Notícias

STJ decide que Robinho deve cumprir pena por estupro no Brasil

Por André Luis

Ex-jogador foi condenado a nove anos de prisão por estupro coletivo

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta quarta-feira (20), por 9 a 2, que Robson de Souza, nome do ex-jogador de futebol Robinho, deve cumprir no Brasil a pena de nove anos de prisão pelo crime de estupro coletivo ao qual foi condenado na Itália. 

Pela decisão, assim que o processo de homologação encerrar sua tramitação no STJ, Robinho deve ser preso em Santos, onde mora. O ex-jogador ainda pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de um habeas corpus ou de um recurso extraordinário. 

“Entendo que não há óbice constitucional ou legal para a homologação da transferência da pena solicitada pela Justiça da Itália”, afirmou relator do caso, ministro Francisco Falcão, primeiro a votar. 

Para Falcão, como a Constituição não permite a extradição de brasileiro nato, não resta alternativa se não a transferência da pena. “Quando a extradição não for cabível, impõe-se a incidência da transferência de execução da pena, justamente para que não haja impunidade decorrente da nacionalidade do indivíduo”, pontuou. 

“Defender que não se possa executar aqui a pena imposta em processo estrangeiro é o mesmo que defender a impunidade do requerido pelo crime praticado, o que não se pode admitir, sob pena de violação dos compromissos assumidos pelo Brasil em plano internacional”, complementou Falcão. 

Isso porque o ordenamento jurídico brasileiro também impede que alguém seja julgado duas vezes pelo mesmo crime, frisou Falcão. Por esse motivo, se a sentença não for transferida para o Brasil, isso resultaria na impunidade. 

“Caso não se homologue a transferência de execução da pena, a vítima terá sua dignidade novamente ultrajada, pois o criminoso ficará completamente impune diante da impossibilidade de deflagração de nova ação penal no Brasil”, disse Falcão. 

Votaram como o relator os ministros Herman Benjamin, Humberto Martins, Luis Felipe Salomão, Mauro Campbell, Isabel Galotti, Antonio Carlos Ferreira, Villas-Bôas Cueva e Sebastião Reis. Ficaram vencidos os ministros Raul Araújo e Benedito Gonçalves.

“O Brasil não pode ser refúgio para criminosos”, disse Campbell.

Os ministros do STJ não examinaram as provas e o mérito da decisão da Justiça italiana, mas julgaram se foram preenchidos todos os requisitos legais para que a pena de prisão seja cumprida no Brasil, conforme requerido pela Itália. 

O crime ocorreu em uma boate de Milão em 2013, mostram os autos do processo. A condenação de Robinho foi confirmada em três instâncias na Itália e transitou em julgado, ou seja, não há mais recursos possíveis no Judiciário italiano. 

Divergência

O ministro Raul Araújo foi o primeiro a divergir. Para ele, a homologação da sentença não seria possível em caso de brasileiro nato, como Robinho, que não pode ser extraditado. Isso porque a Lei de Migração, que prevê a transferência de pena para o Brasil, diz que o procedimento só se aplica “nas hipóteses em que couber solicitação de extradição executória”. 

Araújo também apontou para o tratado bilateral de cooperação jurídica em temas penais, assinado por Brasil e Itália e tornado efetivo por decreto em 1993. O acordo prevê que a cooperação em assuntos criminais não se aplica “à execução de penas restritivas de liberdade”. 

O ministro começou seu voto lembrando que as garantias da Constituição que protegem o brasileiro nato serve para todos, embora somente quando precisamos que costumamos nos lembrar. “As garantias só nos preocupam e nos são especialmente caras e muito perceptíveis quando sentamos no banco dos réus ou quando temos uma condenação”, afirmou Araújo. 

Ele negou que seu voto fosse a favor da impunidade. “A ausência de requisitos legais [para a homologação] não resulta em impunidade. [Robinho] estará sujeito a julgamento e processo no Brasil”, disse Araújo. Para ele, se aplicaria ao caso a regra do Código Penal, segundo a qual o brasileiro nato pode ser processado no Brasil por acontecimentos no estrangeiro. 

Em voto breve, o ministro Benedito Gonçalves acompanhou a divergência. 

Sustentações

Antes do relator, a defesa de Robinho sustentou que a transferência da sentença estrangeira seria inconstitucional, por esvaziar o direito fundamental de não extradição de brasileiro nato. Além disso, o advogado José Eduardo Alckmin, que representa Robinho, apontou que tratados bilaterais entre os dois países proíbem expressamente a cooperação jurídica para a execução de penas restritivas. 

Outro argumento foi de que a Lei de Migração (Lei 13.445/2017), que prevê o instituto de transferência de execução de pena, foi aprovada em 2017, enquanto os fatos criminosos ocorreram em 2013. Alckmin defendeu que a norma tem natureza penal, e por isso não poderia retroagir para prejudicar o réu. “Em face da nossa Constituição, não poderia retroagir para alcançar um fato ocorrido antes de sua vigência”, argumentou o advogado. 

O relator, contudo, rebateu todos os argumentos. No último ponto, Falcão entendeu que a norma que permite a transferência do cumprimento de pena possui natureza procedimental, sendo assim de aplicação imediata, inclusive a fatos do passado. “Perfeitamente aplicável a Lei de Migração ao caso concreto”, afirmou. 

Essa foi a argumentação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que também defendeu a transferência de pena. “Não se pode permitir a impunidade de brasileiro que cometeu crime no exterior simplesmente porque o Brasil não o extradita”, disse o vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand. As informações são da Agência Brasil.

Outras Notícias

Até a fuga de Flávio Bolsonaro foi uma grande mentira, como toda a sua vida

Em meu comentário para a rádio Itapuama desta quarta-feira (28), analiso a ida do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos. Na minha avaliação, até mesmo sua saída do Brasil foi marcada por mentiras e estratégias de desinformação. A chegada de Flávio a Miami aconteceu depois de seus aliados criarem uma cortina de fumaça, afirmando […]

Em meu comentário para a rádio Itapuama desta quarta-feira (28), analiso a ida do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos. Na minha avaliação, até mesmo sua saída do Brasil foi marcada por mentiras e estratégias de desinformação.

A chegada de Flávio a Miami aconteceu depois de seus aliados criarem uma cortina de fumaça, afirmando que ele já estaria nos Estados Unidos um dia antes. Estamos falando de um parlamentar que responde a graves acusações no Brasil, envolvendo lavagem de dinheiro, esquemas de rachadinha e ligações com o caso “Dark Horse”, e que deixou o país após perder o foro privilegiado e a validade de seu passaporte.

Flávio Bolsonaro havia afirmado que responderia à Justiça brasileira e que jamais deixaria o país. Mas acabou seguindo por Foz do Iguaçu, atravessando a fronteira com a Argentina e chegando aos Estados Unidos.

O que chama minha atenção é como essa trajetória contraria suas próprias declarações públicas. Desde a negação de vínculos com investigados, passando pelo esquema de rachadinha, até o compromisso de respeitar os resultados eleitorais e permanecer no Brasil, suas atitudes caminham em sentido contrário ao que afirmou.

Também considero que a direita brasileira precisa rever seus conceitos e se desvincular do bolsonarismo se quiser construir uma alternativa política legítima, sem ligação com práticas ilegais e esquemas de enriquecimento ilícito.

Clique no link e acompanhe meu comentário completo.

 

Avião usado por Flávio Bolsonaro para chegar aos EUA é ligado a empresário investigado por lavagem de dinheiro

O avião particular utilizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para deixar a Argentina em direção aos Estados Unidos pertence à Baires Fly, empresa ligada ao empresário Sergio Daniel Mastropietro, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro em um esquema de corrupção envolvendo a Agência Nacional de Deficiência (Andis), durante o governo do presidente argentino Javier […]

O avião particular utilizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para deixar a Argentina em direção aos Estados Unidos pertence à Baires Fly, empresa ligada ao empresário Sergio Daniel Mastropietro, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro em um esquema de corrupção envolvendo a Agência Nacional de Deficiência (Andis), durante o governo do presidente argentino Javier Milei. A ligação foi destacada em reportagem da jornalista Malu Gaspar, de O Globo, nesta quarta-feira (28).

Mastropietro é apontado pela investigação argentina como participante de operações financeiras destinadas a dar aparência legal a recursos supostamente desviados de contratos públicos para o fornecimento de medicamentos e equipamentos destinados a pessoas com deficiência.

O empresário mantém vínculos comerciais com a Baires Fly, companhia de aviação executiva comandada por Luis Grande. Segundo investigações publicadas pelo jornal argentino La Nación, a empresa aparece em movimentações financeiras consideradas suspeitas pela Justiça daquele país.

A apuração identificou transferências milionárias realizadas por fornecedores da Andis para contas da companhia aérea. Os repasses teriam sido justificados por notas fiscais referentes à contratação de serviços de aviação.

Documentos analisados pela Justiça argentina apontam um prejuízo estimado em mais de 7,8 bilhões de pesos aos cofres públicos, decorrente de suspeitas de superfaturamento na aquisição de medicamentos e insumos. O processo também envolve ex-integrantes da agência e alcançou pessoas próximas ao governo Milei.

Entre os nomes mencionados nas denúncias está Karina Milei, irmã do presidente argentino e secretária-geral da Presidência, citada em acusações relacionadas à cobrança de propinas de empresas farmacêuticas. As suspeitas permanecem submetidas à investigação judicial.

A Baires Fly também possui histórico de prestação de serviços a integrantes do governo argentino. Em novembro de 2023, uma aeronave da companhia foi utilizada por Javier Milei em sua primeira viagem internacional após a vitória nas eleições presidenciais.

O avião relacionado à viagem de Flávio Bolsonaro é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW. Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, o senador atravessou a fronteira brasileira na noite de terça-feira (27), acompanhado da esposa e das duas filhas, e embarcou em um voo privado operado pela empresa.

A aeronave partiu de Puerto Iguazú, fez escala em Guayaquil, no Equador, e pousou na manhã desta quarta-feira (28), em Miami, nos Estados Unidos.

A saída do senador ocorreu após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para a entrega de seus passaportes e a proibição de deixar o território brasileiro, no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.

Fonte: O Globo
Foto: Reprodução

Acompanhe o Blog do Nill Júnior também no Instagram e veja essa e outras notícias: @nill_jr⁠

Brasil passa a saber quem realmente é Flávio Nantes Bolsonaro

Em meu comentário desta quarta-feira (28), para o Jornal Itapuama, analisei a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil em direção aos Estados Unidos, após a derrota na eleição presidencial. A viagem, com passagem pela Argentina e escala no Equador, ocorreu em meio a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal […]

Em meu comentário desta quarta-feira (28), para o Jornal Itapuama, analisei a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil em direção aos Estados Unidos, após a derrota na eleição presidencial. A viagem, com passagem pela Argentina e escala no Equador, ocorreu em meio a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibia o parlamentar de deixar o país.

Abordei as circunstâncias dessa saída, as informações desencontradas divulgadas por aliados do senador e os questionamentos que surgem diante do descumprimento da decisão judicial.

Também retomei as investigações e suspeitas que envolvem o nome de Flávio Bolsonaro, incluindo episódios relacionados às chamadas rachadinhas, à aquisição de imóveis com pagamentos em dinheiro e às recentes apurações sobre operações financeiras e possíveis conexões com o grupo do empresário Daniel Vorcaro.

Outro ponto da análise foi a repercussão internacional da viagem, especialmente a relação da família Bolsonaro com setores políticos dos Estados Unidos, o possível acolhimento do senador pelo governo Donald Trump e as consequências desse episódio para a oposição brasileira.

Questionei ainda os efeitos políticos da decisão de Flávio, que havia anunciado a intenção de assumir a liderança da oposição ao presidente Lula, mas deixou o Brasil poucos dias depois do resultado eleitoral.

Mais do que a viagem em si, o episódio levanta questões sobre o comportamento de lideranças políticas diante das instituições, das investigações e das decisões da Justiça.

Clique no link abaixo e confira, em nosso Instagram, meu comentário completo desta quarta-feira no Jornal Itapuama.

Fonte: Jornal Itapuama/Rádio Itapuama FM
Vídeo: Reprodução

Acompanhe o Blog do Nill Júnior também no Instagram e veja essa e outras notícias: @nill_jr

Veja imagens: Flávio Bolsonaro desembarca nos EUA após fugir do Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL), sua esposa e as filhas do casal chegaram aos Estados Unidos nesta quarta-feira (28) após fuga do Brasil. O avião utilizado pela família aterrissou em um aeroporto de Miami nesta manhã. Em uma operação secreta, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após descumprir uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para […]

O senador Flávio Bolsonaro (PL), sua esposa e as filhas do casal chegaram aos Estados Unidos nesta quarta-feira (28) após fuga do Brasil. O avião utilizado pela família aterrissou em um aeroporto de Miami nesta manhã.

Em uma operação secreta, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após descumprir uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar seus passaportes à Polícia Federal:

Na noite de terça-feira (27), Flávio entrou na Argentina por terra. O senador então embarcou em um avião particular com destino aos EUA. O trajeto evitou o espaço aéreo brasileiro e incluiu uma escala no Equador.

Flávio e família desembarcaram em Miami, às 10h24. O avião que transportou a família até os Estados Unidos é um jatinho particular Gulfstream G400, aterrisou no aeroporto executivo Opa-locka, em Miami, na Flórida. Ainda não havia informações, até a última atualização desta reportagem, sobre o proprietário da aeronave.

Flávio Bolsonaro também ainda não havia se manifestado. Após a aterrissagem, Flávio e a família entraram em um carro que os aguardava na saída do aeroporto, onde seguiam.

Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, vive na Flórida, mas o destino da família era desconhecido.

Estratégia de Janones na campanha de Lula inspira grupos de esquerda na França, Espanha e Argentina

A estratégia de mobilização digital utilizada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) durante a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a ser adotada por grupos de esquerda em outros países. Segundo reportagem do Correio Braziliense, publicada nesta quarta-feira (28), apoiadores de lideranças políticas da França, Espanha e Argentina criaram […]

A estratégia de mobilização digital utilizada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) durante a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a ser adotada por grupos de esquerda em outros países. Segundo reportagem do Correio Braziliense, publicada nesta quarta-feira (28), apoiadores de lideranças políticas da França, Espanha e Argentina criaram comunidades inspiradas no modelo brasileiro.

A principal referência é o canal de WhatsApp Exército do Lula, organizado por Janones durante a disputa presidencial. A comunidade ultrapassou 10 milhões de integrantes e se tornou uma das ferramentas de mobilização dos apoiadores do presidente no segundo turno das eleições.

O funcionamento do grupo envolve a distribuição de tarefas, o compartilhamento de materiais políticos e a realização de ações coordenadas para ampliar o alcance de publicações nas redes sociais.

Na França, simpatizantes de Jean-Luc Mélenchon, uma das principais lideranças da esquerda do país, organizaram uma comunidade chamada Les Soldats Insoumis (Soldados Insubmissos).

Posteriormente, o partido França Insubmissa (LFI) criou um canal oficial, denominado L’équipe de Mélenchon officielle (A equipe oficial de Mélenchon), que também utiliza orientações para mobilizar participantes e ampliar a circulação de conteúdos políticos.

Algumas mensagens são divulgadas em francês e português, com referências diretas à experiência brasileira.

Na Espanha, apoiadores do primeiro-ministro Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), organizaram o grupo La fuerza de la gente (A força das pessoas).

A comunidade compartilha discursos, vídeos e imagens do primeiro-ministro. Entre os materiais divulgados estão orientações identificadas como as seis regras da estratégia digital de Janones, adaptadas à mobilização política espanhola.

Já na Argentina, integrantes da ala jovem e de setores mais à esquerda do peronismo criaram o Ejército del Peronismo (Exército do Peronismo), reunindo opositores do presidente Javier Milei.

O grupo utiliza vídeos e publicações da campanha de Lula como referências para organizar ações nas redes sociais. Os participantes recebem tarefas para divulgar a comunidade, compartilhar conteúdos e ampliar a participação de novos integrantes.

A reportagem aponta que as três iniciativas adotaram características semelhantes às utilizadas por Janones no Brasil, embora estejam inseridas em contextos políticos diferentes.

A expansão dessas comunidades ocorre após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL), no segundo turno presidencial de domingo (25). A mobilização digital foi uma das estratégias utilizadas pelos apoiadores do petista durante a disputa eleitoral.

Fonte: Correio Braziliense
Foto: Reprodução

Acompanhe o Blog do Nill Júnior também no Instagram e veja essa e outras notícias: @nill_jr