Caso Master: mensagens entre Vorcaro e Moraes abrem nova frente de investigação
Relatório da PF detalha contatos no período anterior à prisão do ex-banqueiro e registra mensagens de visualização única enviadas no próprio dia da detenção.
Depois das suspeitas de fraudes financeiras que levaram o Banco Master à liquidação, as investigações ganharam uma nova frente com a análise de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro e atribuídas a contatos com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Como mostrou a primeira reportagem desta série, o caso começou com suspeitas de operações financeiras sem lastro, ativos superavaliados e outras irregularidades. Agora, a apuração busca esclarecer se Vorcaro teve acesso antecipado a informações sigilosas ou tentou recorrer a autoridades enquanto a Polícia Federal avançava sobre suas operações.
Um dos elementos que ganharam relevância está no relatório da PF sobre as comunicações mantidas em 17 de novembro de 2025, dia em que Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Segundo o documento, Moraes enviou ao banqueiro quatro mensagens no modo de visualização única, recurso do WhatsApp que faz com que o conteúdo desapareça após ser aberto. Os envios ocorreram às 8h16, 17h31, 20h21 e 20h23. As duas últimas mensagens foram remetidas poucas horas antes da prisão.
A Polícia Federal não conseguiu recuperar o conteúdo dessas quatro mensagens.
No mesmo dia, Vorcaro também enviou sucessivas mensagens ao interlocutor atribuído a Moraes. Pela manhã, falou sobre as tentativas de antecipar a venda do Master. À tarde, voltou a tratar das negociações e questionou se havia alguma novidade sobre as medidas que poderiam atingir o banco.
Às 17h26, por exemplo, Vorcaro perguntou se havia novidade e se tinha sido possível obter informação ou “bloquear” alguma medida. Cinco minutos depois, às 17h31, consta uma mensagem de visualização única enviada pelo ministro, cujo conteúdo não foi recuperado.
Já às 20h48, o banqueiro informou que estava a caminho de uma negociação com investidores estrangeiros. Pouco depois, seria preso pela Polícia Federal.
As informações ampliam os questionamentos sobre o grau de contato mantido entre Vorcaro e Moraes no momento em que a Operação Compliance Zero avançava.
Mensagens anteriores também chamaram atenção
Os contatos não se limitam ao dia da prisão. Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes da detenção, Vorcaro questionou se deveria deixar o país. No dia seguinte, voltou a perguntar sobre a possibilidade de uma operação policial e sugeriu um encontro.
A Polícia Federal busca determinar se o ex-banqueiro recebeu antecipadamente informações sobre medidas sigilosas e, caso isso tenha ocorrido, de onde elas partiram.
Parte das comunicações encontradas no celular de Vorcaro era produzida como texto no bloco de notas, transformada em imagem e posteriormente enviada pelo WhatsApp no modo de visualização única, o que dificultava a recuperação posterior do conteúdo.
Moraes já contestou mensagens
Alexandre de Moraes já contestou anteriormente a atribuição de parte das mensagens encontradas no celular de Vorcaro.
Em manifestação divulgada em março, o ministro sustentou que determinados arquivos não estavam associados ao seu número de telefone. A identificação dos destinatários, o conteúdo das comunicações que desapareceram e o contexto completo dos diálogos permanecem, portanto, entre os pontos analisados pelas autoridades.
Contrato com escritório da esposa
Outro elemento relacionado ao caso envolve um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Registros digitais analisados pela investigação indicariam participação de um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” na edição de uma versão do documento.
A existência do contrato e eventual participação do ministro em sua análise não representam, isoladamente, comprovação de crime. O escritório sustenta que a contratação foi regular.
Caso chega à PGR
O ministro André Mendonça encaminhou informações relacionadas às mensagens à Procuradoria-Geral da República (PGR) e pediu manifestação do órgão. Também solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, uma sessão presencial do plenário para discutir os novos elementos.
Uma eventual investigação formal contra integrante do Supremo exige procedimentos específicos dentro da própria Corte.
Até o momento, não há conclusão de que Alexandre de Moraes tenha cometido crime. A apuração busca justamente esclarecer a autenticidade, o contexto e a relevância jurídica das comunicações.
Confira abaixo, em nosso Instagram, o carrossel com imagens dos prints das mensagens que integram a apuração.
Matéria em atualização
Fonte: G1 / Estadão / STF
Foto: Reprodução
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