Grupo Amigos do Cinema Rio Branco realiza 1ª Mostra de Cinema
Fechado, com telhado comprometido e projetor danificado, mas longe de ser esquecido. É em frente às portas fechadas do Cinema Rio Branco que a cultura de Arcoverde vai fazer barulho. Nesta segunda, 27 de julho, às 17h, o Movimento Amigos do Cinema Rio Branco realiza a Intervenção Cinematográfica: OCUPA RIO BRANCO – 1ª Mostra de Cinema, com exibição de película de produção local.
O ato é organizado pelo Movimento Amigos do Cinema Rio Branco, com apoio do MAMA – Movimento Arcoverdense de Música Autoral, COCAR – Coletivo Cultural de Arcoverde, MAPA e Rádio Itapuama FM. A proposta é clara: ocupar a rua para não deixar a história morrer.
Um cinema que nasceu antes da cidade
A história do Rio Branco se confunde com a própria história de Arcoverde. Quando foi inaugurado, em 5 de maio de 1917, Arcoverde ainda não existia – era apenas o vilarejo de Rio Branco, pertencente a Pesqueira.
Na época, a cidade tinha apenas dois prédios: a estação ferroviária e a casa comercial Salve Napoleão. Foi do seu dono, Valdemar Napoleão Arcoverde, que surgiu a ideia de construir o cinema. A iniciativa foi do coronel Augusto Cavalcante e a construção e administração ficaram a cargo de Antônio Napoleão Pacheco de Albuquerque.
Ali, foram travados os primeiros debates sobre a emancipação do município. Não é pouca coisa: o Rio Branco é reconhecido como a mais antiga sala de rua em funcionamento na América Latina. Em 2017, ao completar 100 anos, foi reaberto com sistema digital e foi chamado de reencontro com a nossa história.
Do centenário ao abandono: a denúncia
O centenário, no entanto, foi seguido de um novo ciclo de abandono.
Em setembro de 2022, denúncias apontaram que a situação interna estava pior que a externa, com riscos estruturais e o projetor com perda total. O projetor digital, comprado em 2017, foi danificado pelo uso inadequado.
Em maio de 2023, a Prefeitura anunciou o início da reforma pelo telhado, dizendo que o cinema voltaria a funcionar em breve. A obra não se concretizou.
Em abril de 2024, o descaso chegou à Câmara: o vereador Rodrigo Roa cobrou publicamente informações sobre a inauguração do Cinema Rio Branco. Em 2025, o prédio segue fechado.
“Não é pouca coisa o que está acontecendo. A história do sertão de Pernambuco passou por essa sala. Reinserir este espaço na vida cultural é um passo que retoma valores democráticos e contribui para a humanização da cidade”, disse na época da reabertura o então Secretário de Cultura Marcelino Granja.






CNN Brasil
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