Quaest: seis em cada dez brasileiros reprovam saída de Flávio Bolsonaro para os EUA e questionamento das urnas

A saída de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos após a derrota na eleição presidencial e sua postura de contestar o resultado das urnas são rejeitadas pela maioria dos brasileiros.
Pesquisa Quaest divulgada neste domingo (8) mostra que 62% dos entrevistados consideram errada a decisão do senador de deixar o país, enquanto 59% são contrários ao seu questionamento da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O levantamento, intitulado “O Brasil depois das urnas”, revela ainda divergências entre eleitores de direita que não se identificam como bolsonaristas. Nesse grupo, 46% consideram correta a viagem de Flávio, enquanto 45% avaliam a decisão como errada, resultado que configura empate técnico.
No conjunto dos entrevistados, 29% aprovam a ida do senador aos Estados Unidos. Sobre as razões da viagem, realizada cerca de 48 horas depois da derrota no segundo turno, 56% acreditam que Flávio deixou o Brasil para escapar de investigações judiciais. Outros 35% entendem que ele buscou se proteger de uma suposta perseguição política.
A divisão também aparece entre os eleitores de direita não bolsonaristas: 51% acreditam na hipótese de perseguição política, enquanto 42% consideram que o senador tentou fugir da Justiça.
Flávio é investigado em procedimentos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), envolvendo suspeitas relacionadas ao Banco Master e ao advogado Willer Tomaz. As investigações ainda não resultaram em condenação criminal.
A pesquisa também avaliou a reação dos brasileiros às declarações do senador sobre o resultado eleitoral. Para 59%, Flávio erra ao questionar a vitória de Lula, enquanto 34% apoiam seu posicionamento.
Entre os próprios eleitores que votaram em Flávio no segundo turno, 21% são contrários à recusa em reconhecer o resultado, e 24% consideram que ele se comportou mal depois da derrota.
Quando questionados sobre o comportamento geral do senador após a eleição, 60% dos entrevistados fizeram uma avaliação negativa, enquanto 25% consideraram sua postura adequada.
Outro dado aponta que 30% dos brasileiros acreditam que houve fraude nas eleições presidenciais de 2026, percentual próximo aos 29% registrados após a disputa de 2022. Entre os eleitores de Flávio, 64% compartilham essa percepção, enquanto 28% consideram que a eleição foi limpa e justa.
Não foram apresentadas provas de fraude capazes de comprometer a legitimidade do resultado proclamado pela Justiça Eleitoral.
Para o diretor da Quaest, Felipe Nunes, os resultados mostram que o bolsonarismo continua contando com uma parcela expressiva de apoiadores, mas enfrenta divergências dentro do próprio campo conservador. Na avaliação do pesquisador, a divisão pode abrir espaço para outras lideranças na oposição nacional.
O levantamento também investigou os sentimentos dos brasileiros após a reeleição de Lula. Entre os eleitores que se identificam como lulistas, 40% mencionaram alegria. Na esquerda não lulista, o sentimento mais citado foi alívio, com 34%.
Já entre os eleitores de direita não bolsonarista, 27% apontaram decepção. Entre os bolsonaristas, 26% declararam revolta com o resultado eleitoral.
A pesquisa Quaest ouviu 2.004 eleitores entre 30 de outubro e 2 de novembro de 2026. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O contratante e o número de registro eleitoral não foram informados na reportagem consultada.
Fonte: O Globo
Foto: Reprodução
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