Primeiro debate presidencial expõe diferenças entre Caiado, Renan Santos e Augusto Cury
O primeiro debate entre candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026, realizado no domingo (23), pela Band em parceria com o Estadão, colocou frente a frente Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). Com as ausências de Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo), os três participantes dividiram o espaço entre propostas econômicas, segurança pública, programas sociais, relações de trabalho e críticas aos adversários.
Ao longo do encontro, Caiado adotou um discurso mais voltado à gestão e à economia. Renan apostou em uma postura de confronto e em propostas de mudança na legislação trabalhista, enquanto Cury buscou se apresentar como alternativa à polarização e defendeu a manutenção de programas sociais com ajustes.
Caiado promete controle de gastos e juros a 6%
Ronaldo Caiado concentrou parte de suas intervenções na política econômica. O candidato criticou o governo Lula e afirmou que o Brasil precisa recuperar a confiança de empresários e investidores.
Entre as promessas apresentadas, disse que pretende conter despesas públicas e buscar condições para que a taxa de juros caia a 6%, com inflação entre 3% e 4%.
“Vou conter despesas e fazer com que a taxa de juros caia a 6% e a inflação fique em torno de 3% ou 4%”, afirmou. Os números representam metas apresentadas pelo candidato e dependeriam, caso eleito, de fatores econômicos e de decisões que não são controladas exclusivamente pelo Poder Executivo.
Caiado também abordou segurança pública. Segundo a avaliação posterior de um pequeno grupo de eleitores reunido pelo Instituto Travessia, uma das falas que mais agradou aos participantes foi a defesa de medidas mais duras contra a violência praticada contra mulheres, incluindo confisco de bens de agressores e aumento das penas conforme a gravidade da violência.
Renan Santos aposta no confronto
Renan Santos adotou o tom mais agressivo entre os participantes. Durante o debate, chegou a afirmar que não deseja o voto de parte dos eleitores de Lula, criticando aqueles que, em sua avaliação, apoiam o presidente mesmo diante das acusações feitas pela oposição.
O candidato também se posicionou contra a possibilidade de redução da jornada de trabalho sem redução salarial nos moldes discutidos pela proposta que busca acabar com a escala 6×1.
Renan defendeu uma nova reforma trabalhista que permita maior contratação por hora. Segundo ele, o modelo poderia aumentar a remuneração dos trabalhadores.
Na segurança pública, também apresentou medidas de endurecimento no combate às facções criminosas, entre elas a criação de grandes unidades prisionais.
O estilo de Renan dividiu as avaliações no grupo de eleitores acompanhado pelo Instituto Travessia: parte dos homens elogiou sua postura direta, enquanto mulheres participantes da dinâmica demonstraram maior rejeição ao tom considerado agressivo.
Cury defende Bolsa Família com ajustes
Augusto Cury afirmou que pretende manter o Bolsa Família caso seja eleito, mas defendeu mudanças nas regras do programa.
Segundo o candidato, trabalhadores que consigam emprego formal ou abram um Microempreendedor Individual (MEI) não deveriam perder imediatamente o benefício. Cury não detalhou, no debate, por quanto tempo essa proteção seria mantida.
O candidato também procurou distanciar seu discurso da polarização entre esquerda e direita e afirmou que o país vive um ambiente político radicalizado.
“O Brasil está dramaticamente doente, radicalizado, polarizado”, declarou.
Cury citou ainda a existência de 6,7 milhões de jovens que não trabalham nem estudam e abordou questões relacionadas à saúde mental. Em determinado momento, criticou o comportamento de Renan Santos e disse estar impressionado com o “nível de agressividade” do adversário.
Caiado teve melhor avaliação em grupo de 12 eleitores
Após o debate, uma dinâmica qualitativa realizada pelo Instituto Travessia com 12 eleitores de São Paulo apontou Caiado como o participante mais bem avaliado naquele grupo.
É importante destacar que o levantamento não é uma pesquisa eleitoral e não representa o conjunto do eleitorado brasileiro. Trata-se de um grupo reduzido, selecionado para acompanhar o debate e registrar impressões em tempo real.
Os participantes utilizavam cartões verdes, amarelos e vermelhos para indicar aprovação, neutralidade ou reprovação às falas. Caiado recebeu quase 60 avaliações positivas e apenas duas negativas ao longo da dinâmica, sendo descrito por parte dos participantes como “experiente”, “técnico” e “equilibrado”.
A dinâmica também registrou mudanças entre alguns eleitores que inicialmente declaravam voto em Flávio Bolsonaro. Dos três apoiadores do candidato do PL presentes no grupo, duas mulheres terminaram inclinadas a votar em Caiado, enquanto o terceiro passou a considerar também Renan Santos.
Entre os três eleitores inicialmente indecisos, dois terminaram a dinâmica demonstrando preferência por Renan, enquanto outro declarou apoio a Caiado.
Já os três participantes que declaravam voto em Lula mantiveram a preferência pelo presidente ao final do encontro.
Cury recebeu avaliações de que demonstrou boas intenções, mas alguns integrantes do grupo manifestaram dúvidas sobre sua capacidade de implementar propostas mais complexas.
Ausências também marcaram o debate
Além do desempenho dos três participantes, o primeiro encontro da campanha foi marcado pelas ausências dos candidatos que ocupam as duas primeiras posições nas pesquisas, Lula e Flávio Bolsonaro.
Romeu Zema também não compareceu.
Entre os 12 participantes da dinâmica do Instituto Travessia, a ausência de Lula não provocou mudança entre seus apoiadores. Já parte daqueles que inicialmente declaravam voto em Flávio manifestou frustração e passou a considerar outros nomes.
O resultado dessa dinâmica não permite projetar efeitos eleitorais em escala nacional, mas oferece um retrato qualitativo de como aquele pequeno grupo recebeu o primeiro confronto televisivo da campanha.
Fonte: Estadão
Imagem: Reprodução
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O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), afirmou na manhã deste sábado (16) em sua conta no Twitter (@MichelTemer) que manterá “todos os programas sociais”, incluindo o Bolsa Família.

















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