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Opinião: água e saneamento básico são direitos, não uma mercadoria

Por Nill Júnior

Heitor Scalambrini Costa*

Virou palavrão falar em privatização, depois das promessas não cumpridas com a privatização da distribuidora de energia elétrica, a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), atual Neoenergia. Nem houve modicidade das tarifas, pelo contrário; nem ocorreu a melhoria da qualidade na prestação dos serviços e nem houve os investimentos milionários prometidos.

Diante desta realidade, tentar convencer os pernambucanos de que não é privatização e sim concessão, como está sendo propalado para o caso da Companhia Pernambucana de Água, Esgoto e Saneamento (Compesa), de fato não irá convencer ninguém de que a parceria com a iniciativa privada vai melhorar os serviços e que isso não representará aumento na tarifa.

Os defensores do Estado mínimo, os privatistas defensores de seus negócios e interesses pessoais, os políticos oportunistas, fogem como o diabo foge da cruz, quando se fala da privatização da Compesa. Até seu presidente afirmou em entrevista à mídia “que a Compesa é imprivatizável”.

Todavia o que está decidido, desde o início do mandato da governadora Raquel Lyra (PSDB), é que a última grande joia da coroa do Estado seria privatizada, com o objetivo alegado de atender às diretrizes do Marco Legal do Saneamento Básico, cujas metas aponta para a universalização dos serviços de água e de coleta e processamento de esgoto até 2033. E sem dúvida para o governo fazer caixa com os recursos arrecadados com o leilão.

O estudo de como seria a participação dos investimentos privados na empresa foi encomendado junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no início de maio de 2023. Já o relatório final foi apresentado em meados de março de 2024, contemplando 3 propostas: a de concessão total, a de concessão parcial, e a de conceder ao capital privado somente os serviços de coleta e tratamento de esgoto. Se fala em concessão, que é uma maneira de privatização, já que a empresa ganhadora da licitação ficará 35 anos à frente dos negócios. E, dependendo do contrato assinado entre as partes, poderá até constar uma cláusula com renovação automática.

A decisão tomada pelo governo foi a privatização parcial, ou seja, a Compesa (empresa de economia mista, com o Estado o maior acionista) continuará atuando na captação e tratamento da água e a iniciativa privada ficará com a distribuição da água e a coleta e tratamento dos esgotos. Um dos aspectos de questionamento a este modelo é que ele tem pouca flexibilidade para mudar durante sua execução. Depois que começar é muito difícil parar, é pouco adaptável ao longo do tempo.

A situação no Estado sobre as condições de abastecimento de água e saneamento, segundo levantamento realizado pelo Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), para o ano de 2022 (último ano disponível da série histórica), mostra que 87% dos pernambucanos tinham acesso à água tratada e apenas 34% tinham acesso à coleta de esgoto. Com um índice de perda na distribuição de água de cerca de 46%. No Brasil, as perdas de água tratada chegam a 39% em média, e 85% da população é abastecida com água potável. A proporção de domicílios com acesso à rede de coleta de esgoto chega a 63%.

No caso do abastecimento de água tratada os dados divulgados não refletem de fato a realidade presente na maioria dos municípios, que sofrem com o racionamento, com rodízio no fornecimento, com o desabastecimento mesmo com água disponível nos reservatórios, além dos efeitos da seca hidrológica, cuja tendência com as mudanças climáticas é de serem intensificados. Não será a privatização quem vai resolver estes problemas.

Segundo experiências em várias regiões do país e no mundo, que já passaram pela privatização, a situação é bem diferente dos argumentos de quem apoia a privatização: de que as contas de água ficarão mais baratas, que o serviço será prestado de forma mais eficiente e que as cidades atingirão rapidamente a universalização.

Grande parte do funcionamento desta iniciativa, inclusive de como será a remuneração da empresa privada, a tarifa paga pelo consumidor, será conhecida depois da contratação da empresa vencedora do certame. É (re)conhecido que os contratos de privatização costumam ser extremamente favoráveis, lenientes e permissíveis com as empresas privadas.

E a quem caberá a fiscalização da empresa privada em relação aos compromissos estipulados no contrato de privatização? Hoje, segundo o portal da Agência de Regulação de Pernambuco (ARPE), ela é quem atua em relação aos aspectos técnico-operacionais na fiscalização dos sistemas de abastecimento de água, de esgotamento sanitário, no controle da qualidade da água distribuída, no controle da eficiência do tratamento dos esgotos e que, ainda, monitora os indicadores técnicos operacionais. Também fiscaliza assuntos relacionados ao segmento comercial, referente aos serviços de abastecimento de água e coleta e tratamento de esgoto.

O processo, encaminhado pela Secretaria de Recurso Hídricos e Saneamento (SRHS), entrou em sua fase final em relação às formalidades exigidas antes do leilão da empresa. O fato de não ser considerada legalmente uma privatização, com a transferência de ativos da empresa pública para a iniciativa privada, alienando os bens da empresa pelo governo Estadual, este processo de “concessão” desobriga a aprovação do negócio pela Assembleia Legislativa do Estado (ALEPE).

Todavia a Constituição Federal de 1988, exige a realização de audiências públicas. Em nome de uma pseudo transparência e de participação popular, um calendário com 5 audiências públicas foi definido pela SRHS nos municípios: Recife, Caruaru, Petrolina, Salgueiro e Serra Talhada.

As audiências públicas que deveriam ser um instrumento de participação popular, um espaço em que se expõe e debate, propiciando à sociedade o pleno exercício da cidadania, acaba sendo uma mera formalidade, uma palestra de tecnocratas, cujo conteúdo é de difícil apropriação dos poucos representantes da sociedade presentes.

Com a compreensão de relativizar as audiências públicas pois não têm o poder de vincular a decisão estatal, a finalidade das audiências públicas seria de trazer subsídios para dentro do processo decisório, fazendo parte da sua instrução e, assim, a capacidade de aproximar o político da sociedade.

O que de fato tem-se verificado nestas audiências esvaziadas, com escassa presença dos maiores interessados, os que serão impactados pela decisão política adotada, não foi um efetivo intercâmbio de informações com a Administração Pública, e sim um monólogo.

Se pode afirmar que a privatização (mesmo chamando de concessão de 35 anos) de serviços essenciais, como água e saneamento, não resolverá os problemas de acessibilidade e qualidade enfrentados pela população. O que se tem verificado é a tendência que esses serviços se tornem mais caros, e mais difíceis de serem acessados, principalmente pelas populações mais vulneráveis. Por uma simples razão, que está na essência do setor privado, o lucro, e assim maximizar o retorno aos seus acionistas. A empresa privada só irá investir se a região a ser atendida der lucro.

Água e saneamento básico é um direito, não uma mercadoria.

*Heitor Scalambrini Costa é Professor aposentado da Universidade Federal de Pernambuco

Outras Notícias

Serra Talhada registra o 194º óbito por Covid-19

Hospital Eduardo Campos está com 40% de ocupação, com 16 pacientes internados na UTI, sendo seis com Covid-19 e dez com Síndrome Gripal. Um paciente do sexo masculino, 76 anos, morador do bairro Bom Jesus l, em Serra Talhada, foi a 194ª vítima da Covid-19 no município. Ele tinha Comorbidades: HAS e Diabetes. Faleceu no […]

Hospital Eduardo Campos está com 40% de ocupação, com 16 pacientes internados na UTI, sendo seis com Covid-19 e dez com Síndrome Gripal.

Um paciente do sexo masculino, 76 anos, morador do bairro Bom Jesus l, em Serra Talhada, foi a 194ª vítima da Covid-19 no município.

Ele tinha Comorbidades: HAS e Diabetes. Faleceu no dia 31 de dezembro de 2021 no Hospital Eduardo Campos.

A Secretaria Municipal de Saúde de Serra Talhada registrou 20 casos positivos de Covid-19 no boletim epidemiológico desta segunda-feira (3), referentes às últimas 120 horas.

São treze pacientes do sexo feminino e sete do sexo masculino, com idades entre 2 e 76 anos. 

Dos positivados, são dezoito vacinados, um não vacinado e um menor de 12 anos. Dos vacinados, um tomou primeira dose, treze tomaram segunda dose e três tomaram terceira dose.

O município soma 11.097 casos confirmados, sendo 6.269 pacientes do sexo feminino e 4.828 do sexo masculino. Dos casos confirmados até o momento, 10.855 pacientes estão recuperados, 34 estão em isolamento domiciliar e 4 em tratamento hospitalar, somando 38 casos ativos, além de 194 óbitos. 

Em relação aos casos suspeitos, 76 estão aguardando resultado de exames e 60.181 já foram descartados.

Ocupação hospitalar – O Hospital Eduardo Campos está com 40% de ocupação, com 16 pacientes internados na UTI, sendo seis com Covid-19 e dez com Síndrome Gripal.

Dos seis pacientes de Covid-19 internados na unidade, três são serra-talhadenses. Dos dez pacientes com síndrome gripal, um é serra-talhadense.

O HOSPAM está com 20% de ocupação, com dois pacientes internados na UTI, sendo um serra-talhadense.

Não há pacientes internados nos Leitos de Retaguarda do Hospital São José.

Portanto, são quatro serra-talhadenses internados na rede pública de Serra Talhada, todos em leitos de UTI.

23º BPM realiza atividades de conscientização e homenagens pelo Dia Internacional da Mulher

Sob o comando do Major Julierme Veras, o 23º Batalhão da Polícia Militar de Pernambuco, sediado em Afogados da Ingazeira, teve atividades alusivas ao Dia Internacional da Mulher. O objetivo, homenagear as mulheres do Pajeú, além de promover a mensagem da cultura de paz na sociedade, combatendo a violência doméstica e ajudando a conscientizar para a […]

Sob o comando do Major Julierme Veras, o 23º Batalhão da Polícia Militar de Pernambuco, sediado em Afogados da Ingazeira, teve atividades alusivas ao Dia Internacional da Mulher.

O objetivo, homenagear as mulheres do Pajeú, além de promover a mensagem da cultura de paz na sociedade, combatendo a violência doméstica e ajudando a conscientizar para a prevenção de casos de violência.

Pela manhã houve palestra preventiva com policiais da Patrulha Maria da Penha, no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Carnaíba.

Em seguida, policiais militares realizaram distribuição de rosas para as mulheres afogadenses em ruas de Afogados da Ingazeira. Tam,bém houve atividades integradas com a DElegacioa da mulher e homenagem às mulheres PMs da região.

André Longo: “Hospital Eduardo Campos será divisor de águas na região”

O Secretário de Saúde André Longo explicou ao blog e à Rádio Pajeú o funcionamento da primeira etapa do Hospital Governador Eduardo Campos. Ele visita a unidade com o governador Paulo Câmara neste sábado. Qual será o papel da unidade nessa primeira etapa? Ele será referência no Sertão no primeiro momento para Covid-19. Quando estiver […]

O Secretário de Saúde André Longo explicou ao blog e à Rádio Pajeú o funcionamento da primeira etapa do Hospital Governador Eduardo Campos. Ele visita a unidade com o governador Paulo Câmara neste sábado.

Qual será o papel da unidade nessa primeira etapa?

Ele será referência no Sertão no primeiro momento para Covid-19. Quando estiver pleno terá 30 leitos de UTI e mais leitos de enfermaria. Anexo, temos o Hospital de Campanha com 100 leitos para melhor atender essas pessoas acometidas de com Covid-19 do Sertão, pegando a IV Macro Região, com regiões como as de Arcoverde, Afogados e outras que também se complementam para o expectro de atuação do hospital.

Após a pandemia, como será o atendimento?

Passada a pandemia, temos confiança que vamos superar esse momento, esse hospital será ampliado ainda mais para tender os traumas na região com uma grande emergência para acidentes, traumas de motos, problemas cirúrgicos graves que acometem a população. Ele vai complementar a atenção de emergência para toda a região.

Serra já tinha uma unidade de referência, o Agamenon Magalhães. O que acontece com ele?

O Agamenon Magalhães vai se voltar para a área materno-infantil. Com essa unidade que entregaremos, teremos um divisor de águas para a saúde do Sertão. A maior obra em praticamente duas décadas.

O Sertão ainda não avançou para a próxima etapa do plano de reabertura gradual. Porquê?

Precisamos fazer a população entender do delicado momento que passamos. Os números apontam para crescimento do número de casos, uma maior demanda desses casos pro sistema de saúde, principalmente no Sertão. Precisamos cuidar da prevenção, sempre a melhor solução para doenças graves como a Covid 19, seguindo os passos que a gente gosta sempre de ressaltar. Usar máscara, cobrir boca e nariz, higienização das mãos sempre que tiver contato com alguma superfície, álcool em gel ou a 70% sempre que possível e guardar o distanciamento social de pelo menos um metro e meio, seguir os protocolos para retomada das atividades. Ter esse cuidado com distanciamento social, para que a gente possa conter a expansão da doença. Seguidas essas recomendações, podemos diminuir a velocidade de transmissão do vírus e assim poupamos vidas.

Pernambuco registra 811 novos casos da Covid-19

Diário de Pernambuco Pernambuco confirmou, neste sábado (2), 811 novos casos da Covid- 19, sendo 362 casos que se enquadram como Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag), que se enquandram nos casos graves, além de outros 449 casos leves. Agora, o Estado totaliza 8.145 casos confirmados. Dos casos graves, 1.894 receberam alta hospitalar e estão em […]

Diário de Pernambuco

Pernambuco confirmou, neste sábado (2), 811 novos casos da Covid- 19, sendo 362 casos que se enquadram como Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag), que se enquandram nos casos graves, além de outros 449 casos leves.

Agora, o Estado totaliza 8.145 casos confirmados.

Dos casos graves, 1.894 receberam alta hospitalar e estão em isolamento domiciliar. Outros 1.332 estão internados, sendo 216 em UTI e 1.116 em leitos de enfermaria, tanto na rede pública quanto privada. Além disso, há 1.193 pacientes recuperados da doença, 98 a mais que o boletim anterior.

Até agora, os casos graves confirmados da doença estão distribuídos por 125 municípios pernambucanos, além do Arquipélago de Fernando de Noronha.

Também foram confirmados laboratorialmente 25 óbitos, sendo 11 mulheres e 14 homens. de pessoas residentes nos municípios de Recife (10), Olinda (2), São Lourenço (2), Água Preta (1), Cabo de Santo Agostinho (1), Camaragibe (1), Caruaru(1), Escada (1), Ibimirim (1), Jaboatão dos Guararapes (1), Paulista (1), Ribeirão (1), Timbaúba (1), Xexéu (1). Com isso, o Estado totaliza 628 mortes pela Covid-19.

Os pacientes dos óbitos confirmados neste boletim tinham idades entre 46 e 86 anos e faleceram entre os dias 15 de abril e 1° de maio. Dos 25 pacientes que vieram a óbito, 17 apresentavamcomorbidades como hipertensão (9), diabetes (8), doença cardiovascular (3), doença renal (3), câncer (3), tabagismo (1), DPOC (1), obesidade (1).

Com relação à testagem dos profissionais de saúde com sintomas de gripe, em Pernambuco, 2.097 casos foram confirmados e 1.337 descartados. As testagens abrangem os profissionais de todas as unidades de saúde, sejam da rede pública, estadual e municipal, ou privada.

Ala “nem Dilma nem Cunha” sugere abstenções

Deputados de partidos que já indicaram voto a favor do impeachment, como o PSB e o PSD, tentam articular em suas legendas um movimento para aumentar o número de abstenções e impedir a aprovação da saída de Dilma Rousseff do governo. O movimento ganhou alento porque o placar de votos já declarados a favor do […]

16033273Deputados de partidos que já indicaram voto a favor do impeachment, como o PSB e o PSD, tentam articular em suas legendas um movimento para aumentar o número de abstenções e impedir a aprovação da saída de Dilma Rousseff do governo.

O movimento ganhou alento porque o placar de votos já declarados a favor do impeachment é considerado apertado. Os nomes dos parlamentares que puxam o movimento não foi divulgado.

De acordo com levantamento da Folha, 342 parlamentares já disseram oficialmente que vão votar pela saída de Dilma. Exatamente o número necessário para a admissão da abertura de processo contra Dilma.

Apesar da onda a favor do impeachment, até agora o placar oficial não indicou larga margem de votos contra a presidente, o que deu alento a parlamentares para lançarem esse movimento dentro de suas legendas para tentar reverter algum voto j declarado e mesmo facilitar que “indecisos” como os do PR, por exemplo, pulem para o barco de Temer.