que este não teria prestado qualquer auxílo.

Faço essas referências apenas para deixar claro que as aparentes declarações pelos interlocutores em obter auxílio ou influenciar membro do Ministério Público ou da Magistratura não significa que esses últimos tenham qualquer participação nos ilícitos, o contrário transparecendo dos diálogos. Isso, contudo, não torna menos reprovável a intenção ou as tentativas de solicitação.

Não havendo mais necessidade do sigilo, levanto a medida a fim de propiciar a ampla defesa e publicidade.

Como tenho decidido em todos os casos semelhantes da assim denominada Operação Lavajato, tratando o processo de apuração de possíveis crimes contra a Administração Pública, o interesse público e a previsão constitucional de publicidade dos processos (art. 5º, LX, e art. 93, IX, da Constituição Federal) impedem a imposição da continuidade de sigilo sobre autos. O levantamento propiciará assim não só o exercício da ampla defesa pelos investigados, mas também o saudável escrutínio público sobre a atuação da Administração Pública e da própria Justiça criminal. A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras.

Isso é ainda mais relevante em um cenário de aparentes tentativas de obstrução à justiça, como reconhecido pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, ao decretar a prisão cautelar do Senador da República Delcídio do Amaral Gomez, do Partido dos Trabalhadores, e líder do Governo no Senado, quando buscava impedir que o ex-Diretor da Petrobrás Nestor Cuñat Cerveró, preso e condenado por este Juízo, colaborasse com a Justiça, especificamente com o Procurador Geral de Justiça e com o próprio Supremo Tribunal Federal.

Não muda esse quadro o fato da prova ser resultante de interceptação telefônica. Sigilo absoluto sobre esta deve ser mantido em relação a diálogos de conteúdo pessoal inadvertidamente interceptados, preservando-se a intimidade, mas jamais, à luz do art. 5º, LX, e art. 93, IX, da Constituição Federal, sobre diálogos relevantes para investigação de supostos crimes contra a Administração Pública. Nos termos da Constituição, não há qualquer defesa de intimidade ou interesse social que justifiquem a manutenção do segredo em relação a elementos probatórios relacionados à investigação de crimes contra a Administração Pública.

Portanto, levanto o sigilo sobre estes autos. Vincule a Secretaria este processo ao aludido 5006617-29.2016.4.04.7000.

Da mesma forma, levanto o sigilo sobre os inquéritos vinculados ao aludido 5006617-29.2016.4.04.7000.
Concomitantemente, diante da notícia divulgada na presente data de que o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria aceito convite para ocupar o cargo de Ministro Chefe da Casa Civil, deve o feito, com os conexos, ser remetido, após a posse, aparentemente marcada para a próxima terça-feira (dia 22), quando efetivamente adquire o foro privilegiado, ao Egrégio Supremo Tribunal Federal.

Intime-se o MPF para indicar os processos a serem encaminhados.
Curitiba, 16 de março de 2016.”

Leia a transcrição da conversa entre Dilma e Lula
– Dilma: Alô
– Lula: Alô
– Dilma: Lula, deixa eu te falar uma coisa.
– Lula: Fala, querida. Ahn
– Dilma: Seguinte, eu tô mandando o ‘Bessias’ junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?!
– Lula: Uhum. Tá bom, tá bom.
– Dilma: Só isso, você espera aí que ele tá indo aí.
– Lula: Tá bom, eu tô aqui, fico aguardando.
– Dilma: Tá?!
– Lula: Tá bom.
– Dilma: Tchau.
– Lula: Tchau, querida.

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O Advogado Geral da União, José Eduardo Cardozo, disse que o diálogo de Dilma, ao contrário da interpretação da oposição, não estava dando a Lula um documento para ele se livrar de possível ação policial.

Segundo o ministro, a presidente estava enviando a Lula o documento chamado termo de posse, para ele assinar. Isso porque Lula, de acordo com Cardozo, estava com problemas para comparecer à cerimônia de posse marcada para quinta-feira (17).

O Planalto emitiu nota em que afirma que vê ‘afronta’ a direito de Dilma na divulgação do telefonema.

Envio ao STF
Ao fim do despacho, Moro informa que, diante da notícia de que Lula aceitou convite para ocupar o cargo de ministro chefe da Casa Civil, as investigações serão enviadas ao Supremo Tribunal Federal. O material deve ser enviado após a posse, que está marcada para terça-feira (22).

Outras Notícias

Por decisão de Alexandre de Moraes, PF cancela passaportes de Flávio Bolsonaro

A Polícia Federal cancelou nesta terça-feira (27), em seus sistemas, os passaportes comum e diplomático do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em cumprimento a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a CNN Brasil, até a atualização da reportagem, às 12h13, os documentos físicos ainda não haviam sido entregues pela […]

A Polícia Federal cancelou nesta terça-feira (27), em seus sistemas, os passaportes comum e diplomático do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em cumprimento a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a CNN Brasil, até a atualização da reportagem, às 12h13, os documentos físicos ainda não haviam sido entregues pela defesa do parlamentar.

O cancelamento ocorre um dia depois de Flávio ter sido intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes e informado de que estava proibido de deixar o Brasil. A decisão judicial foi tomada após a derrota do senador para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial.

Além da restrição de viagem, Moraes determinou que Flávio não mantenha contato com o advogado e empresário Willer Tomaz. Os dois são investigados em um inquérito que tramita no STF e apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

A decisão também estabelece a entrega, no prazo de 24 horas, de eventuais documentos de viagem de outras nacionalidades que estejam em nome do senador.

Flávio tornou pública a determinação judicial na segunda-feira (26), por meio de um vídeo publicado nas redes sociais. Na gravação, afirmou que havia recebido a intimação após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O senador criticou a medida, negou que pretendesse deixar o país e declarou que cumpriria a ordem.

“Nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, afirmou.

A investigação envolvendo Flávio e Willer Tomaz tramita sob sigilo. O advogado foi alvo da Operação Sem Desconto, relacionada à apuração de irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e passou a morar nos Estados Unidos.

O cancelamento no sistema da Polícia Federal torna os documentos brasileiros inválidos para utilização em viagens. A medida, entretanto, não significa que os passaportes físicos tenham sido recolhidos.

Até a atualização divulgada pela CNN, a defesa do senador ainda não havia realizado a entrega desses documentos. A investigação continua em andamento, sem que as suspeitas representem comprovação de crime.

Fonte: CNN Brasil
Foto: Reprodução

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Reportagem da TV Globo aborda cooperativismo de crédito com participação do Sicoob Pernambuco

O papel das cooperativas de crédito na economia pernambucana foi tema de uma reportagem da TV Grande Rio, afiliada da Rede Globo em Petrolina. A produção contou com a participação de associados e colaboradores do Sicoob Pernambuco e apresentou experiências relacionadas ao acesso a serviços financeiros e ao funcionamento do modelo cooperativista. Entre os participantes […]

O papel das cooperativas de crédito na economia pernambucana foi tema de uma reportagem da TV Grande Rio, afiliada da Rede Globo em Petrolina. A produção contou com a participação de associados e colaboradores do Sicoob Pernambuco e apresentou experiências relacionadas ao acesso a serviços financeiros e ao funcionamento do modelo cooperativista.

Entre os participantes está Rodrigo Pamponet, associado do Sicoob Pernambuco, que compartilhou sua experiência com a cooperativa no desenvolvimento de um empreendimento. Segundo a assessoria da instituição, o relato aborda a utilização de serviços financeiros para atender às necessidades do negócio.

A reportagem também apresentou características do cooperativismo de crédito, modalidade em que os associados são integrantes da própria instituição financeira e podem participar de suas decisões e resultados, conforme as regras estabelecidas pela cooperativa.

Além das operações de crédito, a produção abordou temas relacionados à educação financeira e à atuação das cooperativas nas comunidades onde estão presentes.

A participação de representantes do Sicoob Pernambuco integrou a abordagem da emissora sobre o funcionamento dessas instituições e sua relação com as atividades econômicas desenvolvidas no estado.


A reportagem terá uma nova exibição nesta terça-feira (27), às 12h30, na programação da TV Grande Rio.

O conteúdo também pode ser conferido pela plataforma Globoplay.

Fotos: Divulgação

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Santa Cruz da Baixa Verde alcança primeiro lugar em dois indicadores regionais de saúde

Santa Cruz da Baixa Verde alcançou a primeira colocação em dois indicadores de saúde da XI Gerência Regional de Saúde (Geres), relacionados à Atenção Primária à Saúde (APS) e à Saúde Bucal. Os resultados foram divulgados pela Prefeitura, que também informou outras classificações do município em avaliações regionais e estaduais. Na Atenção Primária, o município […]

Santa Cruz da Baixa Verde alcançou a primeira colocação em dois indicadores de saúde da XI Gerência Regional de Saúde (Geres), relacionados à Atenção Primária à Saúde (APS) e à Saúde Bucal. Os resultados foram divulgados pela Prefeitura, que também informou outras classificações do município em avaliações regionais e estaduais.

Na Atenção Primária, o município ficou em primeiro lugar na XI Geres no indicador de aproveitamento e qualidade das equipes de APS e eMulti, compostas por profissionais de diferentes especialidades. A outra primeira colocação foi registrada na Saúde Bucal, considerando a proporção de equipes avaliadas com classificação ótima.

Ainda na Saúde Bucal, Santa Cruz da Baixa Verde alcançou o segundo lugar na Macrorregião do Sertão, no indicador de aproveitamento e qualidade. Segundo a administração municipal, a cidade também figura entre as oito melhores de Pernambuco nessa área.

A prefeitura informou outras três classificações em terceiro lugar na XI Geres, todas relacionadas à Atenção Primária. Uma delas considera a proporção de equipes com avaliação ótima. As demais correspondem à qualidade geral da APS e ao percentual de equipes que alcançaram o padrão ótimo em todos os indicadores analisados.

Os resultados apresentados dizem respeito ao desempenho e à classificação das equipes nos indicadores avaliados.

 

O prefeito Dr. Ismael atribuiu os resultados ao trabalho dos profissionais e aos investimentos realizados na rede municipal de saúde.

“Esses resultados são fruto de um trabalho contínuo, de investimentos na melhoria dos serviços e, principalmente, da dedicação dos nossos profissionais de saúde”, afirmou.

Fotos: Divulgação

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Lula completa 81 anos dois dias após reeleição; entenda por que presidente tem duas datas de nascimento

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) completa 81 anos nesta terça-feira (27), dois dias depois de conquistar seu quarto mandato à frente da Presidência da República. A data é marcada por uma particularidade na história do pernambucano: embora comemore o aniversário em 27 de outubro, seus documentos oficiais registram o nascimento no dia […]

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) completa 81 anos nesta terça-feira (27), dois dias depois de conquistar seu quarto mandato à frente da Presidência da República. A data é marcada por uma particularidade na história do pernambucano: embora comemore o aniversário em 27 de outubro, seus documentos oficiais registram o nascimento no dia 6 do mesmo mês, em 1945.

A diferença entre as datas está relacionada às dificuldades de acesso ao registro civil enfrentadas pela família de Lula no interior de Pernambuco. Nascido em Vargem Comprida, então distrito de Garanhuns, o presidente foi o sétimo dos oito filhos de Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Melo, conhecida como Dona Lindu.

Segundo o Instituto Lula, o registro de nascimento foi realizado somente alguns anos depois, junto com os documentos de seus irmãos. Durante o procedimento no cartório, uma escrivã teria cometido um erro ao anotar a data, registrando 6 de outubro em vez de 27 de outubro.

Apesar da informação que consta na documentação, Lula sempre considerou o dia 27 como sua data de nascimento, conforme os relatos familiares.

Aos 81 anos, o presidente se prepara para iniciar mais um mandato no Palácio do Planalto. No segundo turno das eleições, realizado no domingo (25), Lula recebeu 64.256.232 votos e derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL), tornando-se o presidente mais velho a conquistar um novo mandato no país.

A decisão de disputar novamente a Presidência também representou uma mudança em relação ao posicionamento que Lula havia apresentado durante a campanha de 2022.

Naquele ano, aos 76 anos, ele afirmou que não considerava possível disputar uma reeleição aos 81, citando as limitações naturais da idade.

“Todo mundo sabe que não é possível um cidadão com 81 anos querer a reeleição”, declarou na ocasião.

O posicionamento mudou ao longo do terceiro mandato. Em outubro de 2025, durante uma agenda oficial em Jacarta, na Indonésia, Lula confirmou que pretendia disputar novamente a Presidência.

Ao comentar sua condição física, afirmou que estava próximo de completar 80 anos, mas que mantinha a disposição para continuar exercendo o cargo.

Com a vitória de domingo, Lula iniciará seu quarto mandato presidencial em janeiro de 2027, aos 81 anos, ampliando o recorde de idade para um presidente brasileiro no início de um mandato.

Fonte: Diário de Pernambuco
Foto: Ricardo Stuckert

PF registra 86 possíveis crimes eleitorais no segundo turno; Pernambuco teve cinco casos

A Polícia Federal (PF) registrou 86 ocorrências relacionadas a possíveis crimes eleitorais durante o segundo turno das eleições de 2026, realizado no domingo (25). Segundo balanço divulgado nessa segunda-feira (26), os casos foram identificados em 21 unidades da federação, incluindo Pernambuco, que contabilizou cinco registros. Ao todo, 74 pessoas foram conduzidas à Polícia Federal para […]

A Polícia Federal (PF) registrou 86 ocorrências relacionadas a possíveis crimes eleitorais durante o segundo turno das eleições de 2026, realizado no domingo (25). Segundo balanço divulgado nessa segunda-feira (26), os casos foram identificados em 21 unidades da federação, incluindo Pernambuco, que contabilizou cinco registros.

Ao todo, 74 pessoas foram conduzidas à Polícia Federal para os procedimentos cabíveis. Até a manhã de segunda-feira, a corporação havia instaurado 13 inquéritos policiais, elaborado 64 termos circunstanciados de ocorrência e mantinha seis situações de flagrante sob análise.

A principal ocorrência foi a possível violação ou tentativa de violação do sigilo do voto, com 38 registros. Também foram identificados 24 casos de propaganda eleitoral irregular, oito de desordem nos trabalhos eleitorais e seis de desobediência eleitoral.

O levantamento inclui ainda ocorrências envolvendo danos a urnas eletrônicas e suspeitas de eleitores que teriam votado em nome de outras pessoas.

A Paraíba liderou o número de registros, com 11 ocorrências, seguida por Minas Gerais, com nove, e Sergipe, com oito. Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro contabilizaram cinco casos cada.

Em Alagoas, Espírito Santo e Mato Grosso, foram registrados quatro casos por estado. Acre, Distrito Federal, Piauí, Paraná e São Paulo tiveram três ocorrências cada.

Durante a votação, a Polícia Federal também apreendeu aproximadamente R$ 41,4 mil em bens e valores. Desse total, R$ 4.157 correspondem a dinheiro em espécie. Entre os materiais recolhidos estão celulares e equipamentos de informática e de som.

Balanço de 2026

Considerando as ações realizadas ao longo de 2026, a Polícia Federal informou que havia instaurado 1.629 inquéritos relacionados a crimes eleitorais até a manhã de segunda-feira (26).

Na mesma data, a instituição contabilizava 2.483 inquéritos em andamento. O valor acumulado das apreensões relacionadas a investigações eleitorais se aproximava de R$ 52 milhões, incluindo cerca de R$ 31 milhões em dinheiro.

O levantamento também aponta 104 inquéritos em andamento relacionados à violência política contra a mulher, conduta prevista no Código Eleitoral.

A Polícia Federal ressalta que os números podem sofrer alterações conforme o avanço das investigações, o registro de novas ocorrências e a atualização dos sistemas.

As situações contabilizadas no balanço correspondem a suspeitas e registros policiais, não significando que os envolvidos tenham sido condenados ou que os crimes estejam comprovados.

Fonte: Agência Brasil
Foto: Reprodução

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